domingo, maio 28, 2023

3 Erros do travão aos Golden Visa e ao AL em Portugal

 

Foi anunciado a 30 de março de 2023, o fim dos Golden Visa e restrições ao alojamento local, como medidas cruciais para solucionar a pressão habitacional e travar o escalar dos preços das rendas e das casas. 


Passados três meses, o anúncio que não foi mais do que um artifício inábil, até porque ainda não entrou em vigor,  e são já incomensuráveis  as perdas e não verificou-se qualquer efeito positivo, senão vejamos: 

  1. PERDEU O PAÍS
  2. Só no turismo habitacional, e segundo dados da Associação e Turismo Residencial e Resorts, a economia portuguesa perdeu 4,8 mil milhões de euros, por via do cancelamento de 800 milhões de investimento em turismo habitacional, o que representa 500 milhões de impostos e 2090 empregos criados. 

  3. TIMMING ERRADO                                              Quando o país e os portugueses sofrem por via de uma guerra que atrofiou a economia, com a inflação incomportável  e o consequente aumento das taxas de juro, o governo adotou por ser um elemento desestabilizador gerando  incertezas. E o momento não ajuda porque, por via da atual conjuntura, não é crível grande capacidade de investimento em habitação, sobretudo nas grandes cidades, pelas famílias portuguesas.                                             
  4. ERRO DE COESÃO TERRITORIAL  
  5. Hoje ninguém tem dúvidas dos efeitos das “exportações” no setor imobiliário e do turismo. É claro que contribuiu para a pressão habitacional, em particular nas grandes cidades, mas, não podemos esquecer que Portugal desenvolve-se a duas velocidades. Por um lado impera a pressão habitacional nos centros urbanos,  por outro assiste-se à desertificação rural. 


Pior do que o rumo errado é não existir um rumo, assim é Portugal: 

-Os bichos papão de hoje, foram os investidores que tanto se desejou. 

-Precisa de desenvolvimento mas satura-se da sua existência. 

-Queixa-se da “sobrevivência” do Estado e futuro dos serviços e apoios sociais, mas enxota-se aqueles que podem gerar riqueza, pagar impostos, contratar serviços e criar empregos. 

-Anuncia-se antes de estudar e planear. 

-Extinguem-se programas, sem antes pensar em alternativas de captação de investimento. 


É este o país de Camões, que teve mais ousadia em lançar-se nos mares nunca antes navegados, e que hoje alguns parecem querer fechar-se ao Mundo, carregando nos seus com taxas e taxinhas, papéis e papelinhos e oferecendo incertezas para todos os que, de fora, olham com potencial para Portugal. 


Posto estas vicissitudes, temos um país gerido ao “sabor do vento”. Trocas e baldrocas, e neste caso , no pacote de medidas que visam o Alojamento Local e os Golden visa, destruiu-se a confiança e há poucas perspetivas que se recupere destas medidas lesa pátria. 


Se Portugal já é rico e não precisa de investimento estrangeiro alguém que avise! 

E que não lhes dê a ideia de fechar o país ao turismo, um dos setores que mais contribui para a nossa economia, porque afinal podem chegar à conclusão que saturou o país e é nefasto. 


É preciso que se aponte ao investimento e que medidas alternativas sejam estudadas e viabilizadas por um desígnio maior- os portugueses. Portugal não é só Lisboa e Porto, as “lentes” dos decisores tem de ver mais além, e saber usar as dificuldades/ oportunidades para desenvolver o país como um todo. 

quarta-feira, maio 24, 2023

Um Reino que definha

No passado dia 6 de maio, o mundo assistiu à coroação do Rei Carlos III, numa monarquia tradicional,  onde ainda perpetuam os rituais e a tradição ancestral. Pese embora tenha sido um momento histórico, de mobilização do Reino Unido e das mais variadas representações dos países, a verdade é que constatam-se diversos sinais:

Carlos III não é um rei carismático

O Rei não tem a simpatia de sua mãe, nem tão pouco a admiração da generalidade dos britânicos. Carlos III pautou a sua vida por muitas polémicas, sobretudo relacionadas com os enredos em torno da Princesa Diana e Camila, agora rainha, mas, também, por ser um homem cinzento, misterioso e sem "expressão". As monarquias vivem, e muito da imagem, Carlos não a tem!

Carlos não é o rei para este tempo

Vale sempre mais ser genuíno do que forçar o que não seja natural, foi o que optou o Rei Carlos na sua coroação, não inventou e preferiu seguir os cânones tradicionais. 

Seja como for, Carlos perdeu a oportunidade de acompanhar os tempos, de demonstrar que embora o Reino Unido tenha monarquia e um Rei, Carlos podia mostrar que é mais um do seu Povo. Não o fez, não tem capacidade nem estilo para mudar. Quando ao seu reinado, uma coisa é certa: não haverá surpresas, pelo menos que partam da sua iniciativa, é pena! 

Camila nunca será Rainha no coração dos britânicos

Coroar Camila foi um erro, melhor dizendo, foi o aprofundar de um fosso entre o Rei Carlos III e os seus concidadãs. Não é querida, não tem carisma, não tem uma única expressão cativante, nem se esforça para ser e ter. Carlos realizou um sonho da sua mulher, mas nunca um desejo dos britânicos e tem um custo. Seja como for a princesa Diana será para sempre uma sombra à Rainha consorte. 

