quinta-feira, março 01, 2018

OS PORTUGUESES E O BREXIT



O Brexit, como apelidam a saída do Reino Unido da União Europeia, é um assunto extremamente caro para a Europa. Os efeitos económicos, por via das novas regras que se impõem na circulação de pessoas e de bens, agravado pelo Reino Unido não fazer parte do espaço de Schengen, no caso da livre circulação de pessoas, exigirão um tempo de ajustamento e, se não for tratado ao pormenor, poderá trazer efeitos gravosos a vários níveis.
As consequências que advêm deste processo para Portugal, por ser um país integrante da União Europeia e sobretudo por ter uma vasta comunidade de portugueses lá a residir, são enormes. Diria até que é um processo altamente complexo e exige das instâncias nacionais um acompanhamento detalhado pelo menos até 30 de março de 2019, data da saída oficial do Reino Unido da União Europeia, dois anos depois de ser acionado o artigo 50.º do Tratado Europeu.
Pese embora o Brexit estar ainda num processo em amadurecimento, não deixa de ser preocupante a situação de impasse, e até mesmo as falhas de informação e de mecanismos de apoio aos portugueses residentes no Reino Unido. Neste momento, não estão bem claros os direitos, deveres e procedimentos a adotar para salvaguardar, e em que moldes, a condição e o património da Comunidade portuguesa, inclusive dos descendentes que nasceram naquele país. Agravando esta situação, os efeitos do Brexit em termos económicos e psicológicos têm impactos significativos na esperança e no futuro do território britânico. Todas estas dúvidas são normais e aceitáveis, particularmente num período de incertezas e de mudanças. Agora estou em crer que é vontade das partes envolvidas que se atenuem esses efeitos.
Se estão bem claros os desafios que se lançarão à comunidade, não é evidente a capacidade de respostas do sistema português aos mesmos, nomeadamente por parte das estruturas consulares portuguesas, até porque é do conhecimento geral as suas disfuncionalidades. Se já não bastasse o expediente normal e diário das questões relacionadas com a comunidade, as questões referentes ao Brexit vieram a congestionar ainda mais a capacidade de resposta das estruturas portuguesas relacionadas com as questões internacionais no Reino Unido.
Apesar de todas as consequências externas desta fragmentação, e com a agravante do Reino Unido ser um local por eleição de diversidade cultural e de proveniências dos seus residentes, haverá, certamente, consequências internas que exigem reajustamentos e muita flexibilidade para assegurar a normalização do país, em particular de uma massa humana que assegura um vasto leque de serviços na Ilha britânica.
Alguns sinais começam a surgir, de acordo com os dados do Ministério do Trabalho e Pensões britânicas. Em 2017, houve menos 26% de portugueses que foram para o Reino Unido para trabalhar, comparativamente ao ano de 2016. Este é um exemplo, entre muitos, que merecem a nossa melhor atenção e são sinais das mudanças estruturais na convivência com aquele país, com quem Portugal tem uma longa aliança histórica, que remonta ao século XIV.
Estou certo que as instâncias e entidades nacionais tudo têm feito e tudo farão para que as relações bilaterais entre Portugal e o Reino Unido não sejam beliscadas, mas este é o período em que a Comunidade Portuguesa precisa mais do que nunca do apoio nacional.
Portugal precisa de salvaguardar os interesses da nossa comunidade, precisa também de assegurar que as trocas comerciais continuem a ocorrer e, sobretudo, deve assegurar a normalização do fluxo de turismo proveniente daquele país, que é um dos importantes ativos da economia nacional.
http://www.madeiradigital.net/marco2018/#revista/pagina82-pagina83

sexta-feira, fevereiro 09, 2018

UM MURRO SOBRE A MESA PELA VENEZUELA


(Artigo de opinião mês Fevereiro - revista Madeira Digital )

A crise económica na Venezuela, originada pela ditadura política vigente, é um assunto que não pode deixar nenhum madeirense indiferente, até porque há uma enorme comunidade madeirense a residir naquele país. 

Não podemos, de algum modo, passar ao lado de uma realidade que, por si só, é de uma violência atroz. As crises na Venezuela têm destruído aspirações, património e bem-estar de tantas famílias madeirenses que apostaram tudo naquele País, com a agravante de ter efeitos na nossa própria economia, quer por via da perda de remessas, quer pela anulação de investimento daquela comunidade, que muito contribuiu e contribui para o desenvolvimento da nossa Região.

Felizmente a Madeira de hoje não é a mesma da que propiciou a saída de tantos e tantos conterrâneos para a América do Sul. Repito, não é a mesma de todo. Mas seria fazer vista grossa não reconhecermos que o rasgo da partida à aventura na procura incessante de melhor qualidade de vida para terras longínquas por estes nossos irmãos, contribuiu não só para a ansiada melhoria de vida dos seus protagonistas, como para todos os que cá ficaram, proporcionando através das suas transferências financeiras uma melhoria acentuada de qualidade de vida. Senão vejamos, foram os investimentos em habitações, foram as empresas que criaram, foram as famílias que ajudaram financeiramente e não só, até mesmo na dimensão cultural o que permitiu um intercâmbio que fez crescer e abrir horizontes a todos.

Esta é uma crise sem precedentes, que mata sonhos e que coloca em causa até a própria subsistência de homens e mulheres trabalhadores, empreendedores e aventureiros. O estado venezuelano não olha a meios para os seus fins, características de uma ditadura comunista que promove a desigualdade e que mais não faz do que fomentar uma sociedade medíocre, dependente e refém da política musculada. E o que temos feito para fazer face a esta situação? Assistimos impávidos. De facto, existem muitas cartas de intenções, muitas demonstrações de solidariedade que não passam de gestos, mas que pouco se têm materializado. É compreensível o desespero e até mesmo a revolta daqueles que não têm saída, até mesmo o de conseguir uma viagem para regressar à sua terra natal, pela inércia de uma suposta ordem internacional.

De facto, é mais do que claro, que a Venezuela hoje não é apetecível do ponto de vista dos interesses e dos recursos naturais. Se assim o fosse a atitude seria outra, seria a de enfrentar o poder instalado e déspota, de modo a normalizar o clima político, o modelo social e financeiro do país.

Por mais esperança que exista em quem tudo deu a um país que outrora o acolheu, ou mesmo por via das preces de tantos irmãos crentes, o tempo passa, a situação agudiza, o desespero é medonho e a crise não só instala-se como progride. É tempo de dizer BASTA! É tempo de acabar com tantas atrocidades à vida humana. Já é tempo de por fim a este flagelo social. É hora de fazer valer as instâncias internacionais, com firmeza e com voz firme, lembrar que existem milhares que esperam por nós, que precisam de ajuda e que têm de ser resgatados da mão de um regime viciado, anarca e que ostraciza a dignidade humana.

Urgem medidas que coloquem a razão à tona, que condicionem este estilo de governar e que acabem de uma vez por todas com a perseguição instalada.

O povo venezuelano, e, em particular, os madeirenses na Venezuela, não merecem ser vítimas desta cabala nem de estar presos nas garras de um sistema armadilhado e interesseiro que mais não quer do que conservar e manter o domínio político a todo o custo.

E nós, residentes na Madeira, temos a obrigação e o dever de solidariedade, de dar voz a quem neste momento não tem: Aos nossos irmãos residentes na Venezuela. 

segunda-feira, fevereiro 05, 2018

DA ILHA COM MUITO ORGULHIO

A freguesia da Ilha é a segunda freguesia mais nova da Madeira. Foi fundada em 1989 e é conhecida por ser um lugar pacato, seguro e bonito. Pese embora ser um local caracterizado pela emigração, é uma freguesia de referência da Madeira no que respeita ao seu desenvolvimento integral e sustentável. 
Indiscutivelmente o ponto mais forte da Ilha é as suas gentes. Senão vejamos, foi um povo que nunca se rendeu à condição geográfica e que desde muito cedo foi exemplo de bravura, união e de ter objetivos comunitários bem vincados. 
Foi o povo da Ilha que construiu com os seus próprios meios a sua igreja, o principal marco de afirmação enquanto localidade. 
É um Povo de emigração, onde as pessoas originárias da Ilha são conhecidas pelas terras onde se sediaram como pessoas trabalhadoras e humildes, tendo como valor predominante o da honestidade. 
Por sua vez é um povo sonhador, solidário, de paixão e com objetivos de vida bem definidos. Os seus jovens são o orgulho da sua terra e das suas famílias, até porque mesmo com as dificuldades característicos de um local isolado e com carências, que felizmente pertencem a outra Madeira, não relegou os seus propósitos. Hoje, felizmente, e como exemplo que evidência este salto é o facto de serem contadas pelos dedos o número de famílias nucleares que não têm um elemento licenciado.
Um povo de mérito, gente aguerrida, pessoas esforçadas que do Pico Ruivo, passando pelo Caldeirão Verde e além-mar não fica nem deixa ninguém indiferente. 
De facto, por ser um território pequeno, as pessoas da Ilha são conhecidas como os “primos da Ilha”. Culturalmente há sempre um elo de ligação parental entre as pessoas. Seja quem for, em que tempo for ou onde for, entre os nossos pares, há sempre um grau parental que nos une. Ou são primos de 2º ou de 3º ou de 4º grau. Talvez, e apesar de ser uma questão cultural, possa ser um dos motivos que fortaleceu a união nos propósitos comuns e no progresso da Ilha ao longo da sua história. Caso para dizer que não são gente do acaso e como bem reza a sabedoria popular “este trigo é meu primo/ e o centeio é o meu parente/ não há festa nenhuma/ que este meu primo não entre”. 
Muito mais haveria para dizer mas é nas pessoas, na gente como eu, que neste artigo inaugural no espaço freguesias.dnoticias.pt, escrevo em homenagem. Deixo aqui um pouco da minha terra de onde sou originário. 
Sem nunca renegar às minhas origens a Ilha foi a terra que me viu nascer e crescer. 
A Ilha é um dos meus orgulhos, a Ilha é a minha vida!

