quarta-feira, novembro 14, 2018

ILHA, UM LUGAR ENCONTRADO


Falar da Ilha é falar de uma localidade exemplar na Madeira. Pese embora todas as dificuldades que a sua história retrata, desde há uns anos a esta parte, aquela pérola perdida foi encontrada.

A referência à Ilha como pérola tem por base as suas genuínas e vincadas tradições, a extensa e bela mancha paisagística, o amor da população à terra e a hospitalidade que carateriza as suas gentes. Estes são traços únicos que não se podem reproduzir em qualquer outra localidade do mundo, isto se tivermos em conta que vivemos num mundo global e indiferenciado.

As pessoas da Ilha foram os principais impulsionadores da evolução da localidade. Um povo unido, que juntou a sensibilidade dos decisores à vontade de evoluir, e que, juntos, empenharam uma verdadeira revolução pacífica, pelo que não duvido que o seu desenvolvimento socioeconómico possa ser analisado como um caso de estudo.

Na verdade, foi graças à atitude de tantos homens e mulheres desta freguesia, que a Ilha despertou para as necessidades de desenvolvimento, nomeadamente a nível de acessibilidades e dos meios de primeira necessidade, tendo o progresso sido coroado com a elevação a freguesia a 15 de abril de 1989, a primeira freguesia criada sob a égide da autonomia política da Região Autónoma da Madeira.

A história não parou no reconhecimento administrativo da localidade, as suas gentes, sejam eles emigrantes ou os que cá ficaram, sempre foram talhados para o progresso, e munidos de uma forte consciência de interajuda.

Os emigrantes organizaram melhor as suas vidas, o que, na altura, a terra não favorecia, e ajudaram também os que ficaram. Aqueles que optaram por viver na Ilha também não se acomodaram, uns apostando na agricultura, nomeadamente no modo empresarial, outros no pequeno comércio e as gerações mais jovens apostaram na sua formação. Curioso que no capítulo da formação, durante cerca de duas décadas, os indicadores andaram bem próximas dos 100%, não só nos níveis de alfabetização, mas, também, no que se refere ao acesso ao ensino superior.

Simultaneamente as instituições locais desempenharam um papel crucial no desenvolvimento da Ilha e das suas pessoas. As redes viárias, os caminhos agrícolas, as infraestruturas para os serviços, os eventos de referência, as iniciativas de empreendedorismo social, os grupos culturais, as atividades de ocupação e de inclusão, os projetos de formação profissional, o ensino recorrente, a promoção da prática da atividade desportiva, a valorização das tradições, foram todas dinâmicas essenciais que complementaram um processo de evolução da freguesia da Ilha.

Sim, de facto as zonas rurais não só são paisagem, não só são sítios alocados ao abandono, são sim importantes locais que dão caracterização à nossa terra. E porque também não explorar e valorizar os lugares encontrados como a Ilha? Não queiramos estagnar no tempo e voltar ao antigamente, afinal somos todos responsáveis pela forma como promovemos, cuidamos e apresentamos a nossa terra.


Saibamos dar a volta enquanto é tempo, pois os prós dos locais como a Ilha ainda são bem mais fortes dos que os contras.
Diário das Freguesias:
https://freguesias.dnoticias.pt/ilha-lugar-encontrado/

terça-feira, novembro 13, 2018

NÃO HÁ IDADE PARA TER JUÍZO


Alberto João Jardim apresentou a sua mais recente obra “Diz Não”. 

Mais um trabalho literário, desta feita um romance, que junta a tantos outros pensamentos, publicadas em livro ou não, mas sempre com autênticos rasgos de inteligência e de análise. Um homem com um pensamento fora do comum e sempre à frente do padrão dominante e vigente. 

Passados cerca de 4 anos depois de ter deixado os destinos políticos da Madeira, Alberto João Jardim continua igual a si próprio: intemporal, insatisfeito e crítico. 
De facto, faz sempre bem ouvir um Não de quem passou uma vida inteira a dizer Sim aos Madeirenses, mas que disse tantos Nãos ao Status Quo em detrimento de outros desafios políticos. 
No seu discurso de apresentação do livro refere que há quem lhe diga se ainda não tem idade para ter juízo. De facto, o Ex Presidente  do Governo Regional  da Madeira não tem idade para ganhar juízo, porque nunca o perdeu.
Habitou-nos a ver de longe a Região e o País, com uma dimensão patriótica e altruísta e analisando a vida política como ninguém. De facto, quase sempre o tempo lhe deu razão e a sua visão esteve sempre à frente do seu tempo. 
Para mim, é, sempre foi, e será para sempre uma referência política. Há quem seja transversal, que esteja aqui e ali, que se ache mais vertical e coerente,  eu continuo igual aos meus princípios, mesmo quando não há nada em troca. 
Que Alberto João Jardim continue a fazer-nos ver além das evidências e do que nos deixam ver. 

Boa leitura. 

quinta-feira, novembro 08, 2018

FEZ-SE ASENEIRA


Sem ainda estar em vigor, o Brexit é já uma grande asneirada dos ingleses. Tudo aconteceu porque ninguém levou a sério o referendo. Foram tantos os britânicos que ficaram em casa porque consideravam ser apenas mais um referendo e que nada se alteraria. No entanto, o resultado surpreendeu o Mundo, e mais curioso ainda, acaba por surpreender os britânicos.  

Os problemas dessa decisão acabam por ser medonhos, desde os de foro interno, que abalam a união do Reino, e os de foro externo, nomeadamente nas relações económicas, políticas, culturais e sociais com os países da que fazem parte da União Europeia.

São irreparáveis os danos que todo este processo está a gerar. Neste contexto parece existir apenas uma solução, a de um novo referendo. São crescentes as vozes que defendem esta solução como foi a de Tony Blair ontem na Web Summit em Lisboa “100% a favor de um novo referendo ao Brexit”.

Esperamos pacientemente que aconteça o tão desejado referendo e que se acabe com o suspense e de uma vontade sem vontade, de um BREXIT ou de um BRIN, antes que seja tarde demais. 

quarta-feira, novembro 07, 2018

O QUE O POVO DÁ, O POVO TIRA

O dia de ontem fez com que hoje o mundo acordasse mais sereno. As eleições intercalares na América deixaram uma importante lição, a de que «o que povo dá, o povo tira». 


Não é que o Presidente Donald Trump perdesse as eleições, até porque não foi bem assim, mas ficou fragilizado. O Presidente Trump, para governar, fica agora obrigado a estabelecer equilíbrios, a depender de negociações a estar exposto a uma maior fiscalização. 

Está assim relançado o equilíbrio de forças nos Estados Unidos da América, e está colocada na agenda as eleições presidenciais dentro de dois anos, e ao que tudo indica serão disputadas. 

É a democracia a funcionar, há que a entender e respeitar.