quarta-feira, julho 10, 2024

Artigo de opinião no Observador, "𝐌𝐚𝐝𝐞𝐢𝐫𝐚 𝐚̀ p𝐫𝐨𝐜𝐮𝐫𝐚 𝐝𝐚 e𝐬𝐭𝐚𝐛𝐢𝐥𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 p𝐨𝐥í𝐭𝐢𝐜𝐚".

Madeira à procura da estabilidade política

Terminou a novela em torno da aprovação do programa e do orçamento da Região Autónoma da Madeira e, ao que tudo indica, foram alcançados acordos políticos que garantem a governação. Estão assim reunidas as condições para a assunção de compromissos eleitorais, nomeadamente alguns de grande relevo para a atual conjuntura regional.


Embora o enredo pareça ter terminado, representou uma perda de tempo considerável. Este impasse, que deveria ter sido resolvido logo após a posse do XV Governo Regional da Madeira, durou um mês e meio e gerou custos políticos, prejudicando ainda mais a confiança da população. Foi caricato ver o parlamento regional discutir um programa que foi retirado na última hora e, pouco tempo depois, ter sido aprovado por aqueles que inicialmente se opunham.


Não se pode dizer que todo o processo, desde as eleições regionais até à aprovação do programa de Governo, tenha sido normal. Esqueceu-se de um grande pormenor: o sentir da rua e a perceção das pessoas, que, com exemplos menos conseguidos como estes, têm dificuldade em compreender o que verdadeiramente move a ação política. Os políticos e os partidos devem refletir sobre o impacto destas situações na relação entre a sociedade e os seus representantes. Que mensagem está a ser transmitida aos eleitores em geral, e em particular aos abstencionistas, sobre a importância de votar e confiar nos políticos?


Apesar da estabilidade aparente, existem desafios cruciais a serem abordados, nomeadamente em que plano foi colocada a prioridade à Madeira e à sua população. A governação dependerá de acordos entre cinco partidos: PSD, CDS, PAN, IL e Chega. Sendo assim, é legítimo colocarem-se as seguintes questões: Como será conciliada a disparidade de posições entre estas forças políticas? Qual será a visão de governação para a Madeira, considerando as propostas dos diferentes partidos que apoiam o governo? Como se sentirão os 49.103 eleitores do PSD resignados aos ditames dos pequenos partidos? O que dirão os 23.938 eleitores que votaram no Chega, IL, PAN e CDS, apresentando um discurso em campanha mas optando por outra via na prática? Que interpretação farão desta solução política os 86.806 eleitores que não votaram no PSD?


O exercício do poder político na Madeira, após 48 anos da conquista da autonomia regional, enfrenta agora um dos seus maiores desafios. Pela primeira vez, as linhas da negociação e do escrutínio estão lado a lado. Pelas promessas feitas, e se desta vez todos honrarem a palavra, o processo será extremamente exigente, colocando em confronto pontos de vista antagónicos, além da necessidade de conciliar princípios e ideologias incompatíveis. De qualquer forma, é importante considerar que, após todas as reviravoltas subjacentes a estes acordos, os cidadãos estarão mais vigilantes e prontos para avaliar criticamente a situação.


A verdade é que, passados os últimos meses de instabilidade, a política na Madeira aparenta estar a regressar à normalidade, tornando-se governável novamente. No entanto, pelo menos no curto a médio prazo, não haverá desculpas para que as coisas não funcionem como esperado. A população não aceitará falhas, especialmente considerando os significativos desafios que a política madeirense enfrenta.


António Ascensão da Trindade


🔵 https://observador.pt/opiniao/madeira-a-procura-da-estabilidade-politica/



quarta-feira, junho 26, 2024

Novo Artigo no Observador: "A fulanização política que paralisa a Madeira"

https://observador.pt/opiniao/a-fulanizacao-politica-que-paralisa-a-madeira/
Partilhamos o mais recente artigo publicado no Observador, intitulado "A fulanização política que paralisa a Madeira"

Nele, aborda-se a encruzilhada em que a situação política da Madeira se encontra e faz uma reflexão crucial sobre o momento que exige atenção de todos- sociedade civil, partidos e políticos- na Região Autónoma da Madeira.

O artigo oferece uma análise sobre os desafios atuais e as implicações para o futuro da Madeira. 

Leia mais carregando no link👉🏻🔗 A fulanização política que paralisa a Madeira

Boa leitura! 

sexta-feira, junho 14, 2024

Opinião no Observador

É com grande satisfação que partilho convosco a minha estreia no Observador com o artigo de opinião "Crise política na Madeira: a hora da verdade". Nele, abordo a atual crise política na Madeira e discuto possíveis soluções.

👉🏻🔗 [Crise Política na Madeira: A Hora da Verdade] https://observador.pt/opiniao/crise-politica-na-madeira-a-hora-da-verdade/






ARTIGO:

Crise Política na Madeira: A Hora da Verdade


A Madeira enfrenta uma situação política complexa, resultante de diversas circunstâncias internas e individuais, que estão a gerar um quadro de instabilidade. Se a situação não se alterar, poderá desencadear, a breve trecho, uma nova chamada às urnas para eleições regionais.

A governação social-democrata na região tem sido hegemónica desde 1976, com resultados evidentes no progresso e desenvolvimento do arquipélago sob as lideranças de Alberto João Jardim, durante 37 anos, e de Miguel Albuquerque, nos últimos 9 anos. 

Falar em governação na Madeira é sinónimo de falar em social-democracia, até porque, embora em contextos e quadros políticos díspares, a oposição não tem sido capaz de se apresentar aos Madeirenses com um projeto de verdadeira alternativa para a região. No entanto, desde 2012, devido ao desgaste do partido e da governação, os sinais de instabilidade foram crescentes, culminando em 2024 com múltiplos fatores:


1. Autárquicas de 2013:

A primeira grande clivagem no Partido Social Democrata da Madeira (PSD/M), aconteceu em 2012 com a primeira disputa interna quando Albuquerque enfrentou Jardim, tendo vencido este último por uma margem mínima. Essa divisão resultou na perda de 7 das 11 câmaras municipais, com a oposição a dominar pela primeira vez as autarquias na Madeira.


2. Divisão no PSD/M:

Em 2014, no processo de sucessão de Alberto João Jardim, seis candidatos disputaram a liderança, resultando numa nova direção que se mostrou incapaz de unir o partido e de promover a unidade na diferença. A ideia de "nós e eles" persistiu, e as ações não inclusivas e a perda da matriz popular agravaram a perceção pública, apesar de alguns resultados positivos de governação.


3. Perda das Maiorias Absolutas:

As maiorias absolutas do PSD/M terminaram em 2015, obrigando o partido a acordos com o CDS e, posteriormente, com o CDS e o PAN, alterando profundamente a dinâmica política. Estas novas realidades obrigaram a estar em condições de negociar e a ceder, incluindo a presidência da Assembleia Legislativa, primeiro órgão de poder político da Madeira, a um partido com apenas 2 ou 3 deputados.


4. Investigação Judicial:

Em janeiro de 2024, uma investigação judicial agravou a instabilidade. As hesitações, incluindo a não demissão, demissão e retorno do Presidente do Governo, bem como a não aprovação do Orçamento Regional, criaram um caos e um desgaste político pouco percetível para os cidadãos.


5. Eleições Internas e Consequências:

Todo o processo desencadeou uma clarificação interna no PSD/M, com eleições internas a 21 de março, marcadas por diversos incidentes, nomeadamente prazos curtos e condicionamentos no pagamento de quotas, que poderiam alargar o universo eleitoral interno.

Miguel Albuquerque venceu por uma margem mínima de 54% contra 46% de Manuel António Correia, tendo o projeto vencedor argumentado que era necessário assegurar a estabilidade para evitar eleições antecipadas, o que não se veio a comprovar.

Fruto dessas eleições, Albuquerque implementou exonerações políticas no Governo Regional de apoiantes adversários e manteve um discurso de facção, aprofundando a divisão no partido. No lançamento das eleições regionais, o presidente social-democrata não teve a atenção de promover pontes internas e, por mais estranho que possa parecer, não traçou linhas vermelhas para os entendimentos com a oposição.


6. Impasse Político:

Das eleições regionais de 26 de maio resultou numa minoria parlamentar do PSD/M, em coligação com o CDS/PP, e mesmo sem traçar linhas vermelhas enfrenta a clara oposição da maioria dos partidos. Neste contexto, a oposição tem dado sinais de que não aceita Miguel Albuquerque como líder, o que, se mantido, poderá levar à queda do Governo Regional.


O PSD tem uma grande responsabilidade no estado atual da política na Madeira. Esta é a oportunidade para o partido ouvir todos, a sociedade, os partidos e os seus militantes, promovendo decisões conscienciosas, legitimadas e adequadas para um novo tempo e um novo ciclo político.

O PSD, se quiser sair da crise que mergulha simultaneamente a região, deverá ser um exemplo de visão para o futuro, indo além das divisões internas e reconquistando a confiança dos eleitores. 

O partido, se quiser manter a sua hegemonia, precisa de se reconectar com as suas bases e capitalizar os votos dos descontentes e abstencionistas, antes e enquanto a oposição regional se apresente como uma alternativa segura e credível de governação.

A hora é da Madeira, a hora é de encontrar a curto e médio prazo um quadro de estabilidade política na região, pois os problemas que afetam os cidadãos amontoam-se e precisam de resoluções urgentes!

António Trindade

segunda-feira, junho 10, 2024

VITÓRIA DAS ELEIÇÕES EUROPEIAS FOI…

 🗳️ 🇪🇺VITÓRIA DO DIA 
Cadernos Digitais e Voto em Mobilidade para Todos 
👉🏻  votar foi muito mais simples e cómodo. Assim, sim! 👍 Consequência: baixou a abstenção, embora não tanto como desejável. 

Há que continuar o caminho de uma Democracia melhor para Todos! 🌍


Madeira Garante Representação no Parlamento Europeu

 

A Madeira enfrentou uma noite eleitoral emocionante e conseguiu eleger um deputado para o Parlamento Europeu, assegurando assim sua representação e influência em decisões cruciais. Sérgio Gonçalves, do PS, será a voz da região em Bruxelas. A União Europeia é essencial para a coesão e continuidade territorial, e ter um representante é fundamental para garantir que a Madeira esteja próxima das oportunidades que podem beneficiá-la nos próximos cinco anos.

É crucial que a região e os partidos políticos, nacionais e regionais, continuem a dar prioridade a esta questão no futuro. Olhemos para o caso dos Açores que terá 3 representantes em Bruxelas. 

 As regiões ultraperiféricas, como a Madeira, possuem especificidades que merecem representação europeia, uma responsabilidade coletiva que não pode ser ignorada, especialmente devido ao impacto dos dossiers europeus no dia a dia do arquipélago.


Deputados Eleitos

Eleições Europeias 2024: Deputados Eleitos
PS - 8
  • Marta Alexandra Fartura Braga Temido de Almeida Simões
  • Francisco José Pereira de Assis Miranda
  • Ana Catarina Veiga dos Santos Mendonça Mendes
  • Bruno Alexandre Rocha Gonçalves
  • André Filipe Franqueia Rodrigues
  • Carla Maria Nunes Tavares
  • Isilda Maria Prazeres dos Santos Varges Gomes
  • Sérgio Miguel Sousa Gonçalves
AD - 7
  • Sebastião Maria Reis Bugalho
  • Paulo Alexandre Matos Cunha
  • Ana Miguel Pedro Soares
  • Hélder António Guerra de Sousa e Silva
  • Ana Lídia Fernandes Oliveira Pereira
  • Sérgio Humberto Pereira da Silva
  • Paulo Roberto de Medeiros do Nascimento Cabral
IL - 2
  • João Fernando Cotrim de Figueiredo
  • Ana Vasconcelos Martins
CHEGA - 2
  • António Manuel Moreira Tanger Corrêa
  • Tiago da Mota Veiga Moreira de Sá
CDU - 1
  • João Guilherme Ramos Rosa de Oliveira
BE - 1
  • Catarina Soares Martins

segunda-feira, junho 03, 2024

A voz da nova geração política da Madeira

Esta manhã, tive o prazer de participar numa interessante conversa sobre cidadania e participação política na Escola Secundária Gonçalves Zarco. Durante o encontro, partilhei um pouco do meu percurso político, académico e profissional e debati temas importantes como habitação, emprego, emigração, imigração e a análise da situação política atual.

Fiquei profundamente impressionado com o interesse e a participação ativa dos jovens. Demonstraram uma notável consciência política e um genuíno interesse por questões que afetam a nossa sociedade e região, especialmente os assuntos relacionados com os cidadãos da Região Autónoma da Madeira. Foi inspirador observar como estão conscientes das questões que impactam diretamente as suas vidas e como estão dispostos a discutir e encontrar soluções.


Durante o debate, os alunos representaram os partidos políticos Bloco de Esquerda, PS, CDS, Juntos pelo Povo e Iniciativa Liberal. Infelizmente, os representantes do PSD, Chega, CDU e PAN não conseguiram marcar presença porque estavam em Erasmus. Cada grupo estudou as propostas dos partidos nas diferentes áreas em discussão, mantendo coerência com as matrizes ideológicas de cada partido.


Os temas abordados – habitação, emprego, emigração, imigração e a situação política atual – são de extrema relevância para a sociedade. Foi gratificante ver como os estudantes se envolveram ativamente, apresentando argumentos fundamentados e revelando uma compreensão profunda dos desafios e das possíveis soluções. O entusiasmo e a vontade de aprender desses jovens são um sinal promissor para o futuro da democracia.


A seriedade com que prepararam o debate evidenciou que os jovens não estão alheios à política e ao bem-estar comum. Foi interessante recordar, 28 anos depois, os meus tempos de estudante, onde partilhei experiências semelhantes, como o gosto pela política e a ativação da associação de estudantes. Também o fiz na minha escola em 1997, na Escola Básica e Secundária Bispo D. Manuel Ferreira Cabral de Santana.


Os partidos políticos devem considerar seriamente estas gerações e encontrar formas de atrair a sua participação nas iniciativas políticas. Os jovens demonstram interesse e boas intenções para resolver os problemas atuais da Madeira, empenhando-se em melhorar a qualidade de vida de todos e promover o progresso e a justiça social.


Esta experiência foi verdadeiramente inspiradora e enriquecedora. Observar a energia e o empenho desses jovens dá-me esperança para o futuro da nossa democracia. Destaco a dedicação desses jovens que estão empenhados em promover uma melhor democracia para todos.


Acredito firmemente que iniciativas como esta são fundamentais para promover uma cidadania ativa e participativa. Ao envolver os jovens em discussões políticas e sociais desde cedo, estamos a construir uma base sólida para uma sociedade mais justa, informada e comprometida com o bem comum.


Espero que estas iniciativas continuem a crescer e a prosperar, alimentando o espírito crítico e a participação cívica dos nossos jovens. Todos temos a missão de construir um futuro melhor para todos.

António Trindade

domingo, junho 02, 2024

Opinião formada


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Como enfrentar as dores de crescimento da Madeira

O crescimento económico da Madeira, impulsionado pelo "boom" turístico, trouxe problemas que não podemos ignorar. A saturação de locais turísticos, o aumento das unidades de alojamento local como fonte de rendimento principal dos proprietários, a falta de mão-de-obra qualificada e a pressão imobiliária são questões prementes. Os madeirenses enfrentam dificuldades crescentes para arrendar ou comprar casa, com os custos da construção civil a disparar e a escassez de mão-de-obra a criar um cenário insustentável.

Este paradoxo do pleno emprego, que deveria ser positivo, revela-se problemático com a falta de trabalhadores em setores-chave como serviços, construção, agricultura, hotelaria e restauração. A vinda de mão-de-obra estrangeira é uma solução bem-vinda, mas é essencial assegurar os direitos laborais e condições de vida dessas pessoas que escolhem a Madeira para trabalhar.

A atratividade da Madeira para estrangeiros com elevado poder de compra elevou os preços das casas a níveis insustentáveis para os locais. Um madeirense pergunta-se: "Como vou poder comprar ou arrendar uma casa se os preços estão fora do meu alcance?" A Madeira, que deveria ser um paraíso para todos, está a tornar-se um local de dificuldades para os próprios madeirenses.

