quarta-feira, maio 24, 2023

Um Reino que definha

No passado dia 6 de maio, o mundo assistiu à coroação do Rei Carlos III, numa monarquia tradicional,  onde ainda perpetuam os rituais e a tradição ancestral. Pese embora tenha sido um momento histórico, de mobilização do Reino Unido e das mais variadas representações dos países, a verdade é que constatam-se diversos sinais:

Carlos III não é um rei carismático

O Rei não tem a simpatia de sua mãe, nem tão pouco a admiração da generalidade dos britânicos. Carlos III pautou a sua vida por muitas polémicas, sobretudo relacionadas com os enredos em torno da Princesa Diana e Camila, agora rainha, mas, também, por ser um homem cinzento, misterioso e sem "expressão". As monarquias vivem, e muito da imagem, Carlos não a tem!

Carlos não é o rei para este tempo

Vale sempre mais ser genuíno do que forçar o que não seja natural, foi o que optou o Rei Carlos na sua coroação, não inventou e preferiu seguir os cânones tradicionais. 

Seja como for, Carlos perdeu a oportunidade de acompanhar os tempos, de demonstrar que embora o Reino Unido tenha monarquia e um Rei, Carlos podia mostrar que é mais um do seu Povo. Não o fez, não tem capacidade nem estilo para mudar. Quando ao seu reinado, uma coisa é certa: não haverá surpresas, pelo menos que partam da sua iniciativa, é pena! 

Camila nunca será Rainha no coração dos britânicos

Coroar Camila foi um erro, melhor dizendo, foi o aprofundar de um fosso entre o Rei Carlos III e os seus concidadãs. Não é querida, não tem carisma, não tem uma única expressão cativante, nem se esforça para ser e ter. Carlos realizou um sonho da sua mulher, mas nunca um desejo dos britânicos e tem um custo. Seja como for a princesa Diana será para sempre uma sombra à Rainha consorte. 

Filhos e enteados 

Embora Harry tivesse tomado um caminho diferente no reinado inglês, a verdade é que o Rei tinha a obrigação de agir diferente, assegurando a inexistência de qualquer descriminação. Na verdade quem lidera, ou sobretudo quem é pai, tem de estar acima, tem de saber unir, congregar. Carlos não o fez e esteve muito mal, inclusive abrindo espaço para mais clivagens, completamente dispensáveis, no seio da família real.

Posto isto, o que vale é que os britânicos são conservadores, e a rogo da sua história, vão deixando perpetuar uma monarquia que definha.  Os novos tempos exigem atores atuais que possam agir, que possam ser o barómetro nos acontecimentos que abalam o poder político, como tem sido tanto e consequente no poder político inglês. O tempo dirá se Carlos estará a altura, mas os desafios atuais do Reino Unido são tantos quando a garra de um Rei é tão frágil e fragilizada.  

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