Filhos e enteados 

Embora Harry tivesse tomado um caminho diferente no reinado inglês, a verdade é que o Rei tinha a obrigação de agir diferente, assegurando a inexistência de qualquer descriminação. Na verdade quem lidera, ou sobretudo quem é pai, tem de estar acima, tem de saber unir, congregar. Carlos não o fez e esteve muito mal, inclusive abrindo espaço para mais clivagens, completamente dispensáveis, no seio da família real.

Posto isto, o que vale é que os britânicos são conservadores, e a rogo da sua história, vão deixando perpetuar uma monarquia que definha.  Os novos tempos exigem atores atuais que possam agir, que possam ser o barómetro nos acontecimentos que abalam o poder político, como tem sido tanto e consequente no poder político inglês. O tempo dirá se Carlos estará a altura, mas os desafios atuais do Reino Unido são tantos quando a garra de um Rei é tão frágil e fragilizada.  

segunda-feira, maio 22, 2023

3 notas: Cavaco, Costa e Alternativas







 Cavaco Silva 

Quem não se lembra da expressão tão usada por Cavaco Silva quando era Presidente da República "Um presidente não se deve pronunciar sobre...". Foi tantas vezes usada, mesmo quando a sua opinião tinha lugar.  

Após a sua saída da Presidência ficou acentuado e notório o incómodo entre Cavaco e o seu sucessor Marcelo. 

Sendo ou não oportuno/questionável, Cavaco Silva quebra o silêncio e lança-se à opinião pública, onde tem agitado as hostes e de mansinho, feito frente a Costa e a Marcelo, para além de encontrar um espaço que não tem sido bem aproveitado pelos partidos, em particular os da direita. Crítico, firme, credível e cirúrgico pronuncia-se e faz mossa no cambalacho em que está emaranhada a vida pública em Portugal.

Para quem tantas vezes não falou, agora disse o que pensa, sem meias medidas.  

Costa

Costa quis dar "o peito às balas" pelo seu Ministro Galamba, logo toda a responsabilidade política transitou para o chefe do governo. Pode fazer todas as opções na sua equipa, está legitimado, é verdade, agora não pode é disfarçar que está tudo bem, quando todos sabem que não está. Fica mal a António Costa e desqualificante para a sua liderança política. 

Alternativas 

Portugal está à deriva e importa acertar as agulhas da alternativa ao PS, porque, habilmente, tem deixado a "marinar" a crise política à espera de tirar um "coelho da cartola" e sair deste logro onde o próprio se colocou.  

É preciso arte e empenho, mas sobretudo prospetiva e ousadia para dizerem presente.  O povo não pode olhar para os partidos e ver que está tudo mal e não receber a confiança de que existe um projeto sólido para uma mudança inevitável. Afinal em política, tempo, popularidade e oportunidade são efémeros.  

Do que esperam? 

sexta-feira, maio 19, 2023

Duas realidades: Política e Povo

 Portugal tem vivido nestes últimos tempos duas realidades: A da Política e a do Povo. 

A política tem vivido imiscuída de casos e casinhos, de lutas que valorizam o acessório mas que secundarizam o essencial. Mesmo assim, o que importa é adquirir ou conservar o poder, até porque, é puro demais evidente que pela ação e dialética política não têm conseguido alcançar os seus propósitos - a popularidade governativa e partidária.

Por sua vez, a realidade do povo é outra, deseja-se que se governe, que se resolvam os problemas do país real, aqueles que espremem as famílias com taxas de juro incomportáveis nos créditos à habitação, que implicam um universo de 24,5% dos residentes em Portugal. 

O povo português pede e deseja que sejam revista a carga de impostos, e que, segundo os dados de 2022, revela precisamente o oposto, aumentou 16,6%, o 4.º maior crescimento de impostos da zona euro. 

Urgem medidas que combatam a inflação, e que segundo o banco de Portugal, em 2023, situa-se nos 5,5%. Não chegam diligências a granel que fazem poupar uns cêntimos no cabaz alimentar, como a recente e ridícula medida dos 46 produtos com IVA 0.

É tempo de dar por concluídas as novelas políticas, que não são mais do que formas de entreter o povo e de ludibriar a ação política. 

Antes que seja tarde demais, a "bola" está do lado dos políticos, de todos os quadrantes partidários, para que possam agir e assumir o seu verdadeiro propósito- o serviço público. Não se pode perder mais tempo em dossiers que cansam de tanto mediatismo e que, quase sempre, depois de tudo e de tanto, acabam em nada, onde ninguém é responsabilizado. 

Não é desejável, nem expetável que se aguarde para que o "ultimo a sair feche a porta", num país à deriva, onde os portugueses preferem desistir de ver, ouvir e participar, quando uma ínfima parte elege quem os representa, e uma grande maioria vive divorciada, insatisfeita, descrente e alheada do exercício da cidadania. 

É preciso recentrar a "amerizanização" da política portuguesa, onde as relações interpessoais dos eleitos e das suas equipas são hoje tema de  relevo nacional e, por sua vez, as pessoas e o país real está muito para além do horizonte e das prioridades da ação política.

A realidade da política e do povo estão distantes e, perigosamente, de costas voltadas, sem que existam esforços evidentes que desviem o caminho da representação política e das instituições públicas para um "poço sem fundo".

terça-feira, maio 09, 2023

A Europa continua atual?

Hoje, 9 de outubro, é Dia da Europa, e embora pensar a Europa seja sempre um exercício ambíguo, uma vez que fica a sensação que tem um significado reforçado de valor, mas, também, porque parece sempre longe do seu verdadeiro potencial, enverga princípios incomensuráveis e com claros benefícios para o continente europeu e para o mundo. 

Pese embora os considerandos que possamos anotar e desejar, nunca é demais lembrar que a União Europeia, de entre os valores e princípios que comunga é, sobretudo, sinónimo de Paz, de Coesão e de Democracia. 




Então vejamos, o que, também, são esses valores nesta União de Países:

PAZ, porque é evidente e ponto assente, entre as nações que a compõem, uma base sólida de entendimento, tendo por primado a unidade na diversidade. E aqui é claro, a PAZ é um desígnio alcançado. Vejamos a história, vejamos a atuação em bloco com que se regem os países em matéria de defesa ou o posicionamento nas plataformas mundiais. E se dúvidas existissem, vejamos o posicionamento harmonioso sobre a guerra na Ucrânia. 

COESÃO, se este é um valor sensível, uma vez que fica sempre aquela sensação de que existem os patrocinadores e os beneficiados, na verdade, tem sido aglutinador entre os povos e nações. Sob a batuta da coesão, a Europa esforça-se para o desenvolvimento,  atenuando assimetrias e destinando políticas subsidiárias e adequadas, no sentido de puxar para cima os países e regiões menos desenvolvidos, com claros benefícios para todos numa União que é, também, económica. 

DEMOCRACIA, é um valor caro mas com um valor incomensurável nos dias em que vivemos, onde os prenúncios de tentativas de ordens mundiais existem de facto e ensombram os diretos, liberdades e garantias dos povos. Felizmente a Europa é uma referência de pluralidade, liberdade e fomento à participação política, pelo que, não há melhor exemplo como aquele em que se rege a constituição e organização política dos países que a compõem, existindo um claro respeito e, de certo modo, separação entre as organizações políticas nacionais e a organização da União Europeia. Questione-se ou não, na Europa impera o primado de uma democracia europeia responsável, plural e amadurecida.

Esta é a "nossa" Europa, e por mais caminho que possamos querer trilhar, por maior potencial que ainda tenha, por mais proximidade que se possa desejar, e por maior participação que todos os seus membros possam ter na União, uma coisa é certa: a Europa continua ser atual e, mais do que nunca, a fazer sentido. 

Parabéns à nossa Europa, que está lá sempre quando dela precisamos, sobretudo nos desígnios Maiores.

segunda-feira, maio 08, 2023

ATÍPICO: Invasão ao Capitólio

6 de janeiro de 2021

O dia vai ficar para sempre na história dos Estados Unidos da América, e não será pelos melhor motivos. 

Os apoiantes de Trump resolveram invadir o Capitólio e fazer uma espécie de "piquenique" dentro do prédio do governo. Só que, ao invés de levarem sandes e sumo de laranja, levaram  bandeiras, armas e muita violência. A cena foi tão bizarra que parecia um episódio de filme de ação. Mas, infelizmente, era tudo real. E o pior é que ainda há quem tente justificar o injustificável, numa clara tentativa de evitar a retificação formal da vitoria de Joe Biden nas eleições de 2020. 

O Capitólio, não é mais nem menos, o prédio do Congresso dos Estados Unidos da América em Washington, e o centro do poder legislativo americano, que engloba a Câmara dos Representantes e o Senado..

Parece que o mundo  não nos para de surpreender. 



sábado, maio 06, 2023

ATÍPICO: João Soares ameacou e caiu da cadeira

 

Em 2017, o Ministro da Cultura de Portugal, João Soares, decidiu que a melhor forma de defender a honra do pai, Mário Soares, seria ameaçando agredir um colunista de um jornal.

Infelizmente para ele, essa não foi uma técnica muito eficaz e acabou por renunciar ao cargo. Talvez ele devesse ter optado por umas aulas de artes marciais em vez de assumir um cargo no governo. Veio e foi, tão rápido como a ameaça.


https://www.dn.pt/portugal/joao-soares-e-as-bofetadas-5114583.html

Nova rubrica: Atípico

Estreamos a nova rubrica deste blog - "Atípico"! Aqui, encontrará textos divertidos e interessantes sobre acontecimentos mais insólitos e extravagantes. Nesta seção, o objetivo é explorar o lado mais inusitado e surpreendente das notícias que impactam o mundo em que vivemos.

Com o Atípico, queremos proporcionar informação e diversão, em torno do caricato que envolta as matérias que trazemos a foco. Acompanhe e mergulhe no universo dos insólitos da política e atualidade!

 

quinta-feira, maio 04, 2023

Segurar Galamba é segurar o PS


Não é à toa que Costa segurou Galamba no governo. Não foi apenas por tática política, colocando o Presidente da República no centro da crise, mas, também, e sobretudo, porque precisava de "domar" as clivagens no Partido Socialista. 

Quando Costa obteve a maioria absoluta, optou por chamar ao Governo todos os potenciais sucessores - Medina, Nuno Cordeiro, Catarina Mendes e Pedro Nuno Santos-, a pensar que funcionaria uma articulação entre todos, criado condições para a união em trono de uma só solução, a escolhida pelo seu líder. Nesse momento António Costa deu o tiro de partida para a sucessão.

Acontece que a estratégia foi falhada, não só porque é evidente a preferência do secretário-geral do PS por Medina mas, também, porque a "malta" de ministros não se portou à altura. Caiu Pedro Nuno Santos, com custos para o Governo e para Costa. 

Com a saída do governo Pedro Nuno Santos tem espaço para criar o seu próprio caminho. Se caísse Galamba, que por acaso também pertence ao grupo de Pedro Nuno Santos, seria mais um a juntar-se a esta vaga de relegados homens livres, o que seria mais um para aprofundar a crise sem precedentes no PS, que é evidente e indisfarçável, até porque, em surdina e aos poucos, começam a ouvir-se vozes dissonantes. 

Afinal, não é só o Governo que está em crise, é, também, Costa e o PS .  


terça-feira, maio 02, 2023

O tic-tac da crise política


A conjuntura económica atual e as subsequentes externalidades, nomeadamente na inflação e nas taxas de juro, colocam as famílias portuguesas em estado de alerta. 

Paralelamente a uma situação de sufoco dos portugueses, pese embora alguns indicadores positivos, (ao menos isso) temos um Governo com uma maioria absoluta que, ao invés de estar a governar e a fazer as reformas necessárias para ser a vez de Portugal dar um salto, temos uma mixórdia de casos e casinhos, diários e constantes, vistos à lupa por uma comunicação social que vai entretendo os portugueses e tirando o foco temporário da guerra no Ucrânia, e das longas horas de antena e de rios de tinta, que tantas vezes, não são mais do que "achismos". 

Ainda assim, e mesmo que possamos relevar alguns "escândalos", dignos de um enredo de novela mexicana, a verdade é que são tantas e demais situações de descoordenação, de atrofio, de falta de sentido de Estado e de zelo pelo superior interesse público.  

É óbvio que não interessa a ninguém, e sobretudo ao país, que a uma crise económica acresça uma crise política. Não é suportável, nem aceitável, e seria um desrespeito para com os portugueses, que têm sido sacrificados com a escalada de deterioração das condições de vida, mergulhar em eleições e adiar o que não pode esperar mais - um rumo de governação.  

Entende-se bem aqueles que apelam ao Presidente da República a dissolução da Assembleia da República e a convocação de eleições, agora, também entende-se o sentido de Estado do nosso Presidente que sabe tão bem, que baralhar e dar as cartas de novo pode ser "pior a emenda do que o soneto".  

Pergunta-se, que cenários político temos para Portugal? Pois bem, dos dois um: 

Eleições, que poderá resultar num Partido Socialista alternativa de si próprio, logo pouco mudará; ou a ingovernabilidade, considerando o facto de que o maior partido da oposição- PSD, já assumiu, de forma perentória, que não se coligará com o Chega, e aqui é a catarse política de um país embrulhado num contexto internacional e nacional de grande incerteza; 

Remodelação do Governo com ultimato, a hipótese mais acertada e a derradeira hipótese para o atual primeiro-ministro honrar o voto que lhe foi dados nas últimas eleições legislativas. António Costa, neste caso, terá a oportunidade de demonstrar que é capaz de governar e de ser um exímio representante dos portugueses, fazendo o que tem de ser feito, nomeadamente as reformas estruturais, sejam elas fiscais, laborais e políticas para que, mais do que parecer, Portugal possa, efetivamente, ser um país à séria, onde os mesmos de sempre deixem de carregar tudo às costas.   

É um tic-tac permanente, onde as dúvidas são mais perenes do que as certezas, e por isso, talvez, tão difícil de avistar uma resolução capaz de mudar o atual caminho sem saída onde está atolada a governação deste país. 

Quo vadis Portugal?  

segunda-feira, maio 01, 2023

Populismos: Os de Agora e de Outrora

O que se diz sobre o CHEGA e não se disse de José Manuel Coelho 

É muito interessante ver os óculos com que analistas, comunicação social e, sobretudo, os políticos vêm situações semelhantes em perspectivas diferentes. 

Os “números” políticos do Chega na Assembleia da República, que não tenho pejo em afirmar que são vergonhosos para a democracia e para a dignidade de um país, não são muito diferentes a tantos outros que, durante anos, foram protagonizados por José Manuel Coelho (PTP e PND) na Assembleia Legislativa da Madeira. 

Curioso, também, verificar que noutros tempos imperava o silêncio, hoje a indignação é grande, onde tantos insurgem-se considerando um ultraje (é de facto), noutros tempos nada se dizia. São de certeza os óculos, hoje, talvez, graduados e evoluídos. 

No caso de Coelho, o tempo fez o seu caminho, independente das motivações do seu aparecimento, bem como o motivo do seu desaparecimento (que o futuro e a história dirão), é factual que hoje não tem lugar e espaço. 

