domingo, outubro 07, 2012

Vaidade da Renovação




O PSD Madeira convocou para o próximo dia 2 de Novembro, as eleições diretas para a Comissão Política Regional e o Secretariado. Pela primeira vez na sua história dois candidatos assumem um projeto para o partido.
Num contexto de disputa eleitoral trocam-se argumentos para conquistar os votos dos militantes. A lista concorrente à encabeçada pelo Dr. Alberto João Jardim apresenta como um dos únicos argumentos - a renovação dos quadros e dirigentes do PSD Madeira. Este motivo desafia os militantes social-democratas da Madeira a refletir sobre as seguintes questões:
- Se o opositor à atual direção do PSD Madeira ganhar, os membros das comissões políticas de freguesia, os membros dos órgãos regionais, os membros do Governo Regional, os deputados da Assembleia da República e da Assembleia da Legislativa da Madeira e os autarcas serão todos dispensados de dar o seu contributo ao partido?
-Se esse candidato for eleito Presidente da Comissão Política Regional do PSD com que militantes e massa humana contará para continuar a fazer do PSD um partido vencedor?
- Somos assim tantos para dispensar a experiência e o capital político de tantos militantes que durante todos estes anos honraram o bom nome do PSD?
Estas são três questões que merecem uma séria reflexão daquilo que poderá ser, se assim os militantes o entenderem, o destino do PSD da Madeira. Cada qual deverá tirar as elações e exprimir a opinião sobre aquilo que quer para o futuro do partido, ressalvando alguns sinais que essa candidatura evidencia: uma candidatura vinda e exposta de fora, com apoios de outros quadrantes políticos e da comunicação social e seletiva nos contactos com os militantes.
No capítulo da renovação é bom referir que se dúvidas houvesse quanto à capacidade de renovação do Dr. Alberto João Jardim ficariam dissipadas com os sucessivos triunfos eleitorais do PSD. Todos os militantes sabem o quanto, quer nas suas equipas para as Comissões Políticas Regionais, para o Parlamento Europeu, para as Assembleias da República e Legislativa da Madeira, Governo Regional e autarquias o partido foi sempre se renovando. Aliás, se o PSD não se renovasse certamente não conseguiria conquistar o apoio de muitas gerações de Madeirenses.
O líder do PSD/M sempre apostou na renovação através da inclusão dos jovens nos diversos projetos. A aposta pessoal do Presidente do PSD Madeira é ainda mais evidente na importância que tem dado à organização de juventude do partido - a JSD Madeira. Em todas as eleições, regionais e locais, fez sempre questão de contar com novos elementos, não só para a composição das listas, mas também com as suas ideias, como garantia do rejuvenescimento, da confiança e esperança nas novas gerações. Hoje, se analisarmos o historial dos quadros da sociedade madeirense, também com responsabilidades políticas, podemos aferir que grande parte deles iniciou a sua vida política na organização de juventude social-democrata.
Outra dimensão da renovação, que também importa registar, diz respeito às reformas que o PSD foi defendendo e realizando na Madeira. Neste aspeto, é de destacar a capacidade intelectual e prática que o Dr. Alberto João Jardim tem tido ao longo dos anos em que lidera o PSD. Sabiamente, com competência e visão, soube envergar as causas determinantes para cada momento e situação. Dessa forma consolidou o espaço político do PSD, sem demagogias ou discursos politicamente corretos, mas em sintonia com a população.
Estas conclusões, intenta-me a fazer algumas reflexões:
- Se os exemplos referenciados não são sinais de renovação o que será a renovação?
- Não será a renovação um processo dialético que deve garantir a estabilidade mas também a inclusão de novas ideias e novas formas de pensar?
- É aceitável que, pelos mesmos argumentos que tanto combatemos os nossos adversários, se entre no mesmo diapasão e se desrespeite o timoneiro do PSD Madeira?
- A rogo da renovação é prudente virar as costas a quem nunca as virou?
- A vaidade da renovação teria a sua razão se muitos desses militantes, que hoje enfrentam o rosto da social-democracia na Madeira, não devessem a oportunidade e o palco da política ao homem que agora querem ver de fora?
Hoje, todo e qualquer eleito social-democrata tem o dever de gratidão para com o Dr. Alberto João Jardim porque se não fosse com o seu apoio, o seu entusiasmo e com o seu trabalho muitos não lograriam tais oportunidades.
O atual líder do PSD Madeira é o garante da renovação, é aquele que sempre apontou o caminho e que fez as melhores escolhas para o partido e para a Madeira. Pela simples justificação da renovação não é admissível que se ponha em causa o projeto ganhador de 36 anos.
Chegando a hora da inédita decisão, num processo no PSD Madeira, a escolha deverá ser determinada e sem qualquer calculismo. O futuro do partido, que não se pode dissociar do futuro da Região, é uma decisão muito séria que está acima de amizades e acima das relações profissionais.
Se todos os envolvidos defendem a dialética democrática, julgo que também no dia 2 de Novembro, escrutinados os votos dos militantes com capacidade ativa, o partido deve falar a uma só voz e estar coeso e unido para as verdadeiras batalhas com enfoque no real inimigo, que é externo.
A verdadeira batalha está fora do PSD, a luta social-democrata está naqueles que atentam contra a Região Autónoma da Madeira e à sua Autonomia. Não nos desconcentremos deste objetivo!

http://impresso.jornaldamadeira.pt/opiniao.php?Seccao=12&id=227610&sdata=2012-10-07

Sem comentários: