Portugal tem vivido nestes últimos tempos duas realidades: A da Política e a do Povo.
A política tem vivido imiscuída de casos e casinhos, de lutas que valorizam o acessório mas que secundarizam o essencial. Mesmo assim, o que importa é adquirir ou conservar o poder, até porque, é puro demais evidente que pela ação e dialética política não têm conseguido alcançar os seus propósitos - a popularidade governativa e partidária.
Por sua vez, a realidade do povo é outra, deseja-se que se governe, que se resolvam os problemas do país real, aqueles que espremem as famílias com taxas de juro incomportáveis nos créditos à habitação, que implicam um universo de 24,5% dos residentes em Portugal.
O povo português pede e deseja que sejam revista a carga de impostos, e que, segundo os dados de 2022, revela precisamente o oposto, aumentou 16,6%, o 4.º maior crescimento de impostos da zona euro.
Urgem medidas que combatam a inflação, e que segundo o banco de Portugal, em 2023, situa-se nos 5,5%. Não chegam diligências a granel que fazem poupar uns cêntimos no cabaz alimentar, como a recente e ridícula medida dos 46 produtos com IVA 0.
É tempo de dar por concluídas as novelas políticas, que não são mais do que formas de entreter o povo e de ludibriar a ação política.
Antes que seja tarde demais, a "bola" está do lado dos políticos, de todos os quadrantes partidários, para que possam agir e assumir o seu verdadeiro propósito- o serviço público. Não se pode perder mais tempo em dossiers que cansam de tanto mediatismo e que, quase sempre, depois de tudo e de tanto, acabam em nada, onde ninguém é responsabilizado.
Não é desejável, nem expetável que se aguarde para que o "ultimo a sair feche a porta", num país à deriva, onde os portugueses preferem desistir de ver, ouvir e participar, quando uma ínfima parte elege quem os representa, e uma grande maioria vive divorciada, insatisfeita, descrente e alheada do exercício da cidadania.
É preciso recentrar a "amerizanização" da política portuguesa, onde as relações interpessoais dos eleitos e das suas equipas são hoje tema de relevo nacional e, por sua vez, as pessoas e o país real está muito para além do horizonte e das prioridades da ação política.
A realidade da política e do povo estão distantes e, perigosamente, de costas voltadas, sem que existam esforços evidentes que desviem o caminho da representação política e das instituições públicas para um "poço sem fundo".
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