segunda-feira, janeiro 02, 2012

Contradições Imprudentes


PUBLICADO NA EDIÇÃO IMPRESSA Jornal da Madeira |  |


A Madeira tornou-se um alvo de opiniões e despoletou o interesse de comentadores e especialistas nas mais diversas áreas de especialidade e de intervenção. São centenas de individualidades solicitadas para participar em programas de opinião, ilustres conhecidos, anónimos e ainda jornalistas que extravasam o seu dever de informar e transformam-se em comentadores facciosos, muitos deles opinando sobre todas as matérias e domínios.
Em assuntos conexos com a Região desdobram-se em contradições e revelam impreparação e desconhecimento da generalidade destes “profissionais” da opinião. Recentemente, no âmbito das eleições legislativas regionais, os comentadores estiveram activíssimos em tirar as ilações dos conteúdos que foram vindo a público, criaram artefactos, condicionaram opiniões e contribuíram, também, para um clima de crispação junto dos portugueses da parcela continental, em relação à Madeira. Desta feita, a campanha negativa contra a Madeira, em ambiente eleitoral, foi tão agressiva que reverteu o efeito positivo que havia sido criado, de solidariedade e cooperação nacional, em torno dos acontecimentos dos temporais de 20 de Fevereiro de 2010.
Os assuntos referentes à divida da Madeira, criados e explorados ao milímetro, por diversos quadrantes e individualidades com responsabilidades no País, revelaram-se um trunfo, que aos seus olhos, poderiam resultar numa derrota do rosto e obreiro da Autonomia da Madeira. Por via de muitos comentadores extremaram-se posições e passaram a mensagem que, deste lado do Atlântico, estavam os prevaricadores, os subsídio-dependentes e que teria de ser activada a vingança. Este clima de mau estar, causado por muitos dos comentadores, instalou-se e crispou-se ainda mais após as eleições.
Como na política em Portugal é sempre mais importante agradar aos fazedores de opinião e à ideia dominante dos media, são cada vez mais os políticos que cedem a esta fraqueza, mesmo que, com essa conduta, cometam injustiças e abdiquem das suas convicções.
Situação caricata é, a actualmente vivida, perante o anúncio das medidas de assistência financeira da Região. Os comentadores que contribuíram decisivamente para uma campanha dura, injusta e altamente penalizadora para a Região, vêm defender o povo da Madeira e, com um tom de penosidade, alertar para as sacrificantes medidas quando foram eles próprios, como grupo de pressão, que exerceram influência nos decisores, para que, habilmente, fosse colocada de parte qualquer solidariedade e que se ignorassem as obrigações do Estado português às suas parcelas Autónomas.
São estes os comentadores que temos, não são verdadeiros nem imparciais e estão condicionados política e ideologicamente para poderem fazer o trabalho com credibilidade, autenticidade e imparcialidade. No que diz respeito à Região Autónoma da Madeira evidenciam raiva, frustração e até mesmo revolta de, apesar dos seus esforços, não condicionarem a opinião, o saber escolher e a liberdade do seu povo.

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http://impresso.jornaldamadeira.pt/opiniao.php?Seccao=12&id=204431&sdata=2012-01-02

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