O crescimento económico da Madeira, impulsionado pelo "boom" turístico, trouxe problemas que não podemos ignorar. A saturação de locais turísticos, o aumento das unidades de alojamento local como fonte de rendimento principal dos proprietários, a falta de mão-de-obra qualificada e a pressão imobiliária são questões prementes. Os madeirenses enfrentam dificuldades crescentes para arrendar ou comprar casa, com os custos da construção civil a disparar e a escassez de mão-de-obra a criar um cenário insustentável.
Este paradoxo do pleno emprego, que deveria ser positivo, revela-se problemático com a falta de trabalhadores em setores-chave como serviços, construção, agricultura, hotelaria e restauração. A vinda de mão-de-obra estrangeira é uma solução bem-vinda, mas é essencial assegurar os direitos laborais e condições de vida dessas pessoas que escolhem a Madeira para trabalhar.
A atratividade da Madeira para estrangeiros com elevado poder de compra elevou os preços das casas a níveis insustentáveis para os locais. Um madeirense pergunta-se: "Como vou poder comprar ou arrendar uma casa se os preços estão fora do meu alcance?" A Madeira, que deveria ser um paraíso para todos, está a tornar-se um local de dificuldades para os próprios madeirenses.
Para resolver estes problemas, precisamos de políticas reguladoras firmes e estratégias inovadoras. É essencial regular o turismo com critérios claros, adaptados à densidade populacional de cada área. Não podemos permitir que este contexto continue a deteriorar a qualidade de vida dos residentes.
É urgente reorientar o turismo, focando-se na qualidade em vez da quantidade. Apostar em menos turistas, mas que gastem mais e permaneçam mais tempo, é uma solução viável e sustentável. Diversificar as atrações turísticas por toda a ilha também é crucial para distribuir melhor o fluxo de visitantes e aliviar a pressão dos pontos mais saturados.
Além disso, é fundamental reforçar os apoios à fixação de população em zonas menos populosas da Madeira, compensando os custos dessa escolha com incentivos fiscais, subsídios à habitação e melhores serviços e infraestruturas. Precisamos de uma Madeira para todos.
Este é o momento de agir com coragem e determinação. A nossa ilha não pode ser apenas um destino turístico; deve ser, acima de tudo, um lar para os seus habitantes. Regular o e promover um turismo de qualidade, diversificar as atrações e apoiar a fixação populacional são passos essenciais para transformar estes desafios em oportunidades. A hora é agora, e já está ficando tarde para enfrentar problemas que atingem todos os estratos sociais da nossa sociedade!
António Trindade

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