quinta-feira, junho 13, 2013

Beta talk chega ao Funchal

A Beta-Talk chega à Madeira no próximo dia 17 de Junho!

É um evento descontraído que acontece todos os dias 16 de cada mês, e que junta 2 oradores empreendedores, que durante 20 minutos partilham as suas experiências, vitórias,dificuldades e desafios! 

No final da intervenção há um momento de perguntas e respostas, sempre num registo descontraído. Todos os participantes estão também convidados a fazer um “picht corner”, para exporem as suas ideias e novos projectos.

Apareçam, estão todos convidados!

http://beta-talk-junho.eventbrite.com/

domingo, maio 26, 2013

A do vizinho é sempre melhor

O ditado “a galinha do vizinho é sempre melhor que a minha” ganha impacto nos dias que correm. Se por um lado, tentamos acreditar que há valor e potencial humano, que a capacidade de adaptação é singular e até mesmo que o trunfo está na identidade e distinção, por outro, vive-se em constante estado de negação duvidando na capacidade do povo para superar a espiral depressiva e recessiva em que se encontram a sociedade e o país. 
O estado de negação mas também de subjugação ao “vizinho” retrata-se bem na postura dos nossos governantes nacionais, tendo como exemplo flagrante a atitude de subserviência demonstrada na passada quarta-feira, pelo Ministro das Finanças, Vítor Gaspar, deslocando-se à Alemanha para explicar a situação financeira de Portugal ao seu par do governo alemão. Depois admirem-se que Vítor Gaspar seja apelidado o ministro das finanças mais alemão de Portugal. 
Já não bastava a postura passiva e de inércia perante os ditames à troika, através da adoção da austeridade como único caminho possível para a suposta salvação nacional, agora aprofunda-se a dependência e incapacidade com esta prostração perante certos governantes europeus que nada mais querem do que a austeridade e a dependência dos outros estados, desta aparente “união” Europeia. Para espelhar este pensamento é bom recordar, que ainda bem recentemente, no passado dia 8 de Abril, o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, o mesmo a quem Gaspar foi prestar contas, exigiu mais austeridade afirmando que "depois da decisão do Tribunal Constitucional Portugal tem agora de tomar novas medidas". 
A atitude do governo da República revela vassalagem, imaturidade mas também passa um atestado de incompetência aos quadros do País que parecem ser incapazes de encontrar e delinear a estratégia para o Hoje e o Amanhã da nação. É preciso clareza e verticalidade nas posturas, porque quem se parece coerente em relação aos compromissos assumidos contradiz-se com estes exemplos, fazendo crer que não acreditam no país e, quiçá, até na sua própria competência. 
Das duas uma, ou assumem, de uma vez por todas, que os portugueses são incapazes e que os quadros de fora são melhores, ou então é hora de apostar nos seus pares para pensar e agir. Seguramente a solução passa pela segunda hipótese, porque, por mais que apreciemos o que é alheio, agir por Portugal deverá ser responsabilidade do seu povo que sente, que vive e que sonha. A fórmula para que não se deixe esmorecer a chama da esperança reside na força e na união dos portugueses, para converter as dificuldades em oportunidades, ao invés de assumir, em cegueira, aquilo que lhe é imposto. 
Quem nos momentos difíceis não tiver a humildade de reconhecer o erro, e até mesmo de honrar os sacrifícios que já foram suportados, não estará à altura dos desígnios que, hoje, se levantam. Se assim não for refuta-se um dos mais célebres pensamentos de Fernando Pessoa "tudo vale a pena se a alma não for pequena", porque nada valerá a alma de um povo se lhe for sequestrada a esperança de fazer acontecer. Pior do que falhar é persistir em procurar a solução junto de desinteressados e alheios à realidade. 

http://impresso.jornaldamadeira.pt/noticia.php?Seccao=12&id=245853&sup=0&sdata=2013-05-26

segunda-feira, abril 22, 2013

Atrofio constitucional


É ponto assente que o sistema político português está ultrapassado. Na atual conjuntura económica, financeira e social, o ortodoxo normativo constitucional inviabiliza a superação dos desafios que se colocam ao país.
Se, por um lado, a Constituição parece assegurar os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos portugueses, por outro, tende a ser bloqueio às importantes mudanças que precisam de ser feitas para garantir a sustentabilidade e o crescimento nacional. 
Os recentes episódios em torno do plano de resgate a Portugal evidenciam que o caminho que percorremos, à luz da atual Constituição, tende para a destruição do Estado português. Destruição, porque o texto constitucional é um obstáculo ao cumprimento dos objetivos da troika, que erradamente este governo da República insiste em cumprir, mas também porque não assegura uma via alternativa, nomeadamente para o relançamento da economia portuguesa. Portugal está num beco sem saída e refém do situacionismo. 
Há quem despreze a necessidade da revisão da Constituição, inclusive figuras de Estado e partidos políticos de alternância do poder, no entanto, apesar da aversão à sua adequação aos novos tempos, são, a todo o momento, sequestrados pela incapacidade de dar a volta às dificuldades. 
O exemplo mais flagrante respeita à declaração de inconstitucionalidade das normas do orçamento de Estado de 2012 e de 2013. Se, por um lado, a bandeira da inconstitucionalidade, embora que ilusória, tende a ser tábua de salvação dos portugueses pelas medidas de austeridade que têm vindo a ser impostas, por outro, tem gerado mais sacrifícios e medidas inconsequentes, do ponto de vista do esforço das famílias e empresas para que se cumpra o plano de resgate. De uma forma sôfrega, os portugueses, têm se esforçado para levar o país adiante, mas, apesar dos sacrifícios, Portugal continua distante das metas propostas. 
Cabe aos cidadãos portugueses decidirem sobre o rumo que o país deve trilhar. Se não queremos este quadro de eminente calamidade social, salvaguardada pela Constituição, então temos de apresentar uma alternativa para que a economia portuguesa cresça, o que não é permitido atualmente. 
Se falharmos agora comprometeremos a esperança de um país próspero, a não ser que queiramos que, ao invés de um Estado Democrático, fiquemos reféns de uma Constituição e de um tribunal constitucional, que age como e quando quer. Se assim for que governe o tribunal constitucional, pois nenhuma força política terá capacidade, com este normativo, de endireitar as finanças públicas e relançar Portugal.

