sexta-feira, maio 31, 2024
O escândalo do idade da reforma
quinta-feira, maio 30, 2024
Europeias estreiam uma nova era no voto
sábado, maio 25, 2024
Santana: 189 Anos de História e um Futuro Brilhante à Vista
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| Casas Típicas de Santana |
Composto por seis freguesias, Santana destaca-se por vários pontos de interesse, entre os quais o Pico Ruivo, o ponto mais alto da Madeira; o Ribeiro Bonito, um refúgio de biodiversidade; a enseada do Arco de São Jorge, com as suas vistas deslumbrantes; as típicas casas de Santana, que são um símbolo da arquitetura local; o miradouro do Guindaste, um local imperdível para vistas panorâmicas; e o Ribeiro Frio, conhecido pelos seus trilhos e paisagens exuberantes. Estes são apenas alguns exemplos da dimensão natural, cultural e imaterial do concelho.
Como filho da terra, tenho um orgulho imenso nas particularidades únicas de Santana, na sua gente trabalhadora e nos agentes que todos os dias fazem a diferença neste território, moldando a paisagem e promovendo a vida.
Apesar das suas inegáveis qualidades, Santana enfrenta desafios significativos, muitos dos quais são antigos e urgem ser enfrentados com determinação. A diminuição acentuada da população é uma preocupação central. É imperativo adotar uma visão estratégica que transforme estas dificuldades em oportunidades. Atrair investimento é crucial para revitalizar a economia local, criando emprego e oferecendo perspetivas de futuro que encorajem os jovens a fixarem-se no concelho.
Uma das iniciativas que pode ser explorada é o incentivo ao regresso dos emigrantes, potencializando as casas vazias para que sejam transformadas em alojamentos locais. Esta estratégia não só gerará dinamismo económico e comunitário, como também ajudará a preservar a herança arquitetónica e cultural de Santana.
A agricultura desempenha um papel vital em Santana, contribuindo significativamente para a paisagem e a economia local, com um impacto ecológico relativamente menor. Esta atividade, interligada ao turismo, pode ser potenciada para criar um modelo de desenvolvimento sustentável, onde a produção agrícola e a atração de visitantes coexistem harmoniosamente.
A criação de novos atrativos turísticos em todas as freguesias do concelho é outra peça chave. O exemplo do miradouro do Guindaste, que se tornou uma referência, deve ser replicado e expandido. Cada freguesia tem potencial para desenvolver atrações únicas que valorizem o seu caráter distintivo e estimulem o turismo.
Para além disso, Santana deve apostar firmemente nas suas tradições culturais. O manancial de cultura tradicional e popular é o que distingue Santana num mundo cada vez mais globalizado. Promover eventos, feiras e festivais que celebrem esta herança cultural não só atrairá turistas, mas também reforçará a identidade e o orgulho local, criando um vínculo forte entre a comunidade e as suas raízes.
Santana tem todas as condições para se tornar um polo de referência na região. As suas paisagens únicas, a hospitalidade do seu povo e as condições territoriais para crescer fazem deste concelho um local com um enorme potencial. Com uma abordagem inovadora e sustentável, Santana pode transformar os seus desafios em oportunidades de crescimento e desenvolvimento.
Ao celebrar os seus 188 anos, Santana está numa encruzilhada onde a tradição e a modernidade se encontram. O futuro de Santana pode ser brilhante, repleto de prosperidade e vitalidade, se abraçar as suas fortalezas e enfrentar os desafios com coragem e criatividade. Os próximos anos serão decisivos para moldar este novo capítulo na história do concelho, um capítulo onde cada freguesia brilha com o seu próprio esplendor, contribuindo para um Santana mais atrativa, progressista e que honre a sua história e as suas gentes.
