domingo, fevereiro 24, 2013
Reconhecimento agridoce - artigo JM
Em vésperas da sétima avaliação ao plano de resgate a Portugal o Ministro das Finanças, Vítor Gaspar, vem reconhecer duas coisas: o plano de ajustamento falhou, sendo necessário mais tempo para o seu cumprimento, e a máxima do Governo de que a dívida é para pagar custe o que custar, saiu gorada.
As conclusões de Vítor Gaspar, embora pequem por tardias, vêm dar razão aos que têm alertado de que a fórmula de austeridade gera um ciclo vicioso e que a obsessão pelo cumprimento do défice, por via da receita, é uma falácia. O plano de ajustamento financeiro de Portugal, assinado pelo então Governo Socialista, através do agora Presidente do Conselho Consultivo de uma multinacional suíça da área farmacêutica, originou um ciclo recessivo que só poderá ser invertido se forem estabelecidas outras prioridades nacionais.
Infelizmente o empenhamento dos portugueses no cumprimento do plano, indo até mais longe em algumas metas, com o objetivo de honrar as responsabilidade do Estado mas também de devolver a, tão necessária, saúde financeira e o crescimento económico começa a parecer miragem.
Apesar de surpreendente o reconhecimento do Ministro das Finanças de rever os montantes e os prazos de pagamento do acordo com a troika, não é motivo para nos iludirmos a pensar que serão pedidos menos esforços aos portugueses. O que de repente nos apercebemos é que o Governo vai pedir mais tempo para cumprir as mesmas medidas e não recuará nos esforços pedidos aos portugueses, antes pelo contrário pretende aprofundar a agonia e aplicar mais austeridade.
Nunca é demais reforçar a ideia que Portugal está a se degradar e que os membros do Governo da Republica não passam de uns “lunáticos” que ainda não se aperceberam que assim não vamos lá e que, a rogo de uma boa imagem junto dos parceiros internacionais, estão a hipotecar as famílias portuguesas, as empresas e até mesmo o interesse nacional.
O fosso de desgraça que abala o sistema social português, tendo à cabeça os níveis abismais de desemprego, parece levar à conclusão que a recessão económica obriga a que cada vez menos portugueses possam assegurar o mesmo nível de receita. Este caminho é inviável é insuportável!
Todo este processo de submissão a um plano e às instâncias internacionais tem originado a perda silenciosa de legitimidade do Governo de Gaspar, Coelho e Portas. Não é por acaso que temos vindo a assistir a manifestações que, indiretamente, abalam os princípios democráticos do Estado português. A palavra de ordem que está por detrás do descontentamento é a mudança, mas não é certo que o Governo de Gaspar, Coelho e Portas queira infletir a ditadura financeira, recuperar o país e ganhar a confiança dos portugueses, se é que ainda vai a tempo.
O diagnóstico do país está feito, pese embora demasiado tarde para o trio mais poderoso do país, no entanto caberá também à troika na avaliação que se aproxima fazer o seu ato de contrição e reconhecer que a orientação imposta a Portugal tem gerado uma espiral recessiva, com efeitos catastróficos no tecido social e na economia portuguesa. O que o país precisa é a refundação do plano de resgate, orientado para estimular a economia, assegurar o controlo das contas públicas e garantir o Estado Social.
impresso.jornaldamadeira.pt/opiniao.php?Seccao=12&id=238658&sdata=2013-02-24
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