sábado, fevereiro 04, 2012

Incongruências

A postura e a conduta do maior partido político da oposição madeirense, são circunscritas ao eleitoralismo. Um partido com duas faces, uma na República e outra na Madeira. Se por um lado na República compreendem que estamos no tempo de contingências específicas ao nível financeiro, por outro, na Região Autónoma, apesar de atacarem o Governo Regional por ter investido na infra estruturação da Madeira, continuam a reivindicar mais obras, mais despesa pública e envolvam-se em contradições, sendo curioso analisar alguns exemplos:

O primeiro exemplo diz respeito à construção de um novo hospital, que foi a principal proposta do CDS/PP nas eleições legislativas regionais de 2011, mesmo sabendo que esta obra era utópica, atendendo aos constrangimentos e à falta de capacidade financeira para uma obra dessa envergadura. Para além desta proposta, ainda na área da saúde, e no que diz respeito às medidas, necessárias e inevitáveis, adotadas recentemente, a demagogia tem sido a principal arma dos centristas. 
A construção do Porto de Pesca em Câmara de Lobos suscitada pelo CDS, aquando do debate do Programa do Governo Regional, é outro exemplo. Esta obra, conforme foi explicado na altura, estava adiada por via das limitações financeiras. Fazendo ouvidos de mercador, o CDS voltou a apontar o dedo ao Governo Regional e a acusar de ter abortado a edificação, o que significa que quer ver a todo o custo, e no imediato, a obra concluída. 
Muitos outros exemplos haveria para dar, mas estas duas situações referenciadas espelham o oportunismo ao serviço da política. Não é concebível que, um partido, que é cúmplice no desenho de um plano de reajustamento financeiro em que prevê a limitação e contenção do investimento público, esteja a defender, sistematicamente, mais investimento público na Região.
É fácil apontar e criticar as opções tomadas, difícil é somar, acrescentar e apresentar vias alternativas de concretização dessas ideias, sem que, para isso, se tenha de sobrecarregar mais o erário público. 
Nunca é demais relembrar que a ética na política passa também por falar a verdade e não criar falsas expetativas. Os objetivos eleitorais não podem ser motivo para que, a todo o momento, desprovidos de responsabilidade, os centristas madeirenses se estejam a associar a causas e reivindicações que, na prática, são inexequíveis. 
Contudo, é de ressalvar que se o CDS está em condições de garantir financiamento para concretizar as suas propostas e reivindicações, através do seu poder de influência no Governo da República, essas iniciativas serão sempre bem-vindas, caso contrário deixem-se de demagogias.

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