quarta-feira, junho 26, 2024

Novo Artigo no Observador: "A fulanização política que paralisa a Madeira"

https://observador.pt/opiniao/a-fulanizacao-politica-que-paralisa-a-madeira/
Partilhamos o mais recente artigo publicado no Observador, intitulado "A fulanização política que paralisa a Madeira"

Nele, aborda-se a encruzilhada em que a situação política da Madeira se encontra e faz uma reflexão crucial sobre o momento que exige atenção de todos- sociedade civil, partidos e políticos- na Região Autónoma da Madeira.

O artigo oferece uma análise sobre os desafios atuais e as implicações para o futuro da Madeira. 

Leia mais carregando no link👉🏻🔗 A fulanização política que paralisa a Madeira

Boa leitura! 

sexta-feira, junho 14, 2024

Opinião no Observador

É com grande satisfação que partilho convosco a minha estreia no Observador com o artigo de opinião "Crise política na Madeira: a hora da verdade". Nele, abordo a atual crise política na Madeira e discuto possíveis soluções.

👉🏻🔗 [Crise Política na Madeira: A Hora da Verdade] https://observador.pt/opiniao/crise-politica-na-madeira-a-hora-da-verdade/






ARTIGO:

Crise Política na Madeira: A Hora da Verdade


A Madeira enfrenta uma situação política complexa, resultante de diversas circunstâncias internas e individuais, que estão a gerar um quadro de instabilidade. Se a situação não se alterar, poderá desencadear, a breve trecho, uma nova chamada às urnas para eleições regionais.

A governação social-democrata na região tem sido hegemónica desde 1976, com resultados evidentes no progresso e desenvolvimento do arquipélago sob as lideranças de Alberto João Jardim, durante 37 anos, e de Miguel Albuquerque, nos últimos 9 anos. 

Falar em governação na Madeira é sinónimo de falar em social-democracia, até porque, embora em contextos e quadros políticos díspares, a oposição não tem sido capaz de se apresentar aos Madeirenses com um projeto de verdadeira alternativa para a região. No entanto, desde 2012, devido ao desgaste do partido e da governação, os sinais de instabilidade foram crescentes, culminando em 2024 com múltiplos fatores:


1. Autárquicas de 2013:

A primeira grande clivagem no Partido Social Democrata da Madeira (PSD/M), aconteceu em 2012 com a primeira disputa interna quando Albuquerque enfrentou Jardim, tendo vencido este último por uma margem mínima. Essa divisão resultou na perda de 7 das 11 câmaras municipais, com a oposição a dominar pela primeira vez as autarquias na Madeira.


2. Divisão no PSD/M:

Em 2014, no processo de sucessão de Alberto João Jardim, seis candidatos disputaram a liderança, resultando numa nova direção que se mostrou incapaz de unir o partido e de promover a unidade na diferença. A ideia de "nós e eles" persistiu, e as ações não inclusivas e a perda da matriz popular agravaram a perceção pública, apesar de alguns resultados positivos de governação.


3. Perda das Maiorias Absolutas:

As maiorias absolutas do PSD/M terminaram em 2015, obrigando o partido a acordos com o CDS e, posteriormente, com o CDS e o PAN, alterando profundamente a dinâmica política. Estas novas realidades obrigaram a estar em condições de negociar e a ceder, incluindo a presidência da Assembleia Legislativa, primeiro órgão de poder político da Madeira, a um partido com apenas 2 ou 3 deputados.


4. Investigação Judicial:

Em janeiro de 2024, uma investigação judicial agravou a instabilidade. As hesitações, incluindo a não demissão, demissão e retorno do Presidente do Governo, bem como a não aprovação do Orçamento Regional, criaram um caos e um desgaste político pouco percetível para os cidadãos.


5. Eleições Internas e Consequências:

Todo o processo desencadeou uma clarificação interna no PSD/M, com eleições internas a 21 de março, marcadas por diversos incidentes, nomeadamente prazos curtos e condicionamentos no pagamento de quotas, que poderiam alargar o universo eleitoral interno.

Miguel Albuquerque venceu por uma margem mínima de 54% contra 46% de Manuel António Correia, tendo o projeto vencedor argumentado que era necessário assegurar a estabilidade para evitar eleições antecipadas, o que não se veio a comprovar.

Fruto dessas eleições, Albuquerque implementou exonerações políticas no Governo Regional de apoiantes adversários e manteve um discurso de facção, aprofundando a divisão no partido. No lançamento das eleições regionais, o presidente social-democrata não teve a atenção de promover pontes internas e, por mais estranho que possa parecer, não traçou linhas vermelhas para os entendimentos com a oposição.


6. Impasse Político:

Das eleições regionais de 26 de maio resultou numa minoria parlamentar do PSD/M, em coligação com o CDS/PP, e mesmo sem traçar linhas vermelhas enfrenta a clara oposição da maioria dos partidos. Neste contexto, a oposição tem dado sinais de que não aceita Miguel Albuquerque como líder, o que, se mantido, poderá levar à queda do Governo Regional.


O PSD tem uma grande responsabilidade no estado atual da política na Madeira. Esta é a oportunidade para o partido ouvir todos, a sociedade, os partidos e os seus militantes, promovendo decisões conscienciosas, legitimadas e adequadas para um novo tempo e um novo ciclo político.

O PSD, se quiser sair da crise que mergulha simultaneamente a região, deverá ser um exemplo de visão para o futuro, indo além das divisões internas e reconquistando a confiança dos eleitores. 

O partido, se quiser manter a sua hegemonia, precisa de se reconectar com as suas bases e capitalizar os votos dos descontentes e abstencionistas, antes e enquanto a oposição regional se apresente como uma alternativa segura e credível de governação.

A hora é da Madeira, a hora é de encontrar a curto e médio prazo um quadro de estabilidade política na região, pois os problemas que afetam os cidadãos amontoam-se e precisam de resoluções urgentes!

António Trindade

segunda-feira, junho 10, 2024

VITÓRIA DAS ELEIÇÕES EUROPEIAS FOI…

 🗳️ 🇪🇺VITÓRIA DO DIA 
Cadernos Digitais e Voto em Mobilidade para Todos 
👉🏻  votar foi muito mais simples e cómodo. Assim, sim! 👍 Consequência: baixou a abstenção, embora não tanto como desejável. 

Há que continuar o caminho de uma Democracia melhor para Todos! 🌍


Madeira Garante Representação no Parlamento Europeu

 

A Madeira enfrentou uma noite eleitoral emocionante e conseguiu eleger um deputado para o Parlamento Europeu, assegurando assim sua representação e influência em decisões cruciais. Sérgio Gonçalves, do PS, será a voz da região em Bruxelas. A União Europeia é essencial para a coesão e continuidade territorial, e ter um representante é fundamental para garantir que a Madeira esteja próxima das oportunidades que podem beneficiá-la nos próximos cinco anos.

É crucial que a região e os partidos políticos, nacionais e regionais, continuem a dar prioridade a esta questão no futuro. Olhemos para o caso dos Açores que terá 3 representantes em Bruxelas. 

 As regiões ultraperiféricas, como a Madeira, possuem especificidades que merecem representação europeia, uma responsabilidade coletiva que não pode ser ignorada, especialmente devido ao impacto dos dossiers europeus no dia a dia do arquipélago.


Deputados Eleitos

Eleições Europeias 2024: Deputados Eleitos
PS - 8
  • Marta Alexandra Fartura Braga Temido de Almeida Simões
  • Francisco José Pereira de Assis Miranda
  • Ana Catarina Veiga dos Santos Mendonça Mendes
  • Bruno Alexandre Rocha Gonçalves
  • André Filipe Franqueia Rodrigues
  • Carla Maria Nunes Tavares
  • Isilda Maria Prazeres dos Santos Varges Gomes
  • Sérgio Miguel Sousa Gonçalves
AD - 7
  • Sebastião Maria Reis Bugalho
  • Paulo Alexandre Matos Cunha
  • Ana Miguel Pedro Soares
  • Hélder António Guerra de Sousa e Silva
  • Ana Lídia Fernandes Oliveira Pereira
  • Sérgio Humberto Pereira da Silva
  • Paulo Roberto de Medeiros do Nascimento Cabral
IL - 2
  • João Fernando Cotrim de Figueiredo
  • Ana Vasconcelos Martins
CHEGA - 2
  • António Manuel Moreira Tanger Corrêa
  • Tiago da Mota Veiga Moreira de Sá
CDU - 1
  • João Guilherme Ramos Rosa de Oliveira
BE - 1
  • Catarina Soares Martins

segunda-feira, junho 03, 2024

A voz da nova geração política da Madeira

Esta manhã, tive o prazer de participar numa interessante conversa sobre cidadania e participação política na Escola Secundária Gonçalves Zarco. Durante o encontro, partilhei um pouco do meu percurso político, académico e profissional e debati temas importantes como habitação, emprego, emigração, imigração e a análise da situação política atual.

Fiquei profundamente impressionado com o interesse e a participação ativa dos jovens. Demonstraram uma notável consciência política e um genuíno interesse por questões que afetam a nossa sociedade e região, especialmente os assuntos relacionados com os cidadãos da Região Autónoma da Madeira. Foi inspirador observar como estão conscientes das questões que impactam diretamente as suas vidas e como estão dispostos a discutir e encontrar soluções.


Durante o debate, os alunos representaram os partidos políticos Bloco de Esquerda, PS, CDS, Juntos pelo Povo e Iniciativa Liberal. Infelizmente, os representantes do PSD, Chega, CDU e PAN não conseguiram marcar presença porque estavam em Erasmus. Cada grupo estudou as propostas dos partidos nas diferentes áreas em discussão, mantendo coerência com as matrizes ideológicas de cada partido.


Os temas abordados – habitação, emprego, emigração, imigração e a situação política atual – são de extrema relevância para a sociedade. Foi gratificante ver como os estudantes se envolveram ativamente, apresentando argumentos fundamentados e revelando uma compreensão profunda dos desafios e das possíveis soluções. O entusiasmo e a vontade de aprender desses jovens são um sinal promissor para o futuro da democracia.


A seriedade com que prepararam o debate evidenciou que os jovens não estão alheios à política e ao bem-estar comum. Foi interessante recordar, 28 anos depois, os meus tempos de estudante, onde partilhei experiências semelhantes, como o gosto pela política e a ativação da associação de estudantes. Também o fiz na minha escola em 1997, na Escola Básica e Secundária Bispo D. Manuel Ferreira Cabral de Santana.


Os partidos políticos devem considerar seriamente estas gerações e encontrar formas de atrair a sua participação nas iniciativas políticas. Os jovens demonstram interesse e boas intenções para resolver os problemas atuais da Madeira, empenhando-se em melhorar a qualidade de vida de todos e promover o progresso e a justiça social.


Esta experiência foi verdadeiramente inspiradora e enriquecedora. Observar a energia e o empenho desses jovens dá-me esperança para o futuro da nossa democracia. Destaco a dedicação desses jovens que estão empenhados em promover uma melhor democracia para todos.


Acredito firmemente que iniciativas como esta são fundamentais para promover uma cidadania ativa e participativa. Ao envolver os jovens em discussões políticas e sociais desde cedo, estamos a construir uma base sólida para uma sociedade mais justa, informada e comprometida com o bem comum.


Espero que estas iniciativas continuem a crescer e a prosperar, alimentando o espírito crítico e a participação cívica dos nossos jovens. Todos temos a missão de construir um futuro melhor para todos.

António Trindade

domingo, junho 02, 2024

Opinião formada


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Como enfrentar as dores de crescimento da Madeira

O crescimento económico da Madeira, impulsionado pelo "boom" turístico, trouxe problemas que não podemos ignorar. A saturação de locais turísticos, o aumento das unidades de alojamento local como fonte de rendimento principal dos proprietários, a falta de mão-de-obra qualificada e a pressão imobiliária são questões prementes. Os madeirenses enfrentam dificuldades crescentes para arrendar ou comprar casa, com os custos da construção civil a disparar e a escassez de mão-de-obra a criar um cenário insustentável.

Este paradoxo do pleno emprego, que deveria ser positivo, revela-se problemático com a falta de trabalhadores em setores-chave como serviços, construção, agricultura, hotelaria e restauração. A vinda de mão-de-obra estrangeira é uma solução bem-vinda, mas é essencial assegurar os direitos laborais e condições de vida dessas pessoas que escolhem a Madeira para trabalhar.

A atratividade da Madeira para estrangeiros com elevado poder de compra elevou os preços das casas a níveis insustentáveis para os locais. Um madeirense pergunta-se: "Como vou poder comprar ou arrendar uma casa se os preços estão fora do meu alcance?" A Madeira, que deveria ser um paraíso para todos, está a tornar-se um local de dificuldades para os próprios madeirenses.

Para resolver estes problemas, precisamos de políticas reguladoras firmes e estratégias inovadoras. É essencial regular o turismo com critérios claros, adaptados à densidade populacional de cada área. Não podemos permitir que este contexto continue a deteriorar a qualidade de vida dos residentes.

É urgente reorientar o turismo, focando-se na qualidade em vez da quantidade. Apostar em menos turistas, mas que gastem mais e permaneçam mais tempo, é uma solução viável e sustentável. Diversificar as atrações turísticas por toda a ilha também é crucial para distribuir melhor o fluxo de visitantes e aliviar a pressão dos pontos mais saturados.

Além disso, é fundamental reforçar os apoios à fixação de população em zonas menos populosas da Madeira, compensando os custos dessa escolha com incentivos fiscais, subsídios à habitação e melhores serviços e infraestruturas. Precisamos de uma Madeira para todos.

Este é o momento de agir com coragem e determinação. A nossa ilha não pode ser apenas um destino turístico; deve ser, acima de tudo, um lar para os seus habitantes. Regular o e promover um turismo de qualidade, diversificar as atrações e apoiar a fixação populacional são passos essenciais para transformar estes desafios em oportunidades. A hora é agora, e já está ficando tarde para enfrentar problemas que atingem todos os estratos sociais da nossa sociedade!
António Trindade