PUBLICADO NA EDIÇÃO IMPRESSA Jornal da madeira | |
As agendas dos partidos da oposição na Madeira têm sido marcadas pelo aproveitamento dos efeitos das medidas do Plano de Ajustamento Financeiro da Região. As ações políticas e as conferências de imprensa dos partidos do arco anti-autonomia, para além de não apresentarem alternativas às políticas exigidas pela presente conjuntura, ressaltam o regozijo e arrogância, típicos de lunáticos e profetas da desgraça.
A disputa tem sido de tal ordem que todos repetem os mesmos argumentos, com o intuito de capitalizar as melhores impressões das populações e tentarem fazer acreditar que algum dia estiveram ao lado dos Madeirenses.
Nunca é demais lembrar que o Plano de Ajustamento Financeiro, imposto à Região, ocorre por dois grandes motivos. Em primeiro lugar, pelas retaliações financeiras do Partido Socialista, através do Engº José Sócrates, com a conivência dos socialistas locais. Em segundo lugar, pela intransigência e insensibilidade do Governo da República que, ao contrário do que se tenta branquear, é também composto pelo CDS/PP e suportado, parlamentarmente, pelo deputado e líder dos centristas na Madeira.
As ações que têm vindo a ser desenvolvidas pelos anti-autonomistas denotam irresponsabilidade e populismo fácil. Irresponsabilidade, porque têm comprometimentos nas posturas que foram adotando, mas também porque não estão à altura do apelo nacional, europeu e internacional para que as forças políticas sejam recetivas e solidárias às reformas urgentes e necessárias. Populismo fácil, porque não há consciência e coerência nas posições que assumem, usando-se da fragilidade das pessoas e das organizações para atrair simpatias sem materialização prática na ação desses partidos.
Não há dúvidas que as medidas recentemente adotadas são exigentes e sacrificam as famílias e as empresas. Mas, é importante ter em conta que, atendendo às circunstâncias, este foi o melhor programa possível, conquistado por via da competência e da alta diplomacia dos intervenientes que lutaram para salvaguardar as especificidades locais e a sustentabilidade Regional.
Também é bom lembrar que a dívida da Região Autónoma da Madeira é uma dívida justificada, à vista e ao serviço de todos, ao contrário do que se passou em algumas parcelas do País. Também por isso, os portugueses do continente estão a pagar a sua dívida, um calote que não alavancou nem desenvolveu o País.
Apesar das dificuldades próprias da atual conjuntura, a Madeira não é a mesma Região terceiro mundista, socialmente desigual e culturalmente atrasada do período anterior à conquista da Autonomia. Nos dias de hoje e, mesmo que a troco de maiores facilidades, é de duvidar se algum Madeirense abdicaria do desenvolvimento, do conforto e da qualidade de vida alcançadas.
Todavia, ainda no que concerne à oportunidade desses investimentos, é importante ter em conta que se a Região não tivesse realizado a dívida, seriam igualmente aplicadas medidas de austeridade por via da situação financeira nacional, como são os exemplos dos cortes nos subsídios de férias e de Natal.
É certo que, se a Região resistir a este desafio pelos seus próprios meios, estará em condições de prosseguir a sua missão de desenvolvimento e de voltar a oferecer garantias à sua população.
A presente situação económica e financeira, que assola a Região e o mundo, poderá ser uma oportunidade, e deve ser vista sem qualquer fatalismo, uma vez que é uma fórmula de superar o atual período conturbado.
A missão não é utópica porque, mesmo que se discorde da orientação financeira imposta do exterior, as análises das entidades internacionais ao Plano de Ajustamento Financeiro da Madeira têm revelado que o mesmo é ambicioso e exigente mas que é garante de devolver, com a maior brevidade possível, a confiança e a saúde financeira à Região.
Os mesmos que criticaram o que brilhantemente foi realizado, os mesmos que no tempo de forte investimento público que revitalizou a economia criticaram, são os mesmos que hoje se vangloriam das dificuldades. Para o bem e para o mal, mas sempre contra a Madeira e os Madeirenses, estiveram unidos.
Malogrado seria o Governo Regional que desse ouvidos ou que gerisse a vida pública através da agenda e por via das prioridades da oposição quando esses, em 36 anos, não foram capazes de apresentar um projeto e uma solução credível e alternativa para a Região.
Sem comentários:
Enviar um comentário