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Após qualquer tragédia envidam-se esforços para avaliar a dimensão e os efeitos causados nos bens e nas pessoas. Também no que respeita aos incêndios que deflagraram, recentemente, na Região Autónoma da Madeira, recolhem-se dados, fazem-se balanços e implementam-se ações, nos mais diversos domínios de modo a que, com a maior rapidez, se restabeleça a normalidade.
Mais do que palavras, este momento exige medidas concretas que ajudem as pessoas e que menorizem os prejuízos materiais causados pelos fogos. Desta análise e adequação das medidas é importante ter em conta as experiências passadas, nomeadamente referentes às intempéries de Fevereiro 2010, que, apesar da declarada solidariedade dos órgãos políticos nacionais e europeus, não se cumpriram, com a celeridade desejada, os compromissos assumidos. Como noutros momentos estivemos a altura, não será desta que vamos fraquejar na ajuda às populações e na recuperação das zonas afetadas.
Doravante, apesar de serem inevitáveis sinergias dos mais diversos níveis de gestão da sociedade para acudir os que mais precisam, é importante passar à fase seguinte, reerguer das dificuldades e voltar à vida normal do quotidiano Madeirense. Esta deverá ser a tónica, ao invés de alguns que preferem continuar mergulhados nas adversidades, a tentar encontrar responsáveis ou até mesmo a prosseguir fins que, para estes assuntos, nunca deveriam ser chamados, enfim registos característicos desses profetas da desgraça.
Curioso é também verificar aqueles que acham que o mundo deve parar, que devem deixar de haver motivos para a alegria, para as festas, enfim que a Região fique cravada no sofrimento e que deixe de olhar o futuro com esperança e audácia.
No que respeita aos eventos regionais, que tem sido tema da moda, de chacota ou até de contrainformação são, muitas vezes, aproveitados para a demagogia, relacionando-os com a conjuntura económica difícil e com acontecimentos trágicos nesta terra. Felizmente os eventos regionais têm, na sua essência, fins e valores, inclusive económicos, bem mais nobres do que aqueles que certos setores pretendem fazer parecer.
A indústria à volta dos eventos representa desenvolvimento e dinamização de setores profissionais. Desenvolvimento, porque em determinadas localidades são momentos únicos de promoção e de dinamização da pequena economia local; Importantes na dinamização de setores profissionais, porque movimentam a animação cultural, os transportes, profissionais liberais, artesãos e produtores diretos, entre muitos outros. A visão redutora dos eventos/festas que se realizam um pouco por toda a Região ignora a sua real importância para o turismo, um dos pilares da nossa economia, e para o rendimento de muitas pessoas e famílias.
O Dia Seguinte deve ser sempre dia de respeito, de empenho e de ações para ajudar aqueles que foram prejudicados, mas nunca poderá ser o dia de esmagar tudo o resto que se vai construindo. A vida continua e não é justo apontar o dedo a ações que dinamizam a economia regional e que combinam alegria, cultura e valores.
http://impresso.jornaldamadeira.pt/opiniao.php?Seccao=12&id=221952&sdata=2012-07-29
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