No portal de um quintal há sempre uma floreira, há sempre
uma flor, nem que seja a ultima haste, com a última pétala.
É na beleza da última pétala onde há mais brilho, onde se
aprecia a cor, a essência.
No jardim com muitas flores todos passam a ser mais uma,
logo menos apreciadas, menos acarinhadas e menos tratadas.
Mas quando já não há flores, e quando na última flor há
apenas uma pétala ela certamente será mais cuidada, terá até mesmo a atenção
exagerada pela beleza que reflete e o preenchimento que exerce.
Está para a última pétala um olhar diferente, na certeza que
virá uma nova primavera, e que nessa nova época voltarão a existir muitas mais
flores e outras belezas que farão esquecer o jardim despido com a última haste,
com a última pétala.
E a última pétala? Sim, a última pétala será esquecida com
tantas outras flores, como tantas milhares de pétalas.
O valor está em quem cuida, em quem olha, e quando se
relativiza, o essencial passar a ser mais uma.
Será sempre assim, quando a relatividade passa a ser
prática, tanto no jardim como na vida, a última pétala será mais uma como
tantas outras assim o foram.
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