(Artigo de opinião mês Fevereiro - revista Madeira Digital )
A crise económica na Venezuela, originada pela ditadura política vigente, é um assunto que não pode deixar nenhum madeirense indiferente, até porque há uma enorme comunidade madeirense a residir naquele país.
Não podemos, de algum modo, passar ao lado de uma realidade que, por si só, é de uma violência atroz. As crises na Venezuela têm destruído aspirações, património e bem-estar de tantas famílias madeirenses que apostaram tudo naquele País, com a agravante de ter efeitos na nossa própria economia, quer por via da perda de remessas, quer pela anulação de investimento daquela comunidade, que muito contribuiu e contribui para o desenvolvimento da nossa Região.
Felizmente a Madeira de hoje não é a mesma da que propiciou a saída de tantos e tantos conterrâneos para a América do Sul. Repito, não é a mesma de todo. Mas seria fazer vista grossa não reconhecermos que o rasgo da partida à aventura na procura incessante de melhor qualidade de vida para terras longínquas por estes nossos irmãos, contribuiu não só para a ansiada melhoria de vida dos seus protagonistas, como para todos os que cá ficaram, proporcionando através das suas transferências financeiras uma melhoria acentuada de qualidade de vida. Senão vejamos, foram os investimentos em habitações, foram as empresas que criaram, foram as famílias que ajudaram financeiramente e não só, até mesmo na dimensão cultural o que permitiu um intercâmbio que fez crescer e abrir horizontes a todos.
Esta é uma crise sem precedentes, que mata sonhos e que coloca em causa até a própria subsistência de homens e mulheres trabalhadores, empreendedores e aventureiros. O estado venezuelano não olha a meios para os seus fins, características de uma ditadura comunista que promove a desigualdade e que mais não faz do que fomentar uma sociedade medíocre, dependente e refém da política musculada. E o que temos feito para fazer face a esta situação? Assistimos impávidos. De facto, existem muitas cartas de intenções, muitas demonstrações de solidariedade que não passam de gestos, mas que pouco se têm materializado. É compreensível o desespero e até mesmo a revolta daqueles que não têm saída, até mesmo o de conseguir uma viagem para regressar à sua terra natal, pela inércia de uma suposta ordem internacional.
De facto, é mais do que claro, que a Venezuela hoje não é apetecível do ponto de vista dos interesses e dos recursos naturais. Se assim o fosse a atitude seria outra, seria a de enfrentar o poder instalado e déspota, de modo a normalizar o clima político, o modelo social e financeiro do país.
Por mais esperança que exista em quem tudo deu a um país que outrora o acolheu, ou mesmo por via das preces de tantos irmãos crentes, o tempo passa, a situação agudiza, o desespero é medonho e a crise não só instala-se como progride. É tempo de dizer BASTA! É tempo de acabar com tantas atrocidades à vida humana. Já é tempo de por fim a este flagelo social. É hora de fazer valer as instâncias internacionais, com firmeza e com voz firme, lembrar que existem milhares que esperam por nós, que precisam de ajuda e que têm de ser resgatados da mão de um regime viciado, anarca e que ostraciza a dignidade humana.
Urgem medidas que coloquem a razão à tona, que condicionem este estilo de governar e que acabem de uma vez por todas com a perseguição instalada.
O povo venezuelano, e, em particular, os madeirenses na Venezuela, não merecem ser vítimas desta cabala nem de estar presos nas garras de um sistema armadilhado e interesseiro que mais não quer do que conservar e manter o domínio político a todo o custo.
E nós, residentes na Madeira, temos a obrigação e o dever de solidariedade, de dar voz a quem neste momento não tem: Aos nossos irmãos residentes na Venezuela.
