domingo, outubro 31, 2010

Orçamento de Estado, Novela Mediática, o Povo Paga!



O mediatismo do Orçamento de Estado (OE) para 2011 faz-me lembrar uma conferencia proferida pelo jornalista Carlos Fino, na minha faculdade, ainda quando era estudante, que retratava os dias que cobriu a Guerra no Afeganistão. Afinal, o episódio do OE 2011 também é uma guerra, desta feita sem armas, mas que envolveu um grande aparato de informação, que na sua dimensão foi semelhante à Guerra do Afeganistão.

Nessa conferência, Carlos Fino dizia que passaram-se dias e dias em que os jornalistas estavam distantes, ou até impossibilitados de assistir ao desenrolar da Guerra referenciada, mas todos os dias e todas as horas havia notícias e directos. Para quê? Para alimentar atenção das audiências, fazendo-se notícia sem notícia.

O episódio retratado faz lembrar o OE para 2011. Houveram especulações, cenários, negociações, desentendimentos, interrupções e por fim entendimento. PS e PSD andaram atulhados de preocupações, num cenário que já à partida se adivinhava, mesmo sem este aparato e sem todas as conferências de imprensa, que o PSD inevitavelmente teria de viabilizar o OE através da sua abstenção na Assembleia da República.

Fora da mesa das negociações, e através dos media, ficaram os portugueses a assistir à triste sina das contas públicas do nosso País. Afinal, o que verdadeiramente está em causa para os portugueses é uma factura reforçada de impostos e a perda de direitos e de benefícios sociais deste Estado Social.

Como dizia Carlos Fino havia avanços e recuos no Afeganistão sem se saber. Neste OE houve avanços e recuos que tiveram um desfecho que já se sabia, e se fingiu não saber.

O aparato político e mediático fez-se! Agora cabe aos portugueses assumir a factura de desgoverno do País. Como sempre, e como em todos os filmes que têm final feliz, o OE para 2011 acaba na mesa das negociações como um conto de fadas... e foram felizes para sempre. Felizes foram, Todos menos os Contribuintes.

Sem comentários: