terça-feira, junho 03, 2025

Liberdade é Caminho | António Trindade – O meu canal pessoal no WhatsApp


Há ideias que vale a pena partilhar.
Projetos que merecem sair do papel.
E uma vontade de fazer mais e melhor, com liberdade e sentido.

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Para quem acredita que pensar é bom. Que discutir é saudável.
E que construir é urgente.

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domingo, junho 01, 2025

Artigo observador: A política que falha em se renovar


Portugal atravessa um período intenso de eleições: regionais na Madeira, legislativas nacionais, autárquicas e presidenciais. Embora este calendário seja habitual na vida democrática, há uma feliz coincidência: decorre precisamente quando se assinalam os 50 anos das primeiras eleições livres e democráticas no nosso país.


Os portugueses têm sido chamados às urnas e, surpreendentemente, têm vindo a contrariar algumas teorias e narrativas políticas que insistem na ideia de um eleitorado cansado.


A democracia está viva e não é uma chatice. Os indicadores de participação política são animadores e revelam uma crescente mobilização cívica. Senão vejamos: nas regionais da Madeira de 2024, a taxa de abstenção foi de 46,6%, descendo para 44,02% nas de 2025; nas legislativas nacionais, a abstenção situou-se em 40,16% em 2024 e baixou para 35,62% em 2025. Esperemos que esta tendência positiva se mantenha nas eleições autárquicas e presidenciais.


A participação aumenta, mas as reformas continuam adiadas. A democracia precisa de mais do que votos, precisa de renovação. Apesar das suas vicissitudes — a desconfiança no sistema, nos processos e, muitas vezes, nos seus protagonistas — há uma esperança legítima por detrás destes dados, que se deseja ver reforçada em prol da vitalidade democrática e da capacidade dos cidadãos influenciarem as orientações do país.


A democracia é caminho. Ainda assim, ninguém pode estar satisfeito quando 30, 40 ou 50% dos eleitores ficam em casa. É o reflexo de uma cidadania ativa, mas desiludida, sobretudo quando o debate político se afasta das pessoas e da construção de políticas públicas que impactem positivamente o quotidiano. Vivemos, muitas vezes, uma democracia de audiência, onde a visibilidade conta mais do que a substância. É urgente encarar, sem subterfúgios, a necessidade de reformar o sistema político português, adotando medidas que incentivem, facilitem e comprovem a participação política.


Em vez de fugir às eleições ou adiá-las, deveríamos debater com seriedade as mudanças estruturais de que o sistema político carece. Mudanças frequentemente adiadas por receios de perda de poder e privilégios. Desde logo: voto eletrónico,  reorganização administrativa do Estado, limitação de mandatos, melhores remunerações para os políticos, mecanismos contínuos de prestação de contas pelos titulares de cargos públicos, promoção de iniciativas legislativas populares, consultas públicas digitais e deliberativas, plataformas de monitorização da execução das propostas e programas políticos, novo modelo de financiamento partidário, possibilidade de movimentos de cidadãos candidatarem-se em todas as eleições e métodos de apuramento que aproveitem todos os votos expressos.


Talvez fosse mais produtivo, em vez de repetir que as pessoas estão cansadas de eleições, refletir profundamente sobre o que leva a essa perceção: o desgaste das instituições, a fragmentação do sistema partidário, a falta de renovação interna, a descredibilização dos agentes políticos e a ausência de propostas reais e transformadoras. O cansaço raramente está no ato eleitoral em si; está na fraca qualidade da representação, na repetição de promessas vãs e na distância crescente entre eleitos e eleitores.


Não podemos continuar com Portugal a dois tempos: por um lado, propagandeando um país-modelo, com indicadores de crescimento; por outro, um país real, onde essas melhorias não se traduzem em oportunidades nem em qualidade de vida para todos.


Que os portugueses nunca se cansem de eleições, porque, no dia em que isso acontecer, a democracia — que tanto sacrifício exigiu para ser conquistada — pode deixar de ser um modo de vida.


António Ascensão da Trindade


















Ler: https://observador.pt/opiniao/a-politica-que-falha-em-se-renovar/

quinta-feira, fevereiro 20, 2025

O que esperar das eleições na Madeira? : Artigo no Observador


A Madeira regressa às urnas no próximo dia 23 de março, num processo eleitoral marcado pela urgência e pela ausência de uma reflexão aprofundada sobre as suas causas e implicações. A política regional tem sido sucessivamente abalada por crises institucionais, resultando em duas eleições no espaço de um ano e caminhando para uma terceira, sem que se perspetive uma solução que assegure a estabilidade governativa.

Com o início de mais uma campanha eleitoral, importa recordar os acontecimentos que conduziram a Madeira a este ponto. As eleições regionais de setembro de 2023 resultaram num parlamento sem maioria absoluta, o que levou à formação de uma coligação entre o PSD, o CDS-PP e o PAN. Quatro meses depois, a demissão do Presidente do Governo, na sequência de investigações judiciais, conduziu à convocação de novas eleições, realizadas em maio de 2024.O novo ato eleitoral não garantiu a estabilidade esperada, resultando na formação de um governo sustentado por um acordo parlamentar entre o PSD, o CDS-PP, o Chega e o PAN. Contudo, passados apenas sete meses, novas diligências levaram o Chega a apresentar uma moção de censura, aprovada pela Assembleia Legislativa, precipitando a queda do governo e forçando a realização de mais um ato eleitoral.

Os partidos representados no parlamento da Madeira defenderam a necessidade de eleições rápidas, alegando ser essencial para normalizar a política regional e aprovar o orçamento. Contudo, num contexto de forte instabilidade, já demonstraram que essa não foi uma preocupação sistemática nas suas decisões. O Presidente da República ouviu os partidos e o Conselho de Estado, e, em conformidade, marcou as eleições o mais rapidamente possível, sem que houvesse uma reflexão mais aprofundada nem uma preparação adequada para enfrentar o processo. Permaneceu também por resolver a aplicação de uma lei eleitoral que poderia facilitar a participação dos madeirenses em mobilidade.

Neste cenário, a campanha eleitoral arranca com poucos dados novos, exceto uma crescente crispação entre os partidos e a perceção popular do descrédito da política. Os indicadores eleitorais apontam para um parlamento fragmentado, tornando improvável que qualquer partido alcance uma maioria absoluta. Isso significa que a estabilidade governativa dependerá de novos acordos parlamentares, cujos contornos permanecem incertos. A grande incógnita reside em saber se será a oposição tradicional a assumir o poder ou se o PSD conseguirá reunir condições para formar uma nova coligação.

Uma coisa, porém, parece certa: se o PSD vencer, a generalidade dos partidos da oposição afirma, de forma perentória, que rejeita qualquer possibilidade de coligação caso o atual presidente do partido assuma a Presidência do Governo. Por outro lado, existe maior margem para a viabilização de um governo com partidos da atual oposição. Seja como for, tal como no passado, não há garantias de que as mesmas dinâmicas não voltem a conduzir a Madeira a um novo impasse.

Neste contexto, aqueles que se apresentam às eleições têm agora o dever e a responsabilidade de apresentar soluções que assegurem a governabilidade da região. Aos eleitores cabe escolher entre as opções disponíveis, ainda que tudo indique que estamos à beira de mais uma oportunidade desperdiçada.

A superação deste impasse político não é apenas uma necessidade regional; os desafios geoestratégicos do país tornam a Madeira uma plataforma essencial para a afirmação de Portugal no eixo euro-atlântico. Por isso, não é recomendável que permaneça mergulhada em crises internas que a impeçam de enfrentar problemas estruturais e de projetar o seu futuro.

A atual crise política compromete todos os responsáveis que conduziram a região até este ponto, sem que se saiba se serão os mesmos a conseguir superá-la.

Artigo completo:

https://observador.pt/opiniao/o-que-esperar-das-eleicoes-na-madeira/


 

quarta-feira, janeiro 08, 2025

Madeira em crise: agir antes das eleições - Artigo de opinião no Observador


A Madeira atravessa um momento de profunda incerteza. A instabilidade política e institucional reflete-se na vida de cada madeirense e abala a estrutura do sistema institucional português. Após mais uma crise política, não podemos deixar passar esta oportunidade de virar a página e procurar, de forma decidida, respostas que tragam estabilidade e progresso duradouros para a região.

A queda do governo regional, precipitada por uma moção de censura, mergulhou a região numa crise política sem precedentes, cujas repercussões podem ultrapassar os limites do arquipélago. Com o governo em gestão, cabe agora ao Presidente da República, no final do seu mandato, tomar uma decisão sensata e firme, centrada na busca de uma solução duradoura para o impasse político na Madeira. Antes de decidir sobre a dissolução da Assembleia Legislativa da Madeira e a convocação de eleições antecipadas, o Chefe de Estado ouve os partidos políticos e o Conselho de Estado. Essa decisão exige ponderação, sentido de Estado e uma análise profunda dos cenários políticos atuais e futuros.


A Madeira prepara-se para a sua terceira eleição legislativa regional em apenas dezoito meses, reflexo de uma instabilidade política que, se não for devidamente tratada, poderá perpetuar-se e continuar a impactar negativamente o quotidiano da população. Há ainda o risco de um novo quadro parlamentar conduzir a um impasse, sem maiorias claras ou consensos entre as forças políticas. Tal cenário poderá resultar num novo governo de gestão, agravando o ciclo de instabilidade e aprofundando os problemas reais.


A oposição regional enfrenta desafios profundos. A ausência de uma alternativa credível ao partido no poder limita as possibilidades de uma transição política capaz de corresponder às expectativas dos madeirenses. Por outro lado, subsistem dúvidas quanto à possibilidade de o Presidente da República conceder tempo suficiente para que os partidos possam preparar eleições que assegurem um quadro parlamentar estável e uma governação eficaz nos próximos quatro anos.


A crise política reflete-se também na situação interna dos principais partidos. O PSD/Madeira, que governa a região há quase meio século, atravessa a maior crise da sua história. As clivagens internas, decorrentes da crise política e institucional, e o silêncio de muitos dos seus quadros dificultam a coesão necessária para enfrentar os desafios atuais. Para superar esta situação, o partido precisa de legitimar internamente a sua estratégia. Caso contrário, arrisca-se a marcar a história pelos piores motivos, perpetuando a desconfiança dos eleitores e enfraquecendo a transparência nos processos político-partidários, com reflexos negativos nos resultados eleitorais.


No PS/Madeira, as condições políticas favoráveis nas últimas eleições não se traduziram numa consolidação enquanto alternativa. O desempenho discreto e as pressões internas por mudanças na liderança expõem fragilidades, agravadas pela aposta do actual líder em eleições rápidas, evitando um escrutínio interno que poderia enfraquecer ainda mais a sua posição. Entre os partidos com maior representação regional, o Juntos pelo Povo (JPP) demonstra estabilidade interna, mas a sua capacidade de afirmação continua limitada pela ausência de alianças com outras forças da oposição.


Por sua vez, o futuro do CHEGA, CDS, Iniciativa Liberal e PAN permanece incerto, apesar de já terem afirmado ou denunciado as suas intenções em relação a alianças políticas futuras. Há ainda a incógnita sobre se o Bloco de Esquerda, o PCP ou o PTP conseguirão regressar ao parlamento regional.


Entretanto, a Madeira encontra-se num limbo político. Sob a gestão de um governo sem plenos poderes, os problemas estruturais agravam-se e as oportunidades continuam a ser desperdiçadas. Esta crise transcende o plano regional, abalando a confiança no modelo de Autonomia Regional. A instabilidade política compromete o desenvolvimento da região e ameaça o equilíbrio entre autonomia e governação eficaz.


Num momento de crise profunda, antes da decisão popular nas urnas, este é o tempo de líderes e estadistas. É imprescindível que os responsáveis políticos, tanto regionais como nacionais, assumam o compromisso de pensar no superior interesse da Madeira e contribuam para garantir eleições transparentes e organizadas, capazes de gerar estabilidade e soluções concretas para as necessidades da população. A Madeira não pode continuar refém de interesses partidários ou agendas individuais. Veremos quem estará à altura deste desafio.


A Madeira não é uma causa perdida, e os seus problemas não dizem respeito apenas a essa parcela de Portugal. Urge pensar em soluções antes das eleições. É tempo de um novo ciclo político e de um modelo de governação que coloque as pessoas no centro das prioridades.

Aqui, não se trata de ganhar ou perder, dar ou tirar razão. Trata-se de um bem maior. O momento é agora: decidir a pensar numa região e nas suas pessoas, antes que seja tarde, rejeitando ciclos de crise sucessivos que em nada beneficiam o presente e, muito menos, o futuro.


https://observador.pt/opiniao/madeira-em-crise-agir-antes-das-eleicoes/ 


quinta-feira, novembro 21, 2024

Artigo de opinião no Observador: É tempo de normalizar a vida política na Madeira


A Madeira atravessa um período de grandes desafios políticos. Casos de instabilidade, eleições sucessivas e a fragilidade dos quadros parlamentares têm marcado o quotidiano da região desde setembro de 2023. Este é um desígnio regional, mas também, e sobretudo, nacional, pois a normalização das instituições e do seu funcionamento é essencial para o desenvolvimento integral do país.


Atualmente, uma moção de censura está sobre a mesa da Assembleia Regional e, ao que tudo indica, será aprovada, resultando em novas eleições regionais. Embora este não seja o cenário mais desejável, não pode servir de desculpa para perpetuar uma situação que apenas reforça a perceção de desconfiança e degradação das instituições.


Desde a égide da autonomia regional, a política madeirense foi marcada por um desenvolvimento singular e pela hegemonia do Partido Social Democrata. Contudo, o cenário tem mudado, e, se não fosse pela sólida base eleitoral do partido, a alternância política já teria ocorrido. Desde 2015, as vitórias do PSD têm-se tornado progressivamente mais apertadas.


É importante observar os sinais refletidos na participação dos cidadãos nas últimas eleições regionais, onde quatro em cada cinco madeirenses não votaram no partido que está no poder. A mudança de ciclo parece inevitável, mas isso não significa que outro partido esteja preparado para assumir a responsabilidade dessa transformação.


O contexto atual revela a teimosia dos líderes partidários em não aceitarem que uma era chegou ao fim, assim como a dificuldade em pensar para além dos interesses imediatos. Não porque politicamente seja impossível, mas porque, eticamente, não se alinham. Este cenário será ainda mais evidente nos dois grandes momentos que marcarão o final do ano político: a discussão do orçamento regional, documento que define as prioridades financeiras, e a moção de censura já anunciada, que, por iniciativa do Chega, clama pelo fim da anormalidade que assombra a vida política na Madeira.


Com a aprovação da moção de censura, caberá ao Presidente da República dissolver a Assembleia Legislativa e convocar novas eleições, previsivelmente no primeiro trimestre de 2025. Este desenlace obriga todos os partidos a refletirem e a reposicionarem-se.


No PSD, o desgaste político da atual liderança recomenda uma redefinição estratégica. É necessário escolher um candidato a Presidente da Madeira que tenha a legitimidade e a experiência necessárias para liderar um novo ciclo político. Esse novo líder deverá ser capaz de normalizar as instituições e reconquistar a confiança, tanto interna quanto externamente, para restaurar a credibilidade do partido.


Por outro lado, o PS, o principal partido da oposição, enfrenta o desafio de capitalizar o desgaste do partido no poder. Embora o contexto atual seja favorável para a oposição, o PS não tem conseguido ultrapassar sua margem histórica de votos, o que limita a sua capacidade de influenciar a mudança.


Além disso, outros partidos, como o JPP, Chega e CDS, também precisam alinhar suas estratégias de forma clara. A reconfiguração política que a Madeira está a viver exige um posicionamento estratégico desses partidos, a fim de se prepararem para um novo cenário político e para as próximas eleições.


Em tempos de incerteza, é urgente que os partidos deixem de lado os interesses imediatos e pensem no futuro. A Madeira precisa de um novo modelo de governação, mais transparente e focado em soluções concretas. Só assim será possível recuperar a confiança da população e garantir um futuro estável para todos.


Os novos tempos exigirão maturidade política e partidária para que, de uma vez por todas, terminem os períodos de incerteza endógena. Sem essa condição, será impossível enfrentar os sinais de instabilidade decorrentes das crises globais, que terão impacto na economia e na qualidade de vida na Madeira.


Eleições de seis em seis meses não são boas para a Madeira, nem para Portugal. Nenhum pretexto deve justificar que uma região fique para trás.


https://observador.pt/opiniao/e-tempo-de-normalizar-a-vida-politica-na-madeira/



segunda-feira, outubro 21, 2024

Esperança de nome - Alexei Navalny

 

🕊️ Nome da Esperança - Alexei Navalny

Num mundo cada vez mais sombrio e incerto, onde o errado parece certo e o certo parece errado, há quem não desista de lutar pelos princípios de justiça, democracia e liberdade. Alexei Navalny foi um desses nomes, a principal voz de oposição a Vladimir Putin durante anos. Infelizmente, faleceu em fevereiro numa colónia prisional perto da Sibéria, aos 47 anos.


🇷🇺 Julia Navalnaya, a sua esposa russa, segue agora as suas pegadas, determinada a continuar a luta para derrubar o regime de Putin. Julia é hoje um símbolo de força e esperança e uma alternativa para todos aqueles que acreditam numa Rússia mais livre, democrática e justa.

Links:
Entrevista BBC

segunda-feira, setembro 30, 2024

Artigo de opinião no Observador: "Democracia com Todos: Fortalecer a Participação Cívica"

 


A democracia não se exerce apenas através do voto. Na atualidade, a participação cívica exige mais: vozes ativas, cidadãos envolvidos e políticos dispostos a ouvir e agir.


A democracia é um sistema de governo de valor incalculável, conquistado pela humanidade, fruto de muitas lutas e sacrifícios. É um compromisso contínuo com a participação ativa na vida pública. Quem assume uma função política faz uma escolha voluntária, que exige vocação e um profundo sentido de serviço público.


A política está no centro das transformações sociais e, por isso, deve estar aberta à participação de todos. Além do voto, os cidadãos dispõem hoje de diversos meios para expressar as suas opiniões, nomeadamente as redes sociais, petições ‘online’, movimentos sociais e outros canais institucionais, que são legítimos e necessários. Ignorar essas novas formas de participação enfraquece a democracia e a representatividade dos eleitos.


Se a democracia teve e continua a ter um preço alto, não se podem ignorar as tentativas de a sanear.  Os maus exemplos no mundo, como a recente subversão eleitoral na Venezuela, espelham essa necessidade. Por isso, o debate sobre reformas urgentes que ampliem a participação direta, universal e livre dos cidadãos é mais atual do que nunca, começando pela revisão da Constituição da República Portuguesa, uma lei de 1976, desfasada do contexto atual, especialmente no que respeita à organização política do Estado, nomeadamente nos limites à participação dos cidadãos na vida pública. 


Um compromisso ético deve ser uma condição incontornável no exercício dos cargos públicos. Da mesma forma, devem ser asseguradas as condições adequadas para o desempenho pleno e responsável de funções públicas. Por sua vez, mecanismos de fiscalização eficientes são fundamentais para garantir a integridade do serviço público.


O voto é a pedra angular da democracia, mas deve ser alvo de uma profunda reflexão. A redução da idade mínima para os 16 anos, que poderia trazer uma nova energia ao sistema eleitoral, e a introdução do voto obrigatório para garantir maior participação e representatividade devem ser equacionadas sem tabus. Além disso, a modernização do sistema eleitoral, através do voto eletrónico, que tarda em ser uma realidade em Portugal no século XXI — já implementado na Estónia desde 2005, onde em 2023 já é o método preferencial de 53% dos eleitores — poderia aproximar os cidadãos das urnas.


Outro mecanismo de participação cívica importante, embora subaproveitado, são os referendos. Em Portugal, deveriam ser mais explorados, especialmente em questões estruturais e de grande impacto para a sociedade. A introdução de plataformas eletrónicas que facilitem e democratizem o processo de referendos permitiria uma participação mais regular dos cidadãos nas decisões que afetam o seu futuro e seria um bom instrumento para prevenir crises políticas sucessivas.


O respeito pelas instituições e pelos mecanismos de fiscalização e transparência é essencial para o funcionamento da democracia. É necessário garantir que as instituições sejam respeitadas e que os representantes eleitos cumpram as suas funções com responsabilidade.


O reforço da democracia depende, acima de tudo, do respeito pelos seus valores e de reformas corajosas, nas quais todos os cidadãos tenham lugar, como pilares de uma gestão pública ao serviço de todos. A democracia perde o seu vigor quando a abertura a novas ideias, protagonistas e ao escrutínio público é negligenciada, frequentemente sob o pretexto de uma falsa estabilidade que, no fundo, serve apenas para manter o poder.


A democracia não é um conceito estático, e para continuar a servir eficazmente os cidadãos é crucial ampliar os mecanismos de participação cívica e adotar reformas corajosas que facilitem o envolvimento dos cidadãos na construção de um sistema político verdadeiramente inclusivo e participativo. É este o caminho para uma verdadeira “Democracia com Todos”. 


https://observador.pt/opiniao/democracia-com-todos-fortalecer-a-participacao-civica/


quarta-feira, agosto 14, 2024

LIBERDADE É CAMINHO PARA A DEMOCRACIA


▶️ACREDITO QUE A LIBERDADE É O CAMINHO PARA UMA DEMOCRACIA COM TODOS

Fui convidado a comentar para a revista SÁBADO, sobre as exonerações no Governo da Madeira desde as internas do PSD. Partilho a minha contribuição, que foi citada na edição da revista que está hoje nas bancas :

“𝐎 𝐚𝐦𝐛𝐢𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐝𝐞 𝐩𝐮𝐧𝐢𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐚𝐨 𝐝𝐢𝐫𝐞𝐢𝐭𝐨 𝐝𝐞 𝐨𝐩𝐢𝐧𝐢𝐚̃𝐨 𝐞́ 𝐢𝐧𝐚𝐜𝐞𝐢𝐭𝐚́𝐯𝐞𝐥 𝐞𝐦 𝐪𝐮𝐚𝐥𝐪𝐮𝐞𝐫 𝐝𝐞𝐦𝐨𝐜𝐫𝐚𝐜𝐢𝐚, 𝐞 𝐜𝐨𝐧𝐟𝐮𝐧𝐝𝐢𝐫 𝐨 𝐆𝐨𝐯𝐞𝐫𝐧𝐨 𝐑𝐞𝐠𝐢𝐨𝐧𝐚𝐥 𝐜𝐨𝐦 𝐨 𝐩𝐚𝐫𝐭𝐢𝐝𝐨 𝐚𝐠𝐫𝐚𝐯𝐚 𝐚𝐢𝐧𝐝𝐚 𝐦𝐚𝐢𝐬 𝐚 𝐬𝐢𝐭𝐮𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨, 𝐞𝐬𝐩𝐞𝐜𝐢𝐚𝐥𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐚𝐨 𝐝𝐢𝐬𝐩𝐞𝐧𝐬𝐚𝐫 𝐚𝐪𝐮𝐞𝐥𝐞𝐬 𝐪𝐮𝐞 𝐟𝐢𝐳𝐞𝐫𝐚𝐦 𝐮𝐦𝐚 𝐞𝐬𝐜𝐨𝐥𝐡𝐚 𝐝𝐢𝐟𝐞𝐫𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐧𝐚 𝐥𝐢𝐝𝐞𝐫𝐚𝐧𝐜̧𝐚 𝐢𝐧𝐭𝐞𝐫𝐧𝐚 𝐝𝐨 𝐏𝐒𝐃. 𝐄𝐬𝐭𝐚 𝐩𝐨𝐬𝐭𝐮𝐫𝐚 𝐧𝐚̃𝐨 𝐟𝐨𝐫𝐭𝐚𝐥𝐞𝐜𝐞 𝐨 𝐩𝐚𝐫𝐭𝐢𝐝𝐨 𝐧𝐞𝐦 𝐦𝐞𝐥𝐡𝐨𝐫𝐚 𝐚 𝐞𝐟𝐢𝐜𝐢𝐞̂𝐧𝐜𝐢𝐚 𝐝𝐨 𝐆𝐨𝐯𝐞𝐫𝐧𝐨, 𝐪𝐮𝐞 𝐝𝐞𝐯𝐞𝐫𝐢𝐚 𝐞𝐬𝐭𝐚𝐫 𝐟𝐨𝐜𝐚𝐝𝐨 𝐞𝐦 𝐬𝐞𝐫𝐯𝐢𝐫 𝐚𝐬 𝐩𝐞𝐬𝐬𝐨𝐚𝐬.  

𝐀 𝐥𝐢𝐝𝐞𝐫𝐚𝐧𝐜̧𝐚 𝐝𝐨 𝐏𝐒𝐃 𝐭𝐞𝐦 𝐮𝐦𝐚 𝐠𝐫𝐚𝐧𝐝𝐞 𝐫𝐞𝐬𝐩𝐨𝐧𝐬𝐚𝐛𝐢𝐥𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐧𝐨 𝐞𝐬𝐭𝐚𝐝𝐨 𝐚𝐭𝐮𝐚𝐥 𝐝𝐚 𝐩𝐨𝐥𝐢́𝐭𝐢𝐜𝐚 𝐧𝐚 𝐌𝐚𝐝𝐞𝐢𝐫𝐚. 𝐄𝐬𝐭𝐞 𝐦𝐨𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐝𝐞𝐯𝐞𝐫𝐢𝐚 𝐬𝐞𝐫 𝐮𝐦𝐚 𝐨𝐩𝐨𝐫𝐭𝐮𝐧𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐨𝐮𝐯𝐢𝐫 𝐭𝐨𝐝𝐚𝐬 𝐚𝐬 𝐯𝐨𝐳𝐞𝐬, 𝐞 𝐧𝐚̃𝐨 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐩𝐫𝐨𝐦𝐨𝐯𝐞𝐫 𝐮𝐦𝐚 𝐜𝐚𝐜̧𝐚 𝐚̀𝐬 𝐛𝐫𝐮𝐱𝐚𝐬. 𝐀 𝐞𝐫𝐚 𝐝𝐚 𝐮𝐧𝐢𝐚̃𝐨 𝐞 𝐝𝐨 𝐬𝐢𝐥𝐞̂𝐧𝐜𝐢𝐨 𝐟𝐨𝐫𝐜̧𝐚𝐝𝐨𝐬 𝐣𝐚́ 𝐩𝐚𝐬𝐬𝐨𝐮. 

