sábado, janeiro 15, 2011

Madeira: as decisões no tempo certo! -artigo de opinião DN M

Madeira: As decisões no tempo certo!

António Ascensão da Trindade, Dirigente da JSD-Madeira
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A actual conjuntura nacional evidencia um fosso entre o território Continental e a Região Autónoma da Madeira, muito por via das estratégias distintas que conduziram a resultados antagónicos.

Enquanto o território continental estagnou, a Madeira desenvolveu-se.
Enquanto a população do Continente perdia qualidade de vida, na Madeira eram criados mais apoios e serviços à população.
Nesta parcela do território conseguiu-se uma obra notável que, a não ser realizada na altura devida, não seria possível concretizar.
Por via da inoperante gestão nacional, Portugal está em apuros, com uma dívida pública elevada e com resultados aquém dos meios e oportunidades que teve ao seu dispor.

Por seu lado, nos últimos 30 anos, a Região Autónoma da Madeira, conseguiu, heroicamente, garantir um desenvolvimento sustentado. Passou de um contexto social, económico e cultural "terceiro-mundista", para uma das Regiões mais desenvolvidas da Europa. A título de exemplo, e segundo dados do INE, a Madeira, em 2009, supriu a média europeia do Produto Interno Bruto com 110%, enquanto o PIB Nacional foi de 80% da média da União Europeia.
Não há dúvidas quanto à eficácia das políticas promovidas na Madeira. Apesar da oposição política Regional ter sido um bloqueio ao desenvolvimento, o Povo soube sempre escolher o melhor para os seus destinos.
Estas vitórias têm ainda maior relevância, se tivermos em conta a falta de solidariedade da maioria dos Governos da República, que constituíram um entrave ao crescimento da Região.

Hoje, mais do que nunca, está na ordem do dia a luta e a resistência pelos direitos dos Madeirenses.
Os tempos actuais exigem novas estratégias de desenvolvimento Regional assentes na criação de mecanismos de decisão própria e com enfoque em áreas estratégicas como o turismo, o ambiente e a educação. Essas estratégias devem olhar atenta e responsavelmente às mudanças que ocorrem no mundo, direccionando a acção para o conhecimento e para o exterior, despertando o interesse de investidores e de visitantes internacionais.
Potenciar as particularidades é uma forma de diferenciar e de criar novas oportunidades.
A seu tempo, a sua estratégia!
Uma vez mais, estaremos à altura!

quinta-feira, janeiro 13, 2011

JARDIM MANDA PUBLICAR LISTA CANDIDATA À COMISSÃO POLÍTICA DO PSD-MADEIRA


Redação / MM
Alberto João Jardim
O presidente do PSD-Madeira, Alberto João Jardim, que está internado no hospital do Funchal, mandou publicar a lista candidata à comissão política, que pretende apresentar na sua recandidatura à liderança do partido. 

Jardim está na Unidade de Cuidados Intensivos Coronários do hospital dr. Nélio Mendonça desde o passado sábado, tendo sido acometido de um enfarte miocárdio agudo, e, segundo a equipa médica, deverá ter alta até o final da semana porque a sua situação «evoluiu favoravelmente». 

No documento divulgado no Funchal, o PSD-M diz que «apesar do seu internamento hospitalar, Alberto João Jardim concluiu a proposta da lista da comissão política regional da Madeira do PSD que irá ser submetida ao sufrágio dos militantes, em cada sede de freguesia a 25 de Fevereiro». Acrescenta que «neste trabalho Jardim foi ajudado por Miguel Mendonça, seu substituto nos casos de impedimento». 

Adianta que «a lista irá agora recolher a aceitação formalizada dos candidatos, bem como o mínimo de proponentes exigidos pelos estatutos, de forma a ser entregue logo que possível, bem antes do prazo limite, 04 de Fevereiro». Refere também que «Jardim estava a escrever uma moção política quando teve de ser internado, pelo que logo que possível retomará a feitura do documento». 

Quanto aos nomes incluídos na lista à comissão política, com algumas caras novas, destaque para a reentrada em sétimo lugar do ex-eurodeputado Sérgio Marques, com quem Jardim teve um diferendo quando este rejeitou o lugar nas últimas Europeias, o que obrigou o líder madeirense a ter indicar outro social-democrata para substituí-lo, no caso Nuno Teixeira que está presentemente no Parlamento Europeu. 

Jardim mantém Miguel Mendonça, Guilherme Silva, Miguel Sousa, Filipe Malheiro e Paulo Fontes no topo desta lista, onde não figuram os nomes de Miguel Albuquerque e João Cunha e Silva, apontados como os «delfins». 

Dos secretários regionais, apenas Manuel António Correia, que tutela no actual Governo Regional a pasta do Ambiente e Recursos Naturais, se mantém, tendo sido excluídos Ventura Garcês (Plano e Finanças), Francisco Jardim Ramos (Assuntos Sociais) e Santos Costa (Equipamento Social). Saem também João Carlos Abreu, Luís Dantas, Correia de Jesus e Alberto Casimiro. 

O presidente da câmara do Porto Santo, Roberto Silva, o vice-presidente do município do Funchal, Bruno Pereira, o vice-presidente do grupo parlamentar, Jaime Filipe Ramos que se estreia neste órgão do partido, são outros nomes nesta lista de Jardim. 

Carlos Rodrigues, Nuno Bazenga Marques, Pedro Coelho, Francisco Gomes e António Trindade são outros militantes que pela primeira vez integram a lista da comissão política. 

Jaime Ramos continua a ser apontado para o cargo de secretário-geral do partido, tendo como vogais Paulo Pereira, Carlos Machado, Armando Abreu, António Candelária e Elmano Gonçalves, figuras conhecidas do PSD-M. 

O PSD-M realiza o seu XIII Congresso Regional entre os dias 8 e 10 de Abril de 2011.
In Notícia TVI

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Política de verdade

Política de verdade

António Trindade, Lic. em Ciência Política

Artigo de Opinião no Diário Notícias da Madeira - 15.12.2010

A política é a arte mais nobre e a verdade é um dos valores primordiais em que se deve basear a sua acção.

Quando se fala na verdade em política, lembro-me das últimas eleições legislativas nacionais que opuseram o Eng.º José Sócrates à Dr.ª Manuela Ferreira Leite. O primeiro apelava ao coração, e a segunda à verdade. Por força das ideias e das distintas capacidades de persuasão, obtiveram resultados diferentes.

Estiveram frente a frente, os slogans "Avançar Portugal" e a "Política de Verdade".

Em pouco menos de um ano, os portugueses confrontam-se com um País diferente daquele preconizado por Sócrates em campanha eleitoral. Deparam-se com um País bem mais pessimista, como fora prevenido nessa altura por Ferreira Leite.

O Povo, no seu livre juízo, escolheu o melhor para Portugal!

Da eleição resultaram custos para os cidadãos e para os protagonistas políticos.

Nos dias de hoje, muito por via das restrições económico-financeiras sentidas um pouco por todo o mundo, o paradigma das lideranças políticas tende a mudar. Na política não chega aos líderes fazerem promessas, serem bons comunicadores, mediáticos, populares, empolgantes e mobilizadores. Valoriza-se cada vez mais a seriedade, o percurso, a credibilidade, a capacidade de concretizar, a coerência das ideias e a transparência na sua aplicação.

Na política existem discursos e ideias que ficam para sempre marcados, outros lembrados e confrontados a seu tempo. Para bem da democracia é importante uma nova atitude, para que não se esmoreça a esperança daqueles que ainda confiam nos políticos. O momento actual fala por si!

A política deve estar acima do ego e dos "fait-divers", devendo ser, sobretudo, uma ferramenta onde se destacam aqueles que melhor a sabem empregar a favor da sociedade.

http://www.dnoticias.pt/impressa/diario/opiniao/240955-politica-de-verdade

terça-feira, novembro 16, 2010

Salvem a Democracia! | DNOTICIAS.PT


Salvem a Democracia! | DNOTICIAS.PT
Artigo de Opinião no Diário Notícias da Madeira - 15.11.2010

O novo ano que se aproxima será marcado por pelo menos dois actos eleitorais, daí que é importante reflectir sobre o comportamento abstencionista dos cidadãos.
Ao analisarmos os resultados da Região nas eleições, pese embora ser inegável a desactualização dos cadernos eleitorais que apontam para números globais que não correspondem à realidade, nas Presidenciais de 2006 constata-se que 96858 eleitores abstiveram-se, o que correspondente a 41,8% do total dos eleitores e nas eleições legislativas Regionais de 2007 verifica-se que 90909 eleitores ficaram em casa, ou seja 39, 25%.

A demissão da participação activa na vida da democracia é preocupante e tem vindo a crescer, sendo que na prática equivale à delegação das decisões políticas nos cidadãos que votam.

O que se verifica perante a instabilidade política no nosso país é que muitos abstencionistas arrependem-se de não ter exercido o seu direito e de ter contribuído, na devida altura, para dar outro rumo a Portugal.
Os cidadãos, e em especial as camadas jovens, alheados da política optam por não votar, desapontados com políticos que esquecem valores determinantes como a verdade, a credibilidade e a honra dos compromissos.

O fenómeno do abstencionismo é também responsabilidade dos partidos políticos. Há partidos que em contexto eleitoral apelam e motivam para o exercício do voto. Outros desincentivam porque quanto maior a abstenção, maior a percentagem de mandatos conquistados.
Será legítimo aqueles que não participam apontarem o dedo? Não é de ponderar a obrigatoriedade do exercício do voto?
A democracia implica cidadania activa, pois tem como objectivo agregar interesses públicos, de preferência legitimados massivamente pelas populações.
A responsabilidade toca a todos!

sábado, novembro 06, 2010

Frases do Discurso Conselho Regional JSD Madeira - 2010.11.05

‎"Saio feliz e livre, com sentido de missão e de dever cumprido" AT


‎"Hoje é um dia que demonstro aquilo que muitos duvidavam: Carácter, lealdade, príncipios e respeito pelo tempo" AT


"Saio com vontade de ficar, mas lá fora não estarei com a cabeça e as energias aqui, para determinar!" AT


"Não esqueçamos que quando estamos a apontar o dedo a alguém, estão três a apontar para nós!"

‎"Não há determinismos na vida, ninguém traça o futuro de ninguém. Acreditem em vós e nas vossas capacidades" AT

domingo, outubro 31, 2010

Orçamento de Estado, Novela Mediática, o Povo Paga!



O mediatismo do Orçamento de Estado (OE) para 2011 faz-me lembrar uma conferencia proferida pelo jornalista Carlos Fino, na minha faculdade, ainda quando era estudante, que retratava os dias que cobriu a Guerra no Afeganistão. Afinal, o episódio do OE 2011 também é uma guerra, desta feita sem armas, mas que envolveu um grande aparato de informação, que na sua dimensão foi semelhante à Guerra do Afeganistão.

Nessa conferência, Carlos Fino dizia que passaram-se dias e dias em que os jornalistas estavam distantes, ou até impossibilitados de assistir ao desenrolar da Guerra referenciada, mas todos os dias e todas as horas havia notícias e directos. Para quê? Para alimentar atenção das audiências, fazendo-se notícia sem notícia.

O episódio retratado faz lembrar o OE para 2011. Houveram especulações, cenários, negociações, desentendimentos, interrupções e por fim entendimento. PS e PSD andaram atulhados de preocupações, num cenário que já à partida se adivinhava, mesmo sem este aparato e sem todas as conferências de imprensa, que o PSD inevitavelmente teria de viabilizar o OE através da sua abstenção na Assembleia da República.

Fora da mesa das negociações, e através dos media, ficaram os portugueses a assistir à triste sina das contas públicas do nosso País. Afinal, o que verdadeiramente está em causa para os portugueses é uma factura reforçada de impostos e a perda de direitos e de benefícios sociais deste Estado Social.

Como dizia Carlos Fino havia avanços e recuos no Afeganistão sem se saber. Neste OE houve avanços e recuos que tiveram um desfecho que já se sabia, e se fingiu não saber.

O aparato político e mediático fez-se! Agora cabe aos portugueses assumir a factura de desgoverno do País. Como sempre, e como em todos os filmes que têm final feliz, o OE para 2011 acaba na mesa das negociações como um conto de fadas... e foram felizes para sempre. Felizes foram, Todos menos os Contribuintes.

quarta-feira, outubro 27, 2010

Resposta Brilhante a Um anúncio de Emprego!

Este anúncio foi publicado num famoso site de procura e oferta de trabalho nacional.
Um jovem recém-licenciado na área leu-o e achou que devia responder à letra!

A Revista Visão de 16 de Julho publica um artigo sobre o jovem que deu esta resposta!

A XXXXXXXXXX está a aceitar candidaturas para estágio na área de Design
Requisitos Académicos: Finalista ou recém-licenciada(o) em Design
Competências pessoais :
o Poder de comunicação;
o Iniciativa;
o Auto-motivação;
o Orientação para resultados;
o Capacidade de planeamento e organização;
o Criatividade
Competências técnicas :
Conhecimentos nos seguintes programas/linguagens
® Adobe Photoshop,
® InDesign,
® Illustrator (FreeHand e Corel Draw) Flash,
® Dreamweaver,
® Premiere,
® AfterEffects,
® SoundBooth,
® SoundForge,
® AutoCad,
® 3D StudioMax
® HTML (basic),
® ActionScript 2.0 (basic),
® CSS,
® XML.
Remuneração: Estágio Remunerado
Duração: 6 meses, com possibilidade de integração na equipa

Portanto, e resumindo, esta empresa quer um recém licenciado que saiba de origem 13 softwares e 4 linguagens de programação. Isto é o país em que vivemos.
Não me ficando atrás perante esta pérola, decidi responder no mesmo estilo.
Eis o que lhes respondi:

Boa noite,
Estou a entrar em contacto para responder ao anúncio colocado no site Carga de Trabalhos para a posição de estagiário em Design.
Chamo-me André Sousa, tenho 25 anos e sou um recém licenciado em Design de Equipamento (Fac. Belas Artes de Lisboa).
Sou extremamente comunicativo, transbordo iniciativa e auto-motivação, estou constantemente orientado para os objectivos como uma bússola para o Norte (magnético), sou mais planeado e organizado que o Secretário de Estado de Planeamento e Organização e sou um diamante da criatividade como já devem ter percebido e como vão poder comprovar nas próximas linhas.
Quanto aos conhecimentos técnicos:
Sou um mestre em Adobe Photoshop.
Conheço o InDesign por dentro e por fora.
O Illustrator, Freehand, Corel e o Flash são os meus brinquedos do dia a dia, faço o que quiser com eles.
Nem me ponham a falar do Dreamweaver, até de olhos fechados...
Premiere... Até sonho com ele!
AfterEffects tem um lugar especial no meu coração.
Faço umas coisas bem maradas com o SoundBooth e o SoundForge.
Com o Autocad e o 3d Studio Max até vos faço duvidar dos vossos próprios olhos.
Html, Action Script 2.0, CSS e XML são as linguagens do meu mundo.
Mas sejamos francos, qualquer estudante de 1º ano sabe de cor e salteado qualquer um destes 13 softwares e 4 linguagens de programação...
Eu sou um recém finalista. E como tal tenho muito mais para oferecer:
Tenho conhecimentos de Cinema 4D, Maya, Blender, Sketch Up e Paint ao nível de guru.
Tenho conhecimentos mega-avançados de C+, C, C++, C+ ou -, Java, JavaScript, Ruby on Rails, Ruby on Skates, MySQL, YourSQL, Everyone'sSQL, Action Script 3.0, Drama Script 3.0, Comedy Strip 3.0 e Strip Tease 2.5, Ajax, Vanish Oxi Action, Oracle, Sonasol, XHTML, Batman e VisualBasic.
Conheço o Office todo de trás pra frente assim como o Microsoft WC.
Domino o Flex ao nível do Bill Gates e mexo no Final Cut Pro melhor que o Steven Spielberg.
Tenho ainda conhecimentos de grande amplitude em 4 softwares que estão a ser desenvolvidos por grandes marcas e também de 3 outros softwares que ainda não foram inventados.
Falo 17 línguas, 5 das quais já estão mortas e 6 dialectos de povos indígenas por descobrir.
Com estes conhecimentos todos estou super interessado num estágio porque acho que ainda tenho muito para aprender e experiência para ganhar. Espero que ao fim de 6 meses tenha estofo suficiente para poder fazer parte da vossa equipa e quem sabe liderá-la.
Fico ansiosamente à espera de uma resposta vossa.
Embora tenha uma oportunidade de emprego na NASA e outra no CERN espero mesmo poder fazer parte da vossa equipa.

Cumprimentos,
A. S.

PS: Com um anúncio desses, a pedir o que pedem a um recém licenciado, é uma resposta destas que merecem. Peço desculpa se feri susceptibilidades mas não me consegui conter

terça-feira, outubro 26, 2010

Miguel Sousa Tavares - A CRONICA DA REALIDADE

Não é que seja um grande apreciador de Miguel Sousa Tavares, mas esta crónica evidência o País de ostentação que, por um lado imprime obras megalómanas, e por outro um País de Chinelo de Sapato, que quase não tem para sobreviver:

Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:
- É sempre assim, esta auto-estrada?
- Assim, como?
- Deserta, magnífica, sem trânsito?
- É, é sempre assim.
- Todos os dias?
- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.
- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?
- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.
- E têm mais auto-estradas destas?
- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.
- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?
- Porque assim não pagam portagem.
- E porque são quase todos espanhóis?
- Vêm trazer-nos comida.
- Mas vocês não têm agricultura?
- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.
- Mas para os espanhóis é?
- Pelos vistos...
Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:
- Mas porque não investem antes no comboio?
- Investimos, mas não resultou.
- Não resultou, como?
- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.
- Mas porquê?
- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.
- E gastaram nisso uma fortuna?
- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...
- Estás a brincar comigo!
- Não, estou a falar a sério!
- E o que fizeram a esses incompetentes?
- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.
- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?
- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.
Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.
- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?
- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.
- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?
- Isso mesmo.
- E como entra em Lisboa?
- Por uma nova ponte que vão fazer.
- Uma ponte ferroviária?
- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.
- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!
- Pois é.
- E, então?
- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.
Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.
- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...
- Não, não vai ter.
- Não vai? Então, vai ser uma ruína!
- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.
- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?
- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!
- E vocês não despedem o Governo?
- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...
- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?
- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.
- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?
- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.
- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?
- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.
Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:
- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?
- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.
- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?
- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.
- Não me pareceu nada...
- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.
- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?
- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.
- E tu acreditas nisso?
- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?
- Um lago enorme! Extraordinário!
- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.
- Ena! Deve produzir energia para meio país!
- Praticamente zero.
- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!
- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.
- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?
- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.
- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?
- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor.
Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:
- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?
- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez.
Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:
- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!