domingo, março 10, 2013

Emissários - Artigo de opinião no JM


Segundo o dicionário da língua portuguesa um emissário é “aquele que é enviado para cumprir uma missão, mensageiro.” Supõe-se que esses enviados, com propósitos concretos, empenham as suas melhores qualidades a rogo da transmissão do conteúdo ao seu público-alvo.

Ao longo dos tempos a função do emissário foi se alterando trazendo ao de cima o pior da sua função. No tempo do Estado Novo, por exemplo, a figura do emissário tinha o objetivo de espiar e de transmitir a doutrina do regime. Nos dias de hoje, alguns emissários, têm o intuito de perseguir, criar desconfiança e de secar tudo o que germina à sua volta, como se tratassem de eucaliptos robustos e centenários.
Há emissários de tudo e mais alguma coisa: os que se acham superiores, outros obcecados por objetivos pessoais, mas também aqueles que, reféns das suas fragilidades e frustrações, tendem a aproveitar qualquer oportunidade para fazer insinuações e tecer juízos de valor.
As insinuações, os comentários anónimos ou até mesmo a opiniões falsas são cada vez mais habituais, daí ser crucial, da parte de quem as receciona, fazer uma filtragem pelo teor, caráter e razoabilidade desses conteúdos. É sempre importante dar o benefício da dúvida, sob pena de serem criados quadros imaginativos, injustos e difamatórios sobre pessoas, instituições e coisas.
O que se pode concluir é que esses emissários nada melhor fazem do que desmoronar os princípios democráticos porque não sabem lidar com pensamentos diferentes e sobretudo com o pensamento livre. Sim, porque o pensamento livre não é apenas daqueles que enfrentam, é também pertença daqueles que são enfrentados.
Porque há sempre quem viva atormentado com questões alheias, antes de ceder aos impulsos mal-intencionados, recomenda-se o crivo das “Três peneiras” do filósofo Sócrates: verdade, bondade e utilidade. Assim, se o que pretendem dizer não seja verdadeiro, nem bom, nem útil que o guarde para si próprio. Porque não seguir o ensinamento? Cabe, a cada qual, separar o trigo do joio e ter esperança porque “o futuro protege os audazes”.
http://impresso.jornaldamadeira.pt/opiniao.php?Seccao=12&id=239775&sdata=2013-03-10

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