António Trindadesexta-feira, maio 24, 2024
As eleições que podem redefinir a Madeira
As eleições regionais do próximo domingo prometem redefinir o panorama político na Madeira. A era das maiorias absolutas parece estar a chegar ao fim, dando lugar a um cenário em que a governabilidade dependerá de acordos parlamentares entre múltiplos partidos. Este novo contexto político exigirá habilidades de negociação e compromissos de todas as partes envolvidas.
Nos últimos anos, as coligações tornaram-se mais comuns e, após estas eleições, espera-se que a tendência continue. O Juntos Pelo Povo (JPP), à esquerda, e o Chega (CH), à direita, deverão ser os barómetros, atendendo aos indicadores eleitorais. Ambos os partidos já afirmaram de forma contundente que não aceitarão acordos sem condições, estabelecendo claramente as suas linhas vermelhas.
Apesar das mudanças no cenário político, a oposição, ao longo dos anos, não se tem mostrado como uma verdadeira alternativa capaz de galvanizar os madeirenses e comprometer-se com uma mudança significativa. Esta situação tem contribuído para a hesitação dos eleitores em abandonar a familiaridade do status quo e arriscar numa nova orientação política governamental.
A hegemonia do PSD tem sido gradualmente corroída desde 2013, com perdas de influência evidentes em sucessivas eleições. Parte deste fenómeno pode ser creditado ao mérito da oposição, que se mostrou mais organizada e eficaz em comunicar as suas propostas e críticas. Contudo, não se pode ignorar o desgaste natural de um partido que esteve no poder por tanto tempo, bem como possíveis falhas em atender às expectativas e necessidades da população, além da crise política atual que desencadeou estas eleições regionais.
Independentemente do mérito, o facto é que a Madeira está à beira de uma mudança política significativa, quer some mais mandatos a direita ou a esquerda.
As próximas eleições regionais podem marcar o início de uma nova era, onde a colaboração, as condições, os limites e a fiscalização rigorosa serão essenciais para a governabilidade. A expectativa é alta, e todos os olhares estão postos no futuro político da Região Autónoma da Madeira que sairá das eleições do próximo domingo.
Vamos ver se a palavra dada por todos os protagonistas dos diversos partidos políticos será honrada e de que forma os partidos e as suas dinâmicas internas resistem às exigências e aos possíveis sacrifícios que o novo tempo poderá impor.
António Trindade
terça-feira, maio 14, 2024
Voto dos jovens nas Europeias: um sinal de esperança
A Comissão Europeia divulgou recentemente um barómetro que oferece uma visão detalhada da relação dos jovens com a União Europeia. Este estudo revela dados interessantes, com destaque para a intenção de participação dos jovens nas próximas eleições europeias.
Em Portugal, por exemplo, é curioso verificar que 77% dos jovens expressam intenção de votar, colocando o país em segundo lugar no ranking, apenas atrás da Roménia, com a melhor percentagem de 78%, e em contraste com os 41% do Luxemburgo, último no ranking. Este dado é particularmente encorajador, pois indica uma maior propensão para o voto e consequente participação política dos jovens portugueses em relação aos demais eleitores.
No entanto, apesar destes sinais de esperança, o mesmo estudo também reflete que 19% dos jovens afirmam não estar interessados em política e 13% estavam decididos a não votar. Estes indicadores exigem uma especial atenção, destacando a importância do exercício do voto como a forma mais elementar de expressar a opinião e de exercer as opções do dia a dia. É fundamental compreender mais profundamente os motivos que levam os jovens a distanciar-se da participação política, para que os políticos, os partidos e as organizações possam tomar as devidas medidas.
É relevante destacar que 64% dos inquiridos participaram nos últimos 12 meses em atividades de organizações, e que 48% participarão numa petição, manifestação ou envio de carta aos políticos. Isso demonstra que os jovens conhecem os instrumentos de participação política e estão dispostos a utilizá-los quando têm um propósito e a defesa de uma causa concreta em que acreditam.
Estes números apontados por este estudo representam uma excelente notícia, sugerindo que os jovens estão cada vez mais propensos a participar ativamente na vida política, bem como na sua ligação com a União Europeia. Os indicadores apontam para uma esperança renovada no que diz respeito à participação política da juventude.
No entanto, é fundamental que os partidos políticos e outros intervenientes saibam interpretar estes indicadores e que sejam consequentes com o que os mesmos exigem, nomeadamente na proximidade com os jovens, na adoção de posturas exemplares e na assunção de responsabilidade no exercício dos seus cargos. É essencial que sejam um verdadeiro incentivo para que os jovens se envolvam na política de forma contínua e não apenas em momentos eleitorais.
A juventude precisa de sentir-se chamada e envolvida, não pode ser vista apenas como um recurso para o ato eleitoral. É através do compromisso e da inclusão ativa dos jovens que podemos construir um futuro político mais promissor e participativo.
Para mais detalhes sobre o estudo da Comissão Europeia, consulte o seguinte link: https://europa.eu/eurobarometer/surveys/detail/3181
António Trindade
sexta-feira, maio 03, 2024
Liberdade de Imprensa: A Essência da Democracia
Hoje assinala-se o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Foi a 20 de dezembro de 1993 que o mundo deu um passo histórico ao reconhecer a importância deste valor, inspirado pelo Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos e pela corajosa Declaração de Windhoek, que reforçou o compromisso com a liberdade de expressão.
Mais do que uma simples data, esta é uma homenagem a um dos pilares fundamentais da sociedade: a liberdade de expressão e de informação.
A liberdade de imprensa não é apenas um direito; é a essência da democracia. Não podemos conceber uma sociedade onde as vozes do povo não sejam ouvidas, onde os jornalistas sejam silenciados, e onde a verdade seja manipulada e filtrada.
Seria uma sociedade doente, onde a verdade se perderia nas sombras da censura, e a voz do povo seria sufocada pelo silêncio imposto.
A liberdade de imprensa é o antídoto para a opressão e a injustiça. É o farol que ilumina os recantos mais obscuros da sociedade, expondo a verdade e defendendo os direitos das pessoas.
Sem a liberdade de imprensa, estaríamos privados da nossa capacidade de questionar, de desafiar, de mudar e de pensar de forma diferente.
Hoje, ao celebrarmos a liberdade de imprensa, devemos lembrar-nos da sua fragilidade e da sua importância. Devemos honrar aqueles que, sem medo, arriscam as suas vidas para dar voz a este direito fundamental.
Num mundo onde a desinformação e a manipulação são cada vez mais comuns, é mais importante do que nunca proteger e promover a liberdade de imprensa. É através dela que podemos garantir uma sociedade livre, justa e informada.
A liberdade de imprensa é dar voz, é rejeitar qualquer tipo de condicionamento que ameace o pensamento e a individualidade de todos e de cada um. É o alicerce de uma democracia verdadeira, para todos.
Hoje, celebremos vigilantes e atentos, pois a linha entre a liberdade e a opressão é ténue, e há sempre quem, ilegitimamente, tente impor regras e limites:
-Saibamos apontar tentativas de voltar a passados de má memória.
-Neguemos vontades e tentativas de impor silêncios.
-Rejeitemos que o pensamento de alguns seja adotado, sem questionar, como pensamento de todos.
-Pensemos em tantos que são obrigados a violar a sua consciência, fingindo que está tudo bem e certo, escondendo, omitindo, fugindo e não tendo a coragem de dizer o que tem e deve ser dito.
Esta data, é, também, mote para reconheçer a coragem daqueles que, ainda hoje, lutam, resistem, não cedem e denunciam práticas que atentam contra este direito.
Um bem haja a todos os que praticam a liberdade de imprensa, tantas vezes numa missão difícil mas honrosa. Muitos desejam, tantos discursam, alguns praticam, outros ainda não podem ou não conseguem exercê-la na sua plenitude! De direito em direito, faz muito sentido lutarmos por uma Democracia para Todos.






