quinta-feira, dezembro 27, 2018

MAIS DO QUE SE POR EM BICOS DE PÉS


A Casa do Povo da Ilha voltou a distinguir-se recentemente marcando a agenda cultural da Região com a XXIVa Semana Cultural.
São 24 edições de descentralização, de trocas de opiniões e de democracia cultural, onde, a partir de umas das freguesias mais peculiares do mundo rural madeirense, o ecletismo dos temas em foco, foram potenciadores do desenvolvimento local e de alerta para novas ideias e desafios em diversos domínios.

A edição deste ano não ficou atrás, e o tema central “Património, caminho para o impulso económico” serviu de mote para desafiar novas ideias e projetos exequíveis, com potencial para gerar oportunidades e valor económico. Resumidamente passo a enunciar as mais relevantes:

Campismo de luxo
É uma ideia bem adaptável às localidades rurais e pitorescas da Região, porque assume a perfeita simbiose entre a experiência natureza e o conforto. Enquanto não chegam outros tipos de empreendimentos turísticos à Ilha, o campismo de luxo pode ser o clique necessário. Esta forma de turismo enquadra-se perfeitamente no segmento das experiências sensoriais da localidade.

Dinamização turística pela população sénior
Uma sociedade só é inclusiva se todos tomarem parte dela ativamente, e nesse âmbito há que fomentar programas que possam potenciar os conhecimentos e saberes da população sénior como valor acrescentado para o sector do turismo.
Numa perspetiva de oferecer o que é genuíno e característico das localidades, os mais velhos podem ocupar um lugar de destaque. Neste âmbito, chegou a hora da implementação prática do projeto piloto “O Nosso povo, a nossa marca”, promovido pela casa do povo da ilha.

Cooperação institucional
Um dos grandes obstáculos ao desenvolvimento das pequenas localidades e de algumas áreas sectoriais tem sido a falta de espírito cooperativo/”coopetitivos”, reconhecendo este método de agrupamento mais vantajoso e com melhores resultados. Na Semana Cultural foi, mais uma vez, levantado esse desafio. Há que aproveitar o manancial existente, ao invés de haver superposições e de criar estruturas com os mesmos objetivos.
Juntos, todos podem ganhar. Utopia ou realidade caberá aos intervenientes passar das palavras aos atos.

Preservação das bibliotecas humanas
O acervo de literatura oral e tradicional na nossa terra é riquíssimo, no entanto é emergente que se registe muito rapidamente, dado que todos os dias desaparecem as fontes desse saber. As Casas do Povo são, pela sua índole, instituições que têm a responsabilidade de preservar o tradição popular e, para isso, é tempo de criar parcerias, nomeadamente entre estas instituições, as Universidades e as entidades que têm nos seus desígnios a cultura.
Que a Casa do Povo da Ilha possa dar o exemplo desencadeando um projeto piloto de âmbito científico sobre a recolha da literatura oral e tradicional, como já o fez nos projetos de juventude em ação e na edição do livro Plantas e Usos Tradicional nas memórias de hoje – Freguesia da Ilha.
Vinte e quatro edições de semanas culturais da Ilha é obra! Poderá não parecer, para quem não conheça a dimensão das mesmas, mas é de louvar pelo intercâmbio, pelas oportunidades e pela diversidade que tem sempre primado a iniciativa.
A Semana Cultural da Ilha não acontece simplesmente para alimentar egos e estatutos ou para alguns se colocarem em bicos de pés, porque se assim fosse não perduraria durante tantas edições.
Surgiu e continuará a realizar-se por paixão a uma terra e sempre com o intuito de contribuir para que a nossa cultura, nas mais diversas formas de expressão, seja capitalizada com o intuito de afirmar a terra e as gentes, como trunfos distintivos num mundo cada vez mais indiferenciado.

Porque a verdadeira dimensão de cada semana cultural está sempre nos pós evento, caberá aos intervenientes e aos participantes contribuir para materializar verdadeiramente o que foi lançado e refletido nesta edição.
Este evento cultural, feito sempre sobre a égide da qualidade e excelência, tem sido palco de uma profunda reflexão cultural, mas é sobretudo distinto porque, sempre que as condições o proporcionaram, as ideias têm sido colocadas em prática, que assim seja mais uma vez.

É este o ADN de um lugar há muito encontrado, que dá os seus passos e que tem dado provas que é possível dinamizar espaços culturais e promover cultura fora dos grandes centros.

domingo, dezembro 09, 2018

DSEAM marca a diferença



Há trabalhos que se distinguem e fazem a diferença, é o caso do Ensemble de Percursão da Direcção de Serviços de Educação Artística e Multimédia. 
Parabéns àquela casa de formação que também exerce pedagogia junto da população. 

quinta-feira, dezembro 06, 2018

"Ilha de Cultura" com os devidos "créditos" ao Zé Abreu

Porque é merecido, porque revejo-me nas palavras, porque é de alguém que conhece a verdadeira dimensão da Semana Cultural da Ilha e porque é merecido, transcrevo abaixo o artigo de opinião do Zé Abreu no Funchal Notícias do dia 06.12.2018:
Opinião de Zé Abreu no Funchal Notícias:
https://funchalnoticias.net/2018/12/06/ilha-de-cultura/?fbclid=IwAR1mUy7tBA_XzdrrM0OANcgnqGmtE4xUI5Cy5YVZmo3oyziCfY8xJ88H0_U


"A Casa do Povo da Ilha organizou, excelentemente, – o que já vem sendo uma marca de referência constante nos seus eventos – entre os dias 25 de novembro e 02 de dezembro, a XXIV Semana Cultural da Ilha.
Esta edição teve como tema norteador, a seguinte premissa: “Património, caminho para impulso económico”, que veio de certa forma no âmbito do Ano Europeu do Património Cultural que estamos a comemorar este ano. Sobre este tema ”Ano Europeu do Património Cultural” escrevi, neste espaço de opinião, uma crónica, no passado mês de janeiro. Para os interessados, cá fica a hiperligação para o acesso: https://funchalnoticias.net/2018/01/02/2018-ano-europeu-do-patrimonio-cultural/.
Não tenhamos dúvidas que o património cultural poderá ser também um vetor a explorar como algo imprescindível para qualquer comunidade, visto que contribui e de que maneira, para a melhoria da economia local e regional. Por isso é que todo o património cultural deve ser encarado como um fator de inovação e criatividade, quando é capaz de envolver, verdadeiramente, organizações públicas e privadas.
Uma iniciativa cultural como esta, promovida na freguesia da Ilha, tem uma grande relevância para a vida da comunidade local e acima de tudo, o interesse em dar a conhecer as suas particularidades culturais (materiais, imateriais e ambientais) aos visitantes.
É um facto notável, detetarmos que ao logo destes vinte e quatro anos, esta iniciativa continua a ser uma bela montra de promoção da identidade e até de descentralização cultural, numa freguesia que tem sofrido, como sabemos, nos últimos anos, de uma acentuada diminuição de habitantes – 256 habitantes tendo por base os censos de 2011, mas atualmente a população da Ilha, deve andar na casa dos 170 a 180 habitantes. Mas realça-se que mesmo com a circunstância da população residente ser pouca, a semana cultural da Ilha, não deixa de realizar-se, como prova, diria eu, de uma caminhada cultural louvável e oxalá que continue, assim, dinâmica por muitos bons anos.
A semana cultural é um verdadeiro palco de análise e debate de temáticas socioculturais da atualidade, mas também, de valores, de crenças, de saberes e de tradições. Um local onde se estimula e enaltece a riquíssima cultura madeirense, nas mais variadas formas de expressão, de tempo e lugar. Pois,  “importa sim, que o passado constitua uma base para compreender melhor o presente e para lançar as bases do futuro.” (Guilherme de Oliveira Martins).
Tal como em anos anteriores, nesta edição, foi-nos apresentado um programa multifacetado, bem preenchido com diversas exposições, performances musicais, momentos de animação e teatro, para além de uma interessantíssima serie de debates temáticos de grande pertinência e atualidade.
Para os mais (des)atentos, importa saber, julgo eu,  que estas iniciativas de cariz cultural, têm uma grande importância para todos, pois podem contribuir perfeitamente para refletirmos a partir de que princípios culturais devemos construir (ou reconstruir) o espaço rural, como uma mais-valia para a sociedade em geral.
Há que realçar, também, com toda a humildade e reconhecimento, o distinto papel do apresentador do evento, Carlos Pereira (Nené), que tem demonstrado, profissionalmente, de forma criativa e ativa, há anos, um trabalho de excelência, na produção executiva, organização, protocolo, divulgação e apresentação de imensas iniciativas de carácter cultural e outras, efetivadas com sucesso, por toda a ilha da Madeira.
Durante uns anos orientei o Grupo de Teatro da Casas do Povo da Ilha e notei sempre uma grande felicidade e envolvência da comunidade local nos eventos culturais desenvolvidos naquela freguesia. Cá está a prova, que quando se consegue envolver a comunidade na vida cultural, o resultado, normalmente, é o sucesso. E para mim o sucesso não se limita, somente, aos números. O sucesso é também a durabilidade dos eventos, sempre com inovação, qualidade, presença ativa da comunidade envolvente, participação de pessoas e coletividades de fora, e a aplicação responsável dos apoios financeiros.
Projetos culturais como esta iniciativa valorizam a nossa identidade, de formas muito diversas e inovadoras, cruzando diferentes domínios de atuação e conhecimento de experiências de diversos agentes culturais e da cultura que nos envolve.
Foram, certamente, oito dias positivos, a incentivar o usufruto e o debate em torno da importância das questões culturais, desde a preservação, a valorização e a divulgação. Um excelente método de trocar experiências, de pensar e aprender culturalmente em conjunto. Por isso é que, cada vez mais, temos que olhar para o panorama cultural, como contributo para as mais diversas áreas da sociedade.
O património cultural pode ter, claramente, um papel contributivo e decisivo no combate ao abandono das áreas rurais, dando-lhe, pelo menos, um pouco mais de presença humana. Os resultados vêem-se, quando se aposta em salvaguardar e ativar alguns elementos patrimoniais, como foi o bom exemplo do moinho de água, situado na freguesia vizinha da ilha, em São Jorge. São muitos os turistas e madeirenses que passaram a visitar aquele moinho ao longo do ano, após a sua requalificação.
A cultura quando é encarada com interesse é um bom aliado da sociedade, porque convoca outras áreas do saber. E as pessoas residentes na Freguesia da Ilha têm acarinhado bem a sua semana cultural, realçando-se, acima de tudo “…as suas genuínas e vincadas tradições, a extensa e bela mancha paisagística, o amor da população à terra e a hospitalidade que carateriza as suas gentes” (António Trindade).
Este evento, Semana Cultural da Ilha, promovido pela Casa do Povo local, contou – como assim deve ser – com o apoio da Secretaria Regional da Agricultura e Pescas, PRODERAM 2020, ADRAMA, Câmara Municipal de Santana; Junta de Freguesia e Paróquia da Ilha. Para finalizar, há que deixar um louvor à Ilha, que é um lugar prenhe de boas energias e potencialidades criadoras."
-Opinião de Zé Abreu - Funchal Notícias

terça-feira, dezembro 04, 2018

O QUE É ISTO?!

No âmbito do 82.º aniversário da Casa do Povo de Santo António, teve lugar uma conversa reflexão sobre a importância das Casas do Povo da Madeira.

O debate, sob o lema “O Que é isto?!”, focado nas experiências na primeira pessoa dos quatro intervenientes do painel, com diferentes sensibilidades e experiências na área cultural e no desenvolvimento local, reverteu-se numa pertinente abordagem que desmistificou algumas questões que estão sempre em órbita quando se fala de Casas do Povo, designadamente:



Há Casas do Povo a mais na Madeira?
A resposta a essa questão é clara: Não há casas do povo a mais.
Embora nem todas potenciem a comunicação sobre o quanto fazem, as Casas do Povo da Madeira são todas ativas e desenvolvem projetos meritórios e de grande impacto nas comunidades onde estão inseridas. Divulgam as localidades, servem as comunidades e contribuem para uma integração social e plena das populações.

O seu estatuto transversal é que exige sempre outras dinâmicas, a de se reinventar e de estar permanentemente atentas aos interesses e aos desafios das localidades onde se inserem. Apostar em novas valências, nas grandes necessidades da atualidade e procurar dar respostas através de projetos sustentáveis, profissionais e distintos.

Faz pouco sentido falar em Casas do Povo a mais quando é recorrente surgirem novas associações para responder a áreas onde as Casas do Povo seriam perfeitamente capazes de responder. Talvez neste campo o desafio passe pelo reforço do trabalho em rede dos intervenientes locais, pelo unir esforços e encontrar em sede destas instituições os mecanismos para viabilizar novos projetos e novas valências.










































O dirigismo nas Casas do Povo deve ser profissional?
Não, de todo!
A vida associativa, e em particular numa associação sem fins lucrativos, deve ser exercida por paixão, por uma vontade intrínseca e altruísta. Se resultou em 82 anos porque não deverá continuar a resultar? O que deverá haver são estruturas profissionais de apoio aos dirigentes das Casas do Povo.
Se o entendimento for o de estimular e reconhecer os seus dirigentes poderão ser criados incentivos fiscais, majoração na contagem da idade para a reforma, mecanismos que assegurem a maior compatibilidade entre a vida associativa e a vida profissional, sempre em salvaguarda, quer do trabalhador, quer da entidade empregadora, entre tantos outros incentivos que o Estado tem e deve ter a responsabilidade de assegurar a favor de quem indiretamente promove fins que normalmente deveriam ser supridos pelo próprio Estado.

De que forma a cooperação deve ser aprofundada no meio associativo das Casas do Povo?
Na realidade, há pouco por inventar. Atualmente existem modelos de gestão com base na cooperação de serviço às instituições e subsequentemente às populações a quem servem ou destinam a sua ação.
Neste aspeto, e no caso concreto das Casas do Povo da Madeira, quase todo o trabalho está por fazer e compete em grande parte às entidades representativas estudar, debater e apresentar os modelos adequados de gestão e de dinamização. Ao nível da logística, por exemplo, proceder à criação de estruturas profissionais e especializadas de assessoria, de central de compras, de central de transportes, etc. No que respeita ao funcionamento das valências, quer sejam elas culturais, sociais, de economia social ou artísticas, o aproveitamento de sinergias entre duas ou mais Casas do Povo que possam criar valor acrescentado, massa crítica e qualidade nos trabalhos e serviços que apresentam.
Efetivamente o que se deve pretender com as respostas em cooperação é reduzir o manancial das Casas do Povo à subsidiodependência das entidades autárquicas ou governamentais e acabar com o cada uma a trabalhar virado para si.
Os apoios são importantes, mas para haver melhores respostas e estruturas profissionais atendendo à dimensão de cada Casa do Povo, urge respostas em comum.

Que papel podem ter as Casas do Povo a disseminar a identidade da Madeira junto das suas Comunidades espalhadas pelo Mundo?

As nossas comunidades tendem a queixar-se de que os seus locais de origem têm muito a pedir, mas pouco a fazer por elas. E aqui as Casas do Povo podem ter um papel fundamental na construção de pontes com a nossa diáspora, a disseminar a nossa cultura, a nossa identidade junto das comunidades e junto das novas gerações.
Num mundo cada vez mais indiferenciado, a nossa cultura, as nossas tradições, a nossa forma de ser e de acolher, podem servir, não só como meio de disseminação cultural, mas também, para despoletar quiçá interessantes áreas de negócios aqui na Madeira e fora através da nossa cultura que é única no Mundo.


Este, como outros debates sobre as Casas do Povo na Madeira são de relevar. Mais do que a critica fácil e barata, todos podemos contribuir para uma melhor ação das Casas do Povo.
De facto, há um conjunto de homens e mulheres na Madeira que, envolvidos no espírito de contribuir para a sua comunidade, fazem acontecer, transformam vidas e contribuem para um mundo melhor e mais feliz através de uma atitude abnegada, fazendo o melhor que sabem e podem por amor à sua terra nas nossas Casas do Povo.

quarta-feira, novembro 14, 2018

ILHA, UM LUGAR ENCONTRADO


Falar da Ilha é falar de uma localidade exemplar na Madeira. Pese embora todas as dificuldades que a sua história retrata, desde há uns anos a esta parte, aquela pérola perdida foi encontrada.

A referência à Ilha como pérola tem por base as suas genuínas e vincadas tradições, a extensa e bela mancha paisagística, o amor da população à terra e a hospitalidade que carateriza as suas gentes. Estes são traços únicos que não se podem reproduzir em qualquer outra localidade do mundo, isto se tivermos em conta que vivemos num mundo global e indiferenciado.

As pessoas da Ilha foram os principais impulsionadores da evolução da localidade. Um povo unido, que juntou a sensibilidade dos decisores à vontade de evoluir, e que, juntos, empenharam uma verdadeira revolução pacífica, pelo que não duvido que o seu desenvolvimento socioeconómico possa ser analisado como um caso de estudo.

Na verdade, foi graças à atitude de tantos homens e mulheres desta freguesia, que a Ilha despertou para as necessidades de desenvolvimento, nomeadamente a nível de acessibilidades e dos meios de primeira necessidade, tendo o progresso sido coroado com a elevação a freguesia a 15 de abril de 1989, a primeira freguesia criada sob a égide da autonomia política da Região Autónoma da Madeira.

A história não parou no reconhecimento administrativo da localidade, as suas gentes, sejam eles emigrantes ou os que cá ficaram, sempre foram talhados para o progresso, e munidos de uma forte consciência de interajuda.

Os emigrantes organizaram melhor as suas vidas, o que, na altura, a terra não favorecia, e ajudaram também os que ficaram. Aqueles que optaram por viver na Ilha também não se acomodaram, uns apostando na agricultura, nomeadamente no modo empresarial, outros no pequeno comércio e as gerações mais jovens apostaram na sua formação. Curioso que no capítulo da formação, durante cerca de duas décadas, os indicadores andaram bem próximas dos 100%, não só nos níveis de alfabetização, mas, também, no que se refere ao acesso ao ensino superior.

Simultaneamente as instituições locais desempenharam um papel crucial no desenvolvimento da Ilha e das suas pessoas. As redes viárias, os caminhos agrícolas, as infraestruturas para os serviços, os eventos de referência, as iniciativas de empreendedorismo social, os grupos culturais, as atividades de ocupação e de inclusão, os projetos de formação profissional, o ensino recorrente, a promoção da prática da atividade desportiva, a valorização das tradições, foram todas dinâmicas essenciais que complementaram um processo de evolução da freguesia da Ilha.

Sim, de facto as zonas rurais não só são paisagem, não só são sítios alocados ao abandono, são sim importantes locais que dão caracterização à nossa terra. E porque também não explorar e valorizar os lugares encontrados como a Ilha? Não queiramos estagnar no tempo e voltar ao antigamente, afinal somos todos responsáveis pela forma como promovemos, cuidamos e apresentamos a nossa terra.


Saibamos dar a volta enquanto é tempo, pois os prós dos locais como a Ilha ainda são bem mais fortes dos que os contras.
Diário das Freguesias:
https://freguesias.dnoticias.pt/ilha-lugar-encontrado/

terça-feira, novembro 13, 2018

NÃO HÁ IDADE PARA TER JUÍZO


Alberto João Jardim apresentou a sua mais recente obra “Diz Não”. 

Mais um trabalho literário, desta feita um romance, que junta a tantos outros pensamentos, publicadas em livro ou não, mas sempre com autênticos rasgos de inteligência e de análise. Um homem com um pensamento fora do comum e sempre à frente do padrão dominante e vigente. 

Passados cerca de 4 anos depois de ter deixado os destinos políticos da Madeira, Alberto João Jardim continua igual a si próprio: intemporal, insatisfeito e crítico. 
De facto, faz sempre bem ouvir um Não de quem passou uma vida inteira a dizer Sim aos Madeirenses, mas que disse tantos Nãos ao Status Quo em detrimento de outros desafios políticos. 
No seu discurso de apresentação do livro refere que há quem lhe diga se ainda não tem idade para ter juízo. De facto, o Ex Presidente  do Governo Regional  da Madeira não tem idade para ganhar juízo, porque nunca o perdeu.
Habitou-nos a ver de longe a Região e o País, com uma dimensão patriótica e altruísta e analisando a vida política como ninguém. De facto, quase sempre o tempo lhe deu razão e a sua visão esteve sempre à frente do seu tempo. 
Para mim, é, sempre foi, e será para sempre uma referência política. Há quem seja transversal, que esteja aqui e ali, que se ache mais vertical e coerente,  eu continuo igual aos meus princípios, mesmo quando não há nada em troca. 
Que Alberto João Jardim continue a fazer-nos ver além das evidências e do que nos deixam ver. 

Boa leitura. 

quinta-feira, novembro 08, 2018

FEZ-SE ASENEIRA


Sem ainda estar em vigor, o Brexit é já uma grande asneirada dos ingleses. Tudo aconteceu porque ninguém levou a sério o referendo. Foram tantos os britânicos que ficaram em casa porque consideravam ser apenas mais um referendo e que nada se alteraria. No entanto, o resultado surpreendeu o Mundo, e mais curioso ainda, acaba por surpreender os britânicos.  

Os problemas dessa decisão acabam por ser medonhos, desde os de foro interno, que abalam a união do Reino, e os de foro externo, nomeadamente nas relações económicas, políticas, culturais e sociais com os países da que fazem parte da União Europeia.

São irreparáveis os danos que todo este processo está a gerar. Neste contexto parece existir apenas uma solução, a de um novo referendo. São crescentes as vozes que defendem esta solução como foi a de Tony Blair ontem na Web Summit em Lisboa “100% a favor de um novo referendo ao Brexit”.

Esperamos pacientemente que aconteça o tão desejado referendo e que se acabe com o suspense e de uma vontade sem vontade, de um BREXIT ou de um BRIN, antes que seja tarde demais. 

quarta-feira, novembro 07, 2018

O QUE O POVO DÁ, O POVO TIRA

O dia de ontem fez com que hoje o mundo acordasse mais sereno. As eleições intercalares na América deixaram uma importante lição, a de que «o que povo dá, o povo tira». 


Não é que o Presidente Donald Trump perdesse as eleições, até porque não foi bem assim, mas ficou fragilizado. O Presidente Trump, para governar, fica agora obrigado a estabelecer equilíbrios, a depender de negociações a estar exposto a uma maior fiscalização. 

Está assim relançado o equilíbrio de forças nos Estados Unidos da América, e está colocada na agenda as eleições presidenciais dentro de dois anos, e ao que tudo indica serão disputadas. 

É a democracia a funcionar, há que a entender e respeitar. 

terça-feira, outubro 23, 2018

SOA O ALARME DA DESERTIFICAÇÃO

O combate à desertificação das zonas rurais é um dos grandes desafios do nosso tempo que exige mais atos do que palavras, mais medidas estruturais do que pontuais.
É gritante a perda de população das pequenas localidades, e um grande exemplo é o da freguesia da Ilha, que desde 1989, ano da sua fundação, perdeu mais de cerca de 80% da população, e que, seguindo esta tendência, em sensivelmente mais 10 anos fica completamente deserta. Este declínio acentuado da população deve-se essencialmente a três razões: emigração, prossecução de estudos no exterior e falta de dinâmicas económicas que criem postos de trabalho.
Se hoje a emigração é menos representativa, até porque a média de idades da população local já não se compactua com essas decisões de vida, por outro, a prossecução dos estudos dos jovens é já um dos motivos fortes do êxodo, daí que muito dificilmente, quer seja por falta de emprego ou até pela ausência de motivação de regressar à terra, assistiremos à inversão da pirâmide demográfica nos próximos anos.
Perante esta constatação soa o alarme da desertificação. Afinal o que fazer? O que está pensado e ainda não foi feito? O porque de não ser um desígnio nacional o abandono das zonas rurais?
As iniciativas que têm aparecido, numa tentativa de fixar as pessoas, são positivas mas não chegam. É preciso ir mais longe. É preciso mais apoios, é preciso medidas fiscais estimuladoras que no seu cálculo possam repercutir a nível da economia familiar pelo menos o valor que investem para se deslocar ao trabalho ou os sobrecustos de viver fora dos grandes centros urbanos.
O diagnóstico está feito há muitos anos e, a exemplo da Ilha, são muitas as localidades do nosso país, com um cenário semelhante ao aqui descrito.
Não bastam intenções, são precisos atos concretos, nomeadamente majorações no acesso ao emprego, deduções fiscais substanciais, apoios ou até mesmo a isenção de encargos com a educação dos filhos, apoios de fácil acesso para a dinamização de negócios locais, entre tantos outros.
No caso da freguesia da Ilha, a solução poderia passar por rentabilizar as infraestruturas que se encontram desativadas, muito por via do fenómeno da desertificação, e desenvolver, nesses espaços, atividades comerciais de apoio ao turismo, alicerçadas nas instituições locais que tenham provas dadas e um percurso assente na inovação e serviço à população. Esta solução poderia servir para alavancar outro tipo de iniciativas, nomeadamente de âmbito privado, o que atualmente não surge.
Nesse aspecto, a Ilha, no que toca ao turismo, é, ainda, apenas um ponto de passagem, não existindo estruturas comerciais locais especializadas para o segmento.
Mas, acredito que ainda podemos ir a tempo. O caminho terá de ser feito com sinergias e vontades, com um olhar estratégico sobre os territórios rurais, porque, ao não fazermos nada, podemos perder as localidades que são as matrizes mais genuínas da nossa Região e do nosso País, num mundo cada vez mais indiferenciado e global.


@opiniaodiáriodasfreguesias - 23.10.2018
#ilha #santana #madeira #dnmadeira#diáriodasfreguesias
Soa o alarme da desertificação

sexta-feira, agosto 10, 2018

AO QUE NÃO MERECE SER ESQUECIDO

Há 13 anos atrás nasceu um evento com o intuito de homenagear os “embarcados” na freguesia da Ilha. De facto, desde a primeira hora, vingou por ser distintivo de todos as outras iniciativas que existiam para assinalar a importância das nossas comunidades, porque, até à altura, haviam iniciativas direcionadas para destinos de emigração em concreto, mas nunca um evento generalizado para Todos os emigrantes, de todos os destinos do mundo, onde estão madeirenses.
Colocar a emigração no centro de uma localidade como a Ilha é reconhecer o seu inegável contributo para o progresso de todos. Os que partiram, à procura de melhores condições de vida, e aqueles que cá ficaram, pela forma como beneficiaram dos conhecimentos e da solidariedade daqueles, que mesmo longe, não deixaram de olhar para os seus e para a sua terra.
A Madeira e as suas gentes são o que são hoje, muito graças à abnegação, ao espírito altruísta, ao exemplo empreendedor e, sobretudo, pela revolução de mentalidades que foi feita muito por via das nossas comunidades. O novo povo espalhado pelo mundo é um hino à humanidade, é um exemplo de afinco, é um motivo de orgulho pela forma como ultrapassaram desafios e são  reconhecidos onde se erradicaram.
Este domingo, uma vez mais, a Casa do Povo da Ilha, volta a assinalar o Dia do Emigrante, num ato de tributo, de um povo que sempre soube reconhecer os seus, homenageia as suas gentes, aqueles que mesmo vivendo fora são gente como nós, são as nossas gentes.  Mais do que pedir, mais do que lembrar dos emigrantes quando se precisa, mais do que “usar” a emigração para fins que a eles pouco dizem respeito, a Ilha relembra todos eles com este bonito simbolismo – organizar uma festa popular e proporcionar um reencontro com as raízes.

O Dia do Emigrante ganha ainda mais relevância quando assistimos à diminuição acentuada da população residente na Ilha, que desde 1989, ano de criação da freguesia, até hoje, perdeu cerca de 400% da sua população, muito por resultado das migrações.

O Dia do Emigrante ganha ainda mais relevância quando assistimos à diminuição acentuada da população residente na Ilha, que desde 1989, ano de criação da freguesia, até hoje, perdeu cerca de 400% da sua população, muito por resultado das migrações. Hoje são bem mais os emigrantes provenientes daquela freguesia que estão radicados na nossa diáspora, por exemplo na França e Inglaterra, do que aqueles que residem na sua terra natal.
Uma vez mais a organização esmera-se para receber os nossos emigrantes, e quando refiro os nossos, são todos os emigrantes da Madeira que são convidados a participar neste encontro da diáspora Madeirense. Parabéns à Casa do Povo da Ilha e aos seus dirigentes, os que constroem abnegadamente uma localidade, que procuram o seu estímulo e motivação em causas comuns, antes de qualquer benefício ou protagonismo pessoal. Por tudo, mas sobretudo pela competência comprovada numa instituição com 26 anos, um grande bem hajam.
Porque a emigração é uma causa Maior, e porque hoje as migrações têm grande versatilidade e causas simbólicas distintas, Domingo marcamos encontro no dia dedicado às migrações na Ilha.


domingo, julho 01, 2018

A INOVAÇÃO NA GESTÃO DAS CASAS DO POVO

 As Casas do Povo são instituições particulares de utilidade pública, autónomas, com órgãos próprios, com agendas próprias e com atitude própria. No fundo, criam, dinamizam e seguem os objetivos que estão previstos nos seus estatutos. 
  
Estas entidades de base local são muito importantes no contexto do associativismo na Madeira e têm uma atuação assertiva e de grande proximidade com as pessoas e, em traços gerais, resumem-se da seguinte forma: Procuram dar respostas aos problemas globais das comunidades onde estão inseridas; Contribuem para a afirmação das localidades; Relevam e asseguram a reativação e manutenção das tradições; Promovem atividades para a ocupação dos tempos livres das populações; Desenvolvem dinâmicas de formação e de inclusão social. 

