sexta-feira, dezembro 01, 2017

FAZER BEM, FAZER DIFERENTE

Vivemos numa Aldeia Global onde é possível replicar quase tudo, em qualquer parte do Mundo. O conhecimento e a informação correm de uma forma alucinante fazendo com que tudo esteja em constante mutação. 
Os grandes desafios dos povos, dos territórios e de qualquer domínio de intervenção, estão assentes na diferenciação, distinção e excelência. Os ganhos são óbvios, porque o que é emergente, útil e diferente ganha competitividade.
Na indústria cultural, e perante a nova conjuntura, que resulta da democratização e do acesso generalizado, urge uma nova abordagem que aponte para a valorização do que é genuíno.
Se a diferenciação cultural é sempre uma oportunidade em qualquer região, nos casos concretos das regiões turísticas têm particular preponderância. Vejamos o caso da Região Autónoma da Madeira onde existe um trabalho de décadas que coloca em interação permanente a cultura e o turismo. Os grandes cartazes turísticos regionais são exemplo da importância económica e do contributo cultural para a valorização do Destino Turístico “Madeira”.
Há um grande trabalho na criação de marcas e de valor cultural que importa dar continuidade.
«Fazer bem e fazer diferente» pode bem servir de mote para a intervenção e para o interveniente cultural. Não basta esperar que os apoios surjam, e enquanto isso apelidar que não é dado o devido relevo à industria cultural. Não basta menosprezar a cultura apelidando-a de "parente pobre". Se estivermos atentos, o que é distinto, o que tem qualidade, é valorizado, é apoiado.
O caso concreto das tradições e da etnografia Madeirense têm sempre espaço na dinamização cultural e são marcas que acrescem conhecimentos e experiências únicas a quem nos visita.
Atualmente, temos agentes culturais e temos infraestruturas condignas de apoio á cultura, mas ainda há segmentos por explorar. Temos tradições que merecem ser valorizadas. Temos "bibliotecas humanas" que estão a desaparecer e o que fazemos é sempre pouco para registar, atempadamente, a informação que se perde todos os dias. Temos traços únicos e distintivos que são susceptíveis de gerar ainda maior valor económico.
A dialéctica cultural implica fazer mais e melhor, mais e diferente, apontando para a valorização das terras e das pessoas.
É chegada à hora de valorizar economicamente as tradições. É tempo de uma nova abordagem que reactive tradições em vias de extinção reconvertendo-as em produtos turísticos. O que é nosso, o que tem valor, o que mais ninguém faz, é precisamente por onde temos de começar. Façamos por isso!

António Trindade

http://www.madeiradigital.net/dezembro2017/#revista/pagina78-pagina79

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