segunda-feira, abril 23, 2012
Focalizados no essencial
PUBLICADO NA EDIÇÃO IMPRESSA Jornal da Madeira | SEGUNDA-FEIRA, 23 DE ABRIL DE 2012 | POR
Apesar dos fait-divers e dos ruídos ocuparem o mediatismo e a atualidade e para que não se confunda os verdadeiros desígnios, numa conjuntura delicada e exigente, é importante que todos possam estar focalizados naquilo que é prioritário e essencial.
Ao invés do papel ignóbil que se prestam alguns partidos políticos, certas pessoas e determinados canais sociais que continuam a alimentar a demagogia e a ausência de carácter, discutindo e colocando na agenda o assessório, o tempo é outro, o tempo é de encontrar as melhores e as soluções possíveis para fazer face aos problemas das populações.
Como é de conhecimento de todos, a Região Autónoma da Madeira vive, a par de tantas outras regiões e países desenvolvidos, um período de recessão originado por uma doutrina internacional estritamente financeira e por uma aversão nacional pelas Autonomias Regionais. Adstrito a este situacionismo difícil de inverter, a estratégia deve passar por resistir, obviamente com esforços de todos, mas nunca abdicando da defesa dos direitos dos Madeirenses.
Importa também distinguir entre aqueles que parecem defender os Madeirenses e aqueles que verdadeiramente os defendem, uma nota para os que, no dia-a-dia, não estão unicamente debruçados na atenção dos holofotes e das câmaras de televisão. São esses que sempre tiveram ao lado dos Madeirenses, desde a conquista da Autonomia Regional, que, com descrição, nunca viraram as costas às pessoas. Por sua vez, os que apostaram no cinismo e na traição estão, hoje, na linha da frente, identificando problemas, apontando o dedo e até mesmo se vangloriando das consequências sociais da atual situação económica e financeira. Esta postura dúbia não pode ficar sempre impune, pois não basta dizer que são donos da fórmula mágica, mas é importante apresentá-la aos Madeirenses. Seria bom para todos que se esclarecesse quais são os planos e as orientações da oposição Regional, ao invés de simplesmente atirarem ideias avulsas sem atender à própria exequibilidade daquelas propostas.
A ausência de racionalidade e os duvidosos propósitos de certos sectores da vida pública Regional repercutem um sinal de que os Madeirenses apenas podem contar com os verdadeiros Autonomistas que, nos diversos prismas de intervenção, estão focados nas prioridades regionais, dos quais podemos destacar:
Cumprimento do Programa de Ajustamento Financeiro
Este é um dos mais ambiciosos desafios da Autonomia Regional que, apesar de ter sido imposto e de refletir a insensibilidade da classe política nacional, é importante para a estabilidade e para o futuro da Madeira, uma vez que superados os objetivos desenhados no plano a Região voltará a trilhar os caminhos do progresso e do desenvolvimento. Por sua vez, ao cumprir-se o plano, pelos meios próprios, os Madeirenses farão prova que, mesmo secundarizados e relegados, merecem mais Autonomia.
Combate ao Desemprego
O registo de austeridade tem implicações diretas no emprego, sendo que este será, sem dúvida, uma área que merece a maior das atenções. É importante criar mecanismos que possam, por um lado, dar oportunidades àqueles que procuram o primeiro emprego, em especial o capital humano qualificado e, por outro, proteger aqueles que o perdem, através do estímulo às empresas. Neste capítulo o Governo Regional está precavido, sendo prova desta atenção o reforço dos meios financeiros, em sede de Orçamento Regional, para fazer face a esta problemática.
Luta pelo CINM
A importância financeira e o seu contributo para o emprego na Região são os dois motivos que deverão ser mote para a continuação da praça financeira. Infelizmente, e sem qualquer justificação cabal, os sucessivos governos nacionais desmobilizaram por esta causa. Após o abandono destas negociações os entraves continuam e poucas são as vontades em desencadear um desfecho benéfico para o Centro Internacional de Negócios e para a Madeira. É abominável a inércia e a letargia porque os benefícios para a Zona Franca em nada prejudicam o País, antes pelo contrário. É contraproducente recusar mais receita e mais emprego. Esta luta deverá ser de todos, mesmo daqueles que, em tempos, se opunham e que agora a defendem.
Aposta no Turismo
A aposta no turismo sempre foi uma das apostas da Região, e ao contrário do se tenta branquear, é importante assinalar que, apesar de uma situação económica internacional delicada, a Madeira tem vindo a obter resultados bem satisfatórios nesta área. A qualidade da oferta turística regional, em especial a aposta nos eventos e cartazes de referência regionais, têm sido cirúrgicos na atração do destino Madeira. Não há dúvidas que o aumento e a diversificação da procura turística da Madeira poderá ser uma das tábuas de salvação da economia Madeirense.
Desta forma, as prioridades estão identificadas e os disfarces de certa sociedade também. Não é tempo de distrações, é tempo de amenizar os ataques dos anti-autonomistas que estão concentrados em prejudicar e fazer a Madeira fracassar. Os desígnios são nobres e neles recaem a esperança sobre o futuro próspero que a Região pode e deve alcançar. Enfrentando as contrariedades e fortalecendo as potencialidades, os Madeirenses estarão à altura dos sacrifícios e sobretudo aptos para, no futuro, ajuizar sobre a dimensão dos comportamentos que têm marcado a atuação de certos setores da sociedade, quer regionais quer nacionais.
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