O trabalho de inclusão social é definitivamente um dos mais relevantes. Não podemos descurar que os seus benificiários, de diversas faixas etárias, enquanto participam nas atividades, não estão isolados, não estão em caminhos desviantes, estão sim em plena integração e, na esmagadora maioria das vezes, contribuem para causas comuns e comunitárias. 

É todo este trabalho que não pode nem deve ser ignorado, em nenhum momento, e cabe, em primeiro lugar, aos seus dirigentes defender, promover e prestar contas dos resultados da sua intervenção. De facto, quem não é falado não existe. Quem não divulga os resultados corre o risco do seu trabalho ser retratado de uma forma que não corresponda à verdade. 

Apesar de tudo, estas instituições tiveram sempre aliados. E neste aspeto, nunca é demais relevar o papel do Governo Regional que desde 1986 acompanhou a par e passo estas entidades. É um facto que o Governo apoiou sempre as Casas do Povo e tem sido determinante para que hoje estas entidades ainda estejam vivas e dinâmicas. Julgo que o fez por considerar e reconhecer a importância e a complementaridade destas instituições no trabalho social e no desenvolvimento do território. 

Quando se fala em inovação lembro-me sempre de uma publicidade que mostrava um lápis e questionava “estás a ver este lápis? A inovação é quem o vê primeiro”Este é mote que é perfeitamente ajustável na gestão das Casas do Povo. O exercício que se procura é o de simplificar, procurar ver primeiro, procurar acrescentar valor a atividades, tradições e dinâmicas locais que possam ser suscetíveis de gerar rendimento, de promover a inclusão e de beneficiar pessoas desfavorecidas.  
O desafio às Casas do Povo passa por pensar em situações existentes nas áreas de intervenção que sejam possíveis potenciar e criar novas valências. Trata-se simplesmente de identificar e procurar ferramentas que as materializem. Felizmente existem uma panóplia de ferramentas financeiras e logísticas que ajudam a viabilizar os projetos  

Nesta linha de ideias é também importante termos a noção que cada instituição e cada localidade têm as suas especificidades. Daí que as Casas do Povo não podem fazer tudo, não podem ser boas em tudo, não podem agir em todos os campos, nem podem ser cópias umas das outras. O que resulta num espaço pode não resultar em outro. Mas vale a tentar e cada um, no seu campo de intervenção, tem, sem dúvida, oportunidades a potenciar. 

A questão que se deve colocar para reflexão é o que distingue a Casa do Povo na minha freguesia, no meu concelho, na minha região. Quanto mais diferenciada, terá maior probabilidade de atratividade, promoção e de alcançar mecanismos de apoio.  

Mas há aqui um trunfo que precisa de ser aprofundado entre todas as Casas do Povo que passa pelos projetos de cooperação. Não tenhamos dúvidas que juntos são mais fortes e é provável que se um projeto for desenvolvido por duas ou mais Casas do Povo terá mais recursos, melhores resultados e maior margem de ação.  

Por seu turno, é importante que as Casas do Povo sejam cada vez mais abertas à sociedade civil. Nas Casas do Povo todos devem ter lugar, porque quanto maior for a massa crítica da instituição, teremos mais pessoas a liderar, a ajudar e a implementar projetos. Não podemos esquecer que quando as ferramentas são claras, quando as pessoas são úteis e quando há projetos, metas e propósitos, que respondem a necessidades concretas, o associativismo é apelativo.  

É ponto assente que quem lidera deve dar o mote, tem de ver primeiro. Os projetos não serão bem-sucedidos se não forem envolventes, e se não procurarem responder aos que os sócios e as populações esperam e querem.  

Neste contexto, partilho aqui algumas ideias que podem ser reforçadas pelas Casas do Povo e que, na minha opinião, serão importantes nas dinâmicas futuras com a finalidade de reforçar a sustentabilidade financeira, que se resumem nas seguintes grandes traves mestras: Cooperação entre as Casas do Povo; Trabalho científico de recuperação/reativação das tradições, nomeadamente com a Universidade da Madeira; Animação de Rua como solução para a sustentabilidade dos projetos culturais; Aposta na Economia da Terceira Idade; Reforço de projetos de Empreendedorismo Social. 
Estou certo, se não nos resignarmos, se fizermos todos um pouco mais, podemos reforçar o papel das Casas do Povo e torná-las modelo de gestão para a sustentabilidade no associativismo. Está ao alcance.  

(Intervenção no Seminário das Casas do Povo da Madeira - 07 de abril de 2018)