quinta-feira, agosto 16, 2012

A Não Política

A política na Madeira gira muito à volta de “não assuntos” chegando-se ao ponto de relegar para segundo plano o que verdadeiramente é importante para a população. A negação pela política acontece quando a sua essência e objeto, que deveria defender o bem comum, substitui-se por uma nova moda – A política de raiva e da subversão. 
As atitudes radicais e a tentativa de impedimento do normal funcionamento dos órgãos democráticos passaram a ser um registo partidário e político regional. Nos últimos anos, a Não Política passou a ganhar terreno, a galgar protagonismo e a encaixar votos, isto porque a comunicação social serviu e continua a servir, através dos espaços que lhes são destinados, para alimentar esse tipo de posturas e atitudes. Também é bom lembrar que apesar do protagonismo desses grupos ou partidos não lhes é reconhecido qualquer mérito, uma vez que se desconhecem os projetos e as estratégias de futuro para a Região Autónoma da Madeira. 
São de diversas formas que se reverte a ação política na Madeira:
- A Não Política existe quando se troca o essencial pelo assessório, em que a mesquinhez, a intriga e a insinuação prevalecem sobre a verdade, as propostas e as alternativas políticas;
- A negação pela política evidencia-se quando se desconhecem situações e dossiers e mesmo assim não é motivo para que se recue nas posições descabidas e desajustadas que se tomam;
- O exemplo da Não política é o que se tem vindo a assistir nos órgãos da democracia e da autonomia na Madeira, nos quais, certa oposição, através do recurso à palhaçada, subverte os seus fins e gera ceticismo na população; 
- Deparamo-nos com a Não Política quando, a troco de uns segundos nos espaços noticiosos e de uns quantos carateres nos jornais, certos agentes correm atrás das desgraças das pessoas para induzir raiva sobre, o que na sua opinião são, os responsáveis de sempre por todas as situações - o Governo Regional da Madeira;
- Reina a Não Política quando se discursa mais do que se pratica, e quando se apontam defeitos, imperfeições, vícios mas que na prática e na ação direta desses agentes e dos seus partidos políticos os princípios éticos e morais são completamente esquecidos;
- A Não Política existe quando se diz representar as pessoas ao ritmo do populismo e do sensacionalismo, sem posições coerentes, servindo-se apenas das circunstâncias e dos momentos;
- Prevalece a Não Política quando descaradamente se atacam pessoas e instituições usando métodos menos próprios, muitos até sob o anonimato, esquivando-se à frontalidade e à apresentação de argumentos e de factos. 
A Não Política é uma realidade na Madeira utilizada de diferentes maneiras, declarada ou camuflada. Cabe às pessoas identificaram o que os move, que intuito político e de cidadania os motiva e de que forma se cruzam todos esses agentes, porque uma coisa é certa, evidente ou não, da esquerda à direita, o objetivo parece ser o mesmo, destruir sem precedentes pessoas e instituições. 
Urge o olhar atento do Povo Madeirense perante o rumo que se está destinando sobre a gestão da vida pública e em sociedade. Hoje, mais do que nunca, se espalham guerras e ódios conduzindo as pessoas umas contra as outras, sem dignificar os desígnios mais altos que foram protegidos durante a história da autonomia – a Madeira e os Madeirenses.

http://impresso.jornaldamadeira.pt/opiniao.php?Seccao=12&id=223329&sdata=2012-08-16

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