quinta-feira, maio 04, 2023

Segurar Galamba é segurar o PS


Não é à toa que Costa segurou Galamba no governo. Não foi apenas por tática política, colocando o Presidente da República no centro da crise, mas, também, e sobretudo, porque precisava de "domar" as clivagens no Partido Socialista. 

Quando Costa obteve a maioria absoluta, optou por chamar ao Governo todos os potenciais sucessores - Medina, Nuno Cordeiro, Catarina Mendes e Pedro Nuno Santos-, a pensar que funcionaria uma articulação entre todos, criado condições para a união em trono de uma só solução, a escolhida pelo seu líder. Nesse momento António Costa deu o tiro de partida para a sucessão.

Acontece que a estratégia foi falhada, não só porque é evidente a preferência do secretário-geral do PS por Medina mas, também, porque a "malta" de ministros não se portou à altura. Caiu Pedro Nuno Santos, com custos para o Governo e para Costa. 

Com a saída do governo Pedro Nuno Santos tem espaço para criar o seu próprio caminho. Se caísse Galamba, que por acaso também pertence ao grupo de Pedro Nuno Santos, seria mais um a juntar-se a esta vaga de relegados homens livres, o que seria mais um para aprofundar a crise sem precedentes no PS, que é evidente e indisfarçável, até porque, em surdina e aos poucos, começam a ouvir-se vozes dissonantes. 

Afinal, não é só o Governo que está em crise, é, também, Costa e o PS .  


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