Publicado no Jornal da Madeira
http://impresso.jornaldamadeira.pt/opiniao.php?Seccao=12&id=243155&sdata=2013-04-22

segunda-feira, março 18, 2013

Legitimidades - Artigo JM

A semana que terminou foi rica no debate político regional. Discutiram-se três moções na Assembleia da Madeira: uma de confiança, apresentada pelo Governo Regional, e duas moções de censura apresentadas, respetivamente, pelo partido socialista e pelo partido trabalhista.
O tom político em torno dos documentos em apreço versaram, essencialmente, sobre a legitimidade política dos governantes e dos partidos políticos representados no parlamento regional. A troca de argumentos, emanados da discussão das moções, merecem uma analise séria e um esclarecimento à população, sob pena de se criarem ideias erradas sobre as causas da presente situação que se vive na Madeira.
O partido socialista, por exemplo, apresentou uma moção de censura "hipócrita" porque branqueia as responsabilidades do seu partido na presente conjuntura económico-financeira, que incidiu primeiramente com a Lei das Finanças Regionais de 2007, altamente penalizadora para a Madeira, e depois com a inexplicável desistência do Governo Socialista nas negociações do Centro Internacional de Negócios da Madeira, lesando severamente a Região e o país.
Por seu turno, o PTP, que não passa de um partido que vive obstinado pela subversão política na Madeira e que aproveita qualquer oportunidade para fazer "chincana" política, também apresentou uma moção de censura. Para este caso, nada melhor lembrar que a política deve ser uma actividade séria e que o povo espera respostas e soluções para os seus problemas, ao contrário dos engenhos do PTP que apenas têm o intuito de garantir espaço nos media e de criar instabilidade.
Porque os desafios são exigentes, e porque não se pode viver de insinuações e de incertezas, em boa hora, o Governo Regional apresentou uma moção de confiança, contribuindo também para clarificar o presente momento. O voto de confiança, que mereceu da Assembleia, se no dia da sua apresentação fez sentido, sai ainda mais reforçado após os bons resultados da recente avaliação do plano de ajustamento económico e financeiro pela troika, que relevou o esforço notável do Governo Regional em cumprir os objectivos e metas do plano.
Face ao exposto, não será necessário discorrer mais sobre a legitimidade deste Governo porque é no trabalho e nos resultados que se afere a competência e a capacidades de quem nos governa, mesmo com medidas externas, impostas e injustas.

http://impresso.jornaldamadeira.pt/opiniao.php?Seccao=12&id=240381&sdata=2013-03-18

domingo, março 10, 2013

Emissários - Artigo de opinião no JM


Segundo o dicionário da língua portuguesa um emissário é “aquele que é enviado para cumprir uma missão, mensageiro.” Supõe-se que esses enviados, com propósitos concretos, empenham as suas melhores qualidades a rogo da transmissão do conteúdo ao seu público-alvo.

Ao longo dos tempos a função do emissário foi se alterando trazendo ao de cima o pior da sua função. No tempo do Estado Novo, por exemplo, a figura do emissário tinha o objetivo de espiar e de transmitir a doutrina do regime. Nos dias de hoje, alguns emissários, têm o intuito de perseguir, criar desconfiança e de secar tudo o que germina à sua volta, como se tratassem de eucaliptos robustos e centenários.
Há emissários de tudo e mais alguma coisa: os que se acham superiores, outros obcecados por objetivos pessoais, mas também aqueles que, reféns das suas fragilidades e frustrações, tendem a aproveitar qualquer oportunidade para fazer insinuações e tecer juízos de valor.
As insinuações, os comentários anónimos ou até mesmo a opiniões falsas são cada vez mais habituais, daí ser crucial, da parte de quem as receciona, fazer uma filtragem pelo teor, caráter e razoabilidade desses conteúdos. É sempre importante dar o benefício da dúvida, sob pena de serem criados quadros imaginativos, injustos e difamatórios sobre pessoas, instituições e coisas.
O que se pode concluir é que esses emissários nada melhor fazem do que desmoronar os princípios democráticos porque não sabem lidar com pensamentos diferentes e sobretudo com o pensamento livre. Sim, porque o pensamento livre não é apenas daqueles que enfrentam, é também pertença daqueles que são enfrentados.
Porque há sempre quem viva atormentado com questões alheias, antes de ceder aos impulsos mal-intencionados, recomenda-se o crivo das “Três peneiras” do filósofo Sócrates: verdade, bondade e utilidade. Assim, se o que pretendem dizer não seja verdadeiro, nem bom, nem útil que o guarde para si próprio. Porque não seguir o ensinamento? Cabe, a cada qual, separar o trigo do joio e ter esperança porque “o futuro protege os audazes”.
http://impresso.jornaldamadeira.pt/opiniao.php?Seccao=12&id=239775&sdata=2013-03-10

domingo, fevereiro 24, 2013

Reconhecimento agridoce - artigo JM


Em vésperas da sétima avaliação ao plano de resgate a Portugal o Ministro das Finanças, Vítor Gaspar, vem reconhecer duas coisas: o plano de ajustamento falhou, sendo necessário mais tempo para o seu cumprimento, e a máxima do Governo de que a dívida é para pagar custe o que custar, saiu gorada.
As conclusões de Vítor Gaspar, embora pequem por tardias, vêm dar razão aos que têm alertado de que a fórmula de austeridade gera um ciclo vicioso e que a obsessão pelo cumprimento do défice, por via da receita, é uma falácia. O plano de ajustamento financeiro de Portugal, assinado pelo então Governo Socialista, através do agora Presidente do Conselho Consultivo de uma multinacional suíça da área farmacêutica, originou um ciclo recessivo que só poderá ser invertido se forem estabelecidas outras prioridades nacionais.
Infelizmente o empenhamento dos portugueses no cumprimento do plano, indo até mais longe em algumas metas, com o objetivo de honrar as responsabilidade do Estado mas também de devolver a, tão necessária, saúde financeira e o crescimento económico começa a parecer miragem.
Apesar de surpreendente o reconhecimento do Ministro das Finanças de rever os montantes e os prazos de pagamento do acordo com a troika, não é motivo para nos iludirmos a pensar que serão pedidos menos esforços aos portugueses. O que de repente nos apercebemos é que o Governo vai pedir mais tempo para cumprir as mesmas medidas e não recuará nos esforços pedidos aos portugueses, antes pelo contrário pretende aprofundar a agonia e aplicar mais austeridade.
Nunca é demais reforçar a ideia que Portugal está a se degradar e que os membros do Governo da Republica não passam de uns “lunáticos” que ainda não se aperceberam que assim não vamos lá e que, a rogo de uma boa imagem junto dos parceiros internacionais, estão a hipotecar as famílias portuguesas, as empresas e até mesmo o interesse nacional.
O fosso de desgraça que abala o sistema social português, tendo à cabeça os níveis abismais de desemprego, parece levar à conclusão que a recessão económica obriga a que cada vez menos portugueses possam assegurar o mesmo nível de receita. Este caminho é inviável é insuportável!
Todo este processo de submissão a um plano e às instâncias internacionais tem originado a perda silenciosa de legitimidade do Governo de Gaspar, Coelho e Portas. Não é por acaso que temos vindo a assistir a manifestações que, indiretamente, abalam os princípios democráticos do Estado português. A palavra de ordem que está por detrás do descontentamento é a mudança, mas não é certo que o Governo de Gaspar, Coelho e Portas queira infletir a ditadura financeira, recuperar o país e ganhar a confiança dos portugueses, se é que ainda vai a tempo.
O diagnóstico do país está feito, pese embora demasiado tarde para o trio mais poderoso do país, no entanto caberá também à troika na avaliação que se aproxima fazer o seu ato de contrição e reconhecer que a orientação imposta a Portugal tem gerado uma espiral recessiva, com efeitos catastróficos no tecido social e na economia portuguesa. O que o país precisa é a refundação do plano de resgate, orientado para estimular a economia, assegurar o controlo das contas públicas e garantir o Estado Social.

impresso.jornaldamadeira.pt/opiniao.php?Seccao=12&id=238658&sdata=2013-02-24

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

(In) Seguro e a Reforma do Estado


PUBLICADO NA EDIÇÃO IMPRESSA |  

O partido socialista, comandado por (in)Seguro, não se apresenta capaz de ser governo em Portugal. Pior do que não oferecer alternativa ao projeto governativo do país tem sido a postura de irresponsabilidade em dossiers cruciais, como são os casos do plano de ajustamento financeiro, negociado pelo PS com as instâncias internacionais, e a prepotência em recusar tomar parte do debate sobre a reforma do Estado.
Ninguém em Portugal esquece que a presente conjuntura deve-se, em muito, à desgovernação do partido socialista que arrastou o país para uma crise que tem penalizado as pessoas. Todos os portugueses têm a noção que o passado recente do país não pode ser o mesmo para o futuro. Arrisco dizer que nenhum português espera milagres ou uma alteração considerável no seu nível de vida a curto prazo, como também defendo que, para o bem do país, terão de ser feitas reformas estruturais no Estado.
As opções da liderança de (in)Seguro para o país divergem do que pensam e aspiram os portugueses e, pior do que isso, num momento delicado como o que vivemos, enquanto se esperava que os desígnios nacionais fossem soberanos aos interesses e jogadas partidárias, o PS prefere ficar à margem do debate que urge ser feito sobre a reforma do Estado. É leviana a demissão do PS em ajudar a pensar um país mais próspero e num Estado menos honroso para a sua população.
Sobre esta matéria, são curiosas as declarações do líder da bancada parlamentar dos socialistas na Assembleia da República, Carlos Zorrinho, no passado dia 11 de Janeiro, que proclama que esta ideia da reforma do Estado é apenas para “a maioria PSD/CDS…. branquear o corte de quatro mil milhões de euros necessários devido à incompetência da sua gestão orçamental”. Ora que moral tem o PS de chamar incompetente à gestão orçamental deste governo quanto sabem que foram eles próprios que entalaram o país, com despesismos e sem reflexos no desenvolvimento nacional, e que entregaram a esta maioria um país sem credibilidade e num fosso sem saída?
Apesar de condenar as políticas e o rumo com que esta coligação governa o nosso país, chegando ao ponto de defender a demissão do primeiro-ministro e a nomeação de um governo de salvação nacional, considero que no domínio da reforma do estado ninguém pode ficar de fora e entristece-me que os “supostos” representantes das populações, os partidos políticos, sejam os primeiros a se demitir desta responsabilidade.
Os partidos da oposição acabarão por ter, a devido tempo, a resposta do povo porque com estas atitudes não servem o país, não servem os portugueses e nada mais querem do que, reféns do eleitoralismo, assegurar os seus lugares.
É normal que o PS prefira viver envencilhado nas disputas internas mas também tem o dever, político e moral, de ser um partido responsável e de estar à altura dos desafios que se colocam ao país. O PS não merece um voto de esperança e um voto de confiança dos portugueses porque não distingue a politiquice do sentido de Estado.

http://impresso.jornaldamadeira.pt/opiniao.php?Seccao=12&id=237014&sdata=2013-02-03

domingo, janeiro 20, 2013

Urgente mudar


PUBLICADO NA EDIÇÃO IMPRESSA |  

http://impresso.jornaldamadeira.pt/opiniao.php?Seccao=12&id=235876&sdata=2013-01-20 

O Partido Social Democrata nacional pode estar próximo de alcançar resultados eleitorais menos positivos por via dos sucessivos erros de governação do seu líder e primeiro-ministro, Dr. Pedro Passos Coelho. Apontam-se alguns erros que têm originado a descrença e a contestação popular ao PSD:
- Erros de Comunicação
A inabilidade comunicacional do Governo da República tem originado fugas de informação sobre matérias sensíveis, que tinham a obrigação de ser trabalhadas na esfera privada do Governo, gerando contestação sobre suposições e questões que não estão materializadas e devidamente aprofundadas. Por sua vez, ainda em matéria de comunicação, é de senso comum que os exigentes esforços pedidos aos portugueses não têm sido acompanhados de uma estratégia de comunicação explicativa sobre os motivos que os originaram e os objetivos que se propõem atingir. Os portugueses não estão à espera de facilidades ou de milagres, mas têm o direito de saber se o rumo que trilham e os esforços que suportam levarão à reabilitação do país. A política sem comunicação é uma falácia e a governação sem clareza é um “tiro” às escuras que origina a descrença e a falta de solidariedade popular.
- Inabilidade na Coligação de Governo
Não há dúvidas que este Governo da República é sustentado por uma coligação de conveniência, não existindo concertação nas posições públicas nem a partilha de responsabilidades, em especial sobre medidas impopulares que têm vindo a ser adotadas. O que temos assistido é, por um lado, os membros do Governo do PSD sistematicamente a liderar os dossiers difíceis e impopulares e, de outro, os ministros do CDS a aproveitar os dividendos da governação em ações de diplomacia ou então em inaugurações, a exemplo do que assistimos no início da semana passada quando assistimos ao Ministro dos Negócios Estrangeiros e a Ministra da Agricultura a inaugurarem uma fábrica do sector primário. Este modelo de governação está esgotado, as boas políticas favorecem o CDS e os destroços das políticas impopulares resvalam sempre para o PSD.
- Reorganização administrativa
A reorganização administrativa do território das freguesias, que foi um objetivo do PSD, poderá beliscar a sua preponderância enquanto partido do poder local. A ausência de um debate junto da sociedade civil e a arrogância em forçar a reorganização administrativa sem a devida explicação dos benefícios para as populações e para o Estado, se é que existem, poderá ter efeitos já nas próximas eleições autárquicas. Não é ingénua a declaração do senhor Presidente da República, subsequente à promulgação da lei, que advertiu para a necessidade de serem tomadas as medidas adequadas para assegurar a normalidade nas eleições autárquicas, bem como o alerta que faz sobre as implicações desta reforma administrativa, pois interfere com mais de 200 municípios e reduz cerca de 1000 freguesias. Antecipamos um cenário de contestação, especialmente pela perda de identidade das populações das freguesias visadas e pela privação de alguns meios/serviços que, até há bem pouco tempo, tinham ao seu dispor.
- Relação com as Regiões Autónomas
Se há assuntos de governação que são autênticos desastres são certamente as matérias conexas com as Regiões Autónomas, em que há uma atitude centralizadora e quase “pidesca” para com estes territórios. No que se refere à Madeira, começando pelo dossier do Centro Internacional de Negócios até ao plano de ajustamento económico e financeiro e culminando com a proposta de lei de finanças regionais, são descarados os sistemáticos atropelos ao desenvolvimento e à solidariedade nacional. Apesar da maioria governativa na República ser social-democrata, comportam-se como se fossem da oposição, criando sucessivos problemas e manifestando falta de vontade em resolver as questões pendentes. Este Governo do PSD, a par do Governo de Sócrates, ficarão para a história como os governos mais anti-autonomistas da história e como os maiores inimigos dos povos insulares, motivados por uma obstinação política e quiçá até pessoal.
Os erros políticos exigem mudança, impõem a necessidade de uma nova liderança no PSD e a nomeação de um novo Governo da República que devolvam, a nível partidário e governamental, uma orientação humanista, personalista e interclassista. O PSD não deverá ser parte do problema ou origem de uma crise política, antes sim, solução responsável e merecedora da confiança eleitoral que lhe foi dada pelos portugueses em 2011. É hora da mudança sob pena de o PSD e o país ficarem sequestrados e sem solução!

segunda-feira, janeiro 14, 2013

Desterro -artigo de opinião JM




Portugal é hoje um país refém das políticas internacionais, e, apesar de ser o elo mais fraco, numa relação de polos opostos, tem resignado a sua soberania a favor das organizações financiadoras. A troco de um empréstimo para resolver os erros de governação do Partido Socialista e do nada saudoso, Eng. José Sócrates, os governantes de Portugal tropeçam a cada passo que dão, sacrificando os portugueses e sem nunca inverterem a linha que tem gerado um ciclo vicioso- a austeridade.
O modelo europeu está esgotado: A rogo dos esforços de uma segunda divisão de países, outros continuam a crescer e a manter a sua estabilidade social e económica. Esta discrepância não garante um projeto europeu sólido e cooperante, conforme os princípios do seu estabelecimento, mas sim uma Europa desigual em que, de um lado, estão os ricos e, de outro, os pedintes.
É urgente que os governantes saiam do “quadrado” em que estão circunscritos e procurem caminhos alternativos à austeridade portuguesa, quiçá vincando acordos e parcerias com outros países fora da Europa, junto daqueles cujas relações e a História aproximam do nosso país e que estão numa fase de pujança económica e em franco crescimento.
Portugal não pode continuar a se comportar como um incapacitado financeiro, refém da “mercearia” que dá crédito para adquirir os bens essenciais à sua sobrevivência, porque esse caminho tende a estreitar-se e a destruir o país e o Estado. O recente relatório do Fundo Monetário Internacional é exemplo de que se seguir esse modelo estaremos à beira da morte anunciada do Estado português. A destruição do Estado Social, decorrente das conclusões daquele relatório, através das consideráveis reduções na saúde e na educação, como também a lunática redução do número de funcionários públicos acrescida a redução dos salários e pensões leva-nos a questionar o papel do Estado e os nossos deveres enquanto cidadãos.
Não podemos ser cúmplices do desterro do nosso país, nem podemos continuar a alimentar um caminho que segrega e que torna-nos mais débeis e incapacitados. Não podemos continuar a comportar que o nosso país seja hoje uma rampa de expulsão de empresas, de quadros e de jovens licenciados para o estrangeiro, resultando num estrangulamento acrescido àqueles que por cá se estabelecem. Não podemos aceitar que Portugal não ofereça futuro aos que cá vivem e que seja um foco de desmotivação para os seus cidadãos, com míseros salários, comparados com a média da União Europeia, e com uma carga fiscal incomportável. Não podemos tolerar que um país com uma tendência para o envelhecimento não possua políticas de família e de estímulo à natalidade, como garante da célula basilar e do futuro do país.
Mas tudo isto advém do esvaziamento do “xadrez” político que lidera o nosso país e que vive obcecado pelo cumprimento dos ditames das instituições internacionais. A coligação governamental está debilitada porque não existem objetivos comuns mas sim acordos táticos que, a qualquer momento, podem ser trágicos, resvalando numa crise política. A ausência de soluções para a presente situação não é unicamente da responsabilidade dos partidos da coligação, é também das outras forças políticas que limitam-se à crítica espontânea e revelam-se incapazes de apresentar um projeto sólido e com futuro para Portugal. O vazio político não passa despercebido porque, se assim fosse, não estávamos a ser governados por entidades externas.
Portugal está doente, não pelo gene do seu povo, nunca pela capacidade de superação dos seus cidadãos, mas sim pela incapacidade política que tem imperado na gestão pública nacional.

http://impresso.jornaldamadeira.pt/opiniao.php?Seccao=12&id=235378&sdata=2013-01-14

domingo, dezembro 16, 2012

Apenas três notas


http://impresso.jornaldamadeira.pt/opiniao.php?Seccao=12&id=233316&sdata=2012-12-16



1. Visita do Secretário Estado dos Assuntos Parlamentares à Madeira
São claros os propósitos do Governo da República quanto aos órgãos de governo próprio da Região Autónoma da Madeira. Numa encenação política, o Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares visita a Madeira, coincidindo com a discussão do Orçamento Regional, logo, com dificuldades de agenda em reunir com o Governo Regional. Por sua vez, o Secretário de Estado acaba por reunir com o grupo parlamentar do CDS/PP local e que, resultado desse encontro, noticia que haverá um plano estratégico para a RTP e RDP Madeira, que poderá também envolver o Jornal da Madeira. Pergunto-me, com quem é que esse plano será materializado? Com o CDS/PP? Com outros poderes ou outras personalidades, quando está clarificado e postos de lado alguns planos que envolveriam esse propósito?
Já agora porque será que o CDS que faz “jogo de cintura” com o Governo da República, umas vezes estando do lado daquele Governo e outras não, não usa o seu capital de influência para outras situações mais prementes para a presente conjuntura da Região?

2. Voto do CDS/PP no Orçamento Regional
A votação na generalidade do Orçamento Regional para o ano 2013 clarificou as motivações políticas do CDS/PP Madeira: a demagogia e o eleitoralismo. Alinhado no diapasão dos partidos radicais representados no parlamento regional votou contra a proposta de orçamento, esquecendo que faz parte de um alinhamento político que impos um Programa de Ajustamento Financeiro à Madeira e que, desse plano, adveio medidas severas que também condicionam aquele documento, mas também que implicam esforços na economia e impõem sacrifícios às famílias madeirenses. Uma atitude responsável seria de esperar deste CDS/PP, pelo menos a abstenção no orçamento, que continua a se demitir das responsabilidades inerentes a um partido que integra a coligação no Governo da República.

3. Preocupação da oposição quanto ao PSD
Se houvesse dúvidas quanto ao futuro político da Região ficariam todas dissipadas nas preocupações de toda a oposição sobre a vida interna do PSD/Madeira. Ao invés dos partidos anti-autonomistas organizarem os seus partidos, de modo a construir uma alternativa de poder ao PSD, ficam envencilhados a discutir os processos internos do partido da maioria na Madeira. Está provado que ao PSD/Madeira basta ter a cabeça no seu sítio e não fazer o jogo da oposição para continuar a comandar os destinos da nossa Região.

segunda-feira, novembro 05, 2012

A Força sobre a adversidade - Mau tempo Madeira

Da mesma maneira que a Madeira esteve à altura para solucionar as consequências das intempéries de 20 de Fevereiro 2010, certamente que estaremos novamente operacionais para accionar as medidas necessárias na sequência do mau tempo que afecta a Região, em especial na costa Norte. Os meios estão no terreno e os alertas sinalizados. Muita força a todos, em especial às populações que têm vindo a ser afectadas.

Resultados Eleições Internas PSD Madeira - Freguesia da Ilha

Face aos dados menos precisos quanto aos resultados das eleições internas do PSD Madeira na Freguesia da Ilha, que decorreram na passada Sexta-feira, dia 2 de Novembro, apresento aqui o escrutínio final:

Universo eleitoral : 27 
Votantes: 25
Lista A: 22
Lista B: 2
Votos em Branco: 1  

O Dr. Alberto João Jardim ganhou na Freguesia da Ilha com 92%.  

terça-feira, outubro 30, 2012

Presunção


O processo eleitoral interno no PSD Madeira tem sido rico em revelações. O novo ciclo que determinados militantes profetizam assume rasgar com a história e fazer uma demarcação profunda ao rumo que o partido tem trilhado. Viemos a descobrir que há quem tenha a ousadia de chamar a si os louros dos resultados eleitorais, fazendo parecer que num partido existem militantes de primeira e militantes de segunda e que, individualmente, há quem valha mais do que o todo.

As declarações que têm vindo a público de uma das candidaturas, as únicas possíveis para o esclarecimento dos militantes, fazem parecer que vivemos enganados e adormentados num sonho durante todos estes anos. Nesse sonho não existiu progresso, a Região não se desenvolveu, o líder carismático do PSD Madeira não contribuiu para arrecadar vitórias eleitorais e o PSD sempre foi um partido obsoleto e sem ideias para o futuro da Região. É uma presunção que atinge todos os que arduamente se têm dedicado ao partido e à defesa das suas causas. Infelizmente, para esses, a transformação de que a Madeira beneficiou, fruto do trabalho de um partido, de um líder e do saber escolher de um Povo, por mais que se esforcem, jamais poderá ser escondida.

Nunca ouvi o Dr. Alberto João Jardim afirmar que os resultados e a obra deviam-se apenas ao seu trabalho. Nas diversas conquistas eleitorais e na concretização de obra na Madeira, o líder do PSD sempre declarou que os resultados emergiram da coragem dos sociais-democratas madeirenses e da força que o Povo da Madeira sempre deu aos seus Governos e ao seu partido.

As diferentes abordagens evidenciam o que está em causa nas eleições internas no PSD. Há quem puxe pelos galões chamando a si os resultados, e há quem, mesmo merecendo, partilhe os sucessos com os militantes sociais-democratas e com os Madeirenses.

O tom da candidatura adversária à do atual líder do PSD encontra-se envolta em arrogância porque, aguerridos na presunção de ter a fórmula “mágica” para o futuro do partido e da Região, menosprezam tudo o que tem vindo a ser feito, parecendo querer passar atestados de caducidade à família social-democrata da Madeira. Se o partido e os seus militantes passaram de prazo com que objetivo se lhes pedem o voto?

Se o processo eleitoral é interno e se votam apenas os militantes que tenham as quotas em dia, não se compreende que intento persegue quem resume a sua campanha às ações mediáticas e na praça pública. O que está em causa é o esclarecimento dos filiados sobre as ideias para o futuro do partido e não um esclarecimento a população Madeirense, como se de umas eleições regionais se tratasse, para regozijo dos opositores e inimigos dos sociais-democratas da Madeira.

Não se ganha o partido com os votos da oposição.

Os inimigos não são os aliados ideais para atingir a liderança do partido.

Alguém que quer liderar o PSD deverá ter o desejo de o fortalecer e de não o enfraquecer.

A busca da popularidade mediática, não é sinónimo de reunir a preferência dos militantes do PSD da Madeira.

Porque há ainda quem saiba do que se trata neste processo eleitoral dentro do partido, o verdadeiro debate e esclarecimento decorre junto dos sociais-democratas e dos autonomistas da Madeira e nunca nos sítios impróprios ou em acordos com aqueles que querem manobrar o PSD com o intuito de o derrubar.

O que está em causa é continuar a desenvolver a nossa Região, só sendo possível com a força e a garra de cada militante e de cada simpatizante, de cada homem e de cada mulher que aspira o bem da nossa terra e das nossas gentes. Há quem acredite no potencial dos seus pares no partido e com eles, no dia 2 de Novembro o PSD da Madeira empenhará a sua vontade em continuar a realizar esperança. 


Artigo de Opinião publicado no Jornal da Madeira:
http://impresso.jornaldamadeira.pt/opiniao.php?Seccao=12&id=229465&sdata=2012-10-29

sexta-feira, outubro 19, 2012

‎"CARTA DE DESPEDIDA AO PRESIDENTE DA REPUBLICA" - Pedro Marques


Por solidariedade, mas também porque este caso simboliza o drama de muitos jovens portugueses que hoje vêm os seus sonhos gorados, fica o registo da carta do jovem Pedro Marques (enfermeiro) dirigida ao Presidente da República:


"Vossa Excelencia,
Não me conhece, mas eu conheço-o e, por isso, espero que não se importe que lhe dê alguns dados biográficos. Chamo-me Pedro Miguel, tenho 22 anos, sou um recém-licenciado da Escola Superior de Enfermagem do Porto. Nasci no dia 31 de Julho de 1990 na freguesia de Miragaia. Cresci em Alijó com os meus avós paternos, brinquei na rua e frequentava a creche da Vila. Outras vezes acompanhava a minha avó e o meu avô quando estes iam trabalhar para o Meiral, um terreno de árvores de fruto, vinha (como a maioria daquela zona), entre outros. Aprendi a dizer “bom dia”, “boa tarde”, “boa noite” quando me cruzava na rua com terceiros. Aprendi que a vida se conquista com trabalho e dedicação. Aprendi, ou melhor dizendo, ficou em mim a génesis da ideia de que o valor de um homem reside no poder e força das suas convicções, no trato que dá aos seus iguais, no respeito pelo que o rodeia.
Voltei para a cidade onde continuei o meu percurso: andei numa creche em Aldoar, freguesia do Porto e no Patronato de Santa Teresinha; frequentei a escola João de Deus durante os primeiros 4 anos de escolaridade, o Grande Colégio Universal até ao 10º ano e a Escola Secundária João Gonçalves Zarco nos dois anos de ensino secundário que restam. Em 2008 candidatei-me e fui aceite na Escola Superior de Enfermagem do Porto, como referi, tendo terminado o meu curso em 2012 com a classificação de Bom. Nunca reprovei nenhum ano. No ensino superior conclui todas as unidades curriculares sem “deixar nenhuma cadeira para trás” como se costuma dizer.
Durante estes 20 anos em que vivi no Grande Porto, cresci em tamanho, em sabedoria e em graça. Fui educado por uma freira, a irmã Celeste, da qual ainda me recordo de a ver tirar o véu e ficar surpreendido por ela ter cabelo; tive professores que me ensinaram a ver o mundo (nem todos bons, mas alguns dignos de serem apelidados de Professores, assim mesmo com P maiúsculo); tive catequistas que, mais do que religião, me ensinaram muito sobre amizade, amor, convivência, sobre a vida no geral; tive a minha família que me acompanhou e me fez; tive amigos que partilharam muito, alguns segredos, algumas loucuras próprias dos anos em flor; tive Praxe, aquilo que tanta polémica dá, não tendo uma única queixa da mesma, discutindo Praxe várias vezes com diversos professores e outras pessoas, e posso afirmar ter sido ela que me fez crescer muito, perceber muita coisa diferente, conviver com outras realidades, ter tirado da minha boca para poder oferecer um lanche a um colega que não tinha que comer nesse dia. Tudo isto me engrandeceu o espírito. E cresci, tornei-me um cidadão que, não sendo perfeito, luto pelas coisas em que eu acredito, persigo objetivos e almejo, como todos os demais, a felicidade, a presença de um propósito em existirmos. Sou exigente comigo mesmo, em ser cada vez melhor, em ter um lugar no mundo, poder dizer “eu existo, eu marquei o mundo com os meus atos”.
Pergunta agora o senhor por que razão estarei eu a contar-lhe isto. Eu respondo-lhe: quero despedir-me de si. Em menos de 48 horas estarei a embarcar para o Reino Unido numa viagem só de ida. É curioso, creio eu, porque a minha família (inclusive o meu pai) foi emigrante em França (onde ainda conservo parte da minha família) e agora também eu o sou. Os motivos são outros, claro, mas o objetivo é mesmo: trabalhar, ter dinheiro, ter um futuro. Lamento não poder dar ao meu país o que ele me deu. Junto comigo levo mais 24 pessoas de vários pontos do país, de várias escolas de Enfermagem. Somos dos melhores do mundo, sabia? E não somos reconhecidos, não somos contratados, não somos respeitados. O respeito foi uma das palavras que mais habituado cresci a ouvir. A par dessa também a responsabilidade pelos meus atos, o assumir da consequência, boa ou má (não me considero, volto a dizer, perfeito).
Esse assumir de uma consequência, a pro-atividade para fazer mais, o pensar, ter uma perspetiva sobre as coisas, é algo que falta em Portugal. Considero ridículas estas últimas semanas. Não entendo as manifestações que se fazem que não sejam pacíficas. Não sou a favor das multidões em protesto com caras tapadas (se estão lá, deem a cara pelo que lutam), daqueles que batem em polícias e afins. Mais, a culpa do país estar como está não é sua, nem dos sucessivos governos rosas e laranjas com um azul à mistura: a culpa é de todos. Porquê? Porque vivemos com uma Assembleia que pretende ser representativa, existindo, por isso, eleições. A culpa é nossa que vos pusemos nesse pódio onde não merecem estar. Contudo o povo cansou-se da ausência de alternativas, da austeridade, do desemprego, das taxas, dos impostos. E pedem um novo Abril. Para quê? O Abril somos nós, a liberdade é nossa. E é essa liberdade que nos permite sair à rua, que me permite escrever estas linhas. O que nós precisamos é que se recorde que Abril existiu para ser o povo quem “mais ordena”. E a precisarmos de algo, precisamos que nos seja relembrado as nossas funções, os nossos direitos, mas, sobretudo, principalmente, com muita ênfase, os nossos deveres.
Porém, irei partir. Dia 18 de Outubro levarei um cachecol de Portugal ao pescoço e uma bandeira na bagagem de mão. Levarei a Pátria para outra Pátria, levarei a excelência do que todas as pessoas me deram para outro país. Mostrarei o que sou, conquistarei mais. Mas não me esquecerei nunca do que deixei cá. Nunca. Deixo amigos, deixo a minha família. Como posso explicar à minha sobrinha que tem um ano que eu a amo, mas que não posso estar junto dela? Como posso justificar a minha ausência? Como posso dizer adeus aos meus avós, aos meus tios, ao meu pai? Eles criaram, fizeram-me um Homem. Sou sem dúvida um privilegiado. Ainda consigo ter dinheiro para emigrar, o que não é para todos. Sou educado, tenho objetivos, tenho valores. Sou um privilegiado.
E é por isso que lhe faço um último pedido. Por favor, não crie um imposto sobre as lágrimas e muito menos sobre a saudade. Permita-me chorar, odiar este país por minutos que sejam, por não me permitir viver no meu país, trabalhar no meu país, envelhecer no meu país. Permita-me sentir falta do cheiro a mar, do sol, da comida, dos campos da minha aldeia. Permita-me, sim? E verá que nos meus olhos haverá saudade e a esperança de um dia aqui voltar, voltar à minha terra. Voltarei com mágoa, mas sem ressentimentos, ao país que, lá bem no fundo, me expulsou dele mesmo.

Não pretendo que me responda, sinceramente. Sei que ser político obriga a ser politicamente correto, que me desejará boa sorte, felicidades. Prefiro ouvir isso de quem o diz com uma lágrima no coração, com o desejo ardente de que de facto essa sorte exista no meu caminho.

Cumprimentos,
Pedro Marques"

terça-feira, outubro 16, 2012

Ética não rima com José Manuel Coelho

José Manuel Coelho, deputado do PTP na Assembleia da Madeira, é um político do bluff, da mentira, da arruaça e das insinuações.
O mentor da "dita" ética cumpre sempre a velha máxima "faz o que eu digo, não faças o que eu faço".
Eis alguns exemplos:
- Coloca a filha como deputada na Assembleia da Madeira;
- Os valores que recebe para a actividade parlamentar são para criar "tachos" e até dá para pagar o líder nacional do partido.
- Não dignifica nem respeita a vontade do povo quando bloqueia e prejudica os trabalhos parlamentares.

