As eleições regionais do próximo domingo prometem redefinir o panorama político na Madeira. A era das maiorias absolutas parece estar a chegar ao fim, dando lugar a um cenário em que a governabilidade dependerá de acordos parlamentares entre múltiplos partidos. Este novo contexto político exigirá habilidades de negociação e compromissos de todas as partes envolvidas.
Nos últimos anos, as coligações tornaram-se mais comuns e, após estas eleições, espera-se que a tendência continue. O Juntos Pelo Povo (JPP), à esquerda, e o Chega (CH), à direita, deverão ser os barómetros, atendendo aos indicadores eleitorais. Ambos os partidos já afirmaram de forma contundente que não aceitarão acordos sem condições, estabelecendo claramente as suas linhas vermelhas.
Apesar das mudanças no cenário político, a oposição, ao longo dos anos, não se tem mostrado como uma verdadeira alternativa capaz de galvanizar os madeirenses e comprometer-se com uma mudança significativa. Esta situação tem contribuído para a hesitação dos eleitores em abandonar a familiaridade do status quo e arriscar numa nova orientação política governamental.
A hegemonia do PSD tem sido gradualmente corroída desde 2013, com perdas de influência evidentes em sucessivas eleições. Parte deste fenómeno pode ser creditado ao mérito da oposição, que se mostrou mais organizada e eficaz em comunicar as suas propostas e críticas. Contudo, não se pode ignorar o desgaste natural de um partido que esteve no poder por tanto tempo, bem como possíveis falhas em atender às expectativas e necessidades da população, além da crise política atual que desencadeou estas eleições regionais.
Independentemente do mérito, o facto é que a Madeira está à beira de uma mudança política significativa, quer some mais mandatos a direita ou a esquerda.
As próximas eleições regionais podem marcar o início de uma nova era, onde a colaboração, as condições, os limites e a fiscalização rigorosa serão essenciais para a governabilidade. A expectativa é alta, e todos os olhares estão postos no futuro político da Região Autónoma da Madeira que sairá das eleições do próximo domingo.
Vamos ver se a palavra dada por todos os protagonistas dos diversos partidos políticos será honrada e de que forma os partidos e as suas dinâmicas internas resistem às exigências e aos possíveis sacrifícios que o novo tempo poderá impor.
António Trindade

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