Decididamente o povo anda longe da participação política, num dos mais elementares indicadores – o voto. Hoje, mais do que nunca, questiona-se a legitimidade dos eleitos e dos seus programas, porque refletem as escolhas de poucos, com consequências para a vida de todos.
Os crescentes níveis de abstenção nas eleições merecem uma profunda reflexão, em particular da classe política. Portugal também neste domínio bate recordes, e nas recentes eleições europeias, entre os 28 estados membros, o nosso país ficou na sexta posição dos abstencionistas. Apenas 31% dos cidadãos em condições de votar exerceram o seu direito. É curiosa esta constatação, em particular de um país, que à luz do contexto europeu, é sem dúvida um daqueles que muito tem beneficiado da integração na União Europeia.
Uma das principais questões após as eleições europeias é, o que está a falhar? E outras perguntas advêm: O porquê do alheamento da política? O porquê de uma Europa de Todos para os benefícios, e de poucos para a participação? Qual é a parte do discurso político que não passa? O porquê do descrédito da política?
Esta, e tantas outras questões, merecem que todos possamos refletir, do caminho que trilhamos e para onde vamos. Se de facto o direito universal de eleger e de ser eleito foi historicamente uma das maiores conquistas dos povos, o porquê de estarmos a desperdiçar essa conquista?
Se no pós-eleições muitos foram os partidos e movimentos que fizeram festa e que gritaram vitória, correto e devido, até porque em democracia quem tem mais votos é quem ganha, também neste pós-eleições ficou claro quem ganhou verdadeiramente as eleições foi a abstenção. Perderam todos: os políticos, as instituições e os cidadãos.
A todos sugere-se uma particular atenção à força silenciosa e escondida dos que não votaram. Exige-se que se prospetive o efeito de um movimento ou de um partido que possa chamar e catapultar novamente os eleitores adormecidos.
Seria desejável que todos viessem votar, que uma maioria alargada quisesse participar, sobretudo se viessem seduzidos por valores e princípios que contribuíssem para o respeito, a harmonia e o progresso do mundo como um todo. No entanto, não é bem o que tem vindo a acontecer e com significativo enfoque na Europa, o crescimento dos partidos de extrema direita, dos radicalismos e do voto a tudo o que não se parece com a política e com os políticos.
É tempo de reflexão, é tempo de avaliar as motivações, é tempo de repensar tudo de novo, mudar o que tiver de ser mudado, desmontar o Estado e as instituições sob pena de se ganhar eleições e perder os cidadãos e a sociedade. É tempo de agir, antes que seja tarde!Revista Madeira Digital
lapiseira1980.blogspot.com
Sem comentários:
Enviar um comentário