Este é um exemplo de quem não sabe honrar o voto.

PRAXIS NON VERBUM!



Requisitos de uma candidatura

Desafiar a uma disputa eleitoral no Partido Social Democrata da Madeira exige que se apresente um projeto político com ideias e que se assegure vitórias eleitorais. Este é um ato que, para muitos, pode significar coragem, no entanto não só é um afrontamento carregado de injustiça, como também envolta perigo no que respeita à estabilidade política. 
Não basta querer, é preciso dar provas. Não basta sentir-se capaz, é necessário apresentar um projeto com ideias e de valor acrescentado. Não basta, por um lado dizer que se discorda para soar bem na opinião pública e, por outro, remeter-se ao silêncio nos locais próprios onde devem discutir as divergências e as alternativas- nos órgãos do partido. 
A afirmação de uma candidatura passa, também, por assumir um projeto político constituído por um elenco de militantes para a direção dos principais órgãos, que devem oferecer garantias ao partido. Alguns atributos devem ser tidos em conta, designadamente: 
1. Competência
A equipa deve congregar quadros do partido, de preferência com provas dadas na vida política, económica, social e cultural na Região Autónoma da Madeira. Não estamos num tempo de experiências, mas sim de garantias. É crucial que nos destinos da mais importante estrutura partidária da Região possa reunir os melhores, com diferentes sensibilidades e áreas de formação distintas. 
2. Experiência
Porque a política também é estratégia e conhecimento, é importante que o partido tenha nos seus dirigentes elementos com experiência governamental, com tacto autárquico e capazes de dinamizar a estrutura partidária.
Quem conhece o PSD/M sabe bem o quanto a experiência foi um dos segredos da estrutura. As boas práticas e os mais experimentados na vida partidária do PSD serão necessários, especialmente para a grande batalha eleitoral do próximo ano- as eleições autárquicas. Por imperativo da lei de limitação de mandatos, muitas serão as mudanças para as Câmaras e Juntas de Freguesia e, apesar dessa condicionante, o PSD não pode deixar de seguir aquele que é o seu objetivo, vencer todas as câmaras e freguesias da Região.
3. Capital Político
A credibilidade, a capacidade de negociação e de movimentação nos corredores do poder são, na atualidade, requisitos fundamentais para alcançar resultados positivos a favor da Madeira e da sua população. O momento específico que se vive não pode dispensar aqueles que na sua área de intervenção para dar uma ajuda à Região e ao seu povo. O jogo de influências na vida política e nos círculos de poder são de tal modo selvagem que também o PSD deve estar bem posicionado, especialmente quando a nossa família política nacional continua a destoar de um caminho distinto dos interesses social-democratas e dos autonomistas da Madeira.
4. Interclassista
Numa sociedade heterogénea onde as dificuldades acentuam a injustiça social o Partido, mais do que nunca, deve ter nas suas fileiras representantes de diferentes classes sociais, pois só assim pode seguir, a par e passo, o pulsar da população e de adequar as melhores estratégias. 
5. Intergeracional
O sucesso do partido social democrata da Madeira tem sido o de saber equilibrar a experiência dos mais velhos e a irreverência dos mais novos. Num partido como o PSD/Madeira todos são importantes e necessários, há quem possa defender um partido de jovens ou até um partido mais maduro, mas a virtude está no balanceamento destas duas conceções. O partido não pode perder o seu gene, como também não pode excluir ou incluir alguém apenas pela condição geracional. 
Estas qualidades devem servir de reflexão para ajudar os militantes do PSD Madeira a decidir, dentro de três semanas, sobre a orientação diretiva do partido. Esta escolha será mais fácil porque só uma lista consegue reunir todos estes atributos: A lista encabeçada pelo atual Presidente do partido, Dr. Alberto João Jardim. 
O atual quadro social, político e económico na Região e no mundo precisa dos melhores para, ao serviço comum, encontrar soluções e ultrapassar o momento delicado que se depara. O PSD não será exceção porque teremos de estar à altura dos desafios futuros, ou não fossemos nós autonomistas e sociais-democratas da Madeira!

http://impresso.jornaldamadeira.pt/noticia.php?Seccao=12&id=228205&sup=0&sdata=2012-10-14

domingo, outubro 07, 2012

Vaidade da Renovação




O PSD Madeira convocou para o próximo dia 2 de Novembro, as eleições diretas para a Comissão Política Regional e o Secretariado. Pela primeira vez na sua história dois candidatos assumem um projeto para o partido.
Num contexto de disputa eleitoral trocam-se argumentos para conquistar os votos dos militantes. A lista concorrente à encabeçada pelo Dr. Alberto João Jardim apresenta como um dos únicos argumentos - a renovação dos quadros e dirigentes do PSD Madeira. Este motivo desafia os militantes social-democratas da Madeira a refletir sobre as seguintes questões:
- Se o opositor à atual direção do PSD Madeira ganhar, os membros das comissões políticas de freguesia, os membros dos órgãos regionais, os membros do Governo Regional, os deputados da Assembleia da República e da Assembleia da Legislativa da Madeira e os autarcas serão todos dispensados de dar o seu contributo ao partido?
-Se esse candidato for eleito Presidente da Comissão Política Regional do PSD com que militantes e massa humana contará para continuar a fazer do PSD um partido vencedor?
- Somos assim tantos para dispensar a experiência e o capital político de tantos militantes que durante todos estes anos honraram o bom nome do PSD?
Estas são três questões que merecem uma séria reflexão daquilo que poderá ser, se assim os militantes o entenderem, o destino do PSD da Madeira. Cada qual deverá tirar as elações e exprimir a opinião sobre aquilo que quer para o futuro do partido, ressalvando alguns sinais que essa candidatura evidencia: uma candidatura vinda e exposta de fora, com apoios de outros quadrantes políticos e da comunicação social e seletiva nos contactos com os militantes.
No capítulo da renovação é bom referir que se dúvidas houvesse quanto à capacidade de renovação do Dr. Alberto João Jardim ficariam dissipadas com os sucessivos triunfos eleitorais do PSD. Todos os militantes sabem o quanto, quer nas suas equipas para as Comissões Políticas Regionais, para o Parlamento Europeu, para as Assembleias da República e Legislativa da Madeira, Governo Regional e autarquias o partido foi sempre se renovando. Aliás, se o PSD não se renovasse certamente não conseguiria conquistar o apoio de muitas gerações de Madeirenses.
O líder do PSD/M sempre apostou na renovação através da inclusão dos jovens nos diversos projetos. A aposta pessoal do Presidente do PSD Madeira é ainda mais evidente na importância que tem dado à organização de juventude do partido - a JSD Madeira. Em todas as eleições, regionais e locais, fez sempre questão de contar com novos elementos, não só para a composição das listas, mas também com as suas ideias, como garantia do rejuvenescimento, da confiança e esperança nas novas gerações. Hoje, se analisarmos o historial dos quadros da sociedade madeirense, também com responsabilidades políticas, podemos aferir que grande parte deles iniciou a sua vida política na organização de juventude social-democrata.
Outra dimensão da renovação, que também importa registar, diz respeito às reformas que o PSD foi defendendo e realizando na Madeira. Neste aspeto, é de destacar a capacidade intelectual e prática que o Dr. Alberto João Jardim tem tido ao longo dos anos em que lidera o PSD. Sabiamente, com competência e visão, soube envergar as causas determinantes para cada momento e situação. Dessa forma consolidou o espaço político do PSD, sem demagogias ou discursos politicamente corretos, mas em sintonia com a população.
Estas conclusões, intenta-me a fazer algumas reflexões:
- Se os exemplos referenciados não são sinais de renovação o que será a renovação?
- Não será a renovação um processo dialético que deve garantir a estabilidade mas também a inclusão de novas ideias e novas formas de pensar?
- É aceitável que, pelos mesmos argumentos que tanto combatemos os nossos adversários, se entre no mesmo diapasão e se desrespeite o timoneiro do PSD Madeira?
- A rogo da renovação é prudente virar as costas a quem nunca as virou?
- A vaidade da renovação teria a sua razão se muitos desses militantes, que hoje enfrentam o rosto da social-democracia na Madeira, não devessem a oportunidade e o palco da política ao homem que agora querem ver de fora?
Hoje, todo e qualquer eleito social-democrata tem o dever de gratidão para com o Dr. Alberto João Jardim porque se não fosse com o seu apoio, o seu entusiasmo e com o seu trabalho muitos não lograriam tais oportunidades.
O atual líder do PSD Madeira é o garante da renovação, é aquele que sempre apontou o caminho e que fez as melhores escolhas para o partido e para a Madeira. Pela simples justificação da renovação não é admissível que se ponha em causa o projeto ganhador de 36 anos.
Chegando a hora da inédita decisão, num processo no PSD Madeira, a escolha deverá ser determinada e sem qualquer calculismo. O futuro do partido, que não se pode dissociar do futuro da Região, é uma decisão muito séria que está acima de amizades e acima das relações profissionais.
Se todos os envolvidos defendem a dialética democrática, julgo que também no dia 2 de Novembro, escrutinados os votos dos militantes com capacidade ativa, o partido deve falar a uma só voz e estar coeso e unido para as verdadeiras batalhas com enfoque no real inimigo, que é externo.
A verdadeira batalha está fora do PSD, a luta social-democrata está naqueles que atentam contra a Região Autónoma da Madeira e à sua Autonomia. Não nos desconcentremos deste objetivo!

http://impresso.jornaldamadeira.pt/opiniao.php?Seccao=12&id=227610&sdata=2012-10-07

quarta-feira, outubro 03, 2012

Projeto de Esperança

O momento delicado que se vive na Região, por via da conjuntura económica e social, não só pede que se tenha a capacidade de apresentar e executar novas ideias, como também precisa dos melhores para que, através do seu capital de experiência e de conhecimento, possam intervir junto das diferentes instâncias para reposicionar a Região Autónoma da Madeira na senda do progresso e do desenvolvimento. 
Dentro em breve os militantes do Partido Social Democrata da Madeira serão chamados a votar para os órgãos de direção sendo que, para além de ser uma escolha determinante para o partido, enquanto força maioritária, é crucial para o futuro da Região. 
Quando se fala em opções políticas, em especial nos dias que correm, constata-se o enfoque na necessidade de estabilidade como registo dominante nos mais variados planos, mundial, europeu ou nacional. No caso regional, a tendência não deverá ser outra, porque só com a estabilidade e a união é que será possível concretizar as mudanças necessárias. 
Mais do que nunca a Região precisa da vasta experiência do seu Presidente, Dr. Alberto João Jardim: O homem que liderou a Madeira, nos últimos trinta e seis anos, foi e continua a ser exemplo de persistência, de nunca atirar a “toalha” ao chão e de recusar a se vergar aos ditames que, sucessivamente, foram engrenados pela classe política centralista. Mais do que nunca, a resistência deverá ser palavra de ordem porque os ataques são ferozes e a Madeira não pode, de ânimo leve, fazer a vontade aos inimigos. O que esses pretendem é continuar a sugar os direitos conquistados e a “rasgar” os compromissos que o Estado deveria ter para com esta parcela portuguesa no atlântico. 
A discriminação e o atropelo político foram evidentes nas últimas eleições legislativas regionais em que todas as forças, nacionais e regionais, queriam derrubar um homem e um partido. Apesar da obsessão desses grupos e interesses, o PSD/Madeira conquistou uma maioria absoluta, uma das mais sofridas eleições da sua história, que só não teve outro desfecho porque envolveu ativamente muitos homens e mulheres de toda a Região que, com o apoio genuíno, leal e descomprometido recusaram que a Madeira fosse enxovalhada e que perdesse uma liderança aguerrida e defensora dos seus interesses. 
Os madeirenses, e sobretudo os social-democratas da Madeira, têm uma característica comum – a de saber escolher. As sucessivas escolhas foram garante da estabilidade e consolidaram a força e a melhor estratégia para vencer as adversidades e as dificuldades da nossa Região Autónoma. Desta feita não será diferente porque sabiamente os social-democratas, perante as ideias e as equipas apresentadas, farão o seu julgamento, sendo certo que avaliarão o quanto de positiva foi a atual liderança e do quanto o PSD e a Madeira ainda precisam da sua experiência e do seu capital político.
Todo e qualquer militante do PSD/Madeira sabe bem que há um claro reconhecimento da população pelo trabalho e obra do seu líder, da mesma forma que todo e qualquer cidadão sabe o quanto o carisma de Alberto João Jardim foi e continua a ser determinante para a Madeira seguir em frente. 
Na hora da decisão cabe a cada qual, em consciência, fazer o julgamento e afirmar a quem tem de agradecer e reconhecer, mas sobretudo em qual dos candidatos reside a confiança que ficará melhor entregue o partido e a Região. 
Porque é preciso esperança mas também porque é preciso fé nessa esperança, estou certo que os militantes não hesitarão a confiar o seu voto naquele que conseguiu traduzir as maiores dificuldades da Madeira em oportunidades. Eu acredito num projeto que não prometa apenas esperança, mas que realize a esperança para o bem da minha terra!
Publicado no Jornal da Madeira  - http://impresso.jornaldamadeira.pt/opiniao.php?Seccao=12&id=226955&sdata=2012-09-30