
As eleições directas do PSD começam a efervescer perfilando-se três candidatos à liderança do PSD, aos quais cabe disputar e conquistar os militantes do PSD. As três candidaturas assumidas permitem a seguinte análise:
Pedro Passos Coelho
Pedro Passos Coelho tem cultivado um projecto de liderança ao PSD. Aliás, é bem visível no seu percurso e nas suas atitudes, especialmente após a derrota no último processo eleitoral interno, em que cria um movimento que acabou por ser uma tentativa de “liderança sombra” a Manuela Ferreira Leite. Este jovem quadro da JSD não privilegiou a unidade e canalizou as suas energias para deitar a baixo e criticar o seu partido, o mesmo partido que agora vem pedir votos.
Foi o primeiro a anunciar a candidatura à liderança e revalida a sua intenção de liderar o PSD. Na anterior corrida à liderança disputou com Pedro Santana Lopes e Manuela Ferreira Leite.
No meu ponto de vista, e no que me diz respeito, considero que este perdeu qualquer tipo de credibilidade. Passos Coelho afirma-se numa posição de hostilidade para com a Lei das Finanças Regionais, bem como para com o líder do PSD Madeira, Alberto João Jardim. Um erro crasso! Passos Coelho esquece-se que a oposição está fora do PSD, e que no mínimo deveria ter respeito e consideração, para com a única Região que há mais de trinta anos tem dado confiança e vitórias ao Partido Social Democrata.
Mas não está apenas em causa o “patriotismo partidário”, mas sim uma falta de sentido de Estado, especialmente quando a Região Autónoma da Madeira sofreu nos últimos 5 anos atrocidades e discriminações por parte do Governo Socialista liderado por José Sócrates.
Face aos motivos apresentados, Passos Coelho não merece ser líder do Partido Social Democrata, especialmente quando faz o jogo e até discurso do Partido Socialista.
Paulo Rangel
É certo que Paulo Rangel é o candidato menos carreirista no PSD, mas não significa que não tenha créditos e percurso político. Aliás, dos três candidatos, Paulo Rangel é o único com créditos no País, foi o cabeça de lista do PSD às eleições europeias e venceu. Este é um ponto crucial numa análise para os projectos de liderança do PSD, um candidato não basta conquistar o partido e as suas estruturas, mas deve também evidenciar capacidades de conquistar o eleitorado português.
Paulo Rangel hesitou na sua candidatura, mas fê-lo porque acreditava que o eterno candidato Marcelo Rebelo de Sousa chegasse à frente, não acontecendo, apresentou o seu projecto e promete “rasgar” e ser uma alternativa que aposta na credibilidade do partido para conquistar o país.
Aguiar Branco
A candidatura à liderança é tudo menos imprevisível, especialmente quando começou a consolidar a sua posição desde a sua eleição para a liderança do Grupo Parlamentar do PSD. Aguiar Branco é um candidato com um percurso interessante no seio do PSD e inclusive em algumas funções governamentais, no entanto é a continuação do PSD dos últimos tempos, sem protagonizar, no meu entender a esperança aos portugueses. Não é isso que o partido precisa, o partido precisa de uma ruptura e de novos protagonistas.
Considero que Aguiar Branco não reúne o perfil desejado para a liderança, no entanto deve fazer parte da solução, e daí que defendo que deve protagonizar com Paulo Rangel uma solução forte, consciente e esperançosa. Aliás, quer Paulo Rangel e Aguiar Branco foram dois braços armados de Ferreira Leite, que do meu ponto de vista desempenharam um papel muito satisfatório na liderança do PSD, daí que nenhum deles deve ser preterido no núcleo duro do partido num futuro próximo.
O PSD precisa de um virar de página e estou seguro que as eleições directas que se avizinham vão direccionar o partido para um novo rumo e para um novo ciclo. O Partido não pode cair no erro de eleger mais do mesmo, ou seja um sósia de José Sócrates, precisamos de mais verdade e de menos espectáculo, de mais credibilidade e menos imagem.
A verdade, a credibilidade e a esperança tem sido traços transversais da história do PSD, e mais uma vez, o partido quer fazer história, e muito em breve, ser agente activo do país.
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