Para resolver estes problemas, precisamos de políticas reguladoras firmes e estratégias inovadoras. É essencial regular o turismo com critérios claros, adaptados à densidade populacional de cada área. Não podemos permitir que este contexto continue a deteriorar a qualidade de vida dos residentes.

É urgente reorientar o turismo, focando-se na qualidade em vez da quantidade. Apostar em menos turistas, mas que gastem mais e permaneçam mais tempo, é uma solução viável e sustentável. Diversificar as atrações turísticas por toda a ilha também é crucial para distribuir melhor o fluxo de visitantes e aliviar a pressão dos pontos mais saturados.

Além disso, é fundamental reforçar os apoios à fixação de população em zonas menos populosas da Madeira, compensando os custos dessa escolha com incentivos fiscais, subsídios à habitação e melhores serviços e infraestruturas. Precisamos de uma Madeira para todos.

Este é o momento de agir com coragem e determinação. A nossa ilha não pode ser apenas um destino turístico; deve ser, acima de tudo, um lar para os seus habitantes. Regular o e promover um turismo de qualidade, diversificar as atrações e apoiar a fixação populacional são passos essenciais para transformar estes desafios em oportunidades. A hora é agora, e já está ficando tarde para enfrentar problemas que atingem todos os estratos sociais da nossa sociedade!
António Trindade 

sexta-feira, maio 31, 2024

O escândalo do idade da reforma

A idade da reforma em Portugal não para de aumentar, em 2025 passas para os 66 anos e 7 meses. Este alteração levanta questões sérias sobre a dignidade da pessoa humana, nomeadamente a aptidão para o desempenho de determinadas funções e a insensibilidade face a uma vida inteira de trabalho e pagamento de impostos. Além disso, coloca em causa as oportunidades para os novos quadros e as novas gerações. Adia-se a justiça para os mais velhos e adia-se o futuro para os mais novos.
Vejamos assim a evolução da idade da reforma em Portugal:

Como cidadão e como português, esta medida é um escândalo, quando pára? Pergunto-me para onde estamos a caminhar num país que continua sem coragem de cortar gorduras do Estado. Um país que não promove a meritocracia. Um país que não cuida dos seus cidadãos.

É hora de refletir sobre as implicações deste novo marco na vida laboral e social dos portugueses. Esta não é, certamente, uma democracia para todos. Até quando os portugueses vão suportar este aperto sem precedentes?

António Trindade 

quinta-feira, maio 30, 2024

Europeias estreiam uma nova era no voto

As eleições europeias introduzem , pela primeira vez, a possibilidade de todos os cidadãos portugueses votarem antecipadamente em mobilidade, sem restrições específicas.

Até hoje, 30 de maio, é possível inscrever-se e votar já no dia 2 de junho, de uma forma simples e sem complicações. Esta inovação merece ser enaltecida, pois representa um pequeno, mas significativo passo na promoção da participação política e na luta contra a abstenção.

A abstenção é um problema grave nas democracias modernas. Quando uma parte substancial da população não participa nas eleições, as decisões políticas acabam sendo tomadas por uma minoria, o que pode não refletir a vontade geral.

O voto antecipado em mobilidade é uma medida que facilita a participação de todos, especialmente daqueles que, por diversos motivos, encontram dificuldades em votar no dia oficial.

Este pequeno avanço é digno de enaltecer, sobretudo quando estreia em eleições europeias, que são aquelas que tradicionalmente têm maiores taxas de abstenção.

O modelo arcaico de votação, que exige a presença no local de recenseamento, já não faz sentido. Permitir que os cidadãos votem na proximidade onde se encontram, mesmo que antecipadamente, é uma evolução necessária. Este teste nas eleições europeias deve tornar-se prática comum para todas as eleições futuras no nosso país.

Esta medida simplifica o processo e encoraja a participação. Vamos continuar à procura de formas de tornar o voto ainda mais acessível, como o voto eletrónico seguro. 

É hora de fortalecer a nossa democracia e encorajar os cidadãos a votar, pois infelizmente a democracia para todos ainda tem muito caminho pela frente. Não se pode reter num conceito, mas sim numa prática que todos devem desejar mais e melhor Democracia para Todos.
Desta vez não há motivo para não votar!