No que respeita ao Chega,  é preciso também deixar o caminho e o tempo tomar o seu rumo. Não tenho muitas dúvidas, que muito do que se diz e faz, serve simplesmente para chamar a atenção, para capitalizar a simpatia dos portugueses “indignados” com tanta trapalhada que envolve a gestão da coisa pública. 

Agora uma coisa é certa, e é bom que os políticos, os jornalistas e os analistas entendam de uma vez por todas, o sucesso do Chega é o insucesso dos partidos tradicionais, é o demérito da governação, é o estilhaço da ausência de alternativa, é o exemplo máximo da degradação da democracia e resulta, sobretudo, do ignorar-se o superior interesse coletivo na gestão pública.

Os números políticos, que não abonam a grandeza do exercício da atividade, são pouco maduros, mas é bom lembrar, e que sirva de exemplo, que em nenhuma circunstância o respeito democrático deve ser ignorado, independentemente dos protagonistas ou visados.   

quinta-feira, abril 27, 2023

És "Pelé"

E de repente mais um adjetivo a introduzir no léxico- Pelé, embora seja no Brasil, não tarde e estará a ser utilizado nos países de língua oficial portuguesa.   

Não vá a moda pegar, e a cada nome de celebridade relacionar com um adjetivo e assim passamos a usar no nosso vocabulário. 

Que interessante seria pensamos em  exemplos de frases no dicionário de futuro assente nos nomes das celebridades:

És mesmo um Platão. 

Os meus amigos são todos Ronaldo. 

A tua voz é Shakira. 

És um Sócrates.

E por aí fora... 


sexta-feira, dezembro 02, 2022

segunda-feira, novembro 29, 2021

À conversa sobre a Semana Cultural da Ilha

 No passado dia 28 de novembro, participei na abertura da Semana Cultural da Ilha e estive à conversa com o canal naminhaterratv, onde falamos essencialemnte sobre esta atividade que vai já na XXVII.ª edição e das eleições para os orgãos sociais da Casa do Povo da Ilha para o próximo quadriénio, fica aqui o registo: 




quarta-feira, julho 21, 2021

Estiveram por nós!


A COVID-19 tornou a sociedade especialista em virologia, em pneumologia, em vacinação e em tantos outros conceitos. 
Fomos bombardeados por informação, e toda ela deu-nos conhecimentos, embora superficiais, sobre esses temas.

Todos nós, a certa altura, tememos muito o vírus e agimos irracionalmente com medo do perigo que o mesmo sustenta. Mas também é verdade que o tempo nos tem ensinado a viver com ele, a sequestrá-lo, a proteger-nos, com as medidas de contenção, e a atacá-lo, com a vacinação. A luta continua, nesta guerra que se deseja o Homem vencedor.

Um pouco por todo o Mundo habituamo-nos a olhares distintos, sobretudo dos políticos e dos especialistas em saúde pública, e o impacto dos mesmos na sociedade, na economia e na saúde. Agora, uma coisa tem de ser dita, a grande maioria desses Homens e Mulheres merecem o nosso reconhecimento. Merecem a nossa gratidão porque tiveram de enfrentar o desconhecido. Quando quase todos se protegiam, tiveram de agir, tomaram medidas por Todos, muitas acertadas, outras nem tanto, mas decidiram munidos da informação que tinham em cada momento.  

Por isso, num tempo em que a vida pública é cada vez mais posta em causa, em que os rótulos sobrepõem às boas práticas, que felizmente muitos ainda empenham no exercício das suas funções, nunca é demais lembrar as Mulheres e os Homens que assumiram os destinos dos continentes, dos países e das regiões, numa época de grande fragilidade. Esses nunca anteveriam Hercúlio desígnio, mas, também, nunca pressagiariam tamanhas injustiças e tanta incoerência derramada nas redes sociais, na comunicação social e na opinião pública, de tantas e tantos que, no conforto do seu canto, acharam por bem disparar para tudo e Todos, como se fossem donos da verdade e da razão, quando, naturalmente, razão, verdade e conhecimento foi e serão sempre escassos.

Assistimos de tudo: apelo a manifestações irresponsáveis, entrevistas a políticos, desumanas, que mais pareciam julgamentos, questionar-se avulsamente as autoridades de saúde, posições antagónicas, discursos de ódio, alguns deles até roçando o xenófobo. Todos, exemplos que a sociedade deve abominar.    

Embora o pensamento crítico e o debate sejam importantes, há casos que são puros comportamentos infantis, de uma sociedade doente, que chama atenção, mesmo que para isso tenha de fazer birra, para com aqueles que nos tiveram na mão das suas decisões.

Embora ainda estejamos numa longa maratona sem meta à vista, nunca esqueçamos- Somos Mulheres e Homens, dirigidos por políticos e autoridades de saúde, que são também Mulheres e Homens. Politiquices e celeumas à parte, e enquanto legítimos representantes, depositamos nessas Mulheres e Homens a esperança em vencer as Pandemias que a COVID-19 originou.   

 

segunda-feira, julho 12, 2021

EURO fora de horas

 Apito final: Itália campeã do euro 2020, campeonato esse que, de 2020, só o nome, porque todos os jogos aconteceram em 2021. 

Assim se vive o futebol pós-pandemia, atrasado no tempo, em múltiplos estádios, onde um dos finalistas foi beneficiado com a presença dos seus adeptos porque, quase sempre, jogou em casa - a Inglaterra - e que chegou à final. Não foi um modelo bem conseguido, aliás um formato a não repetir.   

Uma vez mais o anfitrião perdeu em casa a final do Europeu de futebol. Neste campo tudo igual. 

Portugal, uma vez mais, candidato a campeão, caiu aos pés de uma Bélgica nos 1/8 de final. A Bélgica que, por sua vez, não teve fôlego para passar dos 1/4.  

Está aí o mundial, espera-se outra organização, outra dinâmica e pés assentes na terra para os eternos sonhadores. 

sábado, julho 10, 2021

O significado do Dia de Portugal na Madeira


 

UMA PAUSA NOS TEMAS EM VOGA

O tema: a detenção de Luís Filipe Vieira.

 Por uns dias esqueceu-se a COVID-19, as restrições de viagens e as suas consequências para o turismo, para dar lugar ao mediático caso “Cartão Vermelho”. 

Foi tempo de tanto comentador ter o seu tempo de antena, e de ser notícia as refeições do arguido até às confabulações jurídicas. 

Para bem do nosso país, que a justiça funcione, que apure factos e que trabalhe sem condicionamentos: sem atropelos, sem fúria da notícia em primeira mão e sem pressa - inimiga da verdade. 

Entretanto, que os testes de antígeno e dos certificados  digitais animem a agenda mediática deste Portugal  


domingo, novembro 22, 2020

TEMPOS DE INSEGURANÇA

 


O ano 2020 pregou uma partida a humanidade, e trouxe para o centro da agenda a INCERTEZA. Não apenas a incerteza da evolução, do progresso, mas sim a incerteza da própria vida.  

Um ano que trouxe uma pandemia, que meteu as pessoas dentro de casa, com medo e ceifou vidas sem igual. Fragilizou a vida e colocou em suspense os sonhos, com gritantes consequências ao nível da economia e do trabalho. 

Hoje não temos certezas de nada, e as pessoas em si estão inseguras e incertas, e essa condição resulta, a olhos vistos, em insegurança e violência atroz. Foi o que aconteceu ontem no Funchal, num tiroteio que tira a vida a uma pessoa em segundos. 

Tantos outros casos haveriam para elucidar o clima em que vivemos, da relatividade, da insegurança e da frustração das pessoas, que precisam de um tratamento e de acompanhamento e que urge uma abordagem de saúde pública, também nesta área, sob pena que a sociedade se degrade ainda mais - insegurança, sem-abrigo e desumanidade. 

Urge mais polícia na rua. 

É necessária uma estratégia para a desumanidade dos sem-abrigo, que são cada vez mais e por toda a parte  

Os circuitos das drogas devem ser minuciosamente estudados e desmantelados.

A apreensão armas ilegais deve ser um desígnio da segurança regional. 

Devem ser tomadas todas as medidas de segurança para uma cidade turística e com qualidade de vida para aqueles que a habitam. 

Vezes há em que não é tempo de meias medidas, nem de obstáculos antes de solucões. É hora agir, enquanto é tempo. 

terça-feira, fevereiro 11, 2020

Escola Agricola da Madeira

A participação no programa Madeira Viva, na RTP-Madeira, onde foi abordada a oferta formativa da Escola Agrícola da Madeira.

terça-feira, novembro 12, 2019

Palavras dirigidas no jantar festivo na Visita da Governadora


Cara Governadora Mara Duarte do Distrito 1960
Cara Governadora Ana Puerto do Distrito 1201 de Espanha

Caríssimos Companheiros e amigos

Caros convidados.



Hoje recebemos com todo o gosto a nossa governadora. 

Recebemos com o entusiasmo devido de um clube ativo, empenhado, com percurso e com uma história, que tem marcado o Companheirismo dos nossos rotários mas que tem sido um clube que tem focado a sua ação no serviço à comunidade desde a sua fundação.

Governadoras de Portugal e Espanha 
Mas hoje permitam-me um cumprimento muito caloroso e especial à nossa Governadora, que embora ainda jovem, tem um percurso assinalável no serviço à nossa organização. Porque Rotary faz-se muito mais de exemplos do que palavras, muito mais de ação do que intenções, muito mais de atitudes do que princípios. 

E nesta visita à Madeira, à qual tive oportunidade de acompanhar em todas as ações, a Companheira Mara Duarte, marca a diferença, pelo entusiasmo como trabalha, como fala de Rotary mas sobretudo pelos projetos que está e que pretende desenvolver neste ano rotário.

E não é por acaso que pela primeira temos a visita de uma Governadora de Espanha, a Companheira Ana Puerto, que vem demonstrar a abertura de fazer conexão de ligar Rotary e de ligar os rotários. Afinal somos todos um, e o nosso serviço tem um propósito: onde que estejamos, o que quer que fazemos, pretendemos estabelecer mudanças duradouras no mundo, e esta abertura de Portugal e Espanha é bem representativa. 

Contem com o nosso clube, contem com o nosso entusiasmo, contem com a nossa amizade, contem com a nossa ligação, porque também estamos motivados em conectar na nossa comunidade e em comunidades que têm muito mais que nos unem do que aquilo que nos separam.

Permitam-me que faça uma referência aos Companheiros que hoje são emblemados no nosso clube. Sejam bem-vindos ao serviço. Sejam bem-vindos a fazer a diferença. Sejam bem-vindos a ser exemplo de Rotary onde quer que estejam, na Vossa família, na Vossa profissão e na atividade Rotário que estamos certos, pelo que Vos conhecemos, muito darão. 

Este é um dia importante e qual dos companheiros não se lembra do dia que foi emblemado, da responsabilidade que este acto simbólico representa e no prestígio e o orgulho de pertencer a uma organização tão grande, tão representativa, tão simbólica, tão construtiva. Companheira Jerónima Carvalho e Companheiro António Teixeira levem este momento para a vida 

É assim que vamos concretizado aos pouco com o que nos propusemos para este ano rotário. Aumentar o quadro social, chegar Rotary a mãos pessoas através da nossa ação, a ligação e abertura a profissionais e à sociedade civil e o desenvolvimento de projetos, como os prémios escolar e bolsas estudo que temos uma candidatura para beneficiar 8 alunos. 

E nada melhor do que sentir a energia nesta sala, a forma com que cada um presta o serviço a Rotary, que apoia Rotary e que acompanha Rotary. 

Nada melhor do que a tudo isto juntar a grande vontade e entusiasmo das Nossas Governadoras de Portugal e Espanha, que são exemplo de pessoas de ação motivadas para o serviço e para uma sociedade e um mundo mais justo, solidário, coeso e tolerante. Deixemo-nos contagiar com esta energia e vamos para a ação. 

António Trindade- Presidente do Rotary Club Machico-Santa Cruz

sábado, junho 01, 2019

A FORÇA SILENCIOSA E ESCONDIDA DOS QUE NÃO VOTAM



Decididamente o povo anda longe da participação política, num dos mais elementares indicadores – o voto. Hoje, mais do que nunca, questiona-se a legitimidade dos eleitos e dos seus programas, porque refletem as escolhas de poucos, com consequências para a vida de todos.

https://drive.google.com/uc?export=view&id=1by1S5Tc3PifCTneo62-ynoGe-XrpU95G


Os crescentes níveis de abstenção nas eleições merecem uma profunda reflexão, em particular da classe política. Portugal também neste domínio bate recordes, e nas recentes eleições europeias, entre os 28 estados membros, o nosso país ficou na sexta posição dos abstencionistas. Apenas 31% dos cidadãos em condições de votar exerceram o seu direito. É curiosa esta constatação, em particular de um país, que à luz do contexto europeu, é sem dúvida um daqueles que muito tem beneficiado da integração na União Europeia.


Uma das principais questões após as eleições europeias é, o que está a falhar? E outras perguntas advêm: O porquê do alheamento da política? O porquê de uma Europa de Todos para os benefícios, e de poucos para a participação? Qual é a parte do discurso político que não passa? O porquê do descrédito da política?


Esta, e tantas outras questões, merecem que todos possamos refletir, do caminho que trilhamos e para onde vamos. Se de facto o direito universal de eleger e de ser eleito foi historicamente uma das maiores conquistas dos povos, o porquê de estarmos a desperdiçar essa conquista?

Se no pós-eleições muitos foram os partidos e movimentos que fizeram festa e que gritaram vitória, correto e devido, até porque em democracia quem tem mais votos é quem ganha, também neste pós-eleições ficou claro quem ganhou verdadeiramente as eleições foi a abstenção. Perderam todos: os políticos, as instituições e os cidadãos.


A todos sugere-se uma particular atenção à força silenciosa e escondida dos que não votaram. Exige-se que se prospetive o efeito de um movimento ou de um partido que possa chamar e catapultar novamente os eleitores adormecidos.

Seria desejável que todos viessem votar, que uma maioria alargada quisesse participar, sobretudo se viessem seduzidos por valores e princípios que contribuíssem para o respeito, a harmonia e o progresso do mundo como um todo. No entanto, não é bem o que tem vindo a acontecer e com significativo enfoque na Europa, o crescimento dos partidos de extrema direita, dos radicalismos e do voto a tudo o que não se parece com a política e com os políticos.


É tempo de reflexão, é tempo de avaliar as motivações, é tempo de repensar tudo de novo, mudar o que tiver de ser mudado, desmontar o Estado e as instituições sob pena de se ganhar eleições e perder os cidadãos e a sociedade. É tempo de agir, antes que seja tarde!Revista Madeira Digital


lapiseira1980.blogspot.com

sexta-feira, maio 10, 2019

LIMĀO FOI REI


https://drive.google.com/uc?export=view&id=1MRVVdpuWmPcmHmgBT37PqnZVDku4CqIPA freguesia da ilha foi palco de mais uma edição da Exposição Regional do Limão no passado mês de abril, num cartaz, que há uns anos a esta parte, tem sido de absoluto sucesso e que premeia com afluência e visibilidade uma das localidades mais peculiares da nossa terra. A XVIII edição não foi exceção e pelo sucesso e excelência que demonstrou, merece que se destaque três referências:

Não foi só festa

A exposição do limão não se resumiu a um arraial com diversão e animação, foi também proposto um debate muito interessante que abordou o «O Valor do Limão Regional», o que resultou num avivar das potencialidades deste produto regional na saúde, para a investigação científica e nos seus variados usos na gastronomia. Foram disseminadas boas práticas, que podem e devem ser acarinhadas, para valorizar o produto e reconhecer o trabalho dos agricultores através da rentabilidade das suas produções.

