Coluna de Opinião de hoje, no Jornal da Madeira
2012 será um dos anos mais penalizadores e duros para os portugueses em termos económicos e financeiros após o 25 de Abril. As medidas severas e mesmo injustas, premeditadas por parâmetros meramente financeiros na gestão da “res pública”, por via das imposições externas, tornarão os portugueses mais pobres, debilitarão a economia e promoverão a recessão.
Se por um lado, estas medidas, numa visão financeira e do controlo das contas públicas, são inevitáveis, por outro revestem um vazio nas soluções para alavancar a economia e desinibir a retracção das famílias. É difícil verificar o impacto positivo do rumo delineado quando, nada mais se faz do que aplicar impostos, vender património e empresas do estado, fazendo com que a ordem de emagrecer as despesas públicas seja feita a todo o custo, mesmo que, para isso, se tenha de relegar para segundo plano a salvaguarda de bens e serviços públicos.
Este ciclo vicioso de retracção e de austeridade tem gerado mais retracção e mais austeridade, arrastando os países e a Europa para um problema económico, financeiro e político sem precedentes.
A lógica diligenciada e castradora do investimento público tem tido consequências desmesuráveis no desemprego e, por sua vez, repercussões na qualidade de vida das populações.
Na Região Autónoma da Madeira a opção versou sempre por promover o investimento público gerador de emprego e motor da dinamização económica, o que foi e continua a ser criticado, apesar de actualmente estarmos convictos que o inverso seria adiar as necessidades prementes da população e do território. Obviamente que esta opção política, mas também estratégica, valeu à Região e aos madeirenses um desafogo e o correspondente crescimento económico, ao qual as estatísticas credíveis assim o evidenciam.
A dívida regional, decorrente do investimento público, é perfeitamente justificável quando é objecto de análise na evolução económica da Madeira. Para além de se ter revelado crucial para a dinamização económica, evidenciou um acutilante sentido de oportunidade na infra-estruturação da Região com benefícios sociais, que personificam os meios e a qualidade de vida potenciada, pelo Governo Regional, aos cidadãos.
Se a Região Autónoma da Madeira e os seus responsáveis políticos tivessem seguido a corrente vigente no nosso País e de alguns sectores políticos da Região estaríamos muito menos desenvolvidos, mas, igualmente, prejudicados pelas medidas de austeridade impostas por entidades internacionais e nacionais.
São estes factos que nos permitem avaliar o investimento realizado, permitindo, no entanto, questionar o rumo que se segue na Europa onde, num ciclo vicioso, as regiões e os países se entranham em cálculos financeiros e se esquecem que restam soluções verdadeiramente impulsionadoras para a inversão do actual modelo. As soluções estão ao alcance de todos nós, mas devem ser diligenciadas pelos responsáveis políticos europeus, podendo passar por voltar a apostar fortemente no investimento público. Será esta uma das possíveis respostas à austeridade viciosa?
ANTÓNIO TRINDADE
http://pintadoascores.blogspot.com
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