Todos nós sabemos dos efeitos nefastos da diminuição da população, em especial nas zonas rurais. Mesmo que nem todos reconheçam, é, de facto, muito difícil dinamizar as localidades com ações que potenciem a projeção local e a melhoria de qualidade de vida, tendo, no entanto, as dificuldades acrescidas quando, se trata de terras desertificadas.
Felizmente há mais vida além do que para muitos representa o “fim do mundo”, e há quem contribua para inverter esses retratos mal tirados. Mas confesso que este preconceito com estas localidades fere o orgulho de quem sente de alma as suas vivências e lá trabalha. Com estas atitudes derrotistas e irrealistas assim não avançamos, antes regredimos, porque, para os mesmos resultados, precisamos do dobro do empenho, mais o esforço de desmistificar o outro lado da história.
Seria bom que Todos contribuíssemos para as oportunidades do mundo rural, dando foco ao que está para melhorar, mas que, simultaneamente, se apostasse em elevar os projetos que já existem e as potencialidades de cada território.
Falo a propósito de opiniões públicas “sensacionalistas” sempre que se fala sobre a freguesia da Ilha. Respeito, e até consigo perceber o objetivo subjacente das mesmas, no entanto considero que não são retratos fidedignos da realidade local. Friso porque sei bem o que as instituições e a população local têm trabalhado para dignificar e “alavancar” a freguesia rumo ao desenvolvimento como polo atrativo numa região tão virada para o turismo como é a Madeira, dando a conhecer as nossas tradições. Realço porque sei bem o que é inverter as tendências. Agora, uma coisa é certa, há uma diferença abismal entre a Ilha dos anos 70 e a Ilha dos dias de hoje, e só não vê quem não quer ver.
De facto, existem limitações, mas hoje em dia há condições de apoio à população que em nenhuma altura da história existiram, algumas até desejáveis e inexistentes em locais mais populosos da nossa Madeira. Tem infraestruturas de excelência, com um centro cívico com excelentes condições para a atividade cultural, social, religiosa e com os serviços de apoio básico à população. Toda a população pode beneficiar dos serviços e das instituições locais, como são os casos dos espaços de Internet, os grupos culturais, o centro de convívio, para não falar dos eventos realizados anualmente e que projetam a freguesia, como são os casos da Exposição do Limão, o Dia do Emigrante e a Semana Cultural. A Ilha é uma localidade com excelentes indicadores de qualidade de vida: É segura, saudável, com serviços adequados à população e com uma enorme riqueza natural.
Hoje, a ilha tem acessibilidades que competem com outras localidades desenvolvidas da Europa, tem trilhos e veredas únicos e uma beleza inigualável. Hoje, fruto do trabalho de valorização das tradições e dos saberes locais a Ilha tem potencial para se distinguir no campo do património imaterial.
Na realidade o que se precisa para inverter a tendência são investimentos, são iniciativas para que o turismo crie valor na economia local, são medidas verdadeiramente diferenciadoras e atrativas para fomentar negócios e a fixação de pessoas.
Agora o raciocínio que desfio é o seguinte: se já é tão difícil projetar a localidade, torná- la dinâmica e atrativa, se porventura um investidor ou um turista chegasse agora à Madeira e tomasse conta do que por vezes se retrata, será que considerava a hipótese de investir e apostar na Ilha?
Afinal o que estamos a fazer? O que estamos a contribuir? Que valor acrescentado trazem as opiniões que só fazem ruído? Que oportunidades estamos a despoletar?
O desafio passa por apontar modelos de investimento, protótipos de unidades de turismo rural, uma visão de desenvolvimento integral de todas as faixas etárias da população.
O desafio fica lançado. Apresentem-se propostas de modelos de desenvolvimento sustentável e transversal de localidades com este potencial como é o da Ilha. Nada está por inventar, todos podemos ter a responsabilidade de criar oportunidades, uns mais do que outros, para que aquela pequena freguesia de Santana, tal como muitas outras da nossa Madeira, possa crescer e tornar-se competitiva.
Todos podemos fazer bem melhor, pelo mundo rural, pela Ilha e pelas nossas localidades, isto se estivermos dispostos a somar e não a subtrair. Se gostamos da nossa terra não tornemos a missão mais difícil, já que por si só é desafiante.
De verdade, tomara que todas as localidades tivessem a mesma dinâmica, condições e oportunidades que a Freguesia da Ilha tem.
#ilha #madeira #diariodasfreguesias #mundorural #portugalrural #santana
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sexta-feira, janeiro 18, 2019
sexta-feira, julho 10, 2015
POR SANTANA DENTRO:Discussão do Plano Diretor Municipal
Recentemente, tive a oportunidade de participar na discussão pública do Plano Diretor Municipal de Santana, no qual constatei as alterações e os avanços na gestão territorial do Concelho.Da discussão, e também da análise que fiz ao documento, traço algumas considerações, designadamente:
1) As alterações na gestão do solo, em geral, correspondem aos anseios da população, sobretudo no que se refere às áreas consideradas agrícolas que, a partir de então, serão permitidas construções.
2) Não podemos
contudo incorrer na ilusão de que a partir de agora será possível construir em qualquer
terreno considerado zona agrícola, até porque há algumas condicionantes para a sua permissão, nomeadamente o acesso de
estrada, água potável e eletricidade.
3) Analiso com
alguma relutância o fato de existirem situações que podem condicionar as
permissões de construção, em particular, e sobretudo, em áreas onde existem aglomerados populacionais que foram autorizados
no passado.
4) O maior
importante é que o plano trace e preveja a evolução dos próximos anos,
nomeadamente considerando, em primeiro lugar, as condicionantes sociais da
população e, depois, as perspectivas
económicas e ambientais.
5) As questões sociais são sempre as mais
delicadas e que geram inconformismo nos cidadãos. As pessoas do Concelho são
proprietárias de terrenos em determinadas zonas que não são autorizadas a construção
e não têm alternativas. Das duas uma, ou é permitida a construção ou não têm
capacidade de adquirir terreno para construir noutro sítio.
6) O domínio
sobre as nossas propriedades e terrenos são alicerce para o conforto e
realização das pessoas, o que não devem é intervenções
descontextualizadas que prejudiquem o futuro.
7) As características ambientais e paisagísticas
do Concelho devem ser sempre salvaguardadas e preservadas, porque estão
nelas um rico património por delapidar e potenciar de progresso e desenvolvimento
para o Concelho e para os seus residentes.
Aproveito
para relevar a iniciativa da Câmara Municipal em realizar estas ações de
discussão nas diversas freguesias mas também a abertura em receber e aprovar as
reclamações dos munícipes. Nota que as reclamações ao plano terminam no próximo
dia 21 de julho. Até lá aconselha-se a consulta e análise do documento e das
suas alterações. http://www.cm-santana.com/pt/areas-de-atuacao/gestao-e-planeamento-urbanistico/pdm
Face a uma matéria tão complexa e geradora de tantos pontos de vista distintos, o mais importante é que impere o bom senso e a razoabilidade, a bem do Concelho, da sua população e do futuro.
terça-feira, julho 07, 2015
POR SANTANA DENTRO: Um Projeto que faz a diferença
Valerá a pena acompanhar que resultados terá este projeto da Casa do Povo da Ilha, que vinca claramente as funções tradicionais e genuinas de um povo dando uma roupagem turística. Sem artificialismos, este produto/roteiro pretende diversificar a oferta turística alicerçada nas tradições locais.
Apesar de ser suspeito de falar do projeto, tenho acompanhado diversos debates/conferências que assumem que a opção por experienciar e vivenciar as tradições dos povos e das terras são um caminho muito interessante e que deve ser potenciado, como grande motor do turismo dos novos dias.
Deixo aqui a informação para ajudar a dar a conhecer e divulgar:
Informação da Casa do Povo:
"Apresentamos o novo produto/roteiro turístico, diferenciado e genuíno, designado "O Nosso Povo, a Nossa Marca", que pretende proporcionar, a turistas e visitantes, o contato direto com experiências e vivências tradicionais das nossas gentes e da nossa terra.
“O Nosso Povo a nossa Marca” é uma experiência única e genuína na Freguesia da Ilha, concelho de Santana. Um roteiro turístico que dá a oportunidade aos seus visitantes, de interagir com os costumes mais ancestrais da localidade. Neste programa de um dia pode usufruir de diversas experiências, desde provar e fazer a poncha típica, ajudar a confecionar e provar o pão caseiro, dançar folclore madeirense, participar em atividades agrícolas, provar o chá de ervas e degustar a gastronomia e doçaria local. Para além de todas estas experiências, poderá conhecer o que se faz em termos de artesanato e usufruir das belas paisagens, num percurso a pé."
terça-feira, março 10, 2015
quarta-feira, fevereiro 25, 2015
POR SANTANA DENTRO: Maravilhas naturais por lapidar
Santana é um concelho rico, não só na maneira de ser e de receber do seu povo, mas também pelo imenso património natural que o envolve e que faz de si uma marca para a Madeira.
Tem,sem dúvida, potencialidades únicas, que podem e devem ser exploradas. A beleza natural, as atividades turísticas tradicionais e a simbiose natureza/novas atividades turísticas são apenas três das muitas referências para os empreendedores que carecem de uma outra dinâmica.
Com avanços e recuos, com maior ou menos sensibilidade, o tempo passa, perdem-se espaço e oportunidades e fica-se confinados à condição de ser um ponto de passagem. Ouso dizer que o Concelho de Santana tem ouro por lapidar.
Tem,sem dúvida, potencialidades únicas, que podem e devem ser exploradas. A beleza natural, as atividades turísticas tradicionais e a simbiose natureza/novas atividades turísticas são apenas três das muitas referências para os empreendedores que carecem de uma outra dinâmica.
Com avanços e recuos, com maior ou menos sensibilidade, o tempo passa, perdem-se espaço e oportunidades e fica-se confinados à condição de ser um ponto de passagem. Ouso dizer que o Concelho de Santana tem ouro por lapidar.
Algumas delicias naturais, obrigatório visitar e conhecer:
Miradouro dos Balcões - São Roque do Faial
Fortim - Faial
Reserva Natural da Rocha do Navio - Santana
Achada do Marques - Ilha
Ribeiro Bonito - São Jorge
Arco de São Jorge
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