domingo, janeiro 15, 2012

O valor da economia solidária



A economia solidária ganha cada vez mais importância na medida em que acrescenta ao valor social o valor económico satisfazendo necessidades e procurando ter em conta os critérios de boa gestão e de eficiência.
Através da ação da economia solidária têm sido dadas respostas a diversos problemas sociais, com especial enfoque no domínio do desenvolvimento local. O horizonte da intervenção resume-se em objetivos claros no âmbito do combate à pobreza, à exclusão social e ao desemprego, flagelos do mundo global que têm vindo a se agravar nos últimos anos, sem nunca descurar a sustentabilidade económica.
A natureza da economia solidária, pese embora ter no centro da sua ação as pessoas, tem o desafio de incrementar oportunidades de negócio sendo que, neste âmbito, têm-se destacado as atividades tradicionais, os serviços, a defesa da cultura, a preservação do ambiente e o património.
A economia solidária ganhou maior preponderância na Região Autónoma da Madeira a partir de 2004, surgindo diversos projetos no âmbito das empresas de inserção social. Desde essa altura têm sido diversas as instituições regionais que abraçaram estes incentivos e que, com ideias inovadoras e através do desenvolvimento de conceitos tradicionais, transformaram-nos em atividades competitivas e socialmente muito positivas.
As empresas de inserção social desenvolveram-se na Madeira através de uma medida de incentivo ao emprego do Instituto de Emprego da Madeira com vista a criar iniciativas de valor económico e com o objetivo de integrar desempregados de longa duração e pessoas desfavorecidas no mercado de trabalho.
Estes projetos sociais, altamente reconfortantes do ponto de vista social, beneficiaram largas centenas de pessoas que, por via destas experiências, desenvolveram hábitos, rotinas, transformaram as suas vidas e adquiriram aptidões para o exercício de uma profissão.
Do ponto de vista económico, é interessante verificar o empreendedorismo e as ideias que foram postas em prática: Desde a reativação de atividades em vias de extinção até a criação de serviços ou até mesmo na criação de novas necessidades de mercado.
As principais críticas apontadas a estes projetos derivam destes serem desenvolvidos em contexto de organizações sociais e que, de certo modo, podem fazer alguma concorrência desleal a empresas com atividade económica similar. Apesar destas observações, as empresas de inserção social beneficiam pessoas com necessidades sociais específicas e exigem um esforço redobrado àquele que é habitualmente exigido no sector empresarial convencional. Importa reforçar que estas instituições e estes projetos, mesmo à luz da economia solidária, têm as mesmas obrigações em termos de contribuições ao Estado.
Outra das distinções entre a economia de mercado e a economia solidária reside nos recursos humanos. No âmbito da economia solidária e, de acordo com os seus públicos-alvo, torna-se necessário desenvolverem-se ações de formação pessoal, familiar e técnica. De igual modo, exige-se um acompanhamento técnico e rigoroso na execução das suas funções.
Vivemos num tempo particularmente difícil em que as fricções e as disparidades sociais evidenciam-se, daí que é altura de intensificar a aposta na economia solidária e no seu valor.
Nos dias de hoje há margem para explorar novas atividades e são cada vez mais os destinatários que querem e merecem uma nova oportunidade. Ajudando a percorrer o caminho é, sem dúvida, a forma mais correta de ultrapassar as dificuldades, através da pedagogia no desenvolvimento de competências pessoais e profissionais.
Do ponto de vista do consumidor e do adquirente de serviços provenientes de economia solidária pede-se um olhar especial e atento porque, ao optarmos por estes projetos estamos a contribuir e a beneficiar as pessoas, a premiar o esforço na procura de critérios de boa gestão e de eficiência e a gerar mais-valias sociais.
Desafia-se a contributos altruístas mas sustentáveis que acrescentem valor à economia, que potenciem os produtos e serviços regionais. É tempo de sermos solidários e de empreender socialmente de uma forma responsável e financeiramente sustentável.

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