domingo, março 04, 2012
Extravagâncias Verbais
PUBLICADO NA EDIÇÃO IMPRESSA | DOMINGO, 4 DE MARÇO DE 2012 | POR
O momento particular que se vive no País e na Região é incomportável para com as extravagâncias verbais de certos partidos políticos que se contradizem nas posições que assumem na República e na Madeira.
O desígnio nacional, por via dos compromissos assumidos com as instâncias internacionais, comprometem os maiores partidos políticos portugueses, pelo que todas as tentativas de distanciamento para com esse comprometimento têm refletido cobardia descarada.
O CDS/PP Madeira é, pelos piores motivos, o principal abusador da extravagância verbal que, teimosamente, tende a branquear as responsabilidades na linha estratégica seguida pelo Governo da República, do qual o seu partido a nível nacional faz parte, como também no que diz respeito às medidas impostas à Madeira.
Se, por um lado, vivendo numa sociedade democrática, temos de respeitar as estratégias e prioridades políticas do CDS/PP, por outro, não é admissível observar em silêncio a ação política oportunista e incoerente, porque temos de admitir que não é consequente defender as opções políticas da República de segunda a sexta, e ao fim de semana, na Madeira, estar a assumir um papel contraditório em relação a essas mesmas medidas.
A posição dos centristas da Madeira relativamente ao plano de ajustamento financeiro à Região é o exemplo mais escandaloso. Não é comportável que no plano nacional defenda as medidas adotadas, considerando-as ajustadas e, por seu turno, na Região Autónoma da Madeira discorde e repudie a aceitação das mesmas, com a agravante de revindicar mais obras, mais meios e mais subsídios.
É de uma incomensurável desonestidade pedir mais e afirmar-se opositor, em especial vindo de um partido que bem conhece o estado do país e da Região. Mas é importante registar que o CDS/PP Madeira tem hoje as mesmas responsabilidades que o PSD no que diz respeito à linha estratégica e às opções políticas, financeiras e sociais em Portugal.
No mesmo âmbito, o Partido Socialista é outro caso de descaramento pelas atitudes e posições que têm tomado no plano nacional e regional. No momento que se vive, ninguém tem dúvidas que o PS é hoje o principal responsável pelo estado a que chegou o País, por via da falta de habilidade na gestão do País pelo seu Governo da República e que, nas questões referentes à Madeira, nada mais fez do que estrangular e aplicar represálias políticas.
O discurso do partido socialista nacional é hoje de um contrassenso desmedido porque efetivamente foram eles que colocaram Portugal na atual situação financeira sem que isso se tenha repercutido no desenvolvimento e modernização do País. Como é que se admite que o PS hoje defenda uma outra alternativa ao plano assinado com a Troika quando foram eles que o negociaram e que fugiram do poder e das responsabilidades por não se sentirem capazes de o cumprir.
É de um desplante enorme não ser solidário para com as medidas e as consequências de um plano financeiro solicitado e assinado, mesmo que tardiamente, pelos socialistas, então Governo da República.
Por seu turno, o PS local, para além de ficar na história negra da Região por, em momento algum, ter defendido a Madeira e a sua população, em especial nos períodos em que foi Governo Nacional, continua a esgrimir factos políticos e a disseminar a desconfiança e o medo nos madeirenses relativamente à situação que se vive.
O Partido Socialista pode fazer o que fizer, pode desenvolver as ações que entender, mas de uma coisa temos a certeza é que não conseguirá branquear os milhões que retirou à Madeira e a responsabilidade de tal discriminação em relação a outros territórios nacionais, arrastando a Região a esta situação de estrangulamento.
O CDS e o PS estão em sintonia com o objetivo de fragilizar a Região, através da distorção da realidade, de modo a alcançar os objetivos políticos que, por mérito, jamais alcançariam.
Por sua vez, pior do que o desmarque de alguns partidos políticos das responsabilidades que lhes assistem da presente situação, são os seus contributos para campanhas externas, quer no território nacional, quer no espaço europeu e mundial, que prejudicam gravemente a imagem e a credibilidade de um território como a Madeira. Ao envolvimento externo para destruir a imagem da Madeira junta-se a vontade de outros que, na parcela continental, estão sempre prontos para abater a estabilidade política e social da Região, os quais podem trazer consequências muito negativas para o futuro.
Este enredo encontra sintonia nos polos distintos de ação política na Madeira no pós-autonomia. Enquanto um único partido, com sentido de visão autonómica e matriz personalista, acrescentava, reivindicava e lutava por uma Região mais próspera, outros almejavam que todo esse esforço fosse infrutífero e que, por sua vez, perdesse autonomia.
Apesar de reconhecerem os benefícios do desenvolvimento alcançado, as atitudes são díspares para enfrentar este período de profunda crise financeira que, igualmente, atinge outras regiões e países no mundo. Enquanto uns ficam a lamentar e a esgrimir argumentos que possam beneficiar a lógica partidária, outros continuam insistentemente a encontrar soluções para esses problemas. A seu tempo, o povo madeirense, como sempre sabiamente tem feito, dará a sua recompensa ou o justo julgamento a cada atitude e posicionamento.
http://pintadoascores.blogspot.com
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