terça-feira, julho 17, 2012

O que os Move?





Passar ao lado dos reais problemas da população é uma opção democrática e respeitável, mas representa um completo desajustamento dos políticos para a realidade quotidiana das populações. Nenhum cidadão confia o voto num partido que está demitido e distante dos desafios atuais.

Vivemos num tempo em que a atividade política alimenta-se de estímulos. Muitas dessas motivações estão alheias aos verdadeiros interesses das populações e estão focalizadas nas ambições pessoais e de outras conveniências escondidas das populações.
Numa alusão às principais organizações políticas é possível descrever, em oito palavras, as motivações que originam as suas atitudes e posturas, designadamente:
Responsabilidade - A responsabilidade é hoje uma palavra em desuso na maioria da atividade partidária e política, uma vez que, através da crítica e da oposição, dirigida pelos media, deixa-se de lado as motivações nobres e aumenta-se o ceticismo dos cidadãos para com a política. Contudo, apesar dos exemplos infelizes, ainda existem políticos que, com sentido de missão, honram os seus compromissos e enfrentam os problemas, não com intuito de se lamuriar, mas sim com o objetivo de restabelecer a normalidade, dar esperança e fazer com que as pessoas confiem no futuro.
Incoerência - Quando a frontalidade escapa ao discurso político e reflete o taticismo oportunista está-se a deteriorar a confiança e a fiabilidade dos órgãos e dos representantes do povo. Na política como na vida não é possível retirar os dividendos em todos os planos de ação porque o jogo pode valer durante algum tempo, mas nunca para sempre. As incongruências acabam sempre por ser descortinadas, e nessa altura, serão irremediáveis os recuos de última hora, próprios dos climas eleitorais.
Insinuação - Será demais questionar aqueles que optam, pela denúncia infundada, expelindo raiva através das palavras e das suspeições? Será que com esse timbre político se salvaguarda, com elevação, os desígnios que deveriam defender? Ou será que produzem ações com o intuito de ganhar na comunicação social? Quando o exercício da atividade política sugere transparência, e que os programas político-partidários dever-se-iam repercutir em ideias e propostas, a favor da população, muitos atores políticos colocam-se ao ataque mandatados por interesses.
Subversão - A política pela subversão é recorrente de alguns partidos políticos que pretendem através da ameaça, da violência e da selvajaria implementar a ditadura das minorias. Exacerbar os princípios democráticos é popular mas não pode ser pretexto o para a perturbação e para ameaçar as maiorias legitimadas pelo povo.
Desespero - A ortodoxia de certas correntes ideológicas, ultrapassadas e obsoletas, estão desvirtuadas do mundo atual, daí que o desnorte e a aflição têm levado a que forças políticas, numa lógica de sobrevivência, optem pela arruaça e pela desorientação.
Insulto - Esconder-se por detrás da legitimidade do voto e da representação, enquanto titulares de órgãos de poder político não é desculpa para insultar e produzir ataques ferozes e enraivecidos. Não basta insinuar, não basta espelhar o boato, é preciso provar o que se diz porque, mesmo no calor do momento, na política não pode valer tudo.
Ausência - Passar ao lado dos reais problemas da população é uma opção democrática e respeitável, mas representa um completo desajustamento dos políticos para a realidade quotidiana das populações. Nenhum cidadão confia o voto num partido que está demitido e distante dos desafios atuais.
Destrutor - Nem sempre as causas de bandeira podem servir de pretexto para toda e qualquer ação política. As organizações que se envergam defensores de um determinado setor, mesmo sem visão, mas com rasto para a produção de um número, são irracionais no método e na forma que escolhem porque, mais do que defender essas causas, é fundamental que se estudem os dossiers e que se apresentem soluções para os problemas que dizem conhecer.
Este é um retrato possível das organizações políticas que temos mas que pouco refletem a confiança do povo nos atos eleitorais. Quando se defraudam expectativas das populações subtrai-se a importância que deveria representar a política no dia-a-dia. Agindo daquela forma perde-se o enfoque e perdem-se os valores que deveriam servir de proteção aos cidadãos.
As orientações atuais das organizações políticas servem para fazer um balanço e uma prospeção de futuro. O resultado do voto não pode, nem deve, ficar no vazio das palavras ou numa arma a favor da incoerência, da insinuação, da subversão, do desespero, do insulto, do desespero, da ausência e da distorção. Perante o que se assiste dessa classe política e do que se pode esperar no futuro, cabe a cada cidadão, em liberdade, escolher e premiar aqueles que, com responsabilidade, agem em transparência e honram a legitimidade popular.

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