quarta-feira, abril 27, 2011

O Coveiro Sócrates

O Coveiro Sócrates!

Portugal bateu no fundo. O descalabro das contas públicas e a desconfiança política em José Sócrates tornaram o País pouco desafiante e atractivo.

O discurso de vitimização de Sócrates destoa com a situação que conduziu o Estado. Em 6 anos de governação, Sócrates fez o que supostamente se julgava impossível:duplicou o desemprego e o nível de endividamento externo do País. Porém, apesar da situação que originou, tem o desplante de pedir novamente o voto aos portugueses.

A máquina de propaganda socialista, com a sua habilidosa estratégia de enganar o Povo, subverte as condições políticas que teve para governar o País. Como se os avanços, recuos e as imprecisões das contas públicas não bastassem, têm o atrevimento de culpar a oposição pelo fosso em que Portugal chegou. Afinal quem Governou o País nos últimos 6 anos?

Os sucessivos PEC`s e a falta de resultados reais são suficientes para evidenciar a incapacidade de Sócrates e do PS para governar. Por seu turno, e ao invés do que o demissionário primeiro-ministro quer justificar, a descrença dos mercados internacionais e as avaliações das agências de rating não aconteceram apenas desde a crise política, mas há bem mais tempo. Estamos perante o coveiro do País, o coveiro da verdade e o coveiro da confiança dos mercados nacionais e internacionais – José Sócrates.

Nós por cá, na Madeira, temos vindo a alertar para o rumo que o País trilhava, e ao invés da tendência nacional, houve resultados e desenvolvimento.

Apesar do impasse, a palavra, democraticamente, pertence aos portugueses, porque como dizia Sá Carneiro, “Portugal não é isto nem tem de ser isto”.

Há que acreditar que os portugueses irão fazer valer o seu voto e torná-lo útil, dando-o, já no dia 5 Junho, a quem tenha sentido de Estado, ofereça esperança e que tenhacapital político para resgatar o futuro de Portugal. O País não pode se deixar enganar novamente.

terça-feira, fevereiro 15, 2011

Caça Plataformas Políticas, Artigo Opinião DN Madeira

António Trindade, Licenciado em Ciência Política

Os resultados presidenciais suscitaram cogitações na oposição regional que se resumem em três ideias fundamentais.

A primeira, foi a inviabilização da plataforma democrática do PS/M, acordo esse também responsável pelo desastroso resultado do candidato "oficial" do PS/M nas presidenciais;

A segunda ideia, diz respeito ao clima de tensão gerado para o acordo político e a forma que poderá adoptar.

Será "Plataforma Democrática"? "Juntos pela Madeira"? Que partidos a integrarão?

As posições políticas têm sido extremadas, dignas de registo:
- O PS acusou o PND de usar Coelho para ajustar contas com toda a oposição regional.
- Coelho afirmou que os partidos da oposição regional estão todos metidos nas suas capelinhas;
- O BE está empenhado para todas as convergências, mas remete a decisão, de as integrar, aos militantes.
- Murmura-se mau estar no PND.

Apesar dos esforços, o acordo político resiste em sortir efeitos, e mesmo que se concretize, só poderá acontecer em clima de "paz podre" ou de pleno oportunismo eleitoralista;

Por fim, o terceiro considerando dirá respeito à sobrevivência desses partidos no espectro político regional.

Uma análise partidária dos resultados presidenciais colocaria os partidos em aflição com uma diminuta expressão eleitoral.

A oposição regional está hesitante entre o risco e a desresponsabilização directa perante, um hipotético, mau resultado eleitoral.

Posto isto, aos madeirenses cabe decidir. Para além das motivações partidárias e de grupos, está em causa o futuro da Madeira.

sábado, janeiro 15, 2011

Madeira: as decisões no tempo certo! -artigo de opinião DN M

Madeira: As decisões no tempo certo!

António Ascensão da Trindade, Dirigente da JSD-Madeira
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A actual conjuntura nacional evidencia um fosso entre o território Continental e a Região Autónoma da Madeira, muito por via das estratégias distintas que conduziram a resultados antagónicos.

Enquanto o território continental estagnou, a Madeira desenvolveu-se.
Enquanto a população do Continente perdia qualidade de vida, na Madeira eram criados mais apoios e serviços à população.
Nesta parcela do território conseguiu-se uma obra notável que, a não ser realizada na altura devida, não seria possível concretizar.
Por via da inoperante gestão nacional, Portugal está em apuros, com uma dívida pública elevada e com resultados aquém dos meios e oportunidades que teve ao seu dispor.

Por seu lado, nos últimos 30 anos, a Região Autónoma da Madeira, conseguiu, heroicamente, garantir um desenvolvimento sustentado. Passou de um contexto social, económico e cultural "terceiro-mundista", para uma das Regiões mais desenvolvidas da Europa. A título de exemplo, e segundo dados do INE, a Madeira, em 2009, supriu a média europeia do Produto Interno Bruto com 110%, enquanto o PIB Nacional foi de 80% da média da União Europeia.
Não há dúvidas quanto à eficácia das políticas promovidas na Madeira. Apesar da oposição política Regional ter sido um bloqueio ao desenvolvimento, o Povo soube sempre escolher o melhor para os seus destinos.
Estas vitórias têm ainda maior relevância, se tivermos em conta a falta de solidariedade da maioria dos Governos da República, que constituíram um entrave ao crescimento da Região.

Hoje, mais do que nunca, está na ordem do dia a luta e a resistência pelos direitos dos Madeirenses.
Os tempos actuais exigem novas estratégias de desenvolvimento Regional assentes na criação de mecanismos de decisão própria e com enfoque em áreas estratégicas como o turismo, o ambiente e a educação. Essas estratégias devem olhar atenta e responsavelmente às mudanças que ocorrem no mundo, direccionando a acção para o conhecimento e para o exterior, despertando o interesse de investidores e de visitantes internacionais.
Potenciar as particularidades é uma forma de diferenciar e de criar novas oportunidades.
A seu tempo, a sua estratégia!
Uma vez mais, estaremos à altura!

quinta-feira, janeiro 13, 2011

JARDIM MANDA PUBLICAR LISTA CANDIDATA À COMISSÃO POLÍTICA DO PSD-MADEIRA


Redação / MM
Alberto João Jardim
O presidente do PSD-Madeira, Alberto João Jardim, que está internado no hospital do Funchal, mandou publicar a lista candidata à comissão política, que pretende apresentar na sua recandidatura à liderança do partido. 

Jardim está na Unidade de Cuidados Intensivos Coronários do hospital dr. Nélio Mendonça desde o passado sábado, tendo sido acometido de um enfarte miocárdio agudo, e, segundo a equipa médica, deverá ter alta até o final da semana porque a sua situação «evoluiu favoravelmente». 

No documento divulgado no Funchal, o PSD-M diz que «apesar do seu internamento hospitalar, Alberto João Jardim concluiu a proposta da lista da comissão política regional da Madeira do PSD que irá ser submetida ao sufrágio dos militantes, em cada sede de freguesia a 25 de Fevereiro». Acrescenta que «neste trabalho Jardim foi ajudado por Miguel Mendonça, seu substituto nos casos de impedimento». 

Adianta que «a lista irá agora recolher a aceitação formalizada dos candidatos, bem como o mínimo de proponentes exigidos pelos estatutos, de forma a ser entregue logo que possível, bem antes do prazo limite, 04 de Fevereiro». Refere também que «Jardim estava a escrever uma moção política quando teve de ser internado, pelo que logo que possível retomará a feitura do documento». 

Quanto aos nomes incluídos na lista à comissão política, com algumas caras novas, destaque para a reentrada em sétimo lugar do ex-eurodeputado Sérgio Marques, com quem Jardim teve um diferendo quando este rejeitou o lugar nas últimas Europeias, o que obrigou o líder madeirense a ter indicar outro social-democrata para substituí-lo, no caso Nuno Teixeira que está presentemente no Parlamento Europeu. 

Jardim mantém Miguel Mendonça, Guilherme Silva, Miguel Sousa, Filipe Malheiro e Paulo Fontes no topo desta lista, onde não figuram os nomes de Miguel Albuquerque e João Cunha e Silva, apontados como os «delfins». 

Dos secretários regionais, apenas Manuel António Correia, que tutela no actual Governo Regional a pasta do Ambiente e Recursos Naturais, se mantém, tendo sido excluídos Ventura Garcês (Plano e Finanças), Francisco Jardim Ramos (Assuntos Sociais) e Santos Costa (Equipamento Social). Saem também João Carlos Abreu, Luís Dantas, Correia de Jesus e Alberto Casimiro. 

O presidente da câmara do Porto Santo, Roberto Silva, o vice-presidente do município do Funchal, Bruno Pereira, o vice-presidente do grupo parlamentar, Jaime Filipe Ramos que se estreia neste órgão do partido, são outros nomes nesta lista de Jardim. 

Carlos Rodrigues, Nuno Bazenga Marques, Pedro Coelho, Francisco Gomes e António Trindade são outros militantes que pela primeira vez integram a lista da comissão política. 

Jaime Ramos continua a ser apontado para o cargo de secretário-geral do partido, tendo como vogais Paulo Pereira, Carlos Machado, Armando Abreu, António Candelária e Elmano Gonçalves, figuras conhecidas do PSD-M. 

O PSD-M realiza o seu XIII Congresso Regional entre os dias 8 e 10 de Abril de 2011.
In Notícia TVI

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Política de verdade

Política de verdade

António Trindade, Lic. em Ciência Política

Artigo de Opinião no Diário Notícias da Madeira - 15.12.2010

A política é a arte mais nobre e a verdade é um dos valores primordiais em que se deve basear a sua acção.

Quando se fala na verdade em política, lembro-me das últimas eleições legislativas nacionais que opuseram o Eng.º José Sócrates à Dr.ª Manuela Ferreira Leite. O primeiro apelava ao coração, e a segunda à verdade. Por força das ideias e das distintas capacidades de persuasão, obtiveram resultados diferentes.

Estiveram frente a frente, os slogans "Avançar Portugal" e a "Política de Verdade".

Em pouco menos de um ano, os portugueses confrontam-se com um País diferente daquele preconizado por Sócrates em campanha eleitoral. Deparam-se com um País bem mais pessimista, como fora prevenido nessa altura por Ferreira Leite.

O Povo, no seu livre juízo, escolheu o melhor para Portugal!

Da eleição resultaram custos para os cidadãos e para os protagonistas políticos.

Nos dias de hoje, muito por via das restrições económico-financeiras sentidas um pouco por todo o mundo, o paradigma das lideranças políticas tende a mudar. Na política não chega aos líderes fazerem promessas, serem bons comunicadores, mediáticos, populares, empolgantes e mobilizadores. Valoriza-se cada vez mais a seriedade, o percurso, a credibilidade, a capacidade de concretizar, a coerência das ideias e a transparência na sua aplicação.

Na política existem discursos e ideias que ficam para sempre marcados, outros lembrados e confrontados a seu tempo. Para bem da democracia é importante uma nova atitude, para que não se esmoreça a esperança daqueles que ainda confiam nos políticos. O momento actual fala por si!

A política deve estar acima do ego e dos "fait-divers", devendo ser, sobretudo, uma ferramenta onde se destacam aqueles que melhor a sabem empregar a favor da sociedade.

http://www.dnoticias.pt/impressa/diario/opiniao/240955-politica-de-verdade

terça-feira, novembro 16, 2010

Salvem a Democracia! | DNOTICIAS.PT


Salvem a Democracia! | DNOTICIAS.PT
Artigo de Opinião no Diário Notícias da Madeira - 15.11.2010

O novo ano que se aproxima será marcado por pelo menos dois actos eleitorais, daí que é importante reflectir sobre o comportamento abstencionista dos cidadãos.
Ao analisarmos os resultados da Região nas eleições, pese embora ser inegável a desactualização dos cadernos eleitorais que apontam para números globais que não correspondem à realidade, nas Presidenciais de 2006 constata-se que 96858 eleitores abstiveram-se, o que correspondente a 41,8% do total dos eleitores e nas eleições legislativas Regionais de 2007 verifica-se que 90909 eleitores ficaram em casa, ou seja 39, 25%.

A demissão da participação activa na vida da democracia é preocupante e tem vindo a crescer, sendo que na prática equivale à delegação das decisões políticas nos cidadãos que votam.

O que se verifica perante a instabilidade política no nosso país é que muitos abstencionistas arrependem-se de não ter exercido o seu direito e de ter contribuído, na devida altura, para dar outro rumo a Portugal.
Os cidadãos, e em especial as camadas jovens, alheados da política optam por não votar, desapontados com políticos que esquecem valores determinantes como a verdade, a credibilidade e a honra dos compromissos.

O fenómeno do abstencionismo é também responsabilidade dos partidos políticos. Há partidos que em contexto eleitoral apelam e motivam para o exercício do voto. Outros desincentivam porque quanto maior a abstenção, maior a percentagem de mandatos conquistados.
Será legítimo aqueles que não participam apontarem o dedo? Não é de ponderar a obrigatoriedade do exercício do voto?
A democracia implica cidadania activa, pois tem como objectivo agregar interesses públicos, de preferência legitimados massivamente pelas populações.
A responsabilidade toca a todos!

sábado, novembro 06, 2010

Frases do Discurso Conselho Regional JSD Madeira - 2010.11.05

‎"Saio feliz e livre, com sentido de missão e de dever cumprido" AT


‎"Hoje é um dia que demonstro aquilo que muitos duvidavam: Carácter, lealdade, príncipios e respeito pelo tempo" AT


"Saio com vontade de ficar, mas lá fora não estarei com a cabeça e as energias aqui, para determinar!" AT


"Não esqueçamos que quando estamos a apontar o dedo a alguém, estão três a apontar para nós!"

‎"Não há determinismos na vida, ninguém traça o futuro de ninguém. Acreditem em vós e nas vossas capacidades" AT

domingo, outubro 31, 2010

Orçamento de Estado, Novela Mediática, o Povo Paga!



O mediatismo do Orçamento de Estado (OE) para 2011 faz-me lembrar uma conferencia proferida pelo jornalista Carlos Fino, na minha faculdade, ainda quando era estudante, que retratava os dias que cobriu a Guerra no Afeganistão. Afinal, o episódio do OE 2011 também é uma guerra, desta feita sem armas, mas que envolveu um grande aparato de informação, que na sua dimensão foi semelhante à Guerra do Afeganistão.

Nessa conferência, Carlos Fino dizia que passaram-se dias e dias em que os jornalistas estavam distantes, ou até impossibilitados de assistir ao desenrolar da Guerra referenciada, mas todos os dias e todas as horas havia notícias e directos. Para quê? Para alimentar atenção das audiências, fazendo-se notícia sem notícia.

O episódio retratado faz lembrar o OE para 2011. Houveram especulações, cenários, negociações, desentendimentos, interrupções e por fim entendimento. PS e PSD andaram atulhados de preocupações, num cenário que já à partida se adivinhava, mesmo sem este aparato e sem todas as conferências de imprensa, que o PSD inevitavelmente teria de viabilizar o OE através da sua abstenção na Assembleia da República.

Fora da mesa das negociações, e através dos media, ficaram os portugueses a assistir à triste sina das contas públicas do nosso País. Afinal, o que verdadeiramente está em causa para os portugueses é uma factura reforçada de impostos e a perda de direitos e de benefícios sociais deste Estado Social.

Como dizia Carlos Fino havia avanços e recuos no Afeganistão sem se saber. Neste OE houve avanços e recuos que tiveram um desfecho que já se sabia, e se fingiu não saber.

O aparato político e mediático fez-se! Agora cabe aos portugueses assumir a factura de desgoverno do País. Como sempre, e como em todos os filmes que têm final feliz, o OE para 2011 acaba na mesa das negociações como um conto de fadas... e foram felizes para sempre. Felizes foram, Todos menos os Contribuintes.

quarta-feira, outubro 27, 2010

Resposta Brilhante a Um anúncio de Emprego!

Este anúncio foi publicado num famoso site de procura e oferta de trabalho nacional.
Um jovem recém-licenciado na área leu-o e achou que devia responder à letra!

A Revista Visão de 16 de Julho publica um artigo sobre o jovem que deu esta resposta!

A XXXXXXXXXX está a aceitar candidaturas para estágio na área de Design
Requisitos Académicos: Finalista ou recém-licenciada(o) em Design
Competências pessoais :
o Poder de comunicação;
o Iniciativa;
o Auto-motivação;
o Orientação para resultados;
o Capacidade de planeamento e organização;
o Criatividade
Competências técnicas :
Conhecimentos nos seguintes programas/linguagens
® Adobe Photoshop,
® InDesign,
® Illustrator (FreeHand e Corel Draw) Flash,
® Dreamweaver,
® Premiere,
® AfterEffects,
® SoundBooth,
® SoundForge,
® AutoCad,
® 3D StudioMax
® HTML (basic),
® ActionScript 2.0 (basic),
® CSS,
® XML.
Remuneração: Estágio Remunerado
Duração: 6 meses, com possibilidade de integração na equipa

Portanto, e resumindo, esta empresa quer um recém licenciado que saiba de origem 13 softwares e 4 linguagens de programação. Isto é o país em que vivemos.
Não me ficando atrás perante esta pérola, decidi responder no mesmo estilo.
Eis o que lhes respondi:

Boa noite,
Estou a entrar em contacto para responder ao anúncio colocado no site Carga de Trabalhos para a posição de estagiário em Design.
Chamo-me André Sousa, tenho 25 anos e sou um recém licenciado em Design de Equipamento (Fac. Belas Artes de Lisboa).
Sou extremamente comunicativo, transbordo iniciativa e auto-motivação, estou constantemente orientado para os objectivos como uma bússola para o Norte (magnético), sou mais planeado e organizado que o Secretário de Estado de Planeamento e Organização e sou um diamante da criatividade como já devem ter percebido e como vão poder comprovar nas próximas linhas.
Quanto aos conhecimentos técnicos:
Sou um mestre em Adobe Photoshop.
Conheço o InDesign por dentro e por fora.
O Illustrator, Freehand, Corel e o Flash são os meus brinquedos do dia a dia, faço o que quiser com eles.
Nem me ponham a falar do Dreamweaver, até de olhos fechados...
Premiere... Até sonho com ele!
AfterEffects tem um lugar especial no meu coração.
Faço umas coisas bem maradas com o SoundBooth e o SoundForge.
Com o Autocad e o 3d Studio Max até vos faço duvidar dos vossos próprios olhos.
Html, Action Script 2.0, CSS e XML são as linguagens do meu mundo.
Mas sejamos francos, qualquer estudante de 1º ano sabe de cor e salteado qualquer um destes 13 softwares e 4 linguagens de programação...
Eu sou um recém finalista. E como tal tenho muito mais para oferecer:
Tenho conhecimentos de Cinema 4D, Maya, Blender, Sketch Up e Paint ao nível de guru.
Tenho conhecimentos mega-avançados de C+, C, C++, C+ ou -, Java, JavaScript, Ruby on Rails, Ruby on Skates, MySQL, YourSQL, Everyone'sSQL, Action Script 3.0, Drama Script 3.0, Comedy Strip 3.0 e Strip Tease 2.5, Ajax, Vanish Oxi Action, Oracle, Sonasol, XHTML, Batman e VisualBasic.
Conheço o Office todo de trás pra frente assim como o Microsoft WC.
Domino o Flex ao nível do Bill Gates e mexo no Final Cut Pro melhor que o Steven Spielberg.
Tenho ainda conhecimentos de grande amplitude em 4 softwares que estão a ser desenvolvidos por grandes marcas e também de 3 outros softwares que ainda não foram inventados.
Falo 17 línguas, 5 das quais já estão mortas e 6 dialectos de povos indígenas por descobrir.
Com estes conhecimentos todos estou super interessado num estágio porque acho que ainda tenho muito para aprender e experiência para ganhar. Espero que ao fim de 6 meses tenha estofo suficiente para poder fazer parte da vossa equipa e quem sabe liderá-la.
Fico ansiosamente à espera de uma resposta vossa.
Embora tenha uma oportunidade de emprego na NASA e outra no CERN espero mesmo poder fazer parte da vossa equipa.

Cumprimentos,
A. S.

PS: Com um anúncio desses, a pedir o que pedem a um recém licenciado, é uma resposta destas que merecem. Peço desculpa se feri susceptibilidades mas não me consegui conter

terça-feira, outubro 26, 2010

Miguel Sousa Tavares - A CRONICA DA REALIDADE

Não é que seja um grande apreciador de Miguel Sousa Tavares, mas esta crónica evidência o País de ostentação que, por um lado imprime obras megalómanas, e por outro um País de Chinelo de Sapato, que quase não tem para sobreviver:

Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:
- É sempre assim, esta auto-estrada?
- Assim, como?
- Deserta, magnífica, sem trânsito?
- É, é sempre assim.
- Todos os dias?
- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.
- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?
- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.
- E têm mais auto-estradas destas?
- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.
- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?
- Porque assim não pagam portagem.
- E porque são quase todos espanhóis?
- Vêm trazer-nos comida.
- Mas vocês não têm agricultura?
- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.
- Mas para os espanhóis é?
- Pelos vistos...
Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:
- Mas porque não investem antes no comboio?
- Investimos, mas não resultou.
- Não resultou, como?
- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.
- Mas porquê?
- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.
- E gastaram nisso uma fortuna?
- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...
- Estás a brincar comigo!
- Não, estou a falar a sério!
- E o que fizeram a esses incompetentes?
- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.
- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?
- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.
Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.
- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?
- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.
- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?
- Isso mesmo.
- E como entra em Lisboa?
- Por uma nova ponte que vão fazer.
- Uma ponte ferroviária?
- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.
- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!
- Pois é.
- E, então?
- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.
Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.
- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...
- Não, não vai ter.
- Não vai? Então, vai ser uma ruína!
- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.
- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?
- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!
- E vocês não despedem o Governo?
- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...
- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?
- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.
- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?
- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.
- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?
- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.
Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:
- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?
- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.
- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?
- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.
- Não me pareceu nada...
- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.
- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?
- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.
- E tu acreditas nisso?
- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?
- Um lago enorme! Extraordinário!
- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.
- Ena! Deve produzir energia para meio país!
- Praticamente zero.
- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!
- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.
- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?
- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.
- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?
- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor.
Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:
- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?
- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez.
Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:
- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!