
Portugal viveu nos últimos meses um verdadeiro episódio presidencial que invadiu a casa dos portugueses através dos meios de comunicação social. As eleições presidenciais foram as mais mediáticas de sempre em Portugal, no qual foi até sufocante com o bombardeamento de tempos de antenas, os depoimentos, os anúncios de candidaturas, os insultos e ataques.
Umas Presidenciais concorridas que se perfilaram 6 candidatos, nomeadamente, Mário Soares, Francisco Louça, Jerónimo de Sousa, Cavaco Silva, Manuel Alegre e Garcia Pereira. É de reforçar que todos os candidatos foram submetidos ao sufrágio directo e universal dos portugueses.
Desde muito cedo e mesmo antes de ter anunciado a sua candidatura, Cavaco Silva partia logo em vantagem nas sondagens de opinião sobre os possíveis candidatos a Belém. Esta tendência da escolha dos portugueses veio a confirmar-se no passado dia 22 de Janeiro de 2006, Cavaco Silva é eleito por 50.6% dos eleitores. Uma vitoria por um fio? Dizem alguns. Mas se analisarmos bem noutras eleições presidenciais a esquerda nunca teve tão dividida, se calhar é sinal que apesar da segmentação e na existência de 6 candidatos esta foi uma excelente vitória e grande “abanão” na esquerda portuguesa.Cavaco Silva e Manuel Alegre foram os únicos que perfilaram-se para esta eleição como candidatos suprapartidários, contudo Cavaco Silva necessitou do apoio do PSD e do CDS/PP para ganhar estas eleições, e por outro lado Manuel Alegre beneficiou da péssima escolha e do apoio do Partido Socialista a Mário Soares. Na verdade estes mesmos candidatos tiveram as melhores votações, Cavaco Silva vencedor e Manuel Alegre a segunda melhor votação. Será que este é um sinal que os partidos políticos estão em descrédito?
Por outro lado gostava de fazer a ressalva ao papel da comunicação social nestas eleições, pois quem quer ver as coisas com olhos de ver sabe perfeitamente que a comunicação social é fundamental é um poder escondido que tendencia os eleitores. Manuel Alegre foi sem dúvida o mais beneficiado, a comunicação social passou a imagem do poeta, do homem da comunicação, do entendimento, do homem que foi posto de parte pelo seu partido. Por seu lado Mário Soares foi a vítima visto que, a comunicação social deixou trespassar a imagem negativa de um homem com 82 anos que tinha pouco a dar ao país e que atacava constantemente Cavaco Silva. Cavaco Silva foi também um amado da comunicação social, mas na verdade fez por isso, nunca reagiu às críticas de que foi alvo por parte de todos os outros candidatos, mantendo uma postura séria e passando a mensagem que o seu objectivo era ajudar Portugal.
Os portugueses escolheram Cavaco Silva, o Presidente da República, o Presidente de todos os portugueses e que no discurso de vitória apela à dissolução da maioria e a unidade do país em torno das ideias defendidas pelo Presidente então eleito. O primeiro presidente da direita desde o 25 de Abril. Será que esta vitória foi um cartão amarelo ao Governo Socialista? Será que os portugueses não querem de algum modo que Portugal tenha um Presidente da República e o Governo da mesma linha política?Eis a escolha de umas presidenciais que muito teve de contar, em que fez correr muita tinta e que ocupou muitas horas de televisão. Para muitos felizmente já acabou…
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