quinta-feira, fevereiro 07, 2013

(In) Seguro e a Reforma do Estado


PUBLICADO NA EDIÇÃO IMPRESSA |  

O partido socialista, comandado por (in)Seguro, não se apresenta capaz de ser governo em Portugal. Pior do que não oferecer alternativa ao projeto governativo do país tem sido a postura de irresponsabilidade em dossiers cruciais, como são os casos do plano de ajustamento financeiro, negociado pelo PS com as instâncias internacionais, e a prepotência em recusar tomar parte do debate sobre a reforma do Estado.
Ninguém em Portugal esquece que a presente conjuntura deve-se, em muito, à desgovernação do partido socialista que arrastou o país para uma crise que tem penalizado as pessoas. Todos os portugueses têm a noção que o passado recente do país não pode ser o mesmo para o futuro. Arrisco dizer que nenhum português espera milagres ou uma alteração considerável no seu nível de vida a curto prazo, como também defendo que, para o bem do país, terão de ser feitas reformas estruturais no Estado.
As opções da liderança de (in)Seguro para o país divergem do que pensam e aspiram os portugueses e, pior do que isso, num momento delicado como o que vivemos, enquanto se esperava que os desígnios nacionais fossem soberanos aos interesses e jogadas partidárias, o PS prefere ficar à margem do debate que urge ser feito sobre a reforma do Estado. É leviana a demissão do PS em ajudar a pensar um país mais próspero e num Estado menos honroso para a sua população.
Sobre esta matéria, são curiosas as declarações do líder da bancada parlamentar dos socialistas na Assembleia da República, Carlos Zorrinho, no passado dia 11 de Janeiro, que proclama que esta ideia da reforma do Estado é apenas para “a maioria PSD/CDS…. branquear o corte de quatro mil milhões de euros necessários devido à incompetência da sua gestão orçamental”. Ora que moral tem o PS de chamar incompetente à gestão orçamental deste governo quanto sabem que foram eles próprios que entalaram o país, com despesismos e sem reflexos no desenvolvimento nacional, e que entregaram a esta maioria um país sem credibilidade e num fosso sem saída?
Apesar de condenar as políticas e o rumo com que esta coligação governa o nosso país, chegando ao ponto de defender a demissão do primeiro-ministro e a nomeação de um governo de salvação nacional, considero que no domínio da reforma do estado ninguém pode ficar de fora e entristece-me que os “supostos” representantes das populações, os partidos políticos, sejam os primeiros a se demitir desta responsabilidade.
Os partidos da oposição acabarão por ter, a devido tempo, a resposta do povo porque com estas atitudes não servem o país, não servem os portugueses e nada mais querem do que, reféns do eleitoralismo, assegurar os seus lugares.
É normal que o PS prefira viver envencilhado nas disputas internas mas também tem o dever, político e moral, de ser um partido responsável e de estar à altura dos desafios que se colocam ao país. O PS não merece um voto de esperança e um voto de confiança dos portugueses porque não distingue a politiquice do sentido de Estado.

http://impresso.jornaldamadeira.pt/opiniao.php?Seccao=12&id=237014&sdata=2013-02-03

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