sexta-feira, fevereiro 02, 2018

CHEGA DE CRÍTICAS INFUNDADAS


Terei de começar por confessar que sou pouco apreciador do tom menos abonatório que alguma crítica sempre apontou às Casas do Povo. Isto não quererá dizer que a crítica não é saudável, desde que construtiva e conhecedora, nem tão pouco pretendo, com isto, afirmar que tudo é perfeito. De facto, a perfeição não existe, e estranho seria se existisse apenas nas Casas do Povo.

Mas reforço esta indignação porque senti na pele, e que, como eu, muitos outros agentes foram sentindo, críticas no mínimo injustas, até pelo esforço diário que é necessário para conseguir que aquelas associações sejam funcionais e deem respostas concretas e muitas das vezes urgentes e necessárias face aos desafios das freguesias onde se inserem. Felizmente a crítica destrutiva surge de uma minoria, desconhecedora e, apesar de continuar a existir, as instituições avançam e não vergam à tentação mais fácil – a de desistir.

Se as Casas do Povo fazem confusão a outros agentes? Claro que fazem! Na realidade, quem trabalha, com mérito, afinco e resultados é quase sempre um alvo fácil para apontar e abater. É bem mais cómodo pouco ou nada fazer, revoltar-se com quem faz, e ficar na bancada a apontar defeitos e esperar que a maledicência se encarregue de vingar. Felizmente não é o que reza a prática. Sim, à frente das Casas do Povo estão dirigentes, todos voluntários, que em vez de muitas vezes estarem a usufruir do tempo livre nos projetos pessoais ou familiares, estão a trabalhar em prol do desígnio público e das comunidades.

Não, estas instituições não são reféns de qualquer partidarismo. Esse é o argumento mais fácil e possivelmente o que melhor abona à demagogia, logo, uma moda que tem vingado no tempo, embora altamente falaciosa, sendo certo que será igualmente verdade que para qualquer partido deveria ser um motivo de regozijo terem militantes que são também dirigentes associativos, sinal de que os seus filiados estão próximos das causas e das pessoas.

Por outro lado, é de estranhar assistirmos a quem defenda que as Casas do Povo sejam extintas porque não têm utilidade e que se sobrepõe a outras instituições, o que constitui uma mentira! De facto, não há atropelos, a sociedade fica, sim, a ganhar, se cada entidade focar-se nos seus objetivos, e estou certo que não precisam de entrar no campo das casas do povo ou vice-versa se cumprirem o seu papel. Ainda sobre esta matéria, que democracia seria a nossa se não se respeitasse um dos direitos basilares dos cidadãos, que é a liberdade de associação, direito esse consagrado no artigo 46.º da Constituição da Republica Portuguesa.

Está comprovado que as Casas do Povo, nas localidades onde existem, têm grande utilidade e são as instituições mais próximas que existem das pessoas e com respostas adequadas aos desafios que vão surgindo. (…) É indiscutível que hoje existem eventos e projetos originários das Casas do Povo que do ponto de vista da mediatização acompanharam o nome e o desenvolvimento das freguesias.

De facto, as Casas do Povo são instituições legais, de direito privado, de utilidade pública e que respeitam as regras da contabilidade e da contratação pública. Por sua vez, prestam contas a todas as entidades que as subsidiam, por via de projetos, ou de contratos programas. Hoje, apesar de serem dirigidas por voluntários, são instituições com gestão profissional: Há controlo, há rigor, e regem-se por mecanismos claros, fiscalizados por órgãos próprios e por entidades externas.