𝐎 𝐟𝐮𝐭𝐮𝐫𝐨 𝐝𝐨 𝐏𝐒𝐃 𝐝𝐞𝐩𝐞𝐧𝐝𝐞 𝐝𝐚 𝐬𝐮𝐚 𝐜𝐚𝐩𝐚𝐜𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐝𝐞 𝐳𝐞𝐥𝐚𝐫 𝐩𝐞𝐥𝐚 𝐝𝐞𝐦𝐨𝐜𝐫𝐚𝐜𝐢𝐚 𝐢𝐧𝐭𝐞𝐫𝐧𝐚 𝐞 𝐝𝐞 𝐫𝐞𝐬𝐩𝐞𝐢𝐭𝐚𝐫 𝐨 𝐩𝐥𝐮𝐫𝐚𝐥𝐢𝐬𝐦𝐨. 

𝐀𝐬 𝐩𝐞𝐬𝐬𝐨𝐚𝐬 𝐞𝐬𝐭𝐚̃𝐨 𝐚𝐭𝐞𝐧𝐭𝐚𝐬 𝐞 𝐬𝐨𝐥𝐢𝐝𝐚́𝐫𝐢𝐚𝐬; 𝐬𝐞𝐠𝐮𝐢𝐫 𝐮𝐦 𝐜𝐚𝐦𝐢𝐧𝐡𝐨 𝐝𝐞 𝐧𝐞𝐠𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐞́ 𝐜𝐚𝐭𝐚𝐬𝐭𝐫𝐨́𝐟𝐢𝐜𝐨 𝐞 𝐬𝐨́ 𝐚𝐜𝐞𝐥𝐞𝐫𝐚 𝐚 𝐞𝐫𝐨𝐬𝐚̃𝐨 𝐝𝐨 𝐩𝐨𝐝𝐞𝐫, 𝐝𝐚 𝐢𝐦𝐚𝐠𝐞𝐦 𝐝𝐨 𝐩𝐚𝐫𝐭𝐢𝐝𝐨 𝐞 𝐝𝐚 𝐩𝐫𝐨́𝐩𝐫𝐢𝐚 𝐩𝐨𝐥𝐢́𝐭𝐢𝐜𝐚.

Como é do conhecimento público, o meu apoio a Manuel António Correia na liderança das últimas eleições internas do PSD Madeira resultou em consequências imediatas, culminando na minha exoneração formal a 1 de abril de 2024.

As razões e causas do meu afastamento foram amplamente discutidas. Por respeito, nunca questionei o direito de quem tem a competência para nomear e exonerar cargos políticos, e por prudência, mantive a separação entre o que deve ser público e o que deve permanecer privado.


 

 

domingo, agosto 11, 2024

Vigília pela liberdade na Venezuela

 Hoje participamos, no Funchal, ao lado de tantos irmãos venezuelanos, na vigília "Ilumina o Caminho da Liberdade", um ato simbólico mas com grande dimensão, em solidariedade com o povo da Venezuela, que está em braços com um regime que não quer reconhecer a voz do povo, a voz da democracia a voz da liberdade.

O mundo tem estado particularmente expectante quanto à situação e ao desfecho das eleições na Venezuela. A atenção global reflete a gravidade do momento, onde o povo enfrenta uma tentativa de subversão da sua vontade popular e democrática. A batalha é dura, e o caminho para a liberdade tem sido longo e cheio de desafios.

No entanto, está a chegar a hora da Venezuela mudar e de procurar o progresso e o desenvolvimento que tanto merece. Potencial humano e recursos naturais não faltam ao país, que tem tudo para se erguer e garantir um futuro de prosperidade para todos os seus cidadãos. A luta pela liberdade e pela democracia continua, e o mundo aguarda, solidário e esperançoso, que o povo venezuelano prevaleça.

LIBERDADE É CAMINHO

Embora a liberdade ainda não esteja plenamente alcançada no século XXI, onde quer que seja, em qualquer região ou país, entre os nossos conterrâneos ou não, devemos lutar pela liberdade, pela diversidade de opiniões, pelo direito de escolha e pela democracia. A liberdade não é, não pode e nunca será negociável.

🇻🇪 Ilumina o Caminho para a Liberdade 🕯️

#LiberdadeParaVenezuela  

#VigíliaPelaLiberdade  

#SolidariedadeVenezuelana  

#DemocraciaVenezuela  

#ApoioInternacional  

#LiberdadeÉCaminho  

#DireitoDeEscolha  

#LutaPelaLiberdade  

#DemocraciaComTodos

sexta-feira, agosto 02, 2024

Artigo de opinião no observador: 𝙌𝙪𝙚𝙢 𝙧𝙚𝙖𝙡𝙢𝙚𝙣𝙩𝙚 𝙚𝙨𝙩á 𝙘𝙖𝙣𝙨𝙖𝙙𝙤 𝙙𝙚 𝙚𝙡𝙚𝙞çõ𝙚𝙨?

