PUBLICADO NA EDIÇÃO IMPRESSA |
http://impresso.jornaldamadeira.pt/opiniao.php?Seccao=12&id=235876&sdata=2013-01-20
O Partido Social Democrata nacional pode estar próximo de alcançar resultados eleitorais menos positivos por via dos sucessivos erros de governação do seu líder e primeiro-ministro, Dr. Pedro Passos Coelho. Apontam-se alguns erros que têm originado a descrença e a contestação popular ao PSD:
- Erros de Comunicação
A inabilidade comunicacional do Governo da República tem originado fugas de informação sobre matérias sensíveis, que tinham a obrigação de ser trabalhadas na esfera privada do Governo, gerando contestação sobre suposições e questões que não estão materializadas e devidamente aprofundadas. Por sua vez, ainda em matéria de comunicação, é de senso comum que os exigentes esforços pedidos aos portugueses não têm sido acompanhados de uma estratégia de comunicação explicativa sobre os motivos que os originaram e os objetivos que se propõem atingir. Os portugueses não estão à espera de facilidades ou de milagres, mas têm o direito de saber se o rumo que trilham e os esforços que suportam levarão à reabilitação do país. A política sem comunicação é uma falácia e a governação sem clareza é um “tiro” às escuras que origina a descrença e a falta de solidariedade popular.
- Inabilidade na Coligação de Governo
Não há dúvidas que este Governo da República é sustentado por uma coligação de conveniência, não existindo concertação nas posições públicas nem a partilha de responsabilidades, em especial sobre medidas impopulares que têm vindo a ser adotadas. O que temos assistido é, por um lado, os membros do Governo do PSD sistematicamente a liderar os dossiers difíceis e impopulares e, de outro, os ministros do CDS a aproveitar os dividendos da governação em ações de diplomacia ou então em inaugurações, a exemplo do que assistimos no início da semana passada quando assistimos ao Ministro dos Negócios Estrangeiros e a Ministra da Agricultura a inaugurarem uma fábrica do sector primário. Este modelo de governação está esgotado, as boas políticas favorecem o CDS e os destroços das políticas impopulares resvalam sempre para o PSD.
- Reorganização administrativa
A reorganização administrativa do território das freguesias, que foi um objetivo do PSD, poderá beliscar a sua preponderância enquanto partido do poder local. A ausência de um debate junto da sociedade civil e a arrogância em forçar a reorganização administrativa sem a devida explicação dos benefícios para as populações e para o Estado, se é que existem, poderá ter efeitos já nas próximas eleições autárquicas. Não é ingénua a declaração do senhor Presidente da República, subsequente à promulgação da lei, que advertiu para a necessidade de serem tomadas as medidas adequadas para assegurar a normalidade nas eleições autárquicas, bem como o alerta que faz sobre as implicações desta reforma administrativa, pois interfere com mais de 200 municípios e reduz cerca de 1000 freguesias. Antecipamos um cenário de contestação, especialmente pela perda de identidade das populações das freguesias visadas e pela privação de alguns meios/serviços que, até há bem pouco tempo, tinham ao seu dispor.
- Relação com as Regiões Autónomas
Se há assuntos de governação que são autênticos desastres são certamente as matérias conexas com as Regiões Autónomas, em que há uma atitude centralizadora e quase “pidesca” para com estes territórios. No que se refere à Madeira, começando pelo dossier do Centro Internacional de Negócios até ao plano de ajustamento económico e financeiro e culminando com a proposta de lei de finanças regionais, são descarados os sistemáticos atropelos ao desenvolvimento e à solidariedade nacional. Apesar da maioria governativa na República ser social-democrata, comportam-se como se fossem da oposição, criando sucessivos problemas e manifestando falta de vontade em resolver as questões pendentes. Este Governo do PSD, a par do Governo de Sócrates, ficarão para a história como os governos mais anti-autonomistas da história e como os maiores inimigos dos povos insulares, motivados por uma obstinação política e quiçá até pessoal.
Os erros políticos exigem mudança, impõem a necessidade de uma nova liderança no PSD e a nomeação de um novo Governo da República que devolvam, a nível partidário e governamental, uma orientação humanista, personalista e interclassista. O PSD não deverá ser parte do problema ou origem de uma crise política, antes sim, solução responsável e merecedora da confiança eleitoral que lhe foi dada pelos portugueses em 2011. É hora da mudança sob pena de o PSD e o país ficarem sequestrados e sem solução!