As Casas do Povo na Madeira são instituições de utilidade pública que procuram dar respostas concretas em diversas áreas, com maior preponderância nos domínios social, cultural, educação, desporto, emprego, empreendedorismo social, entre outras.

Está comprovado que as Casas do Povo, nas localidades onde existem, têm grande utilidade e são as instituições mais próximas que existem das pessoas e com respostas adequadas aos desafios que vão surgindo. Ninguém pode esconder ou negar que foram muitas das Casas do Povo da Região que não só contribuíram para diminuir as assimetrias entre as localidades, projetaram revoluções de mentalidades e dinamizaram projetos e atividades de uma riqueza considerável e com grande projeção para as referidas localidades, algumas vezes dando-as a conhecer ao mundo. É indiscutível que hoje existem eventos e projetos originários das Casas do Povo que do ponto de vista da mediatização acompanharam o nome e o desenvolvimento das freguesias.

Atrevo-me a concluir que quando se conhece profundamente o âmbito de atuação e o trabalho desenvolvidos pelas Casas do Povo, a nossa perceção sobre esta realidade muda. Tantos são os exemplos que o tempo ensinou a mudar, e assim continuará.

Com orgulho e para reflexão, de alguém que foi dirigente cerca de 14 anos de uma Casa do Povo, a Casa do Povo da Ilha.

terça-feira, janeiro 02, 2018

O ORGULHO DA MADEIRA




(artigo edição de Janeiro na Revista madeiradigital)
O ano de 2017 voltou a colocar a região nos píncaros do Mundo. A Madeira foi distinguida como melhor destino insular da Europa, e o mais famoso Madeirense, Cristiano Ronaldo, revalidou o título de melhor jogador do mundo. Estes dois exemplos são o veredicto do potencial da nossa terra e das suas gentes.
Se a distinção turística é o apogeu do trabalho de décadas na promoção do turismo e do trabalho de tantos homens e mulheres para elevar o potencial turístico da região, os títulos do "nosso" Ronaldo demonstram que a sua capacidade de trabalho e de superação são o impulsos para ser um dos mais completos futebolistas de sempre.
Não deveriam ser precisos exemplos destes para que chamássemos à razão o orgulho em ser Madeirense, no entanto demonstram que, mesmo num pequeno território como a Madeira, é possível fazer a diferença. De facto, tantas e tantas vezes teimamos, numa visão afunilada, em menosprezar o nosso valor e o nosso potencial para crescer, para ser mais e ambicionar melhor.
Outros e tão bons exemplos existem, de pessoas e coletividades, que na Madeira ou além-mar, continuam a ser mote de superação e de sucesso, muitos vezes conquistados a rogo de muito trabalho, de dedicação e até mesmo de sacrifícios. Olhemos, por exemplo, para as Comunidades Madeirenses espalhadas por todo o Mundo. O Madeirense, onde quer que esteja, é um povo respeitado. A sua garra e ambição são sempre as molas motivadores para progredir e para ajudar a crescer comunidades onde se inserem.
Também cá dentro, e se analisarmos o percurso de desenvolvimento da região constata-se ser histórico ou até mesmo épico. Em tão curto espaço de tempo, a Madeira atingiu um nível de desenvolvimento que a colocou a par de igualdade com regiões de países da Europa central. Este é o melhor exemplo da capacidade de um Povo que teve sempre a visão e a resiliência necessárias para transformar as suas dificuldades em oportunidades.
Que saibamos ter orgulho na nossa terra, numa Madeira de gente com fibra e de ouro. Saibamos nos orgulhar do percurso histórico da região que continua a marcar o tempo e a agenda, não só o território em si, mas de tantos prestigiados e anónimos que fazem a nossa terra onde quer que estejam.
Que o primeiro de passo de 2018 seja efetivamente mais um passo para o ouro, mesmo que não nos leve no caminho de distinções ou prémios, mas que convirja para fazer a diferença, independentemente do domínio onde actuamos, quer seja ele pessoal ou profissional.
Que estejamos de novo unidos em assuntos que são cruciais para o nosso trajeto e para o bem comum da nossa terra. Somos tão poucos, e por essa razão, é preciso deixar de lado o que nos separa para confluirmos no que nos deve unir: A Madeira e as suas gentes. Que as experiências, as proveniências, os saberes, os pontos de vista diferentes e as nossas dificuldades sejam motivos de confluência para os objetivos comuns que precisamos de envergar. E que o orgulho de ser Madeirense continue a prevalecer onde quer que estejamos!

sábado, dezembro 30, 2017

Desejos Para Um Novo Ano

A opinião deste mês no Económico Madeira:
DESEJOS PARA UM NOVO ANO
Há muitos e muitos anos atrás havia um povo que aceitava sempre as escolhas de um auto-intitulado rei de um império. O rei sempre fora poderoso, era o dono da razão, o único que nos conflitos entre povos e continentes, mesmo se apropriando do trabalho dos outros, era considerado o maior dos maiores, vencendo qualquer batalha.

Por detrás dessa força, as fragilidades e as fracas qualidades humanas eram demasiado evidentes, conseguindo-as disfarçar pela amabilidade que demonstrava às cortes, que o idolatravam e acreditavam no seu bom senso, até porque era um homem dado e "altruísta" que tudo fazia para oferecer manjares a esses "nobres".

Do seu império ninguém mais haveria de ser conhecido, nem galardoado, nem reconhecido. Por seu lado, também não aceitava que qualquer dos seus homens fosse recrutado por outro império, mesmo que para serviçal. Se assim o acontecesse, a prioridade absoluta seria o de derrubar esse  império e esse soldado.

Era um rei convicto de si, e mesmo nas batalhas de campo, de quem era o único responsável pelas estratégias, as vitórias eram sempre dele e as derrotas sempre culpa dos seus soldados. Assim foi até ao fim do seu tempo e do seu império. Foi até não restar nada, soluçando e resistindo, sobrevivendo e evidenciando, até não puder mais, o pior de si.

Esta história não é mais do que atual e vem à tona, em particular quando se fazem os votos de um ano novo, de tantos que são os desejos de uma renovada esperança para a humanidade. São tantos os povos e as nações que ainda hoje vivem condicionados. São tantos e tantos Homens que fazem apelos à paz, ao respeito entre os povos, acreditando que ainda vão a tempo de salvar o seus "impérios" e as suas gentes.

Falamos, por exemplo, da Venezuela, onde estão radicados tantos e tantos portugueses, que vêm todos os dias o trabalho de uma vida e a força de um país morrer. Falamos também de tantos outros povos que vivem sequestrados por ditaduras e regimes que promovem a desigualdade, a perseguição, a ameaça e que sequestram a liberdade de expressão.

É pela causa humana, pelos exemplos da história, que é tempo da humanidade fazer valer os seus ideias e as suas lutas pela dignidade humana, vetando  diretrizes que ameaçam os povos e que levam, até às ultimas consequências, as orientações de tantos déspotas espalhados pelo mundo. Eles não reconhecem limites, porque não os têm, nem são capazes de os colocar.
Que no novo ano 2018 sejam geradas as sementes de mudança necessárias no mundo e tão urgentes em zonas específicas do globo, antes que seja tarde, e a exemplo da história do império referenciado acima, antes que se derrote o rei e que seja o fim do "império".

sexta-feira, dezembro 01, 2017

FAZER BEM, FAZER DIFERENTE

Vivemos numa Aldeia Global onde é possível replicar quase tudo, em qualquer parte do Mundo. O conhecimento e a informação correm de uma forma alucinante fazendo com que tudo esteja em constante mutação. 
Os grandes desafios dos povos, dos territórios e de qualquer domínio de intervenção, estão assentes na diferenciação, distinção e excelência. Os ganhos são óbvios, porque o que é emergente, útil e diferente ganha competitividade.
Na indústria cultural, e perante a nova conjuntura, que resulta da democratização e do acesso generalizado, urge uma nova abordagem que aponte para a valorização do que é genuíno.
Se a diferenciação cultural é sempre uma oportunidade em qualquer região, nos casos concretos das regiões turísticas têm particular preponderância. Vejamos o caso da Região Autónoma da Madeira onde existe um trabalho de décadas que coloca em interação permanente a cultura e o turismo. Os grandes cartazes turísticos regionais são exemplo da importância económica e do contributo cultural para a valorização do Destino Turístico “Madeira”.
Há um grande trabalho na criação de marcas e de valor cultural que importa dar continuidade.
«Fazer bem e fazer diferente» pode bem servir de mote para a intervenção e para o interveniente cultural. Não basta esperar que os apoios surjam, e enquanto isso apelidar que não é dado o devido relevo à industria cultural. Não basta menosprezar a cultura apelidando-a de "parente pobre". Se estivermos atentos, o que é distinto, o que tem qualidade, é valorizado, é apoiado.
O caso concreto das tradições e da etnografia Madeirense têm sempre espaço na dinamização cultural e são marcas que acrescem conhecimentos e experiências únicas a quem nos visita.
Atualmente, temos agentes culturais e temos infraestruturas condignas de apoio á cultura, mas ainda há segmentos por explorar. Temos tradições que merecem ser valorizadas. Temos "bibliotecas humanas" que estão a desaparecer e o que fazemos é sempre pouco para registar, atempadamente, a informação que se perde todos os dias. Temos traços únicos e distintivos que são susceptíveis de gerar ainda maior valor económico.
A dialéctica cultural implica fazer mais e melhor, mais e diferente, apontando para a valorização das terras e das pessoas.
É chegada à hora de valorizar economicamente as tradições. É tempo de uma nova abordagem que reactive tradições em vias de extinção reconvertendo-as em produtos turísticos. O que é nosso, o que tem valor, o que mais ninguém faz, é precisamente por onde temos de começar. Façamos por isso!

António Trindade

http://www.madeiradigital.net/dezembro2017/#revista/pagina78-pagina79

terça-feira, novembro 28, 2017

Terceiro Sector: a economia a favor das pessoas


O custo/ benefício das medidas do terceiro sector é altamente positivo e resulta numa aposta clara no capital humano, no empreendedorismo social e num modelo social que se auto-subsidia: Difunde-se dividendos através do justo pagamento por aquilo que os beneficiários fazem e colocam as pessoas numa condição igualitária.
A fórmula dos apoios sociais, na lógica da solidariedade e do subsídio, não tem surtido os efeitos desejáveis na inclusão social. Quando se fala em contrapartidas por parte de quem recebe apoios sociais e tem condições para as prestar, são sempre consideradas proibidas e inconstitucionais, típico de um País, que mesmo sem meios, está acomodado com o seu estado social- o da subsidiodependência. Os tímidos progressos na economia social são disso um exemplo.
O conceito existe, mas são parcas as medidas estruturais do Estado. Não existe uma verdadeira economia social sem que se crie o enquadramento legal que a diferencie, sem que sejam gerados incentivos para que surjam mais projetos, sem que sejam criados apoios para que as empresas possam recrutar quadros com origem em projetos sociais.
Para além de defensor do ditado popular “dar a cana antes de dar o peixe”, sou defensor e testemunho das externalidades positivas da economia social. Na Madeira, os projetos piloto nesta área surgiram a partir de 2004, dos quais destaca-se os desenvolvidos pelas empresas de inserção social, promovidas por Casas do Povo e IPSSˋs.
Algum caminho foi trilado, mas há que prosseguir, com ousadia e ambição, a notável obra social, mesmo que o País não siga essa tendência. Temos instituições, temos profissionais e temos necessidades sociais. Precisamos é do reforço de medidas, que não só subsidiem, mas que apoiem as práticas de gestão, o trabalho de acompanhamento multidisciplinar e a qualidade dos serviços que oferecem as empresas sociais.
O custo/ benefício das medidas do terceiro sector é altamente positivo e resulta numa aposta clara no capital humano, no empreendedorismo social e num modelo social que se auto-subsidia: Difunde-se dividendos através do justo pagamento por aquilo que os beneficiários fazem e colocam as pessoas numa condição igualitária.
A economia social, mais do que uma moda, é uma nova atitude na abordagem social assente no princípio de democratização social. A economia das pessoas, que se empenha no lucro dos indivíduos e resgata-os na senda da inclusão social e da igualdade, é o grande desafio dos tempos atuais.


Artigo de opinião - Económico Madeira
Económico Madeira - Terceiro Sector: A economia a favor das pessoas

sexta-feira, junho 09, 2017

Eventos: investimento ou perda?




Quando se fala nos valores que se aplicam aos eventos há sempre uma grande controvérsia, se os mesmos são ou não bem aplicados, e se trazem ou não retorno. 

No que concerne aos investimentos públicos nos eventos, a crítica imediata e supérflua aponta que são maus investimentos e de que existem outras prioridades, seja ela qual for existirão sempre outras mais prementes. 

A crítica esquece que existe uma indústria em torno dos eventos! Que essa indústria, como são os casos de empresas de sonoplastia, oradores, artistas, feirantes, transportes, logística, setor da criação e comunicação, serviços de catering, entre muitos outros, dependem desses apoios e dessas iniciativas, falamos também de emprego, falamos também de subsistência de empresas e famílias. 

A crítica esquece que a dinamização deste setor pode traduzir resultados, quer sejam eles em fluxos económicos, quer através da agremiação de impostos que, no final de contas, podem acabar por ter reflexos nessas áreas prioritárias. Para não falar da visibilidade para as regiões onde acontecem os eventos e a sua capacidade em gerar outras tantas oportunidades e de fomentar outros tantos investimentos.

É certo que para dissipar-se de uma vez as dúvidas e de salvaguardar os eventos,  de entre eles os agentes que os organizam e toda a sua indústria, urge mensurar a relação custo-benefício dos mesmos. Esse papel caberá aos gestores, aos estudiosos culturais e às Universidades que têm muito trabalho pela frente, debruçando-se na prova empírica da relação  objetivos e resultados dos mesmos.  

Sabemos que a animação e os eventos, em particular em regiões com peso turístico, são indissociáveis dos seus resultados mais diretos, não só pelo que representam em si mas, também, pela capacidade catalisadora da promoção dos destinos e daquilo que os distinguem de todo os outros destinos. Sem nunca esquecer que eventos não são só festas, que dentro deste tópico há também outros segmentos como por exemplo conferências, congressos, e que representam importantes ferramentas para dotar competências nas mais diversas áreas.

A lei da oferta e da procura, bem como a competitividade estão presentes na indústria cultural e repercutem-se na escolha de destinos, como por exemplo os destinos turísticos. 

Caberá escolhermos onde queremos competir, se queremos estar pujantes e no top das escolhas, se queremos atrair os melhores fóruns, os melhores congressos, os melhores artistas, ou simplesmente se queremos fazer mais do mesmo, sem criatividade, sem qualidade, sem excelência e, no fim de contas, sem uma populança relevante. 

É certo que há eventos e eventos! Se a opção é afirmarmo-nos, também nesse domínio, teremos de reforçar os investimentos e energias, em particular na produção, calendarização e programação dos eventos.

Os eventos são importantes! Que precisam de ser afinados os critérios de apoios e de elegibilidade de despesas, também! Que há que não conheça e fale sobre os eventos, se há! Mas falar de valor dos eventos não chega, é preciso demonstrar!

quarta-feira, junho 07, 2017

Quero um banco a 1€ só para mim

O sistema bancário português é de deixar qualquer pessoa perplexa. 
Depois do incentivo ao crédito, passando pela falência dos bancos e por conseguinte os apoios do Estado aos bancos em dificuldade, a cereja no topo do bolo é mesmo a aquisição de um banco por 1 euro. 
É óbvio que entende-se que o que está em causa é um caso de salvação de uma instituição bancária e não o seu valor, agora não deixa de ser curioso. 
Apesar do que se vai passando no sistema bancário português, é deveras evidente que os lesados continuam a ser os mesmos, a "banda" dos gestores bancários, inclusive os que espelharam má gestão, para não dizer outra coisa feia, continuam intocáveis. 
O sistema bancário mostra-se aparentemente pujante: novas agências, novos nomes aos bancos... tudo à grande. 
Na verdade quem paga são sempre os mesmos, os lesados também são sempre os mesmos e os protegidos são sempre os mesmos. 

Apesar de ter e de continuar a custar caro o brincar aos bancos e à finança em Portugal, resta-nos bailar o bailinho dos bancos

Caso para dizer: olho neles! 
Quem não estaria disposto a comprar um banco por 1 euro? Popular ou impopular é mais um banco e é mais um negócio difícil de explicar ao cidadão contribuinte. 


sexta-feira, janeiro 13, 2017

Visita Oficial do Governador ao Rotary Club de Machico Santa Cruz - 13 janeiro 2017

Visita Oficial do Governador ao Rotary Club de Machico Santa Cruz

No passado dia 13 de Janeiro, realizei a minha Visita Oficial ao Rotary Club de Machico Santa Cruz, na qual fui recebido pelo Presidente, Companheiro João Basílio e pelo Secretário Companheiro José Rodrigues, cerca das 09h00.

Após uma paragem na vista panorâmica Palheiro do Ferreiro, um ponto estratégico da Ilha onde desfrutámos da magnífica paisagem natural, seguimos para a Câmara Municipal de Machico, onde fomos recebidos pelo seu Presidente, Dr. Ricardo Franco, com quem tive a oportunidade de trocar impressões acerca da interacção do clube com a comunidade local, tendo sido manifestada a predisposição do executivo municipal na colaboração com projectos futuros a desenvolver pelo clube. No final, houve uma troca de lembranças e foi oferecido um porto de honra com o tradicional bolo de mel da região.

Seguimos depois para a Câmara Municipal de Santa Cruz, onde apresentei cumprimentos ao Presidente, Dr. Filipe Sousa, tendo sido o principal aspecto debatido, à semelhança do que aconteceu em Machico, a colaboração entre o Rotary Club e a autarquia, sobretudo no que diz respeito aos projectos de intervenção na área social. No final tivemos a oportunidade de visitar as árvores que o clube plantou no concelho de Santana, por ocasião do Dia da Árvore e do Dia do Pai, no mês de Março do ano passado.

Um dos momentos altos foi a visita guiada ao Parque Temático da Madeira, orientada pelo Director, Dr. António Trindade, que nos deu a conhecer um espaço repleto de história onde se cruzam tradição, natureza e cultura e que é sem dúvida um ex-libris da região.

Após o almoço de convívio num restaurante típico de Machico, na companhia de dez companheiros do clube, no período da tarde realizou-se a reunião com o Conselho Director, em que foram apresentadas as principais actividades que o clube pretende levar a cabo ao longo deste ano rotário, designadamente a entrega de bolsas de estudo, havendo mensalmente um almoço de angariação de fundos para este projecto, apoio aos sem-abrigo através da recolha e entrega de bens alimentares, apoio a famílias carenciadas e entrega de uma cadeira de rodas e uma cama articulada à Junta de Freguesia, que funciona como elo de ligação entre a autarquia e a comunidade, disponibilizando estes equipamentos a quem deles necessite.

Outra das questões abordadas foi o Desenvolvimento do Quadro Social, e neste aspecto o clube que tem 13 companheiros, está focado no rejuvenescimento, uma vez que a média de idades é um pouco elevada. Até ao final deste ano está prevista a entrada de um novo companheiro, que neste momento já participa nas reuniões e nas actividades e a quem será feito o convite dentro em breve.

O jantar festivo realizou-se no Hotel Four Views Oásis e contou com a presença de 30 companheiros, dos clubes do Funchal, Tavira e do Inner Wheel da Madeira, do Director do Parque Temático da Madeira, convidados e amigos.

Neste jantar foi celebrado o 33º aniversário do clube, e no momento de cantar os parabéns e cortar o bolo fui acompanhado pelo Companheiro Simplício Silva, que é o único sócio fundador do clube que ainda está entre nós.

Na sua intervenção, o Companheiro João Basílio fez uma sentida homenagem ao Companheiro António Nóbrega, que faleceu recentemente e que era, nas suas palavras, “uma pessoa muito nobre e culta e um profundo conhecedor do que é o Rotary”.

O jantar decorreu num clima de salutar companheirismo e convivência, tendo terminado com a tradicional troca de lembranças, em que ofereci ao Companheiro João Basílio uma placa com o lema do Presidente de Rotary International, John Germ, para este ano rotário, “Rotary a serviço da Humanidade”, que gentilmente retribuiu com uma garrafa de vinho da Madeira datada de 1984, ano da fundação do Rotary Club de Machico Santa Cruz.

terça-feira, janeiro 10, 2017

Uma página ao sabor de POUCO

Os Estados Unidos da América estão a dias de virar uma página política.
O legado de Obama, por ser um grande homem da comunicação, com um novo estilo de liderança político e por ter se afirmado como homem de e para as minorias, sabe a pouco.
Apesar da grande admiração que tenho por este político que surpreende pelo imprevisto e pelos discursos galvanizadores, tenho de assumir que esperava mais.
A liderança de Obama não criou grandes clivagens na cena política mundial, mas não foi suficientemente forte para catapultar a concertação dos conflitos, para apaziguar as ondas terroristas e para dar a volta à crise financeira que assolou o Mundo.
Esperava mais, mas fico com muitas saudades. Saudades de sentir que mais do que o tacticismo, que é vulgar na política, esteve perante os homens, a América e o Mundo, um líder genuíno. Um líder que mais do que cumprir os protocolos não deixou de ser quem é para exercer as mais altas funções de Presidente dos Estados Unidos da América.
Pela sua idade e potencial não será um Adeus à intervenção pública e política mas será um até sempre.

Dentro de dias viveremos um novo ciclo, um ciclo que insisto em reforçar que ocorre por protesto ao situacionismo, ao sistema, ao politicamente correto e à falta de soluções advindas do conformismo de uma ordem mundial. Um novo tempo. Esperemos que acima de tudo não se perca o humanismo, a ética e que os interesses coletivos estejam bem acima de outros quaisquer interesses.

segunda-feira, janeiro 09, 2017

RONALDO "THE BEST"

Um Madeirense nos píncaros do Mundo, seu nome é já uma "nação" e a nação está alegre e orgulhosa: 
CRISTIANO RONALDO, THE BEST! 
"Coisa Linda"
Melhor Ainda é ouvir o grito da boca de um "gorgulho" de 3 anos, sem saber bem do que se tratava: "Ronaldo, Ronaldo, Ronaldo"! Absolutamente orgulhoso 😊