segunda-feira, janeiro 14, 2013

Desterro -artigo de opinião JM




Portugal é hoje um país refém das políticas internacionais, e, apesar de ser o elo mais fraco, numa relação de polos opostos, tem resignado a sua soberania a favor das organizações financiadoras. A troco de um empréstimo para resolver os erros de governação do Partido Socialista e do nada saudoso, Eng. José Sócrates, os governantes de Portugal tropeçam a cada passo que dão, sacrificando os portugueses e sem nunca inverterem a linha que tem gerado um ciclo vicioso- a austeridade.
O modelo europeu está esgotado: A rogo dos esforços de uma segunda divisão de países, outros continuam a crescer e a manter a sua estabilidade social e económica. Esta discrepância não garante um projeto europeu sólido e cooperante, conforme os princípios do seu estabelecimento, mas sim uma Europa desigual em que, de um lado, estão os ricos e, de outro, os pedintes.
É urgente que os governantes saiam do “quadrado” em que estão circunscritos e procurem caminhos alternativos à austeridade portuguesa, quiçá vincando acordos e parcerias com outros países fora da Europa, junto daqueles cujas relações e a História aproximam do nosso país e que estão numa fase de pujança económica e em franco crescimento.
Portugal não pode continuar a se comportar como um incapacitado financeiro, refém da “mercearia” que dá crédito para adquirir os bens essenciais à sua sobrevivência, porque esse caminho tende a estreitar-se e a destruir o país e o Estado. O recente relatório do Fundo Monetário Internacional é exemplo de que se seguir esse modelo estaremos à beira da morte anunciada do Estado português. A destruição do Estado Social, decorrente das conclusões daquele relatório, através das consideráveis reduções na saúde e na educação, como também a lunática redução do número de funcionários públicos acrescida a redução dos salários e pensões leva-nos a questionar o papel do Estado e os nossos deveres enquanto cidadãos.
Não podemos ser cúmplices do desterro do nosso país, nem podemos continuar a alimentar um caminho que segrega e que torna-nos mais débeis e incapacitados. Não podemos continuar a comportar que o nosso país seja hoje uma rampa de expulsão de empresas, de quadros e de jovens licenciados para o estrangeiro, resultando num estrangulamento acrescido àqueles que por cá se estabelecem. Não podemos aceitar que Portugal não ofereça futuro aos que cá vivem e que seja um foco de desmotivação para os seus cidadãos, com míseros salários, comparados com a média da União Europeia, e com uma carga fiscal incomportável. Não podemos tolerar que um país com uma tendência para o envelhecimento não possua políticas de família e de estímulo à natalidade, como garante da célula basilar e do futuro do país.
Mas tudo isto advém do esvaziamento do “xadrez” político que lidera o nosso país e que vive obcecado pelo cumprimento dos ditames das instituições internacionais. A coligação governamental está debilitada porque não existem objetivos comuns mas sim acordos táticos que, a qualquer momento, podem ser trágicos, resvalando numa crise política. A ausência de soluções para a presente situação não é unicamente da responsabilidade dos partidos da coligação, é também das outras forças políticas que limitam-se à crítica espontânea e revelam-se incapazes de apresentar um projeto sólido e com futuro para Portugal. O vazio político não passa despercebido porque, se assim fosse, não estávamos a ser governados por entidades externas.
Portugal está doente, não pelo gene do seu povo, nunca pela capacidade de superação dos seus cidadãos, mas sim pela incapacidade política que tem imperado na gestão pública nacional.

http://impresso.jornaldamadeira.pt/opiniao.php?Seccao=12&id=235378&sdata=2013-01-14

Sem comentários: