Na próxima semana, o Governo da República enfrenta uma prova de fogo – a avaliação da troika. Desta feita, antevê-se resultados bem menos positivos em relação àqueles que foram atingidos em outras avaliações.
A nuvem negra que paira sobre esta avaliação é descortinada uns dias antes pelos indicadores da execução orçamental relativos ao mês de julho de 2012, em que as receitas fiscais estão abaixo do previsto, consequência do desemprego e da retração do consumo privado que interfere na evolução dos impostos. Por seu lado, apesar de se registar a redução do lado da despesa, a balança é francamente negativa, correlacionando-se a quebra da receita e a diminuição da despesa.
Perspetivando-se os resultados e as dificuldades de Portugal em atingir as metas que se comprometeu com a troika, com a agravante de termos um Governo da República que não pretende se desviar um milímetro da política financeira a que se sujeitou, só resta um caminho: A adoção de mais medidas de austeridade.
É na possibilidade de serem aplicadas mais medidas de austeridade que se vai aferir o quanto mais os portugueses estão dispostos a suportar. O prenúncio de mais impostos e mais cortes será catastrófico para o tecido social do país. Os portugueses não aguentam mais sacrifícios, a população não comporta diminuir ainda mais o nível de vida e até é previsível que a serenidade na aceitação das medidas que tivemos até agora em Portugal deixe de existir.
O sufoco social e económico de Portugal pode ser analisado através de dois simples indicadores: Taxa de desemprego e insolvências de empresas. A taxa de desemprego em Portugal, no 2º trimestre de 2011, era de 12,1%, sendo que, no mesmo período de 2012, aumentou para 15%, o equivalente a 827000 desempregados. Por sua vez, segundo os dados de abril de 2012, do Instituto Informador Comercial, desde o início do corrente ano, já faliram 1650 empresas em Portugal, uma média de 17 empresas por dia, mais 45% do que no ano de 2011.
Outros indicadores e exemplos haveriam para retratar o estado do país e as consequências negativas decorrentes da assinatura do memorando com a Troika, ou seja, desde 17 de maio de 2011. Contudo, estamos num tempo que urge uma viragem de políticas e de prioridades económicas e financeiras para Portugal. Esperemos que, desta vez, o Governo da República tenha o bom senso da não aceitação cega do rumo económico e financeiro que o país está a tomar.
A economia portuguesa precisa de dinâmica e de medidas que a façam crescer, sendo que um dos caminhos para atingir a prosperidade económica em Portugal passará pela redução de impostos de modo a fomentar o empreendedorismo e captar investimento para o país. Este é o caminho: Incentivar e dar esperança aos investidores porque as boas condições de investimento trarão resultados positivos ao nível do emprego bem como para o aumento da receita do Estado.
Os portugueses, é certo, não aguentarão com o rumo que se perspetiva, mas pior que aguentar é viverem sobre o fantasma da crise há mais de 10 anos em que recorrentemente pedem-se sacrifícios e os resultados não aparecem. Algo vai mal neste país, algo vai mal na estratégia seguida, mas se está mal porque se insiste em opções falhadas e sacrifícios incomportáveis para os cidadãos?
Uma nota para as reações dos partidos políticos portugueses à execução orçamental, em especial à posição do Partido Socialista, partido que fez mergulhar o país para este beco sem saída, sem resultados nem obra, e que negociou este plano com a Troika e que concordou com as medidas que são escrupulosamente seguidas pelo atual Governo da República. Haja coerência! Os partidos não podem ser meros observadores da desgraça do País, uns fingindo que nada têm a ver com o assunto, outros fingindo que se importam com o que se passa.
http://impresso.jornaldamadeira.pt/opiniao.php?Seccao=12&id=224092&sdata=2012-08-26