domingo, julho 01, 2018

A INOVAÇÃO NA GESTÃO DAS CASAS DO POVO

 As Casas do Povo são instituições particulares de utilidade pública, autónomas, com órgãos próprios, com agendas próprias e com atitude própria. No fundo, criam, dinamizam e seguem os objetivos que estão previstos nos seus estatutos. 
  
Estas entidades de base local são muito importantes no contexto do associativismo na Madeira e têm uma atuação assertiva e de grande proximidade com as pessoas e, em traços gerais, resumem-se da seguinte forma: Procuram dar respostas aos problemas globais das comunidades onde estão inseridas; Contribuem para a afirmação das localidades; Relevam e asseguram a reativação e manutenção das tradições; Promovem atividades para a ocupação dos tempos livres das populações; Desenvolvem dinâmicas de formação e de inclusão social. 

O trabalho de inclusão social é definitivamente um dos mais relevantes. Não podemos descurar que os seus benificiários, de diversas faixas etárias, enquanto participam nas atividades, não estão isolados, não estão em caminhos desviantes, estão sim em plena integração e, na esmagadora maioria das vezes, contribuem para causas comuns e comunitárias. 

É todo este trabalho que não pode nem deve ser ignorado, em nenhum momento, e cabe, em primeiro lugar, aos seus dirigentes defender, promover e prestar contas dos resultados da sua intervenção. De facto, quem não é falado não existe. Quem não divulga os resultados corre o risco do seu trabalho ser retratado de uma forma que não corresponda à verdade. 

Apesar de tudo, estas instituições tiveram sempre aliados. E neste aspeto, nunca é demais relevar o papel do Governo Regional que desde 1986 acompanhou a par e passo estas entidades. É um facto que o Governo apoiou sempre as Casas do Povo e tem sido determinante para que hoje estas entidades ainda estejam vivas e dinâmicas. Julgo que o fez por considerar e reconhecer a importância e a complementaridade destas instituições no trabalho social e no desenvolvimento do território. 

Quando se fala em inovação lembro-me sempre de uma publicidade que mostrava um lápis e questionava “estás a ver este lápis? A inovação é quem o vê primeiro”Este é mote que é perfeitamente ajustável na gestão das Casas do Povo. O exercício que se procura é o de simplificar, procurar ver primeiro, procurar acrescentar valor a atividades, tradições e dinâmicas locais que possam ser suscetíveis de gerar rendimento, de promover a inclusão e de beneficiar pessoas desfavorecidas.  
O desafio às Casas do Povo passa por pensar em situações existentes nas áreas de intervenção que sejam possíveis potenciar e criar novas valências. Trata-se simplesmente de identificar e procurar ferramentas que as materializem. Felizmente existem uma panóplia de ferramentas financeiras e logísticas que ajudam a viabilizar os projetos  

Nesta linha de ideias é também importante termos a noção que cada instituição e cada localidade têm as suas especificidades. Daí que as Casas do Povo não podem fazer tudo, não podem ser boas em tudo, não podem agir em todos os campos, nem podem ser cópias umas das outras. O que resulta num espaço pode não resultar em outro. Mas vale a tentar e cada um, no seu campo de intervenção, tem, sem dúvida, oportunidades a potenciar. 

A questão que se deve colocar para reflexão é o que distingue a Casa do Povo na minha freguesia, no meu concelho, na minha região. Quanto mais diferenciada, terá maior probabilidade de atratividade, promoção e de alcançar mecanismos de apoio.  

Mas há aqui um trunfo que precisa de ser aprofundado entre todas as Casas do Povo que passa pelos projetos de cooperação. Não tenhamos dúvidas que juntos são mais fortes e é provável que se um projeto for desenvolvido por duas ou mais Casas do Povo terá mais recursos, melhores resultados e maior margem de ação.  

Por seu turno, é importante que as Casas do Povo sejam cada vez mais abertas à sociedade civil. Nas Casas do Povo todos devem ter lugar, porque quanto maior for a massa crítica da instituição, teremos mais pessoas a liderar, a ajudar e a implementar projetos. Não podemos esquecer que quando as ferramentas são claras, quando as pessoas são úteis e quando há projetos, metas e propósitos, que respondem a necessidades concretas, o associativismo é apelativo.  

É ponto assente que quem lidera deve dar o mote, tem de ver primeiro. Os projetos não serão bem-sucedidos se não forem envolventes, e se não procurarem responder aos que os sócios e as populações esperam e querem.  

Neste contexto, partilho aqui algumas ideias que podem ser reforçadas pelas Casas do Povo e que, na minha opinião, serão importantes nas dinâmicas futuras com a finalidade de reforçar a sustentabilidade financeira, que se resumem nas seguintes grandes traves mestras: Cooperação entre as Casas do Povo; Trabalho científico de recuperação/reativação das tradições, nomeadamente com a Universidade da Madeira; Animação de Rua como solução para a sustentabilidade dos projetos culturais; Aposta na Economia da Terceira Idade; Reforço de projetos de Empreendedorismo Social. 
Estou certo, se não nos resignarmos, se fizermos todos um pouco mais, podemos reforçar o papel das Casas do Povo e torná-las modelo de gestão para a sustentabilidade no associativismo. Está ao alcance.  

(Intervenção no Seminário das Casas do Povo da Madeira - 07 de abril de 2018) 




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