A Madeira subiu à Ilha

Foi um absoluto sucesso a afluência de pessoas à Festa tendo sido agraciadas por um programa eclético e por uma exposição de limões que este ano contou com a participação de 600 expositores. A Ilha tem demonstrado que o que é regional é bom, também ao nível de animação, e se hoje são centenas os que se deslocam à ilha, muitos organizados em excursões, deve-se em grande parte à Festa do Despique, que desde a V Edição  tem sido um dos maiores atrativos deste evento. Um bem-haja àqueles que contribuem para valorizar o nosso património imaterial e a identidade do nosso povo.

O empenho das forças vivas

Organizações como esta, fazem-se de pessoas, fazem-se de sinergias e, neste particular, foi notório o empenho de todos. Ficou demonstrado de que as forças vivas, nomeadamente entidades públicas e privadas e as pessoas da Ilha fizeram a diferença, merecendo um apreço especial aqueles que, por orgulho à sua terra, oferecem o seu tempo e que se colocam ao serviço deste certame, no palco, nos bastidores ou nos terrenos agrícolas, tornando todos os dias a Ilha com mais encanto e atratividade.  

Quando se fala em desertificação, quando se fala em abandono das zonas rurais, quando se debate o contributo de sinergias locais diferenciadoras, sem dúvida que a Ilha e a evolução deste certame, são exemplos de que é possível projetar as localidades e que é possível alertar para o potencial dos pequenos territórios rurais que são o tesouro da nossa Madeira.

E porque ainda estamos a um ano de mais uma edição, e porque o sucesso só se comprova participando, fica um convite antecipada para visitarem o coração da nossa Laurissilva ao longo deste ano, e em particular participarem em mais uma Exposição do Limão, mantendo, assim, vivas as nossas tradições, usos e costumes.
Diário de freguesias

quinta-feira, maio 02, 2019

PARA ONDE CAMINHA A EUROPA?

https://drive.google.com/uc?export=view&id=1AahqopvaXL6Twfcqt8ldfzA0OKfRBvIP


Em vésperas de mais umas eleições europeias estão decididamente em agenda o futuro do projeto europeu e as novas tendências políticas nos Estados Membros. 

É ponto assente de que o projeto europeu foi a base política para a pacificação das relações entre os países e contribuiu decisivamente para o posicionamento económico em relação a outras economias mundiais. Por outro lado, já não é assim tao pacífico o entendimento sobre os contributos de cada país integrante para a União Europeia. Por mais argumentos que se possam trocar, paira a ideia de que há Estados que financiam e outros que são financiados pela Europa, sendo essas algumas das dicotomias que têm gerado movimentos a favor e contra a União Europeia.

O cerne das dúvidas sobre as vantagens e desvantagens do projeto Europeu passa sempre pela grande ambivalência que acompanha todo o seu percurso desde a sua criação até aos dias de hoje. Primeiro na adesão de novos membros e, mais recentemente, com o caso mais evidente de clivagem denominado Brexit. Embora materializando-se a saída do Reino Unido, será interessante acompanhar os resultados dessa decisão e se porventura perante essa evidência poderá ou não provocar outros movimentos no seio de outros países que integram a Europa. 
Paralelamente, há outro fator que poderá exigir a médio prazo um novo desenho europeu, que tem que ver com as forças políticas de extrema-direita estarem a ganhar preponderância em diversos países. Já são só quatro países Europeus que ainda não têm representação parlamentar de partidos de extrema-direita. Neste momento, só não existe representatividade de forças de extrema-direita nos parlamentos de Portugal, Irlanda, Luxemburgo e Malta. 
O terreno ganho pelas forças extremas já não é uma questão de menos ou acessória, é um sinal de que os partidos tradicionais não oferecem matrizes ideológicas definidas, podendo-se até querer dizer que estamos perante uma crise de ideologias.

O que existe, na visão dos cidadãos, é uma mera “caça” ao voto, e a descrença nas forças tradicionais para governar os países, o que faz com que surjam movimentos políticos que voltem a posicionar causas e valores, mesmo que questionáveis, na esfera das escolhas dos cidadãos. 
Estamos, de facto, prestes a participar em mais umas eleições europeias, onde persistem as dúvidas de sempre do projeto europeu, onde o cidadão comum continua a ver de longe uma máquina pesada, distante, burocrática e pouco ligada às realidades dos países e das regiões. 
Politicamente, prevê-se um novo ciclo na Europa, até porque estima-se que a extrema-direita reforce a sua posição no parlamento europeu, perspetivando-se até que venha a ser a terceira força política. 

Perante tudo isso, mais do que as guerrilhas políticas nacionais, o grande desafio será o de sensibilizar os Cidadãos Europeus para a importância da Europa, para a materialização das políticas para a coesão económica, territorial e social e de sensibilizar para os perigos da fragilidade do projeto europeu a rogo da demagogia da extrema-direita.

lApiseira1980.blogspot.pt