 

Quem realmente está cansado de eleições?


Agora que entramos na "silly season" da política e considerando o que nos trouxe até aqui, tivemos um ano bastante atribulado em Portugal. Foram muitos e desafiantes momentos para o país, que enfrentou eleições nacionais, regionais e europeias.


Os eleitores foram chamados a votar em todos os atos, expressando o reforço do parlamentarismo e obrigando os partidos a negociar as principais soluções políticas. Mesmo com a frequência das eleições neste início de ano, os portugueses têm cumprido a sua parte, e a abstenção não tem evidenciado grandes oscilações. Nas eleições para a Assembleia da República, a abstenção baixou cerca de cinco pontos percentuais relativamente às eleições de 2022. Nos Açores, houve uma diminuição da abstenção de cerca de 5% em relação a 2020. Na Madeira, entre o ato de 2023 e 2024, a abstenção manteve-se nos 46%. No caso das europeias, a abstenção foi de 64%, dentro do habitual.


É evidente que os portugueses estão cansados do ruído em torno das eleições, da paralisia provocada pelos contextos eleitorais, dos gastos envolvidos, da discrepância entre o que se discursa e o que se pratica e do adiamento da introdução do voto eletrónico seguro, que facilitaria o exercício do voto.


Não há dúvida de que os que mais temem novas eleições — e, portanto, estão mais cansados delas — são os partidos políticos e os seus representantes.


Os enquadramentos parlamentares têm colocado a vida política portuguesa em suspenso, com a ameaça de novas eleições pairando sobre todos os documentos estratégicos e na imposição de opções políticas fora do comando de quem governa.


No plano nacional, se os partidos tivessem indicadores que mudassem o contexto, as dificuldades de governação ou até mesmo reforçassem a votação, designadamente a AD, que atualmente tem 78 deputados, o PS com 77 ou o CH com 50, o país seria levado para novas eleições legislativas nacionais.


O PSD, liderado por Luís Montenegro, tem tido um bom desempenho, apesar da governação em minoria e da esforçada negociação, embora ainda não se tenha refletido positivamente nas sondagens.


O PS, sob a liderança de Pedro Nuno Santos, abdicou, logo após as últimas eleições, de ser parte do problema e de impedir a formação do governo. Tem exercido uma pressão parlamentar assinalável e, embora algumas sondagens o coloquem à frente do PSD, não tem margem para desejar eleições.


Por sua vez, o CH, liderado por André Ventura, é o partido que terá mais motivos para resistir a eleições. Os seus últimos posicionamentos e o indicador das eleições europeias não foram animadores.


As negociações sobre o Orçamento do Estado para 2025 começaram antes das férias, mas não sabemos se resultarão em estratégia ou efetividade da negociação parlamentar, cabendo ao PS e ao CH serem os fiéis da balança.


Nos Açores, a coligação liderada pelo PSD conseguiu ver aprovados os seus documentos estratégicos para a governação da região, apesar de um governo minoritário.


Na Madeira, após o impasse político, que não passou de meros episódios propagandísticos, a governação está assegurada, mas exige um olhar atento para o que aí vem.


Perante este estado de comprometimento e da necessidade de diálogo constante e de consensos interpartidários, será curioso acompanhar os próximos tempos da política do país e das Regiões Autónomas.


Os portugueses desejam que o país avance com ideias de governação que se reflitam num país de futuro e moderno, justo e solidário, amigo dos jovens, das famílias e das empresas, que resolva os problemas da habitação, das sobrecargas fiscais, e que seja gerido com transparência e responsabilidade.


Em contrapartida, os objetivos dos partidos políticos são mais estratégicos, o que tantas vezes confunde o superior interesse público com o oportunismo político, levando ao afastamento dos cidadãos.


Os portugueses estão cansados de estratégias, da falta de palavra de alguns políticos, da falta de empatia e da incapacidade dos políticos de lerem os sinais dos tempos. Mesmo que usem os números eleitorais para lhes assegurar garantias que na prática não têm, agir em política exige uma visão que vá além do imediato.


Que na "silly season" os partidos se preparem para a rentrée política com energia renovada e humildade para enfrentar os desafios, o escrutínio e as negociações que serão permanentes e exigentes. Em política, só é certo o momento, porque as circunstâncias, contextos e acordos mudam, até porque foi inédito o que aconteceu no início deste ano e não existem garantias de como terminará.


António Ascensão da Trindade