**Para aqueles que desejam aproveitar esta oportunidade, o processo é simples e sem burocracia excessiva. Em apenas alguns passos, é possível inscrever-se e votar antecipadamente:

1. Acesse [eportugal.gov.pt] -https://www.votoantecipado.pt/).
2. Registe-se para o voto antecipado.
3. Confirme a sua inscrição.
4. Vote no dia 2 de junho perto de si.

António Trindade 

sábado, maio 25, 2024

Santana: 189 Anos de História e um Futuro Brilhante à Vista

Casas Típicas de Santana 
Hoje, dia 25 de maio,  o concelho de Santana celebra 189 anos de elevação, marcando quase dois séculos de história rica e beleza natural inigualável. Situado na ilha da Madeira, Santana não é apenas um testemunho da grandiosidade paisagística, mas também um farol de tradições culturais autênticas que precisam de ser preservadas e promovidas.

Composto por seis freguesias, Santana destaca-se por vários pontos de interesse, entre os quais o Pico Ruivo, o ponto mais alto da Madeira; o Ribeiro Bonito, um refúgio de biodiversidade; a enseada do Arco de São Jorge, com as suas vistas deslumbrantes; as típicas casas de Santana, que são um símbolo da arquitetura local; o miradouro do Guindaste, um local imperdível para vistas panorâmicas; e o Ribeiro Frio, conhecido pelos seus trilhos e paisagens exuberantes. Estes são apenas alguns exemplos da dimensão natural, cultural e imaterial do concelho.

Como filho da terra, tenho um orgulho imenso nas particularidades únicas de Santana, na sua gente trabalhadora e nos agentes que todos os dias fazem a diferença neste território, moldando a paisagem e promovendo a vida.

Apesar das suas inegáveis qualidades, Santana enfrenta desafios significativos, muitos dos quais são antigos e urgem ser enfrentados com determinação. A diminuição acentuada da população é uma preocupação central. É imperativo adotar uma visão estratégica que transforme estas dificuldades em oportunidades. Atrair investimento é crucial para revitalizar a economia local, criando emprego e oferecendo perspetivas de futuro que encorajem os jovens a fixarem-se no concelho.

Uma das iniciativas que pode ser explorada é o incentivo ao regresso dos emigrantes, potencializando as casas vazias para que sejam transformadas em alojamentos locais. Esta estratégia não só gerará dinamismo económico e comunitário, como também ajudará a preservar a herança arquitetónica e cultural de Santana.

A agricultura desempenha um papel vital em Santana, contribuindo significativamente para a paisagem e a economia local, com um impacto ecológico relativamente menor. Esta atividade, interligada ao turismo, pode ser potenciada para criar um modelo de desenvolvimento sustentável, onde a produção agrícola e a atração de visitantes coexistem harmoniosamente.

A criação de novos atrativos turísticos em todas as freguesias do concelho é outra peça chave. O exemplo do miradouro do Guindaste, que se tornou uma referência, deve ser replicado e expandido. Cada freguesia tem potencial para desenvolver atrações únicas que valorizem o seu caráter distintivo e estimulem o turismo.

Para além disso, Santana deve apostar firmemente nas suas tradições culturais. O manancial de cultura tradicional e popular é o que distingue Santana num mundo cada vez mais globalizado. Promover eventos, feiras e festivais que celebrem esta herança cultural não só atrairá turistas, mas também reforçará a identidade e o orgulho local, criando um vínculo forte entre a comunidade e as suas raízes.

Santana tem todas as condições para se tornar um polo de referência na região. As suas paisagens únicas, a hospitalidade do seu povo e as condições territoriais para crescer fazem deste concelho um local com um enorme potencial. Com uma abordagem inovadora e sustentável, Santana pode transformar os seus desafios em oportunidades de crescimento e desenvolvimento.

Ao celebrar os seus 188 anos, Santana está numa encruzilhada onde a tradição e a modernidade se encontram. O futuro de Santana pode ser brilhante, repleto de prosperidade e vitalidade, se abraçar as suas fortalezas e enfrentar os desafios com coragem e criatividade. Os próximos anos serão decisivos para moldar este novo capítulo na história do concelho, um capítulo onde cada freguesia brilha com o seu próprio esplendor, contribuindo para um Santana mais atrativa, progressista e que honre a sua história e as suas gentes.

António Trindade

sexta-feira, maio 24, 2024

As eleições que podem redefinir a Madeira

As eleições regionais do próximo domingo prometem redefinir o panorama político na Madeira. A era das maiorias absolutas parece estar a chegar ao fim, dando lugar a um cenário em que a governabilidade dependerá de acordos parlamentares entre múltiplos partidos. Este novo contexto político exigirá habilidades de negociação e compromissos de todas as partes envolvidas.

Nos últimos anos, as coligações tornaram-se mais comuns e, após estas eleições, espera-se que a tendência continue. O Juntos Pelo Povo (JPP), à esquerda, e o Chega (CH), à direita, deverão ser os barómetros, atendendo aos indicadores eleitorais. Ambos os partidos já afirmaram de forma contundente que não aceitarão acordos sem condições, estabelecendo claramente as suas linhas vermelhas.

Apesar das mudanças no cenário político, a oposição, ao longo dos anos, não se tem mostrado como uma verdadeira alternativa capaz de galvanizar os madeirenses e comprometer-se com uma mudança significativa. Esta situação tem contribuído para a hesitação dos eleitores em abandonar a familiaridade do status quo e arriscar numa nova orientação política governamental.

A hegemonia do PSD tem sido gradualmente corroída desde 2013, com perdas de influência evidentes em sucessivas eleições. Parte deste fenómeno pode ser creditado ao mérito da oposição, que se mostrou mais organizada e eficaz em comunicar as suas propostas e críticas. Contudo, não se pode ignorar o desgaste natural de um partido que esteve no poder por tanto tempo, bem como possíveis falhas em atender às expectativas e necessidades da população, além da crise política atual que desencadeou estas eleições regionais.

Independentemente do mérito, o facto é que a Madeira está à beira de uma mudança política significativa, quer some mais mandatos a direita ou a esquerda. 

As próximas eleições regionais podem marcar o início de uma nova era, onde a colaboração, as condições, os limites e a fiscalização rigorosa serão essenciais para a governabilidade. A expectativa é alta, e todos os olhares estão postos no futuro político da Região Autónoma da Madeira que sairá das eleições do próximo domingo. 

Vamos ver se a palavra dada por todos os protagonistas dos diversos partidos políticos será honrada e de que forma os partidos e as suas dinâmicas internas resistem às exigências e aos possíveis sacrifícios que o novo tempo poderá impor.

António Trindade

terça-feira, maio 14, 2024

Voto dos jovens nas Europeias: um sinal de esperança

A Comissão Europeia divulgou recentemente um barómetro que oferece uma visão detalhada da relação dos jovens com a União Europeia. Este estudo revela dados interessantes, com destaque para a intenção de participação dos jovens nas próximas eleições europeias.

Em Portugal, por exemplo, é curioso verificar que 77% dos jovens expressam intenção de votar, colocando o país em segundo lugar no ranking, apenas atrás da Roménia, com a melhor percentagem de 78%, e em contraste com os 41% do Luxemburgo, último no ranking. Este dado é particularmente encorajador, pois indica uma maior propensão para o voto e consequente participação política dos jovens portugueses em relação aos demais eleitores.

No entanto, apesar destes sinais de esperança, o mesmo estudo também reflete que 19% dos jovens afirmam não estar interessados em política e 13% estavam decididos a não votar. Estes indicadores exigem uma especial atenção, destacando a importância do exercício do voto como a forma mais elementar de expressar a opinião e de exercer as opções do dia a dia. É fundamental compreender mais profundamente os motivos que levam os jovens a distanciar-se da participação política, para que os políticos, os partidos e as organizações possam tomar as devidas medidas.

É relevante destacar que 64% dos inquiridos participaram nos últimos 12 meses em atividades de organizações, e que 48% participarão numa petição, manifestação ou envio de carta aos políticos. Isso demonstra que os jovens conhecem os instrumentos de participação política e estão dispostos a utilizá-los quando têm um propósito e a defesa de uma causa concreta em que acreditam.

Estes números apontados por este estudo representam uma excelente notícia, sugerindo que os jovens estão cada vez mais propensos a participar ativamente na vida política, bem como na sua ligação com a União Europeia. Os indicadores apontam para uma esperança renovada no que diz respeito à participação política da juventude.

No entanto, é fundamental que os partidos políticos e outros intervenientes saibam interpretar estes indicadores e que sejam consequentes com o que os mesmos exigem, nomeadamente na proximidade com os jovens, na adoção de posturas exemplares e na assunção de responsabilidade no exercício dos seus cargos. É essencial que sejam um verdadeiro incentivo para que os jovens se envolvam na política de forma contínua e não apenas em momentos eleitorais.

A juventude precisa de sentir-se chamada e envolvida, não pode ser vista apenas como um recurso para o ato eleitoral. É através do compromisso e da inclusão ativa dos jovens que podemos construir um futuro político mais promissor e participativo.

Para mais detalhes sobre o estudo da Comissão Europeia, consulte o seguinte link: https://europa.eu/eurobarometer/surveys/detail/3181

António Trindade

sexta-feira, maio 03, 2024

Liberdade de Imprensa: A Essência da Democracia

Hoje assinala-se o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Foi a 20 de dezembro de 1993 que o mundo deu um passo histórico ao reconhecer a importância deste valor, inspirado pelo Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos e pela corajosa Declaração de Windhoek, que reforçou o compromisso com a liberdade de expressão.

Mais do que uma simples data, esta é uma homenagem a um dos pilares fundamentais da sociedade: a liberdade de expressão e de informação.

A liberdade de imprensa não é apenas um direito; é a essência da democracia. Não podemos conceber uma sociedade onde as vozes do povo não sejam ouvidas, onde os jornalistas sejam silenciados, e onde a verdade seja manipulada e filtrada.

Seria uma sociedade doente, onde a verdade se perderia nas sombras da censura, e a voz do povo seria sufocada pelo silêncio imposto.

A liberdade de imprensa é o antídoto para a opressão e a injustiça. É o farol que ilumina os recantos mais obscuros da sociedade, expondo a verdade e defendendo os direitos das pessoas.

Sem a liberdade de imprensa, estaríamos privados da nossa capacidade de questionar, de desafiar, de mudar e de pensar de forma diferente.

Hoje, ao celebrarmos a liberdade de imprensa, devemos lembrar-nos da sua fragilidade e da sua importância. Devemos honrar aqueles que, sem medo, arriscam as suas vidas para dar voz a este direito fundamental.

Num mundo onde a desinformação e a manipulação são cada vez mais comuns, é mais importante do que nunca proteger e promover a liberdade de imprensa. É através dela que podemos garantir uma sociedade livre, justa e informada.

A liberdade de imprensa é dar voz, é rejeitar qualquer tipo de condicionamento que ameace o pensamento e a individualidade de todos e de cada um. É o alicerce de uma democracia verdadeira, para todos.

Hoje, celebremos vigilantes e atentos, pois a linha entre a liberdade e a opressão é ténue, e há sempre quem, ilegitimamente, tente impor regras e limites:

    -Saibamos apontar tentativas de voltar a passados de má memória. 

    -Neguemos vontades e tentativas de impor silêncios. 

  -Rejeitemos que o pensamento de alguns seja adotado, sem questionar, como pensamento de todos.

    -Pensemos em tantos que são obrigados a violar a sua consciência, fingindo que está tudo bem e certo, escondendo, omitindo, fugindo e não tendo a coragem de dizer o que tem e deve ser dito.

Esta data, é, também, mote para reconheçer a coragem daqueles que, ainda hoje, lutam, resistem, não cedem e denunciam práticas que atentam contra este direito.

Um bem haja a todos os que praticam a liberdade de imprensa, tantas vezes numa missão difícil mas honrosa. Muitos desejam, tantos discursam, alguns praticam, outros ainda não podem ou não conseguem exercê-la na sua plenitude! De direito em direito, faz muito sentido lutarmos por uma Democracia para Todos.