O que se diz sobre o CHEGA e não se disse de José Manuel Coelho
É muito interessante ver os óculos com que analistas, comunicação social e, sobretudo, os políticos vêm situações semelhantes em perspectivas diferentes.
Os “números” políticos do Chega na Assembleia da República, que não tenho pejo em afirmar que são vergonhosos para a democracia e para a dignidade de um país, não são muito diferentes a tantos outros que, durante anos, foram protagonizados por José Manuel Coelho (PTP e PND) na Assembleia Legislativa da Madeira.
Curioso, também, verificar que noutros tempos imperava o silêncio, hoje a indignação é grande, onde tantos insurgem-se considerando um ultraje (é de facto), noutros tempos nada se dizia. São de certeza os óculos, hoje, talvez, graduados e evoluídos.
No caso de Coelho, o tempo fez o seu caminho, independente das motivações do seu aparecimento, bem como o motivo do seu desaparecimento (que o futuro e a história dirão), é factual que hoje não tem lugar e espaço.
No que respeita ao Chega, é preciso também deixar o caminho e o tempo tomar o seu rumo. Não tenho muitas dúvidas, que muito do que se diz e faz, serve simplesmente para chamar a atenção, para capitalizar a simpatia dos portugueses “indignados” com tanta trapalhada que envolve a gestão da coisa pública.
Agora uma coisa é certa, e é bom que os políticos, os jornalistas e os analistas entendam de uma vez por todas, o sucesso do Chega é o insucesso dos partidos tradicionais, é o demérito da governação, é o estilhaço da ausência de alternativa, é o exemplo máximo da degradação da democracia e resulta, sobretudo, do ignorar-se o superior interesse coletivo na gestão pública.
Os números políticos, que não abonam a grandeza do exercício da atividade, são pouco maduros, mas é bom lembrar, e que sirva de exemplo, que em nenhuma circunstância o respeito democrático deve ser ignorado, independentemente dos protagonistas ou visados.

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