terça-feira, maio 02, 2023

O tic-tac da crise política


A conjuntura económica atual e as subsequentes externalidades, nomeadamente na inflação e nas taxas de juro, colocam as famílias portuguesas em estado de alerta. 

Paralelamente a uma situação de sufoco dos portugueses, pese embora alguns indicadores positivos, (ao menos isso) temos um Governo com uma maioria absoluta que, ao invés de estar a governar e a fazer as reformas necessárias para ser a vez de Portugal dar um salto, temos uma mixórdia de casos e casinhos, diários e constantes, vistos à lupa por uma comunicação social que vai entretendo os portugueses e tirando o foco temporário da guerra no Ucrânia, e das longas horas de antena e de rios de tinta, que tantas vezes, não são mais do que "achismos". 

Ainda assim, e mesmo que possamos relevar alguns "escândalos", dignos de um enredo de novela mexicana, a verdade é que são tantas e demais situações de descoordenação, de atrofio, de falta de sentido de Estado e de zelo pelo superior interesse público.  

É óbvio que não interessa a ninguém, e sobretudo ao país, que a uma crise económica acresça uma crise política. Não é suportável, nem aceitável, e seria um desrespeito para com os portugueses, que têm sido sacrificados com a escalada de deterioração das condições de vida, mergulhar em eleições e adiar o que não pode esperar mais - um rumo de governação.  

Entende-se bem aqueles que apelam ao Presidente da República a dissolução da Assembleia da República e a convocação de eleições, agora, também entende-se o sentido de Estado do nosso Presidente que sabe tão bem, que baralhar e dar as cartas de novo pode ser "pior a emenda do que o soneto".  

Pergunta-se, que cenários político temos para Portugal? Pois bem, dos dois um: 

Eleições, que poderá resultar num Partido Socialista alternativa de si próprio, logo pouco mudará; ou a ingovernabilidade, considerando o facto de que o maior partido da oposição- PSD, já assumiu, de forma perentória, que não se coligará com o Chega, e aqui é a catarse política de um país embrulhado num contexto internacional e nacional de grande incerteza; 

Remodelação do Governo com ultimato, a hipótese mais acertada e a derradeira hipótese para o atual primeiro-ministro honrar o voto que lhe foi dados nas últimas eleições legislativas. António Costa, neste caso, terá a oportunidade de demonstrar que é capaz de governar e de ser um exímio representante dos portugueses, fazendo o que tem de ser feito, nomeadamente as reformas estruturais, sejam elas fiscais, laborais e políticas para que, mais do que parecer, Portugal possa, efetivamente, ser um país à séria, onde os mesmos de sempre deixem de carregar tudo às costas.   

É um tic-tac permanente, onde as dúvidas são mais perenes do que as certezas, e por isso, talvez, tão difícil de avistar uma resolução capaz de mudar o atual caminho sem saída onde está atolada a governação deste país. 

Quo